segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O VALOR DA OBEDIÊNCIA


“OBEDECER A DEUS É NOSSO GRANDE DESAFIO”.


A vida cristã é cheia de desafios e lutas. Quanto mais forte nossa adesão ao projeto de Jesus mais desafios surgem. Vivemos numa constante batalha contra o nosso egoísmo e contra as “ideologias individualistas” enraizadas no mundo. A Palavra de Deus nos orienta no que devemos fazer em meio a estes fortes desafios. Ela nos mostra o que Deus espera de nós em meio aos desafios que o mundo nos apresenta. A proposta da Palavra é altruísta enquanto a filosofia do mundo é consumista. Estamos dentro de um processo de conversão. Devemos descobrir o que Deus que de nós e procurarmos concretizar sua vontade em nossa vida e no meio em que vivemos.




 EVANGELHO (Mt 21, 28-32):

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo, que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.



“Em verdade vos digo, que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”.

Esta frase, em uma primeira análise, pode nos causar certa estranheza pela forma rude como Jesus nos apresenta. Podemos pensar que não vale a pena ser justos se os que são considerados pecadores estarão a nossa frente no paraíso. O que está sendo posto em relevo nesta situação é a vontade de Deus. Quem é capaz de concretizá-la em meio as suas limitações? Devemos saber o que o Senhor deseja de nós. A vontade de Deus deve ser descoberta e colocada em prática em nossa vida o quanto antes possível.
Não é o que aparece externamente que marca a nossa existência, mas é o bem que fazemos em nossa vida que muitas vezes não é observado por ninguém. Uma pessoa que talvez seja tida por má ou injusta na realidade, dentro de suas limitações, procura fazer a vontade de Deus e isto é que importa.
Jesus nos apresenta duas situações concretas. Os que dizem obedecer a Deus só nas aparências e os que procuram, embora suas limitações, concretizar a sua vontade na realidade de suas vidas. A resposta concreta na experiência vale mais que a teoria. A Igreja carece de pessoas que experimentem o amor de Deus e levem este amor ao mundo.
Quando cremos realmente em Deus lutamos para concretizar sua vontade passando muitas vezes por cima de nós mesmos e de nossas pequenas vontades. O filho que realmente obedece é o que efetivamente faz a vontade do pai. As nossas inclinações podem nos arrastar a dizermos não a Deus em uma primeira instância, mas quando percebemos a nossa realidade passamos a obedecer e seremos mais felizes. A obediência a Deus é fonte de verdadeira felicidade.
O mudar de opinião do sentido egoísta para o altruísta, proposto por Cristo, é converter-se. Quando entramos em nós mesmos descobrimos que somos amados e que o Pai só quer o bem de seus filhos. Este bem não é o aparente e transitório apresentado muitas vezes pelo consumismo. É o bem definitivo que nos faz muito mais felizes. Devemos inverter a mentira apresentada pela grande mídia com a alegria de sermos mártires da vontade de Deus no mundo. Estar de acordo com o Criador é a maior realização da criatura.
Jesus coloca os pecadores em frente dos que se dizem mais puros, porque pode acontecer que estas pessoas, devido ao sofrimento de suas vidas, se tornem mais dóceis ao pedido do Senhor. O sofrimento das imperfeições podem nos levar a uma sensibilidade maior a misericórdia de Deus. As pessoas que amam mais são mais perdoadas.
As coisas de Deus são muito misteriosas para nós. Ele sempre nos surpreende com sua bondade inefável. Nós somos movidos pelo espírito comercial e de competição. Deus se move pelo amor que deposita em cada criatura. A lógica de Deus é a lógica da partilha. Vivemos no mundo a lógica da competição que tem como conseqüência a depressão e o sofrimento.
Quando fomos batizados fizemos uma profissão de fé de tentarmos concretizar a vontade de Deus em nossas vidas. Somos sempre “desafiados” a uma verdadeira conversão de atitudes e forma de ser. O Criador procura a realização completa de suas criaturas que devem saber administrar suas vidas a partir da liberdade que cada um tem de buscar os verdadeiros valores que trazem como consequência a prática do bem.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

OPERÁRIOS DA VINHA


“DEUS AMA TODAS AS PESSOAS DA MESMA FORMA. A NOSSA SALVAÇÃO ACONTECE NA ABERTURA AO SEU AMOR”.


