segunda-feira, 2 de maio de 2016

FESTA DA ASCENSÃO DO SENHOR

 

“JESUS    SOBE    AOS     CÉUS COMPROVANDO    SUA DIVINDADE”.


Na festa da Ascensão de Jesus aos Céus refletimos sobre a “subida” de Jesus ao Céu pela sua própria força divina por ser a segunda pessoa da Trindade Santíssima. Esta festa recorda nossa realidade última: fomos criados para vivermos com Deus. Devemos fazer o bem durante nossa vida porque aqui não temos morada permanente. Deus está sempre conosco. Somos suas criaturas. Ele nos ama com amor infinito. Seu plano de salvação ou participação em seu mistério deve ser aceito numa atitude de fé e alegria. Toda esta realidade vai passar e só irão permanecer as boas obras que praticarmos em nossa vida e a tentativa de correspondência ao infinito amor que Deus tem por nós. Somos “garimpeiros” do mistério da presença inefável da Graça de Amor em nossa vida.



EVANGELHO (Lc 24, 46-53):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sereis testemunhas de tudo isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no templo, bendizendo a Deus.

“Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu”.


A celebração da ascensão do Senhor nos questiona sobre o significado do verbo ascender na prática do mundo e no pensamento cristão. Para o mundo e a sociedade ascender significa crescer na economia e no status social. Viver uma vida de prazeres sem se importar com o bem comum. Aproveitar bem o tempo com futilidades. Para os cristãos ascender significa crescer no amor e na fraternidade e na grande batalha contra o individualismo. Viver uma nova vida em Cristo, configurar a nossa vida com a dele. O sentido da vida para os cristãos é diferente das pessoas do mundo. O cristão segue a orientação da Palavra de Deus e tenta vencer a si mesmo na prática do bem.
As aparências enganam. Muitas vezes somos conduzidos pelo ilusionismo do mundo que nos seduz e esquecemo-nos de ver o essencial. Com sua ascensão Jesus comprova sua divindade e nos dá o exemplo que, embora estejamos neste mundo, a nossa vida tem uma dimensão sobrenatural. Não somos frutos do acaso. Estamos nos preparando para a eternidade. Nós devemos ter um olhar diferente sobre a realidade. O místico cristão não se conforma com o tudo que o mundo oferece e pelo nada ele atinge o Tudo de Deus. A felicidade verdadeira é um sentimento muito profundo que nasce dentro de nosso coração quando, auxiliados pela graça de Deus, fazemos que a nossa vontade se coincida com a do Senhor. Não há nada neste mundo que traga mais alegria do que obedecer a Deus.
A maioria das pessoas, desde sua tenra infância, pensam no sucesso. Querem “crescer” na vida. A proposta cristã não coincide com este pensamento. Parece uma pedra no sapato dos que buscam as honras humanas. Jesus nos ensina que só iremos crescer quando aprendermos o sentido profundo do serviço fraterno na humildade e na solidariedade. Crescemos quando sabemos partilhar os dons que recebemos de Deus com o nosso próximo. Surge um novo conceito de poder. Quem dá mais é mais feliz. O egoísmo só destrói a pessoa nas raízes de sua existência. A grande mídia tenta afogar a Santa Igreja porque ela tenta levar as pessoas a um amor universal vivido na justiça. A mídia subserviente ao poder econômico tenta destruir a família que é a base da sociedade.
Jesus prepara a vinda do Espírito Santo que irá nos ajudar na escolha do essencial. Muitas são as atrações que o mundo nos oferece. Quando buscamos com sinceridade a felicidade que vem do centro de nosso ser através de nossa comunicação íntima com o Senhor, somos obrigados a nos identificar com a grande característica de Deus que é o altruísmo.
O mundo está sedento de uma verdadeira libertação que nasce do relacionamento profundo com o Criador. Os batizados ungidos no Espírito Santo, devem ser peritos na experiência ativa de Deus na história do homem fragilizado pelo seu egoísmo. Hoje somos anunciadores da presença do ressuscitado no meio de nós.
Nos sermões de Santo Agostinho temos uma belíssima reflexão sobre as baixadas e subidas de Deus provocadas pelo imenso amor que sente por cada um de nós:

