segunda-feira, 25 de agosto de 2014

RENUNCIAR A SI MESMO


“SEGUIR A CRISTO É RENUNCIAR A SI MESMO PARA IMPLANTAR O AMOR NO MUNDO”.


No evangelho deste próximo domingo Jesus nos fala do sofrimento que terá que passar para concretizar o plano do Pai. Não existe amor sem perda. Ele é uma saída de nós mesmos para a edificação do próximo. Quando Pedro percebe o fato do sofrimento de Jesus e sua “aparente derrota” faz uma espécie de falsa profecia dizendo que Deus jamais iria permitir isto. Ele fala isto sem pensar devido ao grande amor que devotava ao seu mestre. Pedro nesta ocasião representa a nossa fraqueza diante do desafio do seguimento. É repreendido pelo mestre que lhe ensina que precisamos perder a vida se queremos salvá-la. Não há como separar a Cruz do Cristo e o Cristo da Cruz. São duas realidades que se unem para nossa salvação. A conclusão que chegamos é que se queremos seguir ao Senhor até a eternidade iremos passar inevitavelmente por ela.


EVANGELHO (Mt 16,21-27):

Naquele tempo, Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.


“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la”.


A partir deste evangelho podemos refletir sobre as