segunda-feira, 21 de julho de 2014

PARÁBOLAS DO REINO

 

“DEVEMOS PROCLAMAR A REALIDADE DO REINO DE DEUS PRESENTE NA HISTÓRIA”.


O reino de Deus está presente no meio de nós. Somos desafiados a anunciar este reino de paz, fraternidade, justiça e solidariedade. Buscamos o cultivo da presença de Deus em nós, na vida dos irmãos e dentro da realidade. Fomos batizados para anunciarmos o reino. O processo de conversão, que empreendemos em nossa vida, está associado ao anúncio do reinado de Deus. Quando reconhecemos a realidade de que somos profundamente amados por Deus anunciamos esta realidade dentro do estilo vocacional que vivemos. As parábolas do reino nos mostram que devemos sempre lutar pelo essencial em nossas vidas que é a prática do bem acima de tudo.





EVANGELHO (Mt 13,44-52):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 


O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola. 


O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo o tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. 


Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí, haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isto?” Eles responderam: “Sim”. Então Jesus acrescentou: Assim, pois, todo o mestre da lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.


“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido”.

As diversas parábolas do reino apresentadas neste evangelho nos questionam profundamente, especialmente em relação ao que é essencial em nossa existência. Estamos sufocados pelo materialismo que conceitua a pessoa como consumo e objeto. Dentro da Palavra de Deus encontramos uma resposta bem mais profunda sobre o ser humano do que este conceito errôneo do mundo moderno: fomos criados por Deus e para Deus.
A busca do tesouro representa o que os santos fizeram. Eles não se detiveram no que aparecia no momento, mas buscavam o essencial. Deixaram tudo para seguir a Cristo. O que vale receber todas as honras e tesouros humanos se isto nada vale diante de Deus, se todos um dia iremos para a eternidade?  Ninguém pode escapar da fronteira da morte. O cristianismo nos explica o que nos espera na eternidade. Mesmo que sofrêssemos sem parar em toda a nossa existência mortal isto nada significaria em passar toda eternidade no gozo da presença de Deus.
O materialismo já provou sua incompetência não oferecendo ao homem à verdadeira paz que vem do coração. Este tesouro escondido é a verdadeira felicidade que a comunicação com Deus nos oferece. O meio para que isto aconteça é a fé. A razão não é o fim de todas as coisas, porque ela não consegue chegar ao mistério da presença de Deus em nossas vidas. Ela é um instrumento que pode nos levar até a porta da realidade misteriosa de nossas vidas.
A vida do cristão é uma constante luta contra seu egoísmo e uma busca do tesouro escondido do amor de Deus que já faz parte essencial de nossa existência. A palavra tesouro tem a ver com algo de muito valor. Pode ter como referência o tesouro de muitos reinos que eram escondidos para evitar o roubo. Mas algo maior do que todos os grandes tesouros que a humanidade conheceu: a capacidade de comunicação íntima com o próprio Criador.
Quando descobrimos o essencial, lutamos com todas as nossas forças para encontrá-lo e jamais perdê-lo. Direcionamos toda nossa afetividade, todo nosso amor para o incorruptível que o Criador nos oferece.
Um pai de família quer o bem dos seus filhos, não quer deixar para eles aquilo que pode atrapalhá-los no futuro. Deus age assim conosco. Ele não se conforma com nossa incompetência administrativa e oferece novamente a sua graça para que o homem não se perca.
O campo onde está escondido o tesouro é o nosso próprio coração. Todos têm a mesma capacidade. A nossa tarefa é descobrir o tesouro através de nossa sensibilidade ao amor de Deus.
Não adianta adquirirmos todo o conhecimento ou ciência existente na face da terra se não encontramos o tesouro verdadeiro que Deus nos oferece dentro de nós mesmos e que nos joga para auxiliar os nossos irmãos a serem felizes também.
O amor faz parte da essência de todo ser humano. É nele que encontramos a razão do porque existimos e somos. A rede que vem em busca de todos também representa o interesse de Deus em que todos se salvem. Nem todos estão aptos ou não se deixam se tornarem aptos para receberem o projeto de Deus, por esta razão se excluem automaticamente.
Hoje vivemos uma grande crise de valores que coloca o Absoluto como sendo relativo e o relativo como se fosse o absoluto. É o momento que precisamos invocar constantemente o Espírito Santo de Deus para nos adentrarmos dentro de nós mesmos e vermos o tesouro inesgotável de misericórdia que o Senhor nos oferece constantemente. A partir deste momento não iremos mais errar em nossa escolha.

