segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O MAIOR DE TODOS OS MANDAMENTOS

 

“A VIDA DO CRISTÃO SE DEFINE PELO AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO”.

Deus nos criou para participarmos de sua felicidade. Ele é o Sumo Bem. Aproximamo-nos de Deus a partir da prática do Bem. Esta prática nos define exatamente o que é o amor: saída de nós mesmos para a comunicação e construção do outro. Não seremos felizes se nos afastarmos do Criador. Se Deus é amor, seremos felizes se vivermos o amor, pois através dele nos identificamos com o nosso Criador. Infelizmente, percebemos que o ser humano pensa em ser autor de sua própria realização deixando de lado a fonte da vida. Fora de nossa origem não seremos felizes. O individualismo do mundo que vivemos nos arrasta a buscarmos vitórias sem nos importarmos com a vida dos irmãos. Tudo que temos pertence a Deus e só nele encontraremos respostas para nossas interrogações mais profundas.

 


EVANGELHO (Mt 22, 34-40):
Naquele tempo, os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” Jesus respondeu: “ ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a lei e os profetas dependem destes dois mandamentos.


“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e teu próximo como a ti mesmo”.

Quando refletimos sobre a essência de qualquer coisa, buscamos encontrar o sentido de sua existência. Muitos objetos foram criados pelo homem através da história para suprir alguma necessidade fundamental. O questionamento feito pelo homem sábio desta passagem do evangelho nos mostra o porquê existimos. A resposta forte e decidida de Jesus nos indica que estamos neste mundo para amarmos e servirmos a Deus e a nossos irmãos.
Vivemos continuamente em um processo de amorização. Se estivermos amando estamos mais próximos do objetivo de nossa existência. Se estivermos cheios de egoísmo e nos afastamos do processo de amorização, estamos nos deteriorando. Vivemos como cadáveres ambulantes, só servindo as nossas paixões.
Todo cristão, ao ser batizado, procura levar em sua vida os valores de Cristo que se encerram na prática efetiva do amor. O nosso relacionamento com Deus deve transbordar para o relacionamento com o próximo. Hoje percebemos o caminho inverso. Muitas pessoas pensam em ser felizes numa realização egoísta sem perceber que no fundo fomos todos criados para um profundo relacionamento interpessoal. Estamos em uma grande crise de afeto onde as pessoas não conseguem se sentirem amadas e se tornam incompetentes em amar os semelhantes.
Muitas vezes em nossa vida escutamos e refletimos sobre o mandamento do amor. O que significa amar a Deus sobre todas as coisas? Nós seres humanos temos um centro afetivo onde colocamos uma “hierarquia de valores” que vamos assumindo durante nossa existência. Se desviarmos este centro afetivo para as coisas materiais, que na realidade são instrumentos para se alcançar o verdadeiro relacionamento com Deus; nos perdemos em busca de algo superficial que jamais irá preencher o nosso vazio interior.
Toda criatura humana nasce com uma profunda “fome” do Eterno. No fundo de seu ser quer se relacionar com o Criador. Esta fome pode ser facilmente desviada para coisas mais imediatas. Para bens que não levam à comunicação com Deus. Pode acontecer também que o homem queira “inventar” relacionamentos com o sobrenatural que não lhe levam a nada. Hoje há um falso misticismo que é como se fosse um pequeno curativo para uma imensa ferida. Muitos cristãos se afastam da Eucaristia que é fonte de paz e alegria para se apegar as modas espirituais da modernidade. Um católico que muda de religião põe em risco a sua salvação, pois nega a Jesus Cristo como um todo.
O pecado fez que o homem se afastasse de Deus, fugisse de sua face. Quando o homem pensou que poderia fazer tudo sem o Criador, se perdeu redondamente transmitindo a imperfeição para as gerações futuras. Infelizmente não falamos mais em pecado porque ele normalmente faz parte de nossa vida. Procuramos encontrar várias soluções para melhorar a vida do homem sobre a terra e nos esquecemos facilmente do fundamental.
A consequência deste primeiro mandamento é a concretização do amor dentro da comunidade. Não podemos amar a Deus se não nos amamos e amamos o próximo que é esta pessoa que está mais perto de nós em nossa vida.
Os dois elementos se complementam na verdadeira realização do homem. Não somos Criadores, mas participamos da criação. Somos protagonistas de um mundo mais fraterno e justo onde todas as pessoas tenham condições de sobrevivência. Ainda temos muitos seres humanos com fome em um mundo onde existe alta tecnologia.