A nossa relação com Deus sempre será misteriosa acontecendo sempre no âmbito da fé. Esta passa a ser a divisora de águas em nossa vida. Quando aceitamos de coração o que Deus deseja de nós nos comprometemos com seu amor. Ele dá a mesma oportunidade a todas as pessoas. Alguns aceitam antes e outros depois o seu infinito amor. Diante de Deus somos iguais e Ele deseja que façamos parte de sua felicidade profunda. O direcionamento da nossa liberdade é que irá fazer a diferença. A luta contra nós mesmos se faz necessária para educarmos a nossa liberdade na busca pela verdade.



EVANGELHO (Mt 20, 01-16):
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça desocupados, e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados? Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos começando pelos últimos até os primeiros!’ Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: ‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualastes a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’. Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.




“Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence?”
A bondade infinita de Deus continua nos questionando fortemente. Especialmente por estarmos inseridos num mundo onde os valores materiais estão acima dos espirituais. A pessoa humana está sendo encerrada dentro de um conceito de compra e de venda. Não se está dando importância ao que ela pode ter de mais precioso em seu interior. A moda externaliza as pessoas fazendo que vejam só para o transitório.
Esta bondade ou graça está à disposição de todos nós desde antes de nosso nascimento. Deus não faz distinção de pessoas. O seu coração ama profundamente a todas as suas criaturas. Todos fazem parte de seu projeto de amorização. Quando olhamos para a profundidade de nossa vida percebemos que somos amados. O amor de Deus por nós é concreto e forte em nossa vida.
No fato de sermos gerados, percebemos que Deus depositou em nós 1000% de seu amor (amor inefável, fora da nossa compreensão racional). Somos suas criaturas prediletas. Amadas por Ele antes mesmo de nosso nascimento.
Esta parábola tem muito a ver com a propagação ou generalização da Graça de Deus. Todos são beneficiados da mesma forma pelo desejo de promoção que o Senhor tem em relação as suas criaturas. Deus é justo com todos. Procura dar sua salvação a todos que se abrem ao seu amor. Os caminhos e os tempos podem ser diferentes. A estabilidade do amor, que caracteriza o Ser de Deus, é estável e acontece com a mesma intensidade. A falha acontece na forma de nós recebermos este amor.
Quando buscamos a santidade estamos em busca de uma estabilidade no amor na constante instabilidade da vida. Hoje somos envolvidos por um mundo de competição que visa o lucro e a prosperidade em um direcionamento errado. Até mesmo muitas religiões, que se consideram cristãs, pregam em seus discursos um negócio com Deus. O materialismo se infiltrou dentro do sentido religioso por ingenuidade das pessoas que estão carentes de uma verdadeira espiritualidade.
A verdadeira pregação cristã tem base na misericórdia e na solidariedade que terá como conseqüência a prática efetiva do bem. A pessoa fechada em si mesma jamais poderá encontrar as raízes da verdadeira felicidade. Devemos nos alegrar com a salvação que é dada de uma forma gratuita para todos. Alguns a recebem logo no início de suas vidas, através de suas famílias, outros irão se converter por outros meios. Vemos esta realidade no momento da morte de Jesus em relação ao bom ladrão que foi o primeiro santo canonizado pelo próprio Senhor. A fonte de misericórdia no coração de Jesus inundou a vida deste homem fazendo que toda sua existência fosse entregue nas mãos do Senhor.
Assim como Deus perdoa a todos da mesma forma Ele ama aos seus filhos e quer a salvação de todos sem exceção. Só poderemos entender o seu gesto se experimentarmos a verdadeira alegria que é fruto do altruísmo universal, ou seja, de nossa abertura de coração a todos que precisam de nosso auxílio.


“Senhor Jesus fazei que sempre nos reconheçamos amados por ti.”

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


“NÃO EXISTE CRISTO SEM CRUZ E CRUZ SEM O CRISTO”.