 


“Senhor Jesus continue nos ajudando a buscar o essencial em nossas vidas”.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O TRIGO E O JOIO


“O MAL PRESENTE NA HISTÓRIA NÃO PODE NOS DESANIMAR NO SEGUIMENTO DE JESUS”.

O mal sempre estará presente na história da humanidade. Ele está associado ao mistério da iniquidade do ser humano. Ele nasce quando a pessoa acredita ser autora de sua própria realização sem a presença do Criador. O mal é uma possibilidade criado pela nossa liberdade. Ele é consequência de nosso afastamento do Criador. Com a presença do Espírito Santo em nossa vida, devemos evitar o mal sem nos preocuparmos com ele. O imenso amor que Deus sente por nós é muito maior que o gigante de areia que é fruto do egoísmo humano. O mal tem uma aparência de grandeza que muitas vezes assusta as pessoas. Tem uma aparência de vitória permanente. Por isto temos que olhar sempre para o resultado na vida longe de Deus. Toda tristeza e sofrimento tem sua origem na indiferença da pessoa em relação ao que realmente irá lhe fazer feliz.



EVANGELHO (Mt 13, 24-43):

Naquele tempo, Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ O dono respondeu: Foi algum inimigo que fez isto’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!” Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E  torna-se uma árvore, de modo que os pássaros Vêm e fazem ninhos em seus ramos”. Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Tudo isto Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado, assim acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão com o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.


“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O joio são os que pertencem ao maligno”.
A parábola da boa semente e do joio tem um grande significado para nós pois muitas vezes nos perdemos no que não é essencial. A boa semente está presente em nossa vida através do imenso amor que Deus sente por nós. Todos nós somos bons em nossa originalidade, mas podemos perder esta bondade pela contaminação do egoísmo que o mundo nos oferece. A criatura jamais poderá ser feliz longe do Criador. A pessoa humana não é autora de sua própria felicidade, mas a recebe do princípio da verdadeira felicidade.
Nesta parábola encontramos o grande problema daqueles que estão extraviados em suas opções mal feitas. Quando semeamos amor, colhemos amor. Se semearmos o mal estamos nos prejudicando e prejudicando aos nossos semelhantes. É muito grave fazer que os outros pequem sermos uma semente má dentro da plantação de boas sementes. Imaginem a responsabilidade dos artistas e das pessoas popularizadas pela mídia.
Somos responsáveis pela palavra de Deus que recebemos e dos grandes dons que Ele constantemente nos confere em nossa peregrinação. Esta palavra tem de germinar no meio do mal e transformá-lo.
Somos chamados a uma constantemente conversão ou retorno à fonte. A mudança radical de forma de ver a realidade que nos cerca. Hoje estamos carentes de uma verdadeira disciplina que nos leve a experimentar o essencial. Estamos abraçando tudo e acabamos ficando com nada. Deus já semeou o trigo para nós quando deu o seu próprio Filho para nos salvar e para não nos confundirmos em nossas opções. Este trigo é a boa semente do amor de Deus presente na história da humanidade que tem a mania de se auto punir com seu próprio egoísmo.
Quando estamos em um profundo processo de conversão estamos sendo objeto de conversão de nossos irmãos. Não podemos dormir, estarmos desatentos ao mal que está acontecendo mesmo dentro de nossas casas. Estamos sobre a ditadura do relativismo. Não podemos mais escolher nada, temos que fazer o que os “outros” nos dizem ser a felicidade.
O joio do individualismo pode fazer que a nossa sociedade se torne intolerável. Já não temos mais espaço para outros seres humanos. Muitos preferem ter um cachorro de estimação, que compromete menos e sana a carência afetiva, do que dar uma boa educação para um filho.
É hora de nós cristãos tomarmos consciência de nossa situação dentro da história e nos tornarmos boa semente no meio do mundo. A semente para dar origem à outra planta precisa desaparecer. Necessitamos do nosso esquecimento para sermos instrumentos de transformação do mundo.
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 “Senhor Jesus nos ajude a implantarmos o Reino de Deus dentro da humanidade dividida em contínua discórdia.”


segunda-feira, 7 de julho de 2014

PARÁBOLA DA SEMENTE E DO SEMEADOR


“A SEMENTE DO AMOR DE DEUS DEVE BROTAR EM NOSSOS CORAÇÕES”.

