quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CURA E LIBERTAÇÃO



Para obtermos a verdadeira cura e libertação vamos abrir nosso coração ao Divino Espírito Santo para que Ele nos fortaleça e faça ver a realidade de nossa vida totalmente preenchida pelo amor de Deus. Iniciamos esta reflexão afirmando que todos necessitamos de cura e libertação.
Do que precisamos ser curados e libertados? A resposta podemos encontrar no próprio sentido da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Se não precisássemos ser libertados e curados Jesus não teria passado tudo que passou para nos salvar e não teria enviado o Espírito Santo para nos auxiliar em nosso processo de santificação.
A primeira cura e por consequência, a primeira libertação acontece quando nos livramos do pecado e de sua ressonância em nossa vida. O maior problema do pecado é o nosso isolamento de Deus, quebra de comunicação, e a desconfiança de que Ele possa nos perdoar e aceitar novamente.
A nossa oração e todo o nosso empenho deve ser aplicado no reconhecimento do amor que Deus tem por nós. O ser humano é uma bomba que quer se sentir amado e amar. Quando fomos amados na nossa infância, na adolescência, na juventude, na fase adulta, enfim, se estamos nos sentindo amados neste momento, estamos em processo de cura e libertação (Lc 15, 11-32).
A nossa vida é um grande mistério, todos temos altos e baixos, momentos de profunda alegria e de profunda decepção. Muitas vezes nos colocamos no centro do mundo, somos egoístas e auto suficientes pensando que somos uma fábrica de realização pessoal. O pecado nos faz fortes, nos estampa uma alegria superficial que é capaz de convencer aos outros e a nós mesmos. Ficamos “anestesiados” em relação ao amor de Deus e passamos a admirar as coisas do mundo e de nossa sensualidade.
O Espírito Santo vem até nós para abrir o verdadeiro horizonte de nossa vida. Jesus nos diz que iremos conhecer a verdade e a verdade nos libertará (Jo 08, 32). Esta libertação é um processo. Inicia nos aspectos morais de nossa vida até chegar ao íntimo de nosso ser, quando nos sentimos moradas de Deus.
Quando olhamos para Jesus com o olhar do filho pródigo (Lc 15, 11ss), estamos abrindo um grande espaço em nosso interior para sermos curados. Quando Jesus curava os doentes olhava para eles especialmente para a abertura ao amor pela Fé. Jesus curava independente da lei judaica, pois para ele era mais importante a salvação da pessoa que um simples cumprir aparente (Lc 14, 01-07). Toda a mensagem de Jesus se relaciona com a cura do egoísmo. Do pensamento que o mundo gira em torno de nosso eu.
A Fé é capaz de nos curar e de curar os nossos irmãos. Somos consagrados a Deus pelo nosso batismo, todos nós exercemos o sacerdócio comum dos fiéis. O cristianismo é bonito pelo seu altruísmo. Somos parte da comunidade daqueles que crêem em Deus Trindade. Não podemos entender Deus sem utilizarmos o verbo sair. Deus saiu de si mesmo para nos criar com a finalidade de participarmos de sua felicidade. Só seremos felizes quando fizermos os outros felizes. Rezar pelos outros também é um método para nos livrarmos de nossas fraquezas e limitações.
Hoje percebemos muitos “cadáveres ambulantes”, pessoas que não sabem sua origem e nem seu fim. Não sabem quem as criou e para o que foram criados. As relações comerciais estão acima das relações humanas deteriorando profundamente o sentido da vida humana. Quando nos perguntamos o que somos e para onde vamos não nos conformamos com o consumismo que nos consome. Para piorar esta situação existe a manipulação da mídia.