O escândalo da cruz continua surtindo efeito em nossa sociedade. Neste próximo domingo coincide a celebração da exaltação da santa cruz. Esta festa recorda a aparição da Cruz para Constantino ao tomar Roma e se tornar o primeiro imperador a ser batizado. Devemos refletir sobre a esperança que está por detrás deste símbolo que de representante da morte passou a ser representante da vida. O pior instrumento de tortura e morte importado da África pelos romanos para inibir os inimigos do Império se transformou a partir da ressurreição de Jesus o Cristo o símbolo mais difundido na história da humanidade. A cruz é um sinal de vitória a partir do despojamento por isto a sua atualidade para um mundo que busca em si mesmo a felicidade e que se afunda cada vez mais em seu próprio egoísmo. A cruz passa a ser um símbolo dos que aderem ao projeto de solidariedade e amor de Cristo.



EVANGELHO (Jo 03, 13-17):

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas    para que o mundo seja salvo por ele”.



“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado”.

O diálogo de Jesus com Nicodemos no início do evangelho de São João nos revela a preciosidade do gesto de entrega de Jesus na cruz recordando o simbolismo usado por Moisés quando o povo de Israel era mordido pelas serpentes no deserto. Do mesmo modo a serpente do materialismo está tentando nos morder e nos levar ao conforto que nos desconforta de uma falsa tranquilidade. Quando negamos a cruz de Cristo estamos negando toda sua história. As religiões modernas que se afirmam cristãs afastam a cruz do Cristo porque querem uma prosperidade nesta vida. Buscam o sucesso e a riqueza bem o contrário do que Jesus veio nos ensinar.
O sentido da vida fica diferente quando olhamos para a cruz de Cristo. A cruz foi um instrumento de tortura, desprezo e morte criado ou copiado pelos romanos para que ninguém se atrevesse a desafiar o Império. Ela era destinada especialmente para os que eram revolucionários. Talvez na história da humanidade não iremos encontrar um instrumento ou método de morte mais horrível do que a cruz. A pessoa crucificada morria no total desprezo sofrendo humilhações e muitas dores chegando finalmente a morte por asfixia. Jesus morre na cruz livremente para nos salvar. A dor da cruz se transforma em glória para a humanidade. Sem o sofrimento oferecido ou assimilado não se chega à felicidade profunda nesta vida. Após a sua ressurreição este terrível instrumento vai passar a ser um sinal de vida e esperança. É pela cruz que chegamos à ressurreição.
Hoje a cruz passa a ter um outro formato. Somos muitas vezes crucificados pelo relativismo dos valores que nos são impostos através dos meios de comunicação que querem nos impor outros valores diferentes do projeto de Deus. A moda do comodismo e da indisciplina leva o ser humano a mentir para si mesmo. A busca de facilidades nos leva a infelicidade.
A cruz passou a ser um símbolo de vitória para os cristãos. Esta vida é uma peregrinação rumo à eternidade. Estamos nos preparando para a vida eterna e não podemos temer as cruzes que surgem em nossa caminhada. Quando olhamos para a cruz percebemos que somos amados por Deus. Nenhum herói da história fez o que Jesus fez por nós. É fácil sermos conduzidos por ideologias em nossa vida. O difícil é sermos fiéis ao amor concreto que Deus sente por cada um de nós.
Quem ama sofre. Não existe amor sem a saída de nós mesmos, de nosso egoísmo que na realidade nos engana nos afastando do princípio gerador da vida. Hoje vivemos longe de nós mesmos, procuramos substitutivos alienantes que vão endurecendo o nosso coração.
A cruz é o grande sinal da revolução do amor. Só por meio dela iremos transformar este mundo decaído na sua própria insensibilidade. Somos convidados a viver a solidariedade de nossa própria vida. Jesus nos ensina que receberemos mais se perdermos mais em favor de nossos irmãos. Este perder é ganhar no sentido mais concreto.
Devemos lutar com todas as nossas forças para sermos missionários da Redenção de Cristo. Anunciadores da grande verdade de que ele deu a sua própria vida para nos salvar.