O grande desafio de nossa vida consiste em aceitarmos plenamente o fato de que somos criaturas muito amadas por Deus. Não somos Criador, mas sim criaturas. Esta certeza é muito importante para nós. Participamos do mistério da criação como criaturas o que criamos é uma possibilidade dada pela inteligência que vem de Deus. Somos colaboradores na obra de salvação da humanidade. A parábola do semeador ou da semente fértil nos indica que somos a partir de nosso livre arbítrio colaboradores da graça de Deus presente em nós e na vida de nossos irmãos. Tudo depende da forma como aceitamos ou rejeitamos o plano amoroso de Deus.


EVANGELHO (Mt 13, 01-23):

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. Uma grande multidão reunui-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era tão profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!”
Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que falas ao povo em parábolas?” Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando eles não vêem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem. Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’. Felizes sois vós, porque vossos olhos vêem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram  ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram. Ouvi, portanto, a parábola do semeador: Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza
Sufocam a palavra, e ele não dá fruto. A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Este produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”.


“A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Este  produz  fruto”.

A parábola do semeador é de uma riqueza extraordinária para nós e nela podemos extrair várias consequências práticas para a nossa vida cristã. Jesus conta a parábola, diz porque deve utilizar esta linguagem e faz uma explicação de seu sentido. As coisas de Deus têm uma expressão distinta e misteriosa. Só aqueles que forem realmente humildes poderão entender o significado mais profundo do projeto de Deus.
Esta parábola está diretamente relacionada com o mistério do amor de Deus presente em nossa vida. A semente do amor de Deus está no fundo de nosso coração. Quando nos abrimos a Deus somos cada vez mais comprometidos com seus sentimentos. Ele se preocupa conosco e quer que façamos parte de sua vida. Passamos a amar de forma distinta daqueles que são envolvidos por outras realidades. Os que se abrem a Deus estão mais comprometidos e junto com o sofrimento, que vem como consequência da adesão ao projeto de Deus, se tornarão um instrumento mais forte de sua graça para evangelizar os que ainda não descobriram a verdade.
Os que receberem mais terão que produzir mais. Receber mais amor é dar mais amor. Tomar consciência do amor de Deus nos compromete mais a expandir seu amor pelo mundo. Nesta parábola percebemos certa semelhança com a parábola dos talentos. A aproximação de Deus inclui uma doação maior e a busca de que outras pessoas sintam a mesma realidade. Podemos perceber esta verdade na vida dos santos que buscaram a santidade santificando os demais.
Poderíamos fazer muitas interpretações em relação aos espinhos, as pedras e aos pássaros que impedem a germinação da semente. Vemos em nosso mundo muita superficialidade sendo promovida em todas as áreas. O homem torna-se escravo de si mesmo e das mentiras que produz para sua própria ruína. Acaba explorando a si mesmo, não se valoriza da forma como Deus o valoriza e por isto se perde. Em Deus encontramos o sentido de nossa vida. Fora dele acabamos explorando a nós mesmos.
O caminho do sofrimento dos que não conhecem a Deus se inicia com o imediatismo (pássaros), passa pelo relativismo (pedras) e finaliza no egoísmo (espinhos). Começamos no caminho do mal a relativizar os valores a partir de nosso imediatismo até pensarmos que somos autores de nossa realização. A ansiedade que temos em nosso coração nos arrasta a querermos uma felicidade imediata que na realidade não existe. O egoísmo leva o homem a fechar-se sobre si mesmo. Este fechamento não lhe trás nenhum resultado.
Quando a semente frutifica em nossa vida somos também semeadores. O cristão é transmissor da graça de Deus. Não pode ser um “isolante” no seu próprio egoísmo. Ele tem que ser fecundo dentro da fermentação do amor que acontece no seu interior constantemente. O grande antídoto para a falta de germinação da semente é a vida de oração ou a oração sistemática que aumenta a consciência da presença de Deus que está bem próximo de nós.


“Senhor Jesus ajudai-nos a aceitar o seu amor dentro de nossos corações.”


segunda-feira, 30 de junho de 2014

JUGO SUAVE DE JESUS




“SEGUIR A JESUS CRISTO É BEM MELHOR DO QUE VIVER NA ESCRAVIDÃO DO PECADO”

No evangelho deste XIV domingo do Tempo Comum, Jesus ora ao Pai e agradece pela sua forma pedagógica de nos conduzir a Ele. Muitas vezes complicamos as atitudes de Deus com nossa própria ciência. Deus se relaciona com a linguagem de amor e só quem a experimenta poderá entendê-lo. Ele nos deu a capacidade de raciocínio para nos relacionarmos com os nossos irmãos e fazermos o bem. A técnica e o conhecimento acumulado na ciência não podem fazer que o homem se afaste do sentido fundamental de sua existência. Os pequenos e humildes tem mais facilidade para se abrirem ao infinito amor misericordioso de Deus.