Somos cristãos (portadores de Cristo pela nossa vida), dentro de um mundo descristianizado. As vezes podemos até participar ativamente da Igreja, mas estamos longe de viver os valores daquele que é o centro de nossa Fé. Só o amor poderá construir algo em nossa vida. Podemos perceber na recuperação dos dependentes e dos detentos, que a mensagem que eles necessitam é a realidade de que embora tenham cometidos muitas coisas más, ainda são amados por Deus. Nós até poderemos fazer uma tentativa de esquecer o nosso Criador, mas Ele é incapaz de passar um momento sem se lembrar de nós. As nossas dificuldades, do passado, do presente e do futuro devemos “entregar” a Deus. Elas não nos pertencem, estão fora de nós e poderão até servir para a nossa verdadeira realização. Devemos transformar os limões de nossa existência em limonada.
Quando olhamos para os mártires, vemos ao lado de suas figuras ou imagens o instrumento em que foram torturados. Eles abraçam estes instrumentos tão terríveis de uma forma tão afável e carinhosa que nos impressiona. Acredito que devemos olhar para a nossa história da mesma forma, os instrumentos de tortura que podem ser os aspectos negativos de nossa existência, devem ser vistos de uma outra forma. Um dia estaremos todos na eternidade e iremos rir de nossas limitações e ver que muitas vezes valorizamos em nossa vida aquilo que não tinha tanto valor e deixamos de lado o essencial.
Não podemos nos ancorar em nosso passado. Tudo passa, só Deus basta nos diz Santa Teresa por que ficarmos ancorados nas sombras de nossa vida sem vermos o sol do amor que Deus sente por nós?
Diante de Jesus vivo em nossa vida seremos curados. Vamos perceber tudo que nos passou de uma forma diferente. O amor irá absorver todas as nossas limitações. Se estamos amando o Amor nos transforma, buscamos mesmo na noite o essencial e somos transformados por ele.
O olhar para dentro de nós mesmos é essencial para sermos curados. Os dois verbos entrar e sair são fundamentais. Entramos dentro para sairmos para fora. O cristão se realiza no altruísmo e não no egoísmo.
Quando descobrimos que a nossa existência é importante para Deus e para os nossos irmãos nos comprometemos com a realidade. Isto podemos perceber na vida dos grandes personagens do Antigo Testamento. Moisés se compromete com o povo ao ver um judeu ser mal tratado. A compaixão fez com que ele perdesse a honra do Egito para ser um libertador do povo de Israel. A solidariedade nos impulsiona a fazermos o bem e até mesmo nos faz esquecer de nossas limitações. Moisés percebeu desde o início que era profundamente limitado para libertar o povo mas a missão o arrastou a fazer o bem. Elias tem uma profunda contemplação de Deus e não é por isto que não se sente limitado, pede até para morrer diante das dificuldades.
Jesus está presente na Eucaristia, ele quer nos olhar desde dentro, das nossas dificuldades. Quando nos colocamos na presença de Jesus Sacramentado a nossa vida é transformada. A troca de olhares é fundamental, precisamos nos abrir a momentos importantes de adoração em nossa vida. A reforma de toda a realidade, da nossa vocação, de todo nosso trabalho começa quando nos colocamos diante de Jesus.
Só o amor pode nos curar. Sabemos de fatos concretos de pessoas que se curaram após se sentirem amadas. Crianças deficientes que mal sabiam falar e após uma adoção com muito afeto se transformaram. Nós não sabemos amar, confundimos amor com sexo ou exploração da pessoa do outro. O mundo materialista procura materializar os nossos corações. Quando nos materializamos nos afastamos da realidade última de nossa vida, nos afastamos do Eterno.
Quando acontece um acidente não nos importamos com nosso braço quebrado se temos que socorrer alguém que está muito mal em nosso lado. Quando colocamos o nosso olhar no Eterno somos capazes de vencer nossa limitação para vermos o essencial.
A oração é o caminho mais seguro para sermos o que o Senhor quer de nós. Quando nos comunicamos com Ele nossa vida muda e vamos entendendo com misericórdia as limitações de nossos irmãos.

Padre Giribone - OMIVICAPE

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