“Aumentai Senhor Jesus a nossa sensibilidade para percebermos claramente o sentido de nossa vida.”


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR


“O TESOURO MAIS IMPORTANTE É IMPERECÍVEL”.

Embora Deus nos fale sempre numa linguagem misteriosa. Ele não se cansa de oferecer seu amor por nós. Nossa vida é cheia de escolhas e decisões. Devemos escolher entre o bem e o mal. O bem nos leva a felicidade eterna e o mal nos leva ao mal eterno. O mal se apresenta cheio de “facilidades” e o bem cheio de “dificuldades”. As coisas de Deus, embora mais obscuras, sempre nos levam ao bem e a perfeita alegria. O mundo se perde em suas próprias teias. Cria leis que acabam prejudicando o crescimento integral da pessoa. Procura a felicidade desviando-se da fonte da verdadeira alegria que se resume na concretização da vontade de Deus em nossa vida. Descobrir o que Deus quer de nós e concretizar sua vontade é a única fonte que nos faz feliz nesta vida em preparação para a definitiva.




EVANGELHO (Mt 22, 15-21):

Naquele tempo, os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?” Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? Mostrai-me a moeda do imposto!” Trouxeram-lhe então a moeda. E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?” Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.


“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Somos desafiados a selecionar os valores durante toda nossa vida. O problema da nossa existência é um problema administrativo. O que vamos escolher? O que permanece ou o é transitório? A Deus precisamos dar o que temos de melhor. Ele é o nosso Criador que nos ama permanentemente. Estamos sobre o seu olhar em todos os momentos de nossa vida. Corresponder ao seu amor é possível quando percebemos sua presença em nossa vida.
O povo de Israel estava sobre a dominação do Império Romano. Todos deveriam pagar impostos a César. Desde este tempo e muito antes, o homem cria leis que muitas vezes favorecem um pequeno grupo privilegiado. Jesus não se ausenta desta realidade e separa o pensamento do homem, iludido pela ganância, do pensar de Deus que nunca cobra, mas vive uma pura gratuidade em relação ao que criou para o benefício do homem. Só entenderemos quem é Deus pela gratuidade unida a humildade.
A moeda de Deus é totalmente diferente da moeda do Império. A medida de Deus é a medida do amor. Ele se manifesta com um gesto de solidariedade que vai em busca do homem para construí-lo. Deus não conhece imposto, pois se fosse cobrá-lo não teríamos com o que pagar. O amor de Deus por nós é um amor de edificação e só no momento que entendemos isto e passamos a vivê-lo em nossa vida encontraremos a paz interior que tanto buscamos.
Os herodianos eram homens que não queriam crer na ressurreição. Aproveitavam-se da dominação romana para se beneficiarem. Tinham uma crença puramente material em busca de uma prosperidade terrena. Hoje são muitas as religiões que se dizem seguidoras de Cristo que estão mais preocupadas com as “ofertas dos fiéis” do que com sua própria conversão. Esta é uma situação condenável, pois quem prega Cristo tem que viver a pobreza solidária que é parte essencial do Evangelho.
Damos a César (hoje a sociedade materialista), o perecível e o transitório e a Deus nós temos que dar o bem que realizamos nesta vida para sermos semelhantes a Ele. Este é o grande desafio de nossa existência brevíssima que vivemos neste mundo. Não podemos nos apegar aos bens materiais. Eles devem nos ajudar na prática da justiça e da solidariedade.
Os missionários negam tudo para levar Cristo a diversas nações que não conhecem sua mensagem. Quando praticamos o bem sem ver resultados imediatos, mas só confiamos na Divina Providência, nossa atitude é de verdadeira entrega ao Senhor que sempre nos assiste em nossas necessidades.


 “Fazei Senhor que saibamos nos desprender das coisas transitórias e colocar todo nosso amor no que deixastes para nós.”



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

NOSSA SENHORA APARECIDA


“NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA PROTEGEI O NOSSO BRASIL”.