EVANGELHO (Mt 11,25-30):

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos, e eu vos darei descanso. Pois o meu jugo é suave o meu fardo é leve”.


“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos, e eu vos darei descanso. Pois o meu jugo é suave o meu fardo é leve”.


É muito interessante analisar a sociedade e seus ideais. Jesus nos apresenta o contrário do que ela nos mostra como fundamento de nossas vidas. O despojamento que vem como consequência de seu seguimento parece ser contraditório com o que ele nos afirma dizendo que seu fardo é leve. Como pode ser leve se os seus melhores amigos morreram martirizados com torturas horríveis? Seria leve se os seus discípulos tivessem uma “vida boa” com muito conforto, muitas férias e hotéis de luxo? Mas por que as pessoas que tem tudo isto parecem insatisfeitas? A resposta encontramos no que Jesus nos promete para esta vida: a paz vivida na contradição do mundo. A paz diferente do que a sociedade pensa. Algo que vem do interior e nos preenche de dentro para fora. Parece que as tentativas da sociedade de preencherem o homem de fora para dentro não deram resultado. Percebemos tanto sofrimento no mundo, tantas mortes e tantos dependentes químicos que vivem como escravos. O mau uso da sexualidade tem levado as pessoas a um grande vazio existencial. Realmente é mais fácil fazer o que Jesus nos apresenta. Seremos felizes nesta e na outra vida.
Há uma grande diferença entre a sabedoria e conhecimento acumulado. A sabedoria está ligada a raiz de nossa existência. É a utilização dos meios racionais para se chegar à finalidade última da realidade que vivemos. O conhecimento acumulado é importante para facilitar o homem como instrumento de busca da sabedoria. Quando o conhecimento e a técnica não levam a verdadeira sabedoria,  a pessoa é levada a sua própria ruína.
Jesus critica a busca em vão de uma realização momentânea baseada em alegrias superficiais. Muitos que são considerados “sábios” aos olhos da sociedade são pessoas perdidas que se iludem a eles e aos outros numa busca incansável de uma falsa felicidade. Quando Jesus agradece ao Pai por se revelar aos pequeninos, Ele está afirmando que para conhecermos a Deus precisamos da simplicidade. O auto-suficiente jamais poderá se voltar ao Criador. Ele pensa ser o autor de sua própria felicidade. Como cristãos não podemos admitir que o homem seja definido por meras relações comerciais como produto de compra e venda. Infelizmente as relações comerciais tomaram lugar das relações afetivas por esta razão vemos homens e mulheres em uma grande crise de relacionamento. Para piorar a situação estamos dentro de um mar de relativismo incentivado pela grande mídia que é subserviente ao plano comercial.
Jesus nos consola quando diz que devemos recorrer a Ele em nossas angústias e aflições. Pois a vida do cristão, embora infelizmente tenha de ser de desprezo da sociedade pelo que ela busca, é a melhor forma de vida. É junto do Senhor que encontraremos alívio para nossas depressões, angústias e sofrimentos.
Deus caminha sempre conosco, precisamos reconhecer sua presença para podermos ser felizes. Há muitas pessoas perdidas que já experimentaram tudo que o mundo diz ser a felicidade, mas que infelizmente não querem experimentar o que o verdadeiro autor da própria felicidade tem para nos oferecer.
A humildade é a chave de nossa configuração com o amor que Deus sente por nós. Só o humilde pode entender os gestos misteriosos de Deus em sua história. O verdadeiro sábio está sempre em atitude de escuta e oração para poder crescer na verdade. Precisamos mudar de nível para vermos o quanto somos prediletos de Deus. O quanto Ele já fez para alcançarmos a verdadeira felicidade.


“Dá-nos Senhor um coração humilde e sincero para podermos entender o quando somos amados por ti.”


segunda-feira, 23 de junho de 2014

SÃO PEDRO E SÃO PAULO

         

 


“SÃO PEDRO E SÃO PAULO SÃO EXEMPLOS DE FIRMEZA NA FÉ”.