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“Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com ele o nosso coração. Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como seus membros. Ele está no céu, mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com Ele através de sua divindade, de seu poder e de seu amor. O Senhor Jesus Cristo não deixou o céu quando de lá desceu até nós; também não se afastou de nós quando subiu novamente ao céu. Desceu do céu por sua misericórdia e ninguém mais subiu senão Ele; mas n’Ele, pela graça, também nós subimos” (Sermo de Ascensione Domini).





segunda-feira, 25 de abril de 2016

SOMOS MORADAS DE DEUS

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“SOMOS CRIADOS PARA PARTICIPAR DA MORADA DE DEUS”.

A grande maravilha do cristianismo consiste na possibilidade de Deus vir coabitar em nosso coração à medida que vamos descobrindo sua vontade e concretizando-a em nossa vida. O Evangelho deste sexto domingo da páscoa nos apresenta um aspecto fundamental: “Somos morada de Deus”. O amor não é um gesto isolado da vida. Exige despojamento e reconhecimento do que se ama. Quando buscamos fazer a Vontade de Deus, estamos facilitando o grande desejo que Ele tem de habitar em nosso coração.
A maioria das pessoas hoje se alimenta da mentira apresentada pelo ilusionismo da grande mídia que desvirtua o sentido real de nossas vidas. Jesus oferece a verdadeira paz que é fruto de nossa relação profunda com Deus. O mundo seria melhor se as pessoas vivessem de acordo com o sentido mais profundo de suas vidas.

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EVANGELHO (Jo 14, 23-29):
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. Isto é o que vos disse enquanto estava convosco. Mas o defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”.

