segunda-feira, 14 de maio de 2018

A vinda do Espírito Santo em Pentecostes


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“O ESPÍRITO SANTO ABRE NOSSO CORAÇÃO AO AMOR DE DEUS”.

Celebramos neste domingo a festa de Pentecostes que nos recorda a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos com Maria Santíssima. Na antiga tradição judaica era a festa da Aliança e do dom da Lei. Recordava o recebimento das tábuas da Lei dadas a Moisés (Ex 20, 01-21). Era também associada às colheitas, à riqueza da vida, aos frutos do campo e do trabalho do homem. Celebrada cinquenta dias após a Páscoa. A festa cristã de Pentecostes celebra a vinda do "Espírito Santo" (At 2, 01-11). Ela conserva também esse sentido de plenitude. É o tempo da colheita, da Vida Nova. É tempo de viver e aproveitar os Dons que o Senhor nos dá para nossa santificação. Nesta festa comemoramos o início da Igreja quando os Apóstolos “tomam consciência” do grande mistério que envolveu suas vidas com a presença do ressuscitado saindo para a missão universal.

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I LEITURA (At 02, 01-11):
Quando chegou o dia de pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheio de espanto e de admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos em nossa própria língua? Nós que somos pertos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”

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EVANGELHO (Jo 20,19-23):
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.  Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A Paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”.
A vinda do Espírito Santo transformou a história da humanidade. A partir deste momento os discípulos de Jesus não terão mais medo de anunciarem que ele é o Cristo, o ungido, o Filho de Deus que veio nos salvar. A grande realidade que ele está vivo no meio de nós. Celebrar pentecostes é recordar o momento em que os discípulos de Jesus se tornaram Apóstolos. De seguidores de Jesus como mestre, começam a dar testemunho dele como Senhor Ressuscitado (Kyrios). O seguimento antes de pentecostes era desde fora. Após a experiência no Espírito Santo, eles terão um seguimento desde dentro. De agora em diante será uma amizade com o Cristo Vivo que se manifesta dentro da comunidade e nos sacramentos que nascem da Igreja.
A leitura histórica do cristianismo deve ser feita de trás para frente a partir de Pentecostes. A Efusão do Espírito Santo transformou a vida destas primeiras pessoas e até hoje realiza a mesma transformação. Ela é provocada pela tomada de consciência de que somos amados por Deus. Não estamos “soltos” sem apoio, pois o Senhor está conosco. Quando descobrimos esta realidade não temos mais medo de anunciar a verdade e experimentamos em nosso interior a verdadeira alegria.

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Podemos afirmar que em pentecostes se cumpre a antiga promessa que Deus fez a Abraão que foi o primeiro homem a receber a revelação do amor de Deus em sua vida (Gn 15). A “grande promessa” se cumpre, pois esta revelação chega a sua plenitude. Deus vem até nós com seu Espírito e jamais irá nos deixar.
A linguagem nova dos apóstolos não será mais uma simples teoria filosófica ou teológica. É fruto da graça santificante que se transforma em linguagem universal. Por esta razão eles são entendidos enquanto discursavam. Eles irão anunciar as maravilhas de Deus que irá tocar o coração dos judeus e de todas as pessoas de boa vontade.
A experiência com o Espírito Santo é transformadora de nossa vida. Quando refletimos sobre o mistério de Pentecostes temos que sempre utilizar o verbo transformar. O egoísmo já não tem lugar na vida do que experimenta o amor de Deus. A palavra transformação é sinônimo de conversão. De agora em diante tudo será dissolvido no amor de Deus. Quando isto acontece as coisas do mundo se tornam enjoadas. O mundo não exerce nenhuma atração sobre os que vivem sobre o amor. A paz do coração toma lugar da angústia do materialismo e da sensualidade. Aí entendemos a atitude dos mártires que morriam felizes em meio as torturas que sofriam.
Após pentecostes, a compreensão do sentido da vinda de Jesus é mais clara e a Igreja toma a sua forma como comunidade daqueles que acreditam em Deus e em seu projeto. Ela irá dar continuidade através da transmissão apostólica das graças recebidas com a vinda de Cristo. Não existe cristão fora da Igreja. Todos que são batizados legitimamente pertencem a ela mesmo que não queiram ou não saibam desta realidade. Só existe um cristianismo e uma só Igreja de Cristo. Por esta razão nossa catequese deve ser cada vez mais sólida ensinando ao povo a verdade que realmente liberta.
Jesus envia o Espírito Santo para que possamos ter uma experiência profunda de perdão e misericórdia. Só quando nos sentimos perdoados e nos capacitamos para aceitar o amor de Deus começamos a experimentar em nosso coração a paz de consciência. Em Pentecostes se celebra a vitória sobre o pecado, a vitória sobre nossas limitações, pois tomamos consciência de que o amor de Deus por nós é maior do que todas as coisas. Somos amados acima de nossas limitações. Os apóstolos e seus sucessores são revestidos do poder de perdoar os pecados. Este poder não é humano, mas vem diretamente do coração de Deus que ama suas criaturas. Lembramos que Jesus antes de curar fisicamente algum enfermo, sempre perdoava os seus pecados. A experiência de perdão é capaz de curar qualquer enfermidade.
A paz é consequência da certeza do porque existimos. O sacramento da Reconciliação é muito importante para nós, especialmente no sentido de abrir nosso coração ao amor de Deus. Existe um grande número de pessoas sofrendo de depressão, justamente porque o amor de Deus ainda não conseguiu penetrar profundamente em suas vidas. Quando recebemos o perdão de Deus nos tornamos novas criaturas com uma alegria infinita.
Não podemos deixar de pedir ao Senhor a Graça do Espírito Santo em todas as atividades que vamos empreender, especialmente naquelas que sejam relacionadas com a caridade, para não errarmos o caminho e concretizarmos efetivamente a vontade de Deus.
Quando estamos envolvidos pelo Espírito Santo somos criaturas novas. Nosso amor se reparte para toda humanidade, somos promotores da unidade e da verdade que nos torna livres. A alegria invade nosso coração, vencemos a discórdia e o espírito anti comunitário reinante na sociedade comercial que vivemos. O ser humano é muito mais do que compra e venda. Somos amados por Deus e estamos a caminho de uma união definitiva com Ele.