O exemplo de Pedro e Paulo, grandes expoentes do cristianismo, nos motivam a continuarmos firmes na fé. Até hoje a amizade destes dois homens com Jesus, embora em níveis diferentes, tem uma repercussão de grande vulto na história da humanidade. Percebemos em suas vidas duas formas distintas de seguimento de Jesus Cristo: Pedro foi discípulo direto de Jesus. Teve uma experiência de amizade e convivência com o Senhor. Paulo de “perseguidor” se torna anunciador da doutrina de Cristo através de sua experiência no caminho de Damasco. O Espírito Santo transformou sua vida. De grande conhecedor da lei judaica e de sua ortodoxia passa a ser um anunciador assíduo da verdade da presença de Jesus Ressuscitado. Os dois foram martirizados por se entregarem totalmente no seguimento do Senhor. Deus não escolhe os melhores, mas melhora os escolhidos. Vai modelando a vida daqueles que querem segui-lo com coragem e alegria.



EVANGELHO: (Mt 16, 13-19)
Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou alguns dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz é tu, Simão filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei a chave do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.


“Feliz é tu, Simão filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”.

Esta afirmação do Senhor Jesus a Pedro nos dá uma grande alegria e segurança e ao mesmo tempo um grande comprometimento com a realidade do seguimento de Cristo. Pedro recebe uma missão impossível pela sua capacidade e fragilidade, mas possível pelo poder do Espírito Santo que faz nova todas as coisas. Sua afirmação: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” confirma sua unção e sua futura missão de chefe da Igreja. Ela não tem origem humana, mas sim divina. A partir deste momento Pedro é escolhido para dar continuidade ao anúncio do Evangelho de Cristo em sua missão. O cristianismo se caracteriza pela tomada de consciência da importância da vida comunitária com a presença do Senhor Ressuscitado que a fomenta no amor. É um mistério pessoal de encontro com Cristo que se estende a toda comunidade dos que professam a fé no Ressuscitado.
A Igreja é uma sociedade dos que acreditam no mistério da presença de Deus Trindade dentro da história. O processo de aceitação do mistério cristão acontece dentro de uma relação comunitária. Aí encontramos o fato de que a Igreja de Cristo sempre será “perseguida” especialmente pela grande mídia que tem como característica o individualismo anti comunitário querendo levar as pessoas ao relativismo para que se tornem consumidoras de produtos que levam à alegria superficial. Os valores cristãos não são aceitos pela sociedade de consumo porque levam a partilha e a solidariedade. A Igreja sempre será uma pedra no sapato daqueles que se deixam guiar pelas suas paixões.
Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Já ouvimos muitas vezes este ditado e podemos perceber que é real tratando da vocação de Pedro. Era um pescador com pouca cultura, um homem simples. Sendo que possuía uma característica essencial para os que querem seguir a Cristo: era sensível ao plano de Deus, cultivava em profundidade a sua crença e sua amizade. Percebeu aos poucos e especialmente após a experiência de Pentecostes que somos realmente amados por Deus. A nossa vida não é uma mera coincidência. Há muitos intelectuais na Igreja e poucos que cultivam uma amizade profunda com Cristo que leva automaticamente até uma profunda conversão.
O mistério vocacional de Pedro se perde na história. Não sabemos o que motivou este homem a deixar tudo e seguir ao Senhor. Provavelmente, ele teve muitos momentos de dúvidas e sofrimentos sendo que jamais errou em suas decisões em relação à Igreja depois que recebeu o Espírito Santo a partir de Pentecostes. Ele soube deixar tudo para assumir o Tudo. Deixou o perecível para abraçar o imperecível.
Junto a Pedro celebramos a festa de Paulo. Um homem completamente diferente do primeiro, mas que soube acolher a vontade de Deus com a mesma sensibilidade. De perseguidor se torna anunciador de Cristo. Ele irá anunciar destemidamente a Boa Nova do Reino. É ele que dará corpo a toda à doutrina sobre o entendimento da pessoa de Jesus e sua missão. As pessoas que se fecham em suas ideologias materialistas jamais irão ler o que Paulo escreveu, pois ele nos apresenta a pura verdade em relação a nossa salvação. Jamais a grande mídia vai apresentar Paulo, porque sabe de sua importância e da verdade que escreve. Percebemos muitos escritos hoje que procuram desfazer a Igreja. Os individualistas jamais irão escrever algo sobre Paulo e sua conversão, pois ele atinge o cerne dos problemas da pessoa humana. Sua doutrina leva a verdadeira libertação dos apegos humanos para a valorização do essencial.
Quando buscamos humildemente a verdade somos tomados pela força de Deus nos tornando livres para anunciá-lo. A liberdade está unida a verdade juntamente com a Graça de Deus. Paulo também abandona seu “prestígio” para concretizar a vontade de Deus. Perde sua vida física pela coerência com a mensagem de Jesus. Hoje estamos carentes de pessoas que levam a sério a mensagem de Cristo em nível de experiência e não como mera teoria. O seguimento envolve toda vida da pessoa. Não é uma parte intelectual ou social, é um todo que absorve toda nossa ação.
O compromisso com a verdade pode nos levar a morte física, mas nos torna livres na eternidade. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo no monte Vaticano em Roma. Paulo foi decapitado fora dos muros de Roma. Tanto Pedro como Paulo foram pessoas limitadas, mas que levaram a sério o sentido de sua vocação. A humanidade precisa dos santos. De pessoas que levem até as últimas conseqüências a sua opção fundamental. Seu ideal de concretização da vontade de Deus em suas vidas.
Estamos numa grande crise de Fé que desemboca numa crise de relacionamento. O homem caminha para sua própria ruína quando pensa só em si mesmo sem partilhar sua vida com os demais. O “individualismo competitivo” pregado pela maioria dos meios de comunicação mina as bases do relacionamento humano. O exemplo destes dois homens deve nos arrastar a prática solidária do bem dentro da comunidade.
A busca da verdade e do bem faz que percebamos o quanto somos amados por Deus. Passamos a ter certeza que esta nossa existência é uma preparação para a vida definitiva. É o Divino Espírito Santo que nos dá o contato com esta realidade.