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No momento em que procuramos corresponder ao amor de Deus nos tornamos sua morada. Deus deseja participar de nossa vida, quer que sejamos muito felizes. Para isto fomos criados. Ele teve um projeto muito claro aos nos criar: nos fez para participarmos de sua felicidade. O pecado tira nossa originalidade e passamos a corromper a nossa comunicação íntima com Deus perdendo de vista a nossa característica principal como criaturas humanas. O pecado nos faz “caricaturas” e não imagem de Deus. É isto que a sociedade não consegue perceber. Vive na ilusão do materialismo e acredita que isto seja o mais importante se desviando da verdade que liberta. Vivemos dominados pela mágica ilusionista da mídia que vai nos impondo verdades diferentes da Palavra de Deus.
Não existe amor na desobediência. Quando obedecemos a quem amamos estamos vivendo em conexão com a pessoa amada. O amor exige escuta do amado. Se quisermos amar Jesus devemos procurar obedecê-lo. A chave da nossa felicidade está na tentativa de descobrirmos o que Deus quer de nós e concretizarmos sua vontade em nossa vida. No momento em que penetramos no Mistério Trinitário percebemos o grande valor que temos por sermos criaturas de Deus. Fomos criados para participarmos da felicidade que Deus vive. Jesus nos promete uma presença espiritual no meio de nós e na nossa vida. O cristão vive na presença de um Deus que jamais se esquece de seus filhos.
Jesus como Filho de Deus põe sua morada no íntimo dos fiéis juntamente com o Pai e o Espírito Santo. Quando aceitamos plenamente o projeto de Deus em nossa vida, estamos facilitando o desejo que Ele tem de fazer parte de nossa existência. Esta é a fonte da verdadeira alegria que pode explicar o sentimento misterioso dos Santos que eram capazes de entregar suas vidas por causa de Cristo.
A habitação da Trindade na alma do fiel é o dom supremo feito a nós seres humanos, merecido pela morte e ressurreição de Cristo, e por ele oferecido a quem corresponde ao seu amor, ouvindo e praticando fielmente sua Palavra. Mistério inefável que para ser compreendido e vivido exige particular iluminação divina. *Este parágrafo foi retirado do livro do Pe. Gabriel de Sta Maria Madalena OCD que se intitula Intimidade Divina, Ed. Loyola, pg. 400.
Podemos perceber que ao mesmo tempo em que é uma graça Deus querer habitar em nós, é um grande desafio. Depois da revelação do Mistério Trinitário as nossas atitudes e os nossos valores precisam coincidir com o Projeto de Deus. Não estamos soltos, estamos comprometidos em viver e praticar o Bem.
A Morada é a comunhão plena do homem (criatura) com Deus (Criador). Santa Teresa de Jesus dedicou um livro sobre este assunto comparando a pessoa a um Castelo. A pessoa pode viver nos muros de sua existência ou na sala mais nobre onde Deus quer habitar. Tudo vai depender da tomada de consciência daquilo que realmente ela é. O pecado impede a relação com Deus. Quanto mais profundidade o homem coloca em seu viver, mais relação ele vai ter com Deus, consigo e com os seus semelhantes. Neste sentido percebemos a importância da oração que deve transformar nossas atitudes.
Devemos tomar consciência de nossa riqueza. Há um espaço profundo. A dignidade da alma é a divindade escondida que vai trazer-lhe a plenitude. O grande problema da humanidade é que ela se torna cada vez mais ignorante de sua própria realidade. O materialismo nos afasta da verdade revelada através do Espírito Santo em nós.
Depois do grande presente que Deus nos deu nesta capacidade de um profundo relacionamento com Ele, somos convidados a cultivar esta realidade entrando em nós mesmos. Sentindo-nos amados através da oração. Quanto mais nos comunicarmos com Deus, mais sabemos quem somos e assim teremos mais condições de transformar a realidade.
Jesus nos mostra que existe uma diferença entre a Paz que vem da nossa relação com Deus e a paz ilusória que o mundo oferece. A paz do Messias é a Paz vivida em plenitude. É também um desafio em relação ao despojamento que precisamos viver para alcançá-la. O mundo oferece uma paz transitória baseada no conforto material.
O Espírito Santo vem para nos ensinar o essencial. É o Mestre da Verdade. Nos ajuda na escolha do que é melhor para nós. Ele é o nosso Consolador, pois sempre nos recorda a presença do Ressuscitado no meio de nós. Não podemos nos perturbar nem temer porque o Senhor vai a nossa frente em relação à grande batalha da busca pelo bem.
A vivência do amor exigente nos traz alegria e serenidade. Quando estamos tentando concretizar a vontade de Deus em meio as nossas limitações, sentimos a Paz interior que o mundo desconhece.

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 “Senhor Jesus, tu estás no meio de nós ontem, hoje e sempre”.




segunda-feira, 18 de abril de 2016

O MANDAMENTO DO AMOR


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“PELO AMOR SOMOS RECONHECIDOS COMO DISCÍPULOS DE CRISTO”.

O novo mandamento apresentado pelo Senhor exige de nós uma vida de amor e solidariedade. Ser cristão é viver o amor de forma incondicional. Não podemos dizer que conhecemos a Deus se não vivemos o amor com os nossos semelhantes. Somos reconhecidos pela vida concreta que testemunhamos. Jesus nos manda amar uns aos outros para cumprirmos com a vontade de Deus que é Pai de todos. Somos todos irmãos por sermos criados por Deus. Devemos promover a vida e o bem estar de todos para vivermos o que o Senhor nos pede.

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EVANGELHO (Jo 13, 31-35):

Depois que Judas saiu do cenáculo, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”.