O verdadeiro devoto de Maria jamais se perderá. Este ditado popular é muito importante para nós cristãos. Quando seguimos o exemplo de oração, humildade e obediência de Maria abrimos  o nosso coração para Deus nos tornando também cheios de graça. No próximo dia 12 de outubro celebramos com muita alegria a festa de Nossa Senhora Aparecida. Com o título de padroeira do Brasil. É um dia de muita alegria para nós que rezamos pela nossa nação e pelas nossas crianças. Ela nos ensina a sermos sensíveis ao projeto de amor que Deus tem para com cada pessoa.
Jesus nos deu Maria como mãe ao final de sua missão. Quando estava prestes a dar o que tinha de melhor para nós: a sua própria vida. Ele não se esqueceu da sua mãe que daquele momento em diante se tornaria a mãe de todos os que iriam assumir a doutrina do Reino de Deus (Jo 19, 25-27). Desde este mandato do próprio Senhor, Maria não se cansa de tentar nos levar à perfeição. Percebemos muitos milagres e aparições no mundo para levar as pessoas até a verdade. Uma destas tentativas é o fato dela se servir de uma simples imagem de barro para conceder tantas graças às pessoas simples que querem fazer a vontade de Deus. No livro do Gênesis vemos que Deus usou o barro, colocou seu sopro vital e o homem for formado (02, 07).  Interessante a coincidência da imagem de Aparecida ser feita de argila. A humildade de Maria nos leva a uma renovação. As coisas de Deus são simples, mas de grande significado. A humanidade fica fechada em seu próprio egoísmo e se perde em falsas ilusões. Através do racionalismo, uso da razão acima de qualquer coisa, a criatura se ilude pensando em ser criador perdendo o sentido de ser criatura.
Nossa Senhora sempre aparece nos momentos de dificuldades e perigos em nossa vida. Ela é a grande intercessora que nos ajuda a concretizarmos o Evangelho em nossa existência e a tomarmos consciência de que somos missionários. A Virgem Maria é modelo de virtude na aceitação da vontade de Deus.




"NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA”


Poucos brasileiros conhecem a história do início da devoção a Nossa Senhora Aparecida e o motivo de ser chamada por este nome. Vamos inicialmente apresentar alguns fatos históricos importantes.
O rio Paraíba, que nasce em São Paulo e deságua no litoral fluminense, era limpo e piscoso em 1717, quando os pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves resgataram a imagem de Nossa Senhora Aparecida de suas águas. Encarregados de garantir o almoço do Conde de Assumar, então governador da província de São Paulo, que visitava a Vila de Guaratinguetá. Eles subiram o rio e lançaram as redes sem muito sucesso próximo ao porto de Itaguaçu, até que recolheram o corpo da imagem. Na segunda tentativa, trouxeram a cabeça e, a partir desse momento, os peixes pareciam brotar ao redor do barco.
Durante 15 anos, Pedroso ficou com a imagem em sua casa, onde recebia várias pessoas para rezas e novenas. Mais tarde, a família construiu um oratório para a imagem, até que em 1735, o vigário de Guaratinguetá erigiu uma capela no alto do Morro dos Coqueiros. Como o número de fiéis fosse cada vez maior, teve início em 1834 a construção da chamada “Basílica Velha”. O ano de 1928 marcou a passagem do povoado nascido ao redor do Morro dos Coqueiros a município e, um ano depois, o papa Pio XI proclamava a santa como Rainha do Brasil e sua padroeira oficial.
A necessidade de um local maior para os romeiros era inevitável e em 1955 teve início a construção da Basílica Nova, que em tamanho só perde para a de São Pedro, no Vaticano. O arquiteto Benedito Calixto idealizou um edifício em forma de cruz grega, com 173m de comprimento por 168m de largura; as naves com 40 m e a cúpula com 70 m de altura, capaz de abrigar 45 mil pessoas. Os 272 mil metros quadrados de estacionamento comportam 4 mil ônibus e 6 mil carros. Tudo isso para atender cerca de 7 milhões de romeiros por ano.
Existem muitos milagres comprovados que aconteceram e acontecem pela intercessão da Mãe de Jesus. Não podemos como cristãos nos afastar da devoção a Mãe de Deus. Hoje existem tantas divisões porque nos afastamos do amor da Mãe.
Na vinda do Espírito Santo em Pentecostes, Maria estava presente. Também  foi pela ação d’Ele que ela concebeu, de forma extraordinária, o Filho de Deus. Toda esta realidade é comprovada pela Sagrada Escritura. Maria é a nova Eva que nos traz a Salvação pela sua fidelidade a Deus. Quando amamos o Filho, amamos a Mãe deste Filho que nos salvou pela sua gloriosa Paixão, Morte e Ressurreição.
A devoção a Nossa Senhora é totalmente ligada ao seguimento de Jesus Cristo. Ela nos ensina a concretizar a Palavra de Deus em nossas vidas.