“Nós te pedimos Senhor a coragem e a alegria dos Apóstolos para vos seguir com alegria dentro das trevas do individualismo moderno”.








sexta-feira, 20 de junho de 2014

NÃO TENHAIS MEDO

 


“OS CRISTÃOS SÃO TESTEMUNHAS VIVAS DA PRESENÇA DE DEUS NO MUNDO”.


Os cristãos desde o momento em que são batizados e ungidos no peito com o óleo dos catecúmenos são perseguidos e sempre desafiados no seguimento de Jesus Cristo. Muitas vezes seremos desprezados por acreditar que Jesus está vivo no meio de nós. A fé cristã não é uma mera filosofia, não é um seguimento ideológico. Crer em Cristo é tentar viver os valores que ele nos deixou. Estes valores têm uma profundidade altruísta, ou seja, quando aderimos ao mistério cristão somos convidados a partilhar. Não existe lugar para o cristão em um mundo de compra e venda de mercadorias que tem fundamento nas relações comerciais. A lei que impera no cristianismo é a fraternidade e a solidariedade em oposição ao utilitarismo reinante na sociedade.

 

EVANGELHO (Mt 10,26-33):

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! Não se vedem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento de vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contatos. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus”.


“Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante de meu Pai que está nos céus”.

O seguimento de Jesus exige uma entrega total, sem reservas e sem medo. Não podemos temer os valores transitórios da sociedade. Devemos estar prontos para o que o Senhor nos pede. Como cristãos devemos estar com nosso olhar voltado para o eterno. Este olhar vai mudando os nossos valores e aos poucos, passamos a direcionar o nosso ideal para o bem comum. Na realidade o cristão é um eterno inconformado com o relativismo do mundo. A busca pelo essencial faz de sua vida um “incômodo” para os que se alimentam de alegrias momentâneas.
Estamos sempre na presença de Deus e devemos cultivar esta realidade para sermos felizes. O desafio do seguimento sempre será conforme a resposta que dermos ao Senhor. Deus sabe tudo sobre nós. Ele deseja nos promover constantemente para termos a ventura de estarmos sempre com Ele na eternidade.
Não podemos nos perder numa defesa de Jesus teórica. Jesus precisa antes ser conhecido e amado. Somos convidados a termos uma experiência de amizade com Ele em nossas vidas. Quanto mais profunda for a nossa amizade com Jesus, que é cultivada na oração, mais renúncias irão surgir em relação às alegrias superficiais que o mundo nos oferece. Nossa amizade com Jesus vai transformando a nossa vida e fazendo de nós novas criaturas. A oração transforma porque todo diálogo sincero muda seus interlocutores. No momento em que dialogamos com o Senhor descobrimos o que ele deseja de nós e mudamos a direção de nossa vida.
Podemos sentir em nosso coração certa angústia por percebermos o desprezo de muitas pessoas daquilo que optamos por causa de Jesus. Precisamos cultivar a nossa Fé e sentir em nosso coração que só o verdadeiro amor pode preencher a nossa vida. Não podemos nos considerar perdedores por sermos a minoria que não é manipulada pela grande mídia controlada pelas relações comerciais. Percebemos que esta tenta destruir a família e o sacerdócio de Cristo com seus representantes. A mídia manipulada é responsável por toda miséria que a sociedade se encontra em termos morais e religiosos.
A negação de Jesus é a nossa própria condenação e infelicidade. Nada se iguala a verdadeira felicidade que ele nos oferece, mesmo não sendo aparente como as alegrias superficiais que aparecem sendo promovidas pela sociedade.
Devemos buscar constantemente a santidade que consiste em se deixar amar por Deus em todos os momentos e com todas as limitações de nossa vida. Os santos souberam ser sensíveis à realidade do amor de Deus. Eles não perderam tempo. Souberam amar o que merecia ser amado.
A perda que temos diante do mundo é vitória diante de Deus. Não podemos cansar de praticar o bem mesmo sendo desprezados. O importante é a raiz de nossa existência, o sentido mais profundo de nossa vida que só encontraremos em nosso relacionamento com o Criador. Aqueles que buscam a santidade passam a amar o que o mundo odeia e odiar o que o mundo ama.