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 “Divino Espírito Santo, consumi em mim tudo aquilo que me impede que eu me consuma em Vós”.







segunda-feira, 7 de maio de 2018

Ascensão do Senhor


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“JESUS SOBE AOS CÉUS NOS MOSTRANDO O SENTIDO PROFUNDO DE NOSSA VIDA”.

Jesus sobe aos céus diante de seus discípulos pelo seu próprio poder de Filho de Deus para nos mostrar que seus valores são permanentes e que não devemos nos apegar com as coisas transitórias desta vida. Se o mundo refletisse mais sobre esta realidade certamente seria bem melhor. As pessoas iriam se respeitar mais fariam o possível para viverem a solidariedade. Não teríamos pessoas que sofressem males que são causados pela ganância do homem que pensa ser o autor da felicidade. Olhar para o alto nos dias de hoje é fundamental, pois a mentira está cada vez mais institucionalizada no mundo. A grande mentira é que o ser humano pode viver longe de Deus.

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EVANGELHO (Mc 16, 15-20):

Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberam algum veneno mortal, não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”. Depois de falar aos discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.

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“O Senhor Jesus foi levado ao céu. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte”.

Jesus sobe ao Pai para que o Espírito Santo venha completar a obra de salvação da humanidade. O mistério do cristianismo se resume nas constantes “baixadas de Deus” em direção ao ser humano e da tentativa deste de subir ao eterno. O mundo só poderá ser melhor quando colocarmos em prática os ensinamentos de Jesus. Estamos nos preparando para a grande celebração de Pentecostes que irá nos recordar da força de amor de Deus que permanece conosco para não errarmos em nossa opção.
A vivência e a prática do amor é o maior desafio que temos como cristãos dentro do mundo. Jesus transmite o amor do Pai e nos envia o Espírito Santo. Toda espiritualidade cristã é “Cristocêntrica” e “Trinitária”. Tem como centro Jesus Cristo, o Filho de Deus que nos revela o Pai nosso Criador e nos envia o Espírito Santo responsável pela amorização que deve acontecer em nossa vida. Esta amorização é a ação básica do cristão que pela força do Espírito Santo transforma a realidade de sua vida concreta.

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Só iremos amar se nos considerarmos amados. O primeiro desafio na prática do amor é a experiência do mesmo em nossa vida. Quando praticamos os mandamentos do Senhor estamos dentro de seu plano de amor. O que se torna para nós a verdadeira fonte de alegria e felicidade. O ser humano hoje não é feliz porque vive afastado de sua originalidade. Está longe de seu próprio centro.
Quando nos sentimos verdadeiramente amados, passamos a amar os nossos semelhantes em um amor desinteressado. Talvez por esta razão que nós cristãos não somos aceitos pela sociedade consumista. Quanto mais próximos estivermos do amor de Deus mais afastados estaremos dos falsos valores do mundo.
Jesus deu sua própria vida para nos salvar. A nossa consagração batismal é uma espécie de doação a todos os nossos semelhantes. O cristão vive sua fé no altruísmo. Sempre direcionando sua vida para o bem do próximo. Talvez por isto não somos entendidos pela sociedade que tem base no egoísmo na lei da oferta e da procura.
Jesus oferece sua amizade a partir do momento que tentamos concretizar em nossa vida os mandamentos de Deus que tem como objetivo a nossa verdadeira realização. Quando vivemos uma vida de oração, aumentamos o nosso grau de amizade com o Senhor. O verdadeiro amigo não mede esforços para a realização do outro. Jesus deu sua própria vida para nos salvar. Não existe maior prova de amor do que este gesto radical. Devemos cultivar a presença de Deus através de nossa amizade com Jesus. Ver os seus valores e colocá-los em prática.
Para concretizarmos a vontade de Deus em nossas vidas, precisamos superar nossos próprios egoísmos. Estarmos sempre atentos ao que optamos essencialmente no decorrer de nossa vida. Nós nos transformamos naquilo que amamos. A paz que Jesus nos oferece é diferente da paz do mundo que busca sua satisfação na superficialidade. A fonte da alegria está na certeza do amor que Deus sente por nós, independente de nossas limitações.
A experiência com Jesus sempre nos leva ao anúncio do Evangelho. Não podemos ficar olhando para o alto sem procurarmos uma transformação concreta de nossa realidade. O cristão é chamado, como todo ser humano, a prática do bem dentro da realidade onde se encontra. Deve amorizar os ambientes. Levar o amor aonde não existe amor. Fazer que o mundo seja mais altruísta do que egoísta.

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“Senhor Jesus fazei que olhemos para as coisas do alto para podermos transformar a realidade das coisas do mundo.”