segunda-feira, 23 de maio de 2016

CORPUS CHRISTI


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“SE O SANTÍSSIMO SACRAMENTO FOR ADORADO, O MUNDO SERÁ TRANSFORMADO”.

Com muita alegria celebramos nesta quinta feira a festa que comemora a “Presença” Real de Jesus na Eucaristia. Jesus se dá em cada Eucaristia celebrada com seu infinito amor. Ela é uma fonte inesgotável de misericórdia por nós que somos limitados pelas nossas fraquezas. O amor verdadeiro exige presença. Só amamos o que percebemos no fundo de nosso coração. Jesus entra no profundo centro de nossa humanidade e comunica o seu amor misericordioso. Esta festa recorda que jamais Deus abandona suas criaturas. Nunca estaremos órfãos porque o Senhor está conosco em sua Igreja.
A festa de “Corpus Christi” é um momento forte de oração e louvor a Jesus presente no meio de nós no Santíssimo Sacramento. Ela foi instituída em 1264 pelo Papa Urbano IV que desejava que houvesse uma solenidade para glorificar a “presença real de Jesus Cristo na Eucaristia”. A festa do Corpus foi marcada oficialmente na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade.

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EVANGELHO (Lc 09, 11-17):
Naquele tempo, Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o reino de Deus e curava todos os que precisavam. A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”. Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”. Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”. Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos seus discípulos para distribuí-los à multidão. Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.

“Todos comeram e ficaram satisfeitos”.

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A  Santíssima Eucaristia é um grande mistério de amor. Quando o sacerdote acaba de consagrá-la ele diz: “Eis o mistério da Fé”. O amor exige presença. Deus está presente de uma forma real e única no Sacramento da Eucaristia. A Igreja superou muitas situações difíceis graças à realidade da presença de Jesus na Hóstia Consagrada. Hoje sofremos a dor de tantas denominações cristãs que se dividem cada vez mais por falta de uma real compreensão da Eucaristia.
Jesus sacia a fome de milhares de pessoas como um sinal: quem vive a vida nova na Graça de Deus jamais passará fome física e espiritual. Os discípulos recebem a missão de alimentar a multidão. Eles serão responsáveis no futuro de dar a comunidade o pão da Palavra e da Eucaristia. Jesus é o Pão da Vida que nos alimenta e nos faz mais dóceis ao plano de Deus. O mundo está faminto da verdade desta presença amorosa de Deus. Infelizmente a maioria das pessoas se alimenta da mentira que lhes satisfaz no momento. Logo ela leva a uma profunda crise de relacionamento que causa depressão e sofrimento.
A presença de Jesus no Sacramento da Eucaristia é a principal graça que temos como herança para a nossa salvação. Quando aceitamos a Cristo, precisamos aceitá-lo como um todo. Jesus é o novo cordeiro que tira os pecados do mundo. A Páscoa toma um novo sentido. É a passagem da morte para a vida através do próprio Cristo que nos ama e nos leva até uma nova realidade.
Deus deseja se unir a nós, mesmo sabendo de nossas fraquezas. É através da Eucaristia        que nos fortificamos em nossa vida de Fé, preparando-nos para a futura união definitiva com Ele.
A Eucaristia é nosso alimento salutar. Sacramento de cura de nosso egoísmo. Ela é vida que se reparte. Por esta razão precisamos nos tornar a extensão da Eucaristia que celebramos. Ela serve para conservar e cultivar a Graça de Deus em nós. Exige uma verdadeira abertura de coração, vencendo toda a nossa racionalidade, purificando todo o nosso egoísmoA presença de Jesus na Eucaristia é remédio para a humanidade. Ela nos ajuda a sermos solidários, a repartirmos nossa existência com de nossos irmãos.
Nesta quinta feira em várias comunidades teremos a procissão com Jesus Sacramentado. Não podemos esquecer-nos do sentido espiritual que tem esta procissão por nossas ruas que são preparadas para a passagem de Jesus sobre a espécie Eucarística. Este momento é um momento de muita devoção. Nele acontece a cura dos corações de muitas pessoas mesmo daquelas que não tem a real consciência deste Grande Mistério.
O fato de Jesus caminhar conosco é muito importante. Ele deve fazer parte de nossas vidas, da realidade de nosso cotidiano. Quando Jesus estava no meio de seu povo seu olhar se voltava para todos, especialmente para os doentes e necessitados. Ao olharmos para o Ostensório contendo a Hóstia Consagrada nesta quinta-feira vamos pedir a Jesus uma renovação total de nossas vidas, a libertação do pecado e uma vida de profunda fraternidade.
Deus nos ama tanto que quer fazer parte de nossa vida. Esta festa nos alegra muito e nos compromete a vivermos a mensagem de Cristo contida nos Evangelhos.