“Dá-nos coragem Senhor para amá-lo e defendê-lo em todos os momentos de nossa vida.”



segunda-feira, 16 de junho de 2014

SANTÍSSIMO SACRAMENTO


“LOUVAMOS E ADORAMOS A JESUS PRESENTE NA SANTÍSSIMA EUCARISTIA”.

A  Santíssima Eucaristia é um grande mistério de amor que aceitamos pela fé. Ela nos foi dada desde o início da Igreja. Quando o sacerdote acaba de consagrá-la ele diz: Eis o mistério da Fé. É o principal mistério da presença viva do ressuscitado que nos acompanha em nossa história. O amor exige presença. Deus está presente de uma forma real e única no Sacramento da Eucaristia. A Igreja superou muitas situações difíceis graças à realidade da presença de Jesus na Hóstia Consagrada. Hoje, infelizmente sofremos a dor de tantas denominações cristãs que se dividem cada vez mais por falta de uma real compreensão da Santíssima Eucaristia.

 

EVANGELHO (Jo 06, 51-58):

Naquele tempo, Jesus disse às multidões dos judeus: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é minha carne dada para a vida do mundo”. Os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me recebe como alimento viverá por causa de mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”.



“Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Aquele que come este pão viverá para sempre”.

O capítulo seis do evangelho de São João é conhecido como o grande discurso sobre o Pão da Vida. Ele passa ser um divisor de águas no seguimento de Cristo até em nossos dias. Foi a partir deste momento que muitos deixaram Jesus por acharem suas palavras muito duras.
É interessante perceber que Jesus coloca a Eucaristia como condição para se alcançar à vida eterna. Nesta afirmação está contido algo essencial e imprescindível para a nossa salvação. O alimento se torna vida dentro de nós. Quando recebemos Jesus na comunhão estamos recebendo a sua pessoa que muda a nossa vida desde dentro. A Eucaristia é o alimento espiritual que nos ajuda na opção pelo bem e na coragem de nos afastarmos do mal.
A presença de Jesus é tão real na Eucaristia que quando deixamos de comungar sentimos um grande vazio. Parece que nos falta algo. Mesmo as pessoas que mudam de religião reconhecem esta falta. Percebemos nos retiros e grandes encontros que quando Jesus entra no ostensório as pessoas se transformam. Muitas choram e se emocionam, sentem em seus corações o perdão e a misericórdia do Senhor o que é fundamental para uma mudança de vida.  Há uma transformação clara de comportamento o que garante que Jesus não está ali simbolizado, mas vivo de forma verdadeira.
Na Eucaristia acontece a “transubstanciação”, ou seja, após a consagração com as palavras que Jesus proferiu na última ceia, o sacerdote devidamente ordenado transforma o pão e o vinho em Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Nós não podemos viver longe desta grande realidade ou seguirmos palavras vazias de pessoas que querem nos afastar desta realidade.
Temos ainda hoje milagres como o de Lanciano que comprovam a permanência real de Jesus na Eucaristia. Este milagre ainda hoje, após tantos séculos do ocorrido, surpreende médicos e cientistas quando examinam o pedaço de carne e o sangue coagulado que lá se encontra de forma intacta e incorrupta.
A presença de Jesus no Sacramento da Eucaristia é a principal graça que temos como herança para a nossa salvação. Quando aceitamos a Cristo o aceitamos como um todo. Jesus é o novo cordeiro que tira os pecados do mundo. A Eucaristia deve nos levar a prática da verdadeira caridade e o amor a todos sem exceção.
Não podemos receber Jesus de forma indigna, pois seria para ele uma grande ofensa. Por esta razão mesma é que temos o Sacramento da Reconciliação instituído também pelo próprio Senhor após a sua ressurreição (Jo 20, 22-23). Deus deseja se unir a nós, mesmo sabendo de nossas fraquezas. É através da Eucaristia que iniciamos um processo de fortalecimento de nossa vida de Fé.
A Eucaristia serve como alimento salutar, como sacramento de cura para nosso egoísmo. Ela é vida que se reparte. Por esta razão precisamos nos tornar a extensão da Eucaristia que celebramos. Ela serve para conservar e cultivar a Graça de Deus em nós. Exige de nós uma verdadeira abertura de coração, vencendo toda a nossa racionalidade, purificando todo o nosso egoísmo. A presença de Jesus na Eucaristia é remédio para a humanidade, ela nos ajuda a sermos solidários, a repartirmos nossa existência com a existência de nossos irmãos.
Nesta quinta-feira em várias comunidades teremos a procissão com Jesus Sacramentado. Não podemos esquecer-nos do sentido espiritual que tem esta procissão por nossas ruas que são preparadas para a passagem de Jesus sobre a espécie Eucarística. Este momento é um momento de muita devoção. Nele acontece a cura dos corações de muitas pessoas que não tem a real consciência deste Grande Mistério.
O fato de Jesus caminhar conosco é muito importante, pois Ele deve fazer parte de nossas vidas. Da realidade de nosso cotidiano. Quando Jesus estava no meio de seu povo seu olhar se voltava para todos, especialmente para os doentes e necessitados. Ao olharmos para o Ostensório contendo a Hóstia Consagrada, nesta quinta-feira, vamos pedir a Jesus uma renovação total de nossas vidas. A libertação do pecado e uma vida de profunda fraternidade.
Deus nos ama tanto que quer fazer parte de nossa vida. Esta festa nos alegra muito e nos compromete a vivermos a mensagem de Cristo contida nos Evangelhos.