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“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Jesus sentiu que estava próximo o momento em que iria dar sua vida por nós. Como se estivesse com uma tremenda necessidade de transmitir o fundamental, chama seus discípulos de filhinhos. É um termo próprio de São João, é uma intimidade muito forte com o Senhor, uma certeza de que Deus não nos abandona. Logo ele diz: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros”. O mandamento que Jesus nos coloca é muito difícil de ser concretizado. Ele continua afirmando que devemos nos amar assim como Ele nos amou. De tudo isto nasce a identidade dos que querem seguir Jesus. Quem afirmar se discípulo de Jesus deve viver o amor incondicional. Os cristãos são reconhecidos pelo seu altruísmo. O testemunho do amor desinteressado é um processo de toda vida que passa pela nossa consagração batismal. Viver o amor onde não existe amor. Colocar amor para colher amor.
O verdadeiro amor exige saída, perda para a edificação do outro. Exige negação de nosso pequeno plano em relação ao Plano de Deus. Precisamos sair de nosso egoísmo para um altruísmo existencial. Quando amamos o próximo somos promotores de sua vida. Não podemos viver na competição constante que nos é imposta pelas relações comerciais. Hoje a grande mídia nos afasta do sentido da fraternidade nos isolando uns dos outros.
O amor sempre será uma novidade. Assim como não podemos explicar o grande amor que as mães sentem por seus filhos, não podemos explicar o quanto Deus nos ama e o quanto Ele sai de si mesmo para nos edificar. O ato de amor é uma perda momentânea para se adquirir a plena realização.
A prática do amor existencial exige uma atitude de Fé, de entrega ao plano de Deus. Nós cristãos temos um grande exemplo desta realidade na pessoa de Maria que soube concretizar perfeitamente a Vontade de Deus em sua vida. Ela é a mãe do silêncio que soube ouvir o que Deus lhe ensinava. Sem oração nunca iremos descobrir a realidade da presença de Deus em nossa vida. Maria é o grande exemplo para todas as mulheres. Ela intercede pelas mulheres que estão abandonadas ou que são enganadas com uma falsa visão da feminilidade. Como seria importante que todas as mulheres vivessem a sua maternidade assim como Maria viveu. Quanto mais “mães” tivermos no mundo, mais pessoas que amam de verdade irão surgir. A maternidade de Maria é exemplo de amor para todas as mulheres da face da terra, especialmente para aquelas que se iludem facilmente com as vaidades do mundo.
O nosso mundo precisa de afeto, precisa de doçura, precisa de alento. Vamos parar um pouco e ver para dentro de nós mesmos. Vamos tentar perceber o quanto vale a nossa vida e o quanto Deus espera de cada um de nós.


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“Senhor Jesus, queremos viver o amor com todas as pessoas conforme nos ensinastes”.




segunda-feira, 11 de abril de 2016

O BOM PASTOR


“NÓS SOMOS PASTORES DE NOSSOS IRMÃOS À MEDIDA QUE ACEITAMOS O PASTOREIO DE JESUS”.

O quarto domingo da Páscoa nos apresenta a figura de Jesus como o bom pastor que defende e ampara as ovelhas na peregrinação para a eternidade. Devemos assumir a grande responsabilidade de nos ajudarmos mutuamente em nosso processo de salvação. Estamos correndo o risco de sermos arrastados para longe de Deus pela ação nefasta dos falsos pastores. Estes estão presentes especialmente na “Grande Mídia” que tenta dispersar as ovelhas destruindo a família. Neste domingo vamos rezar também pelas nossas vocações. Especialmente pelos sacerdotes para que vivam com alegria seu ministério e tenham um grande amor por Jesus e Maria.



EVANGELHO (Jo 10, 27-30):

Naquele tempo, disse Jesus: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu essas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebentá-las da mão do pai. Eu o Pai somos um.”

“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”.