 “Que a sua Cruz Senhor nos recorde constantemente a realidade do grande amor que sentes por nós”.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

ORAÇÃO E MISERICÓRDIA


“A ORAÇÃO UNIDA A MISERICÓRDIA FAZ QUE O CRISTÃO SEJA UM AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO DA HISTÓRIA”.


Iniciamos com muita alegria o mês da Palavra de Deus. A Bíblia unida ao ensinamento do magistério da Igreja é a grande fonte onde encontramos o que Deus deseja de cada um de nós em particular e na nossa vivência comunitária. Jesus nos pede no evangelho deste domingo que sejamos autênticos com nossos irmãos sabendo viver a “correção fraterna” quando necessária. O tema da oração também se faz presente. Pela oração somos fortificados em nossa fé. Quando oramos em conjunto este nosso clamor chega a Deus e Ele nos atende.


EVANGELHO (Mt 18,15-20):

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público. Em verdade vos digo tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou aí, no meio deles”.



“Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou aí, no meio deles”.

O tema da fraternidade sempre esteve presente no cristianismo desde Pentecostes. A presença do Espírito Santo na comunidade apostólica foi a força permanente de unidade que percebemos ainda hoje na Igreja. Quando absorvemos com alegria o que o Senhor nos pede somos imbuídos de espírito fraterno. Esta fraternidade cristã só é possível no momento em que somos verdadeiros consigo mesmos e com nossos irmãos. A humanidade caminha para sua própria ruína se não perceber o seu valor comunitário. Jesus veio até nós para nos ensinar que a essência de nossa vida é nos construirmos construindo os outros. O ensinamento de Jesus serve para todo ser humano. Devemos praticar o bem e evitar o mal. Descobrir a alegria do despojamento em nossa vida. Saber perder para ganhar. Hoje muitas pessoas querem ganhar e acabam perdendo. O egoísmo não oferece nada ao ser humano.
Não existe pai que não queira ver seus filhos felizes entre si em comum acerto. A grande consequência do pecado original foi a competição entre os irmãos. Infelizmente estamos sendo preparados para competir e não para promover o outro. Esta é uma fonte de infelicidade e frustração que a maioria das pessoas assume em suas vidas. Percebemos na vida dos santos que a experiência de Deus leva imediatamente a experiência dos irmãos. Quando nos amamos de verdade participamos da felicidade que Deus preparou para nós.
A grande característica de que estamos concretizando a vontade de Deus acontece quando partilhamos nossa vida dentro da comunidade. Deus está no meio daqueles que procuram ser igual a Ele.
Deus Trindade é a verdadeira comunidade. Nosso Criador nos fez para a partilha. Nela encontramos a nossa razão de ser. Somos participantes do mistério de Deus à medida que buscamos a solidariedade de nossa existência. Através da vida de oração descobrimos quem é Deus e quem somos nós.
O conhecimento e a técnica devem estar a serviço da verdadeira realização do homem. Notamos cada vez mais uma grande evolução na humanidade em alguns aspectos. Por outro lado ainda vemos pessoas que morrem de fome, que não tem o básico para sua sobrevivência. Somos irmãos, não podemos esquecer-nos desta realidade.
Estamos dentro de um surto fortíssimo de depressão, há um grande consumo de remédios para regular nossas ansiedades. Percebemos a grande crise afetiva em todas as partes. O vazio absoluto que existe em nosso coração só pode ser preenchido pelo absoluto de Deus, do contrário, caminhamos para a verdadeira morte que é o isolamento.
Quando amamos o próximo estamos nos amando, sendo que o amor é exigente. É promoção do outro dentro de sua realidade. Amar também é sofrer e ser mártir. As crises nas famílias têm suas raízes no esquecimento de que toda vocação é um desafio. Colocar Deus em primeiro lugar é retirar todo egoísmo de nossas intenções.
Vamos nos utilizar da Palavra de Deus para encontrarmos a fonte dos verdadeiros valores que irão nos levar a viver uma vida nova no desafio do espírito comunitário.


“Senhor Jesus que possamos entender cada vez mais o significado de sua vinda até nós.”


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

RENUNCIAR A SI MESMO


“SEGUIR A CRISTO É RENUNCIAR A SI MESMO PARA IMPLANTAR O AMOR NO MUNDO”.


No evangelho deste próximo domingo Jesus nos fala do sofrimento que terá que passar para concretizar o plano do Pai. Não existe amor sem perda. Ele é uma saída de nós mesmos para a edificação do próximo. Quando Pedro percebe o fato do sofrimento de Jesus e sua “aparente derrota” faz uma espécie de falsa profecia dizendo que Deus jamais iria permitir isto. Ele fala isto sem pensar devido ao grande amor que devotava ao seu mestre. Pedro nesta ocasião representa a nossa fraqueza diante do desafio do seguimento. É repreendido pelo mestre que lhe ensina que precisamos perder a vida se queremos salvá-la. Não há como separar a Cruz do Cristo e o Cristo da Cruz. São duas realidades que se unem para nossa salvação. A conclusão que chegamos é que se queremos seguir ao Senhor até a eternidade iremos passar inevitavelmente por ela.


EVANGELHO (Mt 16,21-27):

Naquele tempo, Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.


“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la”.


A partir deste evangelho podemos refletir sobre as coisas de Deus e as coisas dos homens. Qual é a diferença entre as duas? Deus nos ama como Criador e nós amamos de forma limitada como criaturas. As coisas de Deus são eternas. Deus no vê já na eternidade ao seu lado. Nós ainda somos limitados e muitas vezes nos enganamos pensando que a vida é só aqui neste mundo e somos enraizados no materialismo. Os nossos instintos nos dominam levando-nos para fora de nós mesmos. A crise afetiva mundial que a humanidade atravessa tem aí sua origem.
A resposta dura de Jesus a Pedro nos apresenta um forte radicalismo no objetivo que ele tem de dar sua vida para nos salvar. Talvez este seja o ponto de difícil aceitação do cristianismo por parte de um bom número de pessoas da sociedade que querem um Cristo do conforto e não o conforto do Cristo. Muitos fogem do comprometimento com a missão que Jesus nos pede.
A cruz é inerente ao seguimento de Cristo. Não é uma busca de sofrimento voluntário. É a consequência dos que dizem sim a Deus. A visão limitada de Pedro era incapaz de perceber a dimensão sobrenatural do Mestre que veio ao mundo para dar sua vida em resgate da nossa. O despojamento se faz necessário para descobrirmos a realidade do amor de Deus e sairmos de encontro aos nossos irmãos. Devemos imitar a Cristo se quisermos alcançar a felicidade, o mundo já provou a muito tempo o seu fracasso em buscar a felicidade com seu método egoísta.
Quando nos tornamos cristãos assumimos a vida de Cristo em nossa vida. Ele foi desprezado, nós também não seremos aceitos por todos especialmente por aqueles que são manipulados pela grande mídia e que caem no relativismo.
O processo de adesão à verdade fará que comecemos neste mundo uma experiência da verdadeira liberdade. Não adianta ter tudo se não termos nada. A felicidade se encontra dentro de nosso coração. Não nos elogios e valores que possam nos dar por aspectos externos de nossa vida. O ter está em função do ser. Se ele estiver fora de sua função se torna um aguilhão da morte.
O amor exige saída e desconforto. É uma tarefa árdua, exercício de puro altruísmo de nossa parte. Se nos esquecermos e colocarmos a missão em primeiro plano seremos mais felizes. A fonte de sofrimento que existe no mundo vem pelo egoísmo implantado pelo pecado pessoal e social que torna as pessoas indiferentes ao Criador.
A vida é o maior dom que recebemos de Deus. Ela deve ser preservada no sentido positivo: na tentativa de direcioná-la na concretização da vontade de Deus. A nossa existência já é um chamado para se alcançar a verdadeira felicidade.
Nesta linguagem paradoxal de Jesus, percebemos que o buscar a si mesmo leva o homem a sua própria ruína. O ser humano foi criado para uma relação com o “outro”. Depois de se descobrir amado pelo Criador, ele passa a se amar e vai de encontro aos seus semelhantes.
Pedro ainda não entendia o valor do mistério da Redenção que estava para acontecer com o sacrifício de Jesus seu mestre que era seu amigo e Messias com a missão de ser o Salvador da humanidade. A compreensão total só irá acontecer após a graça de Pentecostes com a força do Espírito Santo.
Muitas pessoas hoje mudam de religião toda hora procurando aquela que possa lhe “satisfazer” mais. Isto acontece por falta de uma verdadeira assimilação da missão de Jesus. Vemos o aumento das facções que se dizem cristãs. O nome de Cristo é usado para se conseguir uma prosperidade para esta vida terrena se esquecendo totalmente da realidade da vida eterna. O encontro com a cruz da renúncia vai evitar qualquer tipo de relativismo. Somos convidados a uma luta constante contra nosso próprio egoísmo para concretizarmos a vontade de Deus.
Jesus chama a Pedro de Satanás, porque seus sentimentos em relação a sua pessoa são simplesmente humanos. São de alguém que busca a si mesmo numa amizade terrena com Jesus. Com a experiência de pentecostes, Pedro vai entender que a morte leva à vida quando se busca a verdade de Deus. Ele mesmo será martirizado para confirmar que o individualismo não se casa com o altruísmo cristão.
Percebemos nas obras de São João da Cruz, o grande místico carmelita, que o homem para ser feliz precisa estar totalmente desnudado de seu egoísmo. “Aquele que quiser chegar ao Tudo deverá ir pelo caminho do nada”. Quando somos queimados pela chama do amor de Deus percebemos o verdadeiro valor de nossa vida. Infelizmente, hoje somos manipulados a buscar nosso próprio prazer. Justificamos prazer com prazer e vamos nos afastando cada vez mais de nosso princípio existencial.
Quando vivemos o verdadeiro romance de um Criador que busca as suas criaturas, nossa vida muda de perspectiva: somos canais de transmissão do amor de Deus. Já não nos preocupamos com nós mesmos. Passamos a ser instrumentos de amorização da humanidade.


“Senhor Jesus, fazei que possamos aceitar a cruz do despojamento com alegria”.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

TU ÉS PEDRO E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA



“A IGREJA É EDIFICADA SOBRE A PEDRA HUMANA COM A GRAÇA DIVINA”.


No próximo domingo celebramos dentro do mês vocacional o dia do Apóstolo leigo. Os nossos ministros da catequese têm uma função muito importante em nossas comunidades. Devem transmitir os dados e as experiências em relação à vida cristã a crianças, jovens e adultos. Na realidade a catequese é algo interminável em nossa vida. O evangelho deste domingo nos apresenta a profissão de Fé de Pedro que vai ser o fundamento da Igreja. Deus em sua infinita sabedoria escolheu homens limitados para provar que sua obra é divina. Vamos aproveitar e rezar pelo nosso Santo Padre o Papa Francisco que hoje é para nós Pedro que se entrega em todos os momentos por cada cristão do mundo inteiro.


EVANGELHO (Mt 16,13-20):

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra, será ligado no céu; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. Jesus então ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o messias.


 

“Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra, será ligado no céu; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

Muitas vezes durante a nossa vida lemos este capítulo famoso de São Mateus. Ele é representado por vários artistas religiosos do mundo inteiro. São Pedro aparece com as grandes chaves do Paraíso. Recebe do próprio Cristo o mandato de ligar o céu e a terra. É uma grande responsabilidade hoje vivida pelo nosso Santo Padre o Papa.
Pedro é um pescador, homem simples do povo. Esta realidade não descarta o chamado de Deus e sua resposta sincera. Os humildes estão mais preparados para receber as missões mais profundas do seu plano de amor.
Nesta passagem vemos a sua profissão de fé que o consagra chefe da Igreja. Cai sobre ele a responsabilidade de estar na frente da futura maior sociedade dos que acreditam em Jesus como sendo Cristo. Sua afirmação o confirma como Pedro, pedra e cabeça da Igreja. O alicerce é um fundamento. O edifício depende dele. Muitas vezes terá que sofrer solitariamente para que todos possam beber da fonte.
Jesus faz uma pergunta bem geral sobre a sua pessoa: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Os homens são criaturas, o Filho do Homem é Deus. Os homens são incapazes de reconhecer a realidade do Filho do Homem sem a ação do Espírito Santo. É Ele que dá capacidade a Pedro de responder a pergunta feita por Jesus. Este questionamento devemos fazer constantemente para nós mesmos. Como consideramos Jesus? É um personagem da história, é uma idéia vertical ou horizontal, ou é o nosso amigo que nos oferece a vida plena? Conforme experimentamos a nossa amizade com Cristo será a nossa vida concreta como cristãos no mundo.
“Tu és o messias, o Filho do Deus vivo”. Nesta afirmação, Pedro está reconhecendo a realidade da missão de Jesus. Ele vem para salvar seu povo, não é uma salvação política, é uma salvação integral baseada na solidariedade comunitária do Reino de Deus. Não podemos esquecer que Javé está presente, Ele é um Deus vivo na história de seu povo. O novo povo de Deus serão todos os batizados no mundo inteiro irão compor a Igreja de Cristo desfalcada pelas falsas religiões que deturpam a Palavra de Deus com interpretações subjetivas da Fé.
Quanto mais nos aprofundamos no mistério de Cristo, mais percebemos a universalidade de sua missão. Por meio de Cristo e de sua Igreja tendo Pedro como fundamento, temos uma maior garantia de estarmos na comunidade dos crentes. Somos intercessores uns dos outros, somos responsáveis pela salvação ou pela perdição do Corpo Místico de Cristo.
O pertencer a Igreja não é algo relativo em relação a nossa salvação. Quando estamos com a Igreja, estamos com Cristo e com seu projeto. Infelizmente o ser humano se considera criador de tudo, inclusive de projetos pessoais que interferem no que Deus deixou para nós com muita clareza. A vivência sacramental dentro da Igreja tem como objetivo praticar o bem e evitar o mal. Fazer o bem dentro de um ambiente adverso. Por isto ela se fortifica amando a presença de Jesus na Eucaristia, na Palavra e na intercessão materna de Maria que é nossa mãe.
Estando com Pedro estamos com Cristo e seu projeto de amor para com toda a humanidade. Precisamos amar mais a Igreja. Estudar mais os seus documentos para não sermos dominados pelo relativismo que impera na humanidade e que está levando o ser humano a uma crise afetiva cada vez maior.


“Senhor tu és o Cristo. Pela nossa amizade contigo estaremos juntos na eternidade”.



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ASSUNÇÃO DE MARIA


“A MÃE DE JESUS INTERCEDE POR NÓS NA GLÓRIA DOS CÉUS”.

A Igreja sempre alimentou uma grande devoção a mãe de Jesus. Por Jesus ser o Filho de Deus nós passamos a ser filhos de Maria. A devoção a Nossa Senhora nos traz uma grande alegria e segurança em nossa caminhada cristã. No próximo domingo celebramos a festa da Assunção de Maria. O Papa Pio XII (01 de novembro de 1950) declarou oficialmente que Maria foi glorificada por Deus, está no paraíso e intercede por todos nós. Ela foi “elevada” ao céu por Deus pelo imenso merecimento que teve em aceitar a grande missão de ser a mãe do Salvador.
A devoção a Nossa Senhora é parte integrante da vida dos cristãos desde o início da sua história pela importância do fenômeno da Encarnação do Verbo. Ela aceitou livremente em ser a “mãe do Salvador”.
Maria recebeu e recebe muitos títulos no decorrer da história da humanidade. Eles nascem conforme as necessidades concretas que surgem na caminhada rumo ao Pai. Se recorrermos às nossas mães em nossas dificuldades, é justo recorrermos a mãe de Jesus que é nossa mãe comum que intercede junto a Deus por nós. Ela é muito atenciosa as nossas necessidades.
Dentro do mês vocacional celebramos também o dia dos consagrados (religiosos). O religioso procura dar testemunho de Jesus através de seu carisma e de sua entrega a Deus pela alegria que brota de seu gesto de solidariedade na sua consagração.



EVANGELHO (Lc 01, 39-56):

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre! Como posso merecer que a mãe de meu Senhor me venha visitar? Logo que a saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu salvador, porque olhou para a humanidade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem aventurada, porque o todo poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.


“Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre!”

A devoção a nossa Senhora inicia no fato misterioso da Anunciação do anjo e da Encarnação do Verbo no momento em que ela aceita ser a mãe do Salvador. Temos dois grandes mistérios: a escolha de Deus feita a ela e sua aceitação. Deus faz a Maria uma proposta de envergadura gigantesca. Maria é convidada a ser a mãe do Messias, do Cristo, enviado do Pai para salvar a humanidade. É muito difícil saber exatamente o que se passou no coração de Maria neste momento. É um mistério que vai acompanhar a história do cristianismo até o final dos tempos. Quando Maria aceitou ser a mãe de Jesus, ela aceitou a tarefa árdua de auxiliar Deus no plano de salvação de toda a humanidade.
A “Anunciação” e a “Encarnação” só foram possíveis pela grande humildade e obediência de Maria. Ela abandonou seu plano pessoal para aceitar o plano de Deus. Este fato só poderia ter acontecido em um ambiente de profunda comunicação (oração) com o Senhor. Como aconteceu várias vezes com os grandes heróis do Antigo Testamento, poderíamos tirar de Maria estes dois grandes exemplos: quem reza obedece e se esquece de si mesmo para realizar em sua vida o que Deus determina. A oração está ligada a capacidade de despojamento. A paz que almejamos em nossa vida só é possível quando obedecemos a Deus.
O dogma da Assunção dá uma qualidade especial à missão de Maria. Poderíamos dizer que é consequência da Anunciação e Encarnação. Por seus imensos merecimentos Maria é elevada ao Céu. Ela não irá passar pelo processo de glorificação comum como nós. Ela recebe, de imediato, a graça da ressurreição como merecimento por ter aceitado ser a mãe do Salvador.
Deus “deseja” profundamente que as pessoas participem de sua felicidade. Ele não se conforma com a incapacidade de correspondência ao seu amor da parte da pessoa e por isto vai de encontro a sua fraqueza para salvá-lo. Maria faz parte deste desejo através do mistério da Encarnação do Verbo. Ela se torna instrumento essencial no plano de Deus. Na recuperação do homem perdido pelo pecado. Por Eva a humanidade cai na divisão do pecado e pelo sim solidário e livre de Maria o homem se une novamente ao seu Criador. Pelo sim de Maria nos é restituída à capacidade de dizermos sim a Deus.
Na atitude de Maria ir ao encontro de sua prima Isabel, percebemos uma forte disponibilidade e solidariedade na alegria. Esta é a característica dos que servem a Deus. Quando procuramos à concretização da vontade de nosso Criador somos “desacomodados”. Saímos de nós mesmos e vamos ao encontro de Deus, de nós mesmos e de nossos irmãos. Este é o segredo da verdadeira felicidade: vencer nosso egoísmo e sermos solidários.
A maioria das pessoas de hoje são infelizes porque não se conhecem em profundidade. Erram em suas opções. A competição econômica reinante em nosso mundo é como o aguilhão do escorpião que se volta contra ele mesmo quando se sente encurralado. Estamos sofrendo os efeitos do egoísmo, mas infelizmente não queremos sair desta situação. O tempo não é bem administrado em relação ao que faz a pessoa realmente feliz. Somos manipulados a ficarmos na mesmice do relativismo implantado pela grande mídia.
A graça de Deus é capaz de fazer que nos valorizemos no sentido pleno da palavra. O canto do “magnificat” de Maria não é um canto de auto-suficiência de sua pessoa. É a realidade que cobre aqueles que se sentem verdadeiros servos de Deus. Através da humildade vamos nos transformando no que o Senhor projetou para nós.
Maria está no céu gloriosa. Certamente muito preocupada com a nossa salvação. Ela realmente se considera nossa mãe pelo próprio mandato de Cristo nos últimos momentos em que estava na cruz entregando sua vida para nos salvar. Vamos sempre recorrer a Maria em todos os momentos de nossa vida e sempre estaremos fazendo o que seu Filho nos pede.

 


“Querida mãe do Céu. Olhe para vossos filhos que caminham na instabilidade desta vida rumo ao Pai”.