“Venha nos curar Senhor Jesus através desta passagem no meio de nós.”


COMO COMEÇOU A DEVOÇÃO DA FESTA DO CORPUS CHRISTI.

Ao redor o ano 1000 se despertou um grande entusiasmo eucarístico. Isto ocorreu devido a questões que surgiram para defender o mistério eucarístico contra heresias que surgiram colocando dúvidas sobre este sacramento.
O motivo principal para a instituição desta festa foi a revelação que teve Santa Juliana de Carmellón, Liège (Bélgica, 1193-1298). A ela deu-se o fato de uma aparição ou sonho de um disco luminoso com uma franja escura. A interpretação deste fato foi que o disco luminoso significava o ano litúrgico e a franja escura o vazio que se encontrava nele pela ausência de uma festa em honra ao Santíssimo Corpo de Cristo. Santa Juliana falou do acontecido ao seu confessor, que comunicou o fato a vários teólogos com o fim de indagar seus pareceres. Entre eles se encontrava o provincial dos dominicanos Hugo de Thierry e o cônego de Liège Jacques de Troyes. Este insistiu ao bispo Roberto para que a festa fosse estabelecida na diocese de Liège, e assim o fez em 1246.
Anos mais tarde Jacques de Troyes foi eleito Papa com o nome de Urbano IV. O interessante é que ele mesmo não estava mais tão interessado em introduzir a festa como uma solenidade universal.
Por esta época aconteceu um fato milagroso sucedido em Bolsena, segundo o qual um sacerdote peregrino sentiu grandes dúvidas sobre a presença eucarística ao celebrar a missa na igreja de Santa Cristina. Da Hóstia Consagrada saíram algumas gotas de sangue que mancharam o corporal. Ao saber do acontecido, o Papa Urbano IV quis ver os corporais e mandou trazê-los a Orvieto, onde estava e neste local se encontram até hoje. Este fato influenciou  ao Papa a estabelecer na Igreja universal a festa do Corpus.
A procissão do Corpus aconteceu mais tarde sendo que as primeiras tiveram início em Colônia. Ao princípio se levava o Santíssimo fechado na píxide. Aos poucos se queria ver a Hóstia Consagrada e assim apareceram as Custódias ou Ostensórios para que todos pudessem contemplar a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento.
Obs. Estes dados foram retirados do Curso de Liturgia da Biblioteca de Autores Cristãos,  Madri, 1961.