Deus em seu infinito amor pelo ser humano deu o tinha de melhor para que ele participasse de sua infinita alegria. A comparação com a tarefa do pastor tem este sentido profundo. Deus está sempre “preocupado” com a nossa salvação. Jesus se serve de uma atividade milenar que até hoje existe em alguns países. A função do pastor é cuidar de forma incondicional do rebanho. Não podemos calcular o amor que Deus sente pelas suas criaturas. Ele deseja que todos se salvem. É nesta realidade que podemos entender o seu profundo esforço que se assemelha ao pastor que procura o bem de suas ovelhas.
Quando nos consagramos a Deus em nosso batismo, queremos seguir os passos de Jesus em nossa vida. Procuramos configurar a nossa vida com Cristo. No momento em que experimentamos o amor de Deus nos tornamos pastores de nossos irmãos. Especialmente pelo nosso testemunho. Surge uma grande alegria em nosso coração que começa a contagiar todas as pessoas especialmente as que perderam o sentido de suas vidas. Buscar o bem universal é tarefa de todo cristão. Não é fácil a concretização do que sentimos e experimentamos dentro da realidade em que vivemos. O mundo moderno sofre as consequências do egoísmo e das rupturas. Há uma grande crise afetiva que destrói o ser humano em suas raízes. Esta crise é alimentada pelos falsos pastores que tentam destruir a verdadeira afetividade humana.
O pastor está sempre atento aos ataques do inimigo do rebanho. Hoje os lobos têm várias formas de se apresentarem. O relativismo, especialmente com as coisas de Deus, faz que as pessoas se afastem da verdade, ou assumirem outras verdades que são só paliativos para os verdadeiros problemas que afligem o homem. Este relativismo faz que o coração da pessoa fique enrijecido valorizando as coisas materiais.
O cristão deve ser ovelha de Jesus e pastor dos irmãos. Só a partir de uma profunda experiência transformadora poderemos “falar” de Deus. A verdadeira pregação envolve todo o ser da pessoa. Por esta razão o testemunho se torna um complemento essencial para o que falamos. As palavras sem a vivência se tornam vazias. É certo que todos estão em um processo de busca do essencial. Por esta razão precisamos ser verdadeiros conosco mesmos. Deus exige de nós uma atitude de amor e não de teoria.
A ovelha é reconhecida pela sua humildade e mansidão. Para aceitarmos a verdade de Cristo precisamos ser humildes. Somos desafiados a aceitar em nossa vida o amor de Deus. Santa Teresa de Jesus nos afirma que quando andamos na verdade somos humildes. Para que a Graça de Deus possa atuar em nossa vida, precisamos abrir nossos corações. Retirar dele todo egoísmo e vaidade.
Se andarmos juntos com o pastor e do rebanho não seremos mortos pelas feras que estão em nosso redor. Seremos duplamente protegidos e livres do mal que nos ronda.


“Senhor Jesus, cuide sempre de nós para que possamos ser suas ovelhas dóceis a seu chamado de amor”.



segunda-feira, 4 de abril de 2016

A PESCA MILAGROSA

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“A EXPERIÊNCIA DE AMIZADE COM O RESSUSCITADO NOS COMPROMETE EM SERMOS SEUS DISCÍPULOS EM MEIO AS CONTRADIÇÕES DA NOSSA VIDA E DA SOCIEDADE”.

O terceiro domingo da Páscoa nos apresenta mais um momento com o Ressuscitado. A “pesca milagrosa” nos mostra como não estamos mais sozinhos. Jesus se manifesta glorioso para preparar a grande missão dos discípulos após Pentecostes. Eles serão as testemunhas do plano de salvação de Deus para toda criatura humana. Deus quer salvar a todos. Os discípulos serão os primeiros anunciadores da verdade que aceita por nós inicia um processo de libertação que vai culminar na vida eterna. O Senhor realiza sinais de sua presença hoje no meio de nós. Precisamos escutá-lo em nosso interior. O materialismo é extremamente prejudicial porque nos afasta de nosso eixo. O apego as coisas transitórias nos desviam do essencial. Jesus está presente em nosso meio da mesma forma que esteve na vida dos seus discípulos. Quando cultivamos uma amizade aberta e sincera com Jesus seremos transformados em novas criaturas.

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EVANGELHO (Jo 21, 01-14):
Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?”  Responderam: “Não”’. Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram, pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram a terra, viram brasas acessas, com peixe em cima, e pão. Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

“É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar.

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A afirmação de João sobre a certeza da presença de Jesus ressuscitado é um testemunho que movimenta logo Pedro que foi escolhido por Jesus para ser o chefe da Igreja. Pedro não quer perder tempo, deseja profundamente seu encontro com o Mestre que agora é Senhor.
A pesca milagrosa comprova a presença de Jesus como todos os milagres, sinais e prodígios que ele realizou. Ela foi consequência de um fato novo. Os sinais da presença do Mestre comprovam uma nova época, uma nova história. Os discípulos não estão mais sós. Jesus estará sempre presente em suas vidas de agora em diante. Os cristãos são anunciadores da presença real de Jesus Vivo no meio de nós.
É extraordinário pensar na alegria e na surpresa que invadiu a vida destes homens que estavam tristes e decepcionados com os fatos que haviam acontecido. Acreditavam que Jesus iria fazer uma restauração somente política, mas a sua restauração era muito maior. É uma restauração em nível mais profundo, dos valores, da busca do essencial tendo como prêmio a vida eterna. O centro da doutrina cristã é fazer o bem em qualquer ambiente.
Deus muitas vezes tem uma lógica misteriosa, uma linguagem que nos deixa sem ação. Toda humanidade foi transformada pelo novo acontecimento. Dentro de seus corações os discípulos experimentaram a felicidade que antecede a alegria eterna. A certeza de que esta vida é uma passagem para o eterno, é uma preparação para o definitivo. Deus nos ama muito e nos preparou para Ele. Somos peregrinos nesta vida. Não levaremos nada conosco a não ser o bem que promovemos nesta vida.
Os discípulos ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Estavam incapacitados para entenderem o que significava a ressurreição para suas vidas e para o futuro da humanidade. Todos estes fatos seriam recordados e ganhariam uma nova interpretação após Pentecostes com a vinda do Espírito Santo. Talvez por esta razão que eles ainda estavam confusos.
O materialismo perde sua alternativa a partir da ressurreição de Jesus. A fascinação da sensualidade é uma folha frágil em relação ao fato da ressurreição.  A vida venceu a morte. O pecado perdeu sua autoridade sobre a pessoa humana. A sensualidade perde seu sentido frente ao amor de Deus. O mundo hedonista dos prazeres se torna limitado na busca da felicidade eterna que é certa a partir da Ressurreição do Senhor.
Pedro sempre toma iniciativa. Tanto para ir pescar como para se jogar no mar e ir imediatamente ao encontro do Senhor. Imaginamos a alegria que invadiu seu coração ao perceber que era Jesus que estava na margem? Além do amigo, o próprio Cristo, o ungido para restaurar todas as coisas. Deus que lhe deu a vida e a grande missão de iniciar e governar a Igreja.
Sempre que nos encontramos verdadeiramente com Jesus somos enviados para a missão. Devemos sofrer também as consequências da sua amizade e de seu amor. O sofrimento faz parte da vida dos que querem amar de verdade. O despojamento é fonte de verdadeira alegria. Não podemos seguir a Cristo sem passarmos pela ponte da cruz. Ela é necessária para se descobrir o caminho da vida. Não podemos temer as dificuldades e nossas limitações, mas termos a certeza da presença do Ressuscitado em nossa vida.
Falta pouco para Pedro deixar de ser um simples pescador, para cumprir com a grande missão que o Senhor irá lhe confiar de pregar a Boa Nova da Salvação a todos os povos. A experiência de Jesus irá se transformar em Palavra e Sacramento para que todo ser humano tenha oportunidade para se salvar.  

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 “Senhor Jesus, nós queremos viver nossa vida conforme o vosso projeto”.