“Senhora Aparecida ajudai o povo brasileiro a nunca se afastar da verdade e da busca do Reino de Deus”.



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

OS VINHATEIROS HOMICIDAS


“O PROJETO DE SALVAÇÃO APRESENTADO POR JESUS CRISTO É A MAIOR OPORTUNIDADE QUE TEMOS NESTA VIDA PARA ENCONTRARMOS A SALVAÇÃO”.


Deus tem um projeto de salvação para todos nós. O nosso desafio consiste em sermos sensíveis no sentido de aceitarmos em nossa vida o que Ele projetou. A parábola dos vinhateiros homicidas nos leva a refletir sobre a forma como aceitamos Jesus Cristo que nos apresenta a imensa bondade do Pai que nos criou para participarmos de sua felicidade. O que recebemos de Deus devemos saber distribuir aos que não tem. Somos administradores do amor de Deus nesta vida. O mês de outubro é dedicado às missões. Pelo nosso santo batismo nos tornamos missionários. Vamos rezar também por todos os missionários que deixam tudo para evangelizar outros povos que ainda não conhecem Jesus Cristo.

 



EVANGELHO (Mt 21, 33-43):

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e anciãos do povo: “Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles o trataram da mesma forma. Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo  e tomar posse de sua herança!’ então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com estes vinhateiros?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento estes perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”. Então Jesus lhes disse: Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos’? Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.


“O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.

Muitas vezes nos deparamos nos evangelhos com situações que inicialmente nos parecem contraditórias. Deus fez um grande “investimento” em relação ao povo de Israel. Considerou o seu povo predileto. Parece com o investimento do dono da vinha desta parábola. Tudo foi preparado para que o povo encontrasse a verdadeira realização. O que aconteceu na realidade, é que este mesmo povo não irá ser mais o único a encontrar a salvação. Alguns deles irão ocupar o último lugar na aceitação do projeto de Deus dado por Jesus Cristo.
A vontade de Deus é que todos se salvem. Todos devem encontrar o verdadeiro ideal de suas vidas que são os valores que nos levam à eternidade. Somos desafiados a cultivar a nossa sensibilidade dentro da linguagem misteriosa de Deus. A nossa relação com Ele só acontece na obscuridade da fé.
A parábola do dono da vinha e dos operários infiéis tem um significado muito importante e de grande atualidade para nós. Ela representa a salvação, a realização plena do homem. A vinha não nos pertence, pois não somos os donos, mas arrendatários ou administradores. Para sermos felizes devemos fazer o que o dono da vinha nos pede. Fazer o contrário do que a parábola propõe tentando receber com carinho o Filho e os enviados do dono da vinha.
Os anciãos e os sacerdotes representavam as pessoas mais “capacitadas” do povo para interpretar a graça de Deus. Eles se perdem com um jurisdicismo frio e racional. Esta atitude irá fazer com que eles não entendam a realidade do Reino. Podemos cair neste mesmo erro quando transformamos Cristo em objeto de estudo e não de amor. Outros irão ocupar os seus lugares tendo mais abertura à proposta da graça.
A pedra rejeitada se torna a pedra angular. Mais uma vez Deus nos mostra que não podemos colocá-lo dentro de nossos padrões. O que pode ser desprezível aos olhos dos homens, pode se tornar essencial aos olhos de Deus. Nem sempre o que aparece é melhor. O alicerce de uma casa fica no obscuro do solo, mas é essencial para a casa se manter intacta durante muitos anos.
Não podemos aceitar a Deus se não formos humildes e desconfiarmos de nossas próprias seguranças pessoais. A humildade é a chave para descobrirmos a vontade de Deus em nossas vidas. O conhecimento intelectual deve nos levar à noite da fé. Aceitamos a Cristo em nosso coração nos servindo da razão como um instrumento.
A preocupação fundamental de nossas vidas deve ser no sentido de produzirmos muitos frutos. Estes frutos são a prática do bem que permanece na história. Dentro de um mundo que pensa em ser feliz por métodos errados. Vivemos numa crise mundial de relacionamento humano. Estamos em um mundo de competição. A proposta de altruísmo comunitário do cristianismo sempre será um sinal de contradição. Devemos ser missionários de uma nova realidade colocando amor onde não existe mais amor.