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"Graças e louvores sejam dadas a todo o momento. Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”.



HISTÓRICO DA FESTA DO CORPUS CHRISTI.
Ao redor o ano 1000 se despertou um grande entusiasmo eucarístico. Isto ocorreu devido a questões que surgiram para defender o mistério eucarístico contra heresias que surgiram colocando dúvidas sobre este sacramento.
O motivo principal para a instituição desta festa foi a revelação que teve Santa Juliana de Carmellón, Liège (Bélgica, 1193-1298). A ela deu-se o fato de uma aparição ou sonho de um disco luminoso com uma franja escura. A interpretação deste fato foi que o disco luminoso significava o ano litúrgico e a franja escura o vazio que se encontrava nele pela ausência de uma festa em honra ao Santíssimo Corpo de Cristo. Santa Juliana falou do acontecido ao seu confessor, que comunicou o fato a vários teólogos com o fim de indagar seus pareceres. Entre eles se encontrava o provincial dos dominicanos Hugo de Thierry e o cônego de Liège Jacques de Troyes. Este insistiu ao bispo Roberto para que a festa fosse estabelecida na diocese de Liège, e assim o fez em 1246.
Anos mais tarde Jacques de Troyes foi eleito Papa com o nome de Urbano IV. O interessante é que ele mesmo não estava mais tão interessado em introduzir a festa como uma solenidade universal.
Por esta época aconteceu um fato milagroso sucedido em Bolsena, segundo o qual um sacerdote peregrino sentiu grandes dúvidas sobre a presença eucarística ao celebrar a missa na igreja de Santa Cristina. Da Hóstia Consagrada saíram algumas gotas de sangue que mancharam o corporal. Ao saber do acontecido, o Papa Urbano IV quis ver os corporais e mandou traze-los a Orvieto, onde estava e neste local se encontram até hoje. Este fato influenciou ao Papa a estabelecer na Igreja universal a festa do Corpus.
A procissão do Corpus aconteceu mais tarde sendo que as primeiras tiveram início em Colônia. Ao princípio se levava o Santíssimo fechado na píxide. Aos poucos se queria ver a Hóstia Consagrada e assim apareceram as Custódias ou Ostensórios para que todos pudessem contemplar a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento.

Obs. Estes dados foram retirados do Curso de Liturgia da Biblioteca de Autores Cristãos,  Madri, 1961.





segunda-feira, 16 de maio de 2016

SANTÍSSIMA TRINDADE



“DEUS NOS CRIOU PARA PARTICIPARMOS DE SUA INFINITA FELICIDADE”.

Neste próximo domingo celebramos a festa da Santíssima Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Um Deus em três pessoas.  É o grande mistério cristão. Deus é um só em três pessoas. Ele nos cria nos salva e nos santifica para participarmos de sua felicidade. O amor de Deus por nós é o que temos de mais real em nossa vida. Ele nos preparou para a eternidade.  Somos criados semelhantes a Ele para vivermos em unidade com nossos irmãos. A busca da felicidade encontra resposta na própria pessoa de Deus. Seremos felizes quando partilharmos nossa vida. O mistério cristão da Trindade nos define como pessoas solidárias. Por esta razão que o cristianismo sempre será perseguido. Ele não se associa com o pensamento individualista implantado no mundo pela “grande mídia” que serve ao poder econômico. Se Deus vive o amor. Ele é o nosso Criador e só seremos felizes se formos como Ele.


EVANGELHO (Jo 16,12-15):
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Tenho muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.


“Quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá à plena verdade”.
O questionamento sobre a verdade perpassou a história da humanidade. Este foi o grande questionamento que os grandes filósofos gregos se debruçaram durante muito tempo: Como se conhece a verdade e o que ela é na sua essência? Em Jesus Cristo encontramos uma resposta objetiva para este questionamento: Ele é o caminho a verdade e a vida. Ele irá nos ensinar a viver a vida na graça de Deus reconhecendo que somos amados por Deus que não está distante de nós.
O mistério da Trindade é básico para aceitarmos o mistério cristão. Toda espiritualidade cristã é Cristocêntrica e Trinitária. Por Jesus conhecemos quem é o Pai pela força santificante do Espírito Santo. Jesus nos revela o mistério de Deus que é um só em três pessoas. Não podemos explicar racionalmente o mistério trinitário, mas vivê-lo em nosso coração. Todo mistério exige uma atitude de fé que passa pela humildade e pelo amor.
Fomos criados por Deus à sua imagem e semelhança. Se Deus é amor, nós seremos felizes vivendo a dimensão altruísta que Deus vive. Ele sai de si para ir de encontro de cada um de nós “perdendo” para nos edificar. O ser humano sofre de uma fome eterna porque se afasta do Eterno. Nunca seremos felizes longe de Deus. O criador jamais abandona suas criaturas. Deus sempre estará presente em nossa vida em qualquer situação, mesmo que por nossa ignorância pensemos em nos afastar d’Ele.
A Santíssima Trindade é o mistério primordial do cristianismo, fonte de todo dom e de todo bem. A revelação deste mistério pertence ao Novo Testamento. O Antigo Testamento põe toda a atenção em proclamar e exaltar a unidade de Deus: um só é o Senhor. O povo de Israel, que vivia em contato com povos pagãos, tinha necessidade de ser continuamente chamado a reconsiderar esta verdade para não cair na idolatria.
Com a vinda de Cristo, Deus se revela ao homem no mistério de sua vida íntima, da perfeição e fecundidade de seu ato de conhecimento e de amor, pelo qual é Pai que gera o Verbo, é comunhão da qual procede o Espírito Santo. Deus entra numa profunda relação com os homens, não só como Senhor e Criador, mas também como Trindade. Ele é Pai que os ama como filhos em seu único Filho e na comunhão do Espírito Santo. A partir deste momento o projeto de Deus não está em um só povo, mas sim para todos aqueles que aceitam a mensagem de Cristo.
Através do Santo Batismo passamos a ter uma profunda relação com a Santíssima Trindade. Por meio dele renasce em nós a "Vida Nova". O homem se reconhece filho do Pai Celeste que lhe decretou a regeneração; irmão de Cristo que lho mereceu com o sangue da Cruz; templo do Espírito Santo que lhe infunde o espírito de adoção. Diante de Deus, o batizado não é simples criatura e, sim, filho introduzido na intimidade de sua vida Trinitária, a fim de que viva em sociedade com as três Pessoas divinas, que nele habitam.
Nas palavras de São João da Cruz, o mistério da Trindade é a chama de amor viva que arde "no mais profundo centro", pois "o centro da alma é Deus" (Chama Viva de Amor 1,12), onde "o Verbo, Filho de Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, está essencial e presencialmente escondido no íntimo ser da alma" (Cântico Espiritual 1,6).
Devemos viver em plenitude os dons da Santíssima Trindade abrindo-nos à ação do Espírito Santo para nos comportarmos como filhos do Pai Celeste, como irmãos de Cristo.
Associado ao mistério da Trindade está à presença permanente de Jesus na Eucaristia, a comunhão transformante e dignificante de nossa vida, e a intercessão permanente de Maria que participa neste mistério através da Encarnação.

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"Obrigado Deus Trindade pelo imenso amor que sentes por nós que é capaz de fazer participarmos de sua vida divina”.



segunda-feira, 9 de maio de 2016

PENTECOSTES

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“O ESPÍRITO SANTO ABRE NOSSO CORAÇÃO AO AMOR DE DEUS”.

Celebramos neste domingo a festa de Pentecostes que nos recorda a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos com Maria Santíssima. Na antiga tradição judaica era a festa da Aliança e do dom da Lei. Recordava o recebimento das tábuas da Lei dadas a Moisés (Ex 20, 01-21). Era também associada às colheitas, à riqueza da vida, aos frutos do campo e do trabalho do homem. Celebrada cinquenta dias após a Páscoa. A festa cristã de Pentecostes celebra a vinda do "Espírito Santo" (At 2, 01-11). Ela conserva também esse sentido de plenitude. É o tempo da colheita, da Vida Nova. É tempo de viver e aproveitar os Dons que o Senhor nos dá para nossa santificação. Nesta festa comemoramos o início da Igreja quando os Apóstolos “tomam consciência” do grande mistério que envolveu suas vidas com a presença do ressuscitado saindo para a missão universal.

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I LEITURA (At 02, 01-11):
Quando chegou o dia de pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheio de espanto e de admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos em nossa própria língua? Nós que somos pertos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”

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EVANGELHO(Jo 20,19-23):
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.  Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A Paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

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“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”.
Avinda do Espírito Santo transformou a história da humanidade. A partir deste momento os discípulos de Jesus não terão mais medo de anunciarem que ele é o Cristo, o ungido, o Filho de Deus que veio nos salvar. A grande realidade que ele está vivo no meio de nós. Celebrar pentecostes é recordar o momento em que os discípulos de Jesus se tornaram Apóstolos. De seguidores de Jesus como mestre, começam a dar testemunho dele como Senhor Ressuscitado (Kyrios). O seguimento antes de pentecostes era desde fora. Após a experiência no Espírito Santo, eles terão um seguimento desde dentro. De agora em diante será uma amizade com o Cristo Vivo que se manifesta dentro da comunidade e nos sacramentos que nascem da Igreja.
A leitura histórica do cristianismo deve ser feita de trás para frente a partir de Pentecostes. A Efusão do Espírito Santo transformou a vida destas primeiras pessoas e até hoje realiza a mesma transformação. Ela é provocada pela tomada de consciência de que somos amados por Deus. Não estamos “soltos” sem apoio, pois o Senhor está conosco. Quando descobrimos esta realidade não temos mais medo de anunciar a verdade e experimentamos em nosso interior a verdadeira alegria.
Podemos afirmar que em pentecostes se cumpre a antiga promessa que Deus fez a Abraão que foi o primeiro homem a receber a revelação do amor de Deus em sua vida (Gn 15). A “grande promessa” se cumpre, pois esta revelação chega a sua plenitude. Deus vem até nós com seu Espírito e jamais irá nos deixar.
A linguagem nova dos apóstolos não será mais uma simples teoria filosófica ou teológica. É fruto da graça santificante que se transforma em linguagem universal. Por esta razão eles são entendidos enquanto discursavam. Eles irão anunciar as maravilhas de Deus que irá tocar o coração dos judeus e de todas as pessoas de boa vontade.
A experiência com o Espírito Santo é transformadora de nossa vida. Quando refletimos sobre o mistério de Pentecostes temos que sempre utilizar o verbo transformar. O egoísmo já não tem lugar na vida do que experimenta o amor de Deus. A palavra transformação é sinônimo de conversão. De agora em diante tudo será dissolvido no amor de Deus. Quando isto acontece as coisas do mundo se tornam enjoadas. O mundo não exerce nenhuma atração sobre os que vivem sobre o amor. A paz do coração toma lugar da angústia do materialismo e da sensualidade. Aí entendemos a atitude dos mártires que morriam felizes em meio as torturas que sofriam.
Após pentecostes, a compreensão do sentido da vinda de Jesus é mais clara e a Igreja toma a sua forma como comunidade daqueles que acreditam em Deus e em seu projeto. Ela irá dar continuidade através da transmissão apostólica das graças recebidas com a vinda de Cristo. Não existe cristão fora da Igreja. Todos que são batizados legitimamente pertencem a ela mesmo que não queiram ou não saibam desta realidade. Só existe um cristianismo e uma só Igreja de Cristo. Por esta razão nossa catequese deve ser cada vez mais sólida ensinando ao povo a verdade que realmente liberta.
Jesus envia o Espírito Santo para que possamos ter uma experiência profunda de perdão e misericórdia. Só quando nos sentimos perdoados e nos capacitamos para aceitar o amor de Deus começamos a experimentar em nosso coração a paz de consciência. Em Pentecostes se celebra a vitória sobre o pecado, a vitória sobre nossas limitações, pois tomamos consciência de que o amor de Deus por nós é maior do que todas as coisas. Somos amados acima de nossas limitações. Os apóstolos e seus sucessores são revestidos do poder de perdoar os pecados. Este poder não é humano, mas vem diretamente do coração de Deus que ama suas criaturas. Lembramos que Jesus antes de curar fisicamente algum enfermo, sempre perdoava os seus pecados. A experiência de perdão é capaz de curar qualquer enfermidade.
A paz é consequência da certeza do porque existimos. O sacramento da Reconciliação é muito importante para nós, especialmente no sentido de abrir nosso coração ao amor de Deus. Existe um grande número de pessoas sofrendo de depressão, justamente porque o amor de Deus ainda não conseguiu penetrar profundamente em suas vidas. Quando recebemos o perdão de Deus nos tornamos novas criaturas com uma alegria infinita.
Não podemos deixar de pedir ao Senhor a Graça do Espírito Santo em todas as atividades que vamos empreender, especialmente naquelas que sejam relacionadas com a caridade, para não errarmos o caminho e concretizarmos efetivamente a vontade de Deus.
Quando estamos envolvidos pelo Espírito Santo somos criaturas novas. Nosso amor se reparte para toda humanidade, somos promotores da unidade e da verdade que nos torna livres. A alegria invade nosso coração, vencemos a discórdia e o espírito anti comunitário reinante na sociedade comercial que vivemos. O ser humano é muito mais do que compra e venda. Somos amados por Deus e estamos a caminho de uma união definitiva com Ele.

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“Divino Espírito Santo, consumi em mim tudo aquilo que me impede que eu me consuma em Vós”.







segunda-feira, 2 de maio de 2016

FESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR

 

“JESUS    SOBE    AOS     CÉUS COMPROVANDO    SUA DIVINDADE”.


Na festa da Ascensão de Jesus aos Céus refletimos sobre a “subida” de Jesus ao Céu pela sua própria força divina por ser a segunda pessoa da Trindade Santíssima. Esta festa recorda nossa realidade última: fomos criados para vivermos com Deus. Devemos fazer o bem durante nossa vida porque aqui não temos morada permanente. Deus está sempre conosco. Somos suas criaturas. Ele nos ama com amor infinito. Seu plano de salvação ou participação em seu mistério deve ser aceito numa atitude de fé e alegria. Toda esta realidade vai passar e só irão permanecer as boas obras que praticarmos em nossa vida e a tentativa de correspondência ao infinito amor que Deus tem por nós. Somos “garimpeiros” do mistério da presença inefável da Graça de Amor em nossa vida.



EVANGELHO (Lc 24, 46-53):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sereis testemunhas de tudo isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no templo, bendizendo a Deus.

“Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu”.


A celebração da ascensão do Senhor nos questiona sobre o significado do verbo ascender na prática do mundo e no pensamento cristão. Para o mundo e a sociedade ascender significa crescer na economia e no status social. Viver uma vida de prazeres sem se importar com o bem comum. Aproveitar bem o tempo com futilidades. Para os cristãos ascender significa crescer no amor e na fraternidade e na grande batalha contra o individualismo. Viver uma nova vida em Cristo, configurar a nossa vida com a dele. O sentido da vida para os cristãos é diferente das pessoas do mundo. O cristão segue a orientação da Palavra de Deus e tenta vencer a si mesmo na prática do bem.
As aparências enganam. Muitas vezes somos conduzidos pelo ilusionismo do mundo que nos seduz e esquecemo-nos de ver o essencial. Com sua ascensão Jesus comprova sua divindade e nos dá o exemplo que, embora estejamos neste mundo, a nossa vida tem uma dimensão sobrenatural. Não somos frutos do acaso. Estamos nos preparando para a eternidade. Nós devemos ter um olhar diferente sobre a realidade. O místico cristão não se conforma com o tudo que o mundo oferece e pelo nada ele atinge o Tudo de Deus. A felicidade verdadeira é um sentimento muito profundo que nasce dentro de nosso coração quando, auxiliados pela graça de Deus, fazemos que a nossa vontade se coincida com a do Senhor. Não há nada neste mundo que traga mais alegria do que obedecer a Deus.
A maioria das pessoas, desde sua tenra infância, pensam no sucesso. Querem “crescer” na vida. A proposta cristã não coincide com este pensamento. Parece uma pedra no sapato dos que buscam as honras humanas. Jesus nos ensina que só iremos crescer quando aprendermos o sentido profundo do serviço fraterno na humildade e na solidariedade. Crescemos quando sabemos partilhar os dons que recebemos de Deus com o nosso próximo. Surge um novo conceito de poder. Quem dá mais é mais feliz. O egoísmo só destrói a pessoa nas raízes de sua existência. A grande mídia tenta afogar a Santa Igreja porque ela tenta levar as pessoas a um amor universal vivido na justiça. A mídia subserviente ao poder econômico tenta destruir a família que é a base da sociedade.
Jesus prepara a vinda do Espírito Santo que irá nos ajudar na escolha do essencial. Muitas são as atrações que o mundo nos oferece. Quando buscamos com sinceridade a felicidade que vem do centro de nosso ser através de nossa comunicação íntima com o Senhor, somos obrigados a nos identificar com a grande característica de Deus que é o altruísmo.
O mundo está sedento de uma verdadeira libertação que nasce do relacionamento profundo com o Criador. Os batizados ungidos no Espírito Santo, devem ser peritos na experiência ativa de Deus na história do homem fragilizado pelo seu egoísmo. Hoje somos anunciadores da presença do ressuscitado no meio de nós.
Nos sermões de Santo Agostinho temos uma belíssima reflexão sobre as baixadas e subidas de Deus provocadas pelo imenso amor que sente por cada um de nós:

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“Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com ele o nosso coração. Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como seus membros. Ele está no céu, mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com Ele através de sua divindade, de seu poder e de seu amor. O Senhor Jesus Cristo não deixou o céu quando de lá desceu até nós; também não se afastou de nós quando subiu novamente ao céu. Desceu do céu por sua misericórdia e ninguém mais subiu senão Ele; mas n’Ele, pela graça, também nós subimos” (Sermo de Ascensione Domini).