 

“Senhor Jesus, te pedimos a capacidade de nos abrirmos com humildade ao seu plano de amor”.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O VALOR DA OBEDIÊNCIA


“OBEDECER A DEUS É NOSSO GRANDE DESAFIO”.


A vida cristã é cheia de desafios e lutas. Quanto mais forte nossa adesão ao projeto de Jesus mais desafios surgem. Vivemos numa constante batalha contra o nosso egoísmo e contra as “ideologias individualistas” enraizadas no mundo. A Palavra de Deus nos orienta no que devemos fazer em meio a estes fortes desafios. Ela nos mostra o que Deus espera de nós em meio aos desafios que o mundo nos apresenta. A proposta da Palavra é altruísta enquanto a filosofia do mundo é consumista. Estamos dentro de um processo de conversão. Devemos descobrir o que Deus quer de nós e procurarmos concretizar sua vontade em nossa vida e no meio em que vivemos.




 EVANGELHO (Mt 21, 28-32):

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo, que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.



“Em verdade vos digo, que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”.

Esta frase, em uma primeira análise, pode nos causar certa estranheza pela forma rude como Jesus nos apresenta. Podemos pensar que não vale a pena ser justos se os que são considerados pecadores estarão a nossa frente no paraíso. O que está sendo posto em relevo nesta situação é a vontade de Deus. Quem é capaz de concretizá-la em meio as suas limitações? Devemos saber o que o Senhor deseja de nós. A vontade de Deus deve ser descoberta e colocada em prática em nossa vida o quanto antes possível.
Não é o que aparece externamente que marca a nossa existência, mas é o bem que fazemos em nossa vida que muitas vezes não é observado por ninguém. Uma pessoa que talvez seja tida por má ou injusta na realidade, dentro de suas limitações, procura fazer a vontade de Deus e isto é que importa.
Jesus nos apresenta duas situações concretas. Os que dizem obedecer a Deus só nas aparências e os que procuram, embora suas limitações, concretizar a sua vontade na realidade de suas vidas. A resposta concreta na experiência vale mais que a teoria. A Igreja carece de pessoas que experimentem o amor de Deus e levem este amor ao mundo.
Quando cremos realmente em Deus lutamos para concretizar sua vontade passando muitas vezes por cima de nós mesmos e de nossas pequenas vontades. O filho que realmente obedece é o que efetivamente faz a vontade do pai. As nossas inclinações podem nos arrastar a dizermos não a Deus em uma primeira instância, mas quando percebemos a nossa realidade passamos a obedecer e seremos mais felizes. A obediência a Deus é fonte de verdadeira felicidade.
O mudar de opinião do sentido egoísta para o altruísta, proposto por Cristo, é converter-se. Quando entramos em nós mesmos descobrimos que somos amados e que o Pai só quer o bem de seus filhos. Este bem não é o aparente e transitório apresentado muitas vezes pelo consumismo. É o bem definitivo que nos faz muito mais felizes. Devemos inverter a mentira apresentada pela grande mídia com a alegria de sermos mártires da vontade de Deus no mundo. Estar de acordo com o Criador é a maior realização da criatura.
Jesus coloca os pecadores em frente dos que se dizem mais puros, porque pode acontecer que estas pessoas, devido ao sofrimento de suas vidas, se tornem mais dóceis ao pedido do Senhor. O sofrimento das imperfeições podem nos levar a uma sensibilidade maior a misericórdia de Deus. As pessoas que amam mais são mais perdoadas.
As coisas de Deus são muito misteriosas para nós. Ele sempre nos surpreende com sua bondade inefável. Nós somos movidos pelo espírito comercial e de competição. Deus se move pelo amor que deposita em cada criatura. A lógica de Deus é a lógica da partilha. Vivemos no mundo a lógica da competição que tem como conseqüência a depressão e o sofrimento.
Quando fomos batizados fizemos uma profissão de fé de tentarmos concretizar a vontade de Deus em nossas vidas. Somos sempre “desafiados” a uma verdadeira conversão de atitudes e forma de ser. O Criador procura a realização completa de suas criaturas que devem saber administrar suas vidas a partir da liberdade que cada um tem de buscar os verdadeiros valores que trazem como consequência a prática do bem.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

OPERÁRIOS DA VINHA


“DEUS AMA TODAS AS PESSOAS DA MESMA FORMA. A NOSSA SALVAÇÃO ACONTECE NA ABERTURA AO SEU AMOR”.


A nossa relação com Deus sempre será misteriosa acontecendo sempre no âmbito da fé. Esta passa a ser a divisora de águas em nossa vida. Quando aceitamos de coração o que Deus deseja de nós nos comprometemos com seu amor. Ele dá a mesma oportunidade a todas as pessoas. Alguns aceitam antes e outros depois o seu infinito amor. Diante de Deus somos iguais e Ele deseja que façamos parte de sua felicidade profunda. O direcionamento da nossa liberdade é que irá fazer a diferença. A luta contra nós mesmos se faz necessária para educarmos a nossa liberdade na busca pela verdade.



EVANGELHO (Mt 20, 01-16):
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça desocupados, e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados? Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos começando pelos últimos até os primeiros!’ Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: ‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualastes a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’. Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.




“Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence?”
A bondade infinita de Deus continua nos questionando fortemente. Especialmente por estarmos inseridos num mundo onde os valores materiais estão acima dos espirituais. A pessoa humana está sendo encerrada dentro de um conceito de compra e de venda. Não se está dando importância ao que ela pode ter de mais precioso em seu interior. A moda externaliza as pessoas fazendo que vejam só para o transitório.
Esta bondade ou graça está à disposição de todos nós desde antes de nosso nascimento. Deus não faz distinção de pessoas. O seu coração ama profundamente a todas as suas criaturas. Todos fazem parte de seu projeto de amorização. Quando olhamos para a profundidade de nossa vida percebemos que somos amados. O amor de Deus por nós é concreto e forte em nossa vida.
No fato de sermos gerados, percebemos que Deus depositou em nós 1000% de seu amor (amor inefável, fora da nossa compreensão racional). Somos suas criaturas prediletas. Amadas por Ele antes mesmo de nosso nascimento.
Esta parábola tem muito a ver com a propagação ou generalização da Graça de Deus. Todos são beneficiados da mesma forma pelo desejo de promoção que o Senhor tem em relação as suas criaturas. Deus é justo com todos. Procura dar sua salvação a todos que se abrem ao seu amor. Os caminhos e os tempos podem ser diferentes. A estabilidade do amor, que caracteriza o Ser de Deus, é estável e acontece com a mesma intensidade. A falha acontece na forma de nós recebermos este amor.
Quando buscamos a santidade estamos em busca de uma estabilidade no amor na constante instabilidade da vida. Hoje somos envolvidos por um mundo de competição que visa o lucro e a prosperidade em um direcionamento errado. Até mesmo muitas religiões, que se consideram cristãs, pregam em seus discursos um negócio com Deus. O materialismo se infiltrou dentro do sentido religioso por ingenuidade das pessoas que estão carentes de uma verdadeira espiritualidade.
A verdadeira pregação cristã tem base na misericórdia e na solidariedade que terá como conseqüência a prática efetiva do bem. A pessoa fechada em si mesma jamais poderá encontrar as raízes da verdadeira felicidade. Devemos nos alegrar com a salvação que é dada de uma forma gratuita para todos. Alguns a recebem logo no início de suas vidas, através de suas famílias, outros irão se converter por outros meios. Vemos esta realidade no momento da morte de Jesus em relação ao bom ladrão que foi o primeiro santo canonizado pelo próprio Senhor. A fonte de misericórdia no coração de Jesus inundou a vida deste homem fazendo que toda sua existência fosse entregue nas mãos do Senhor.
Assim como Deus perdoa a todos da mesma forma Ele ama aos seus filhos e quer a salvação de todos sem exceção. Só poderemos entender o seu gesto se experimentarmos a verdadeira alegria que é fruto do altruísmo universal, ou seja, de nossa abertura de coração a todos que precisam de nosso auxílio.


“Senhor Jesus fazei que sempre nos reconheçamos amados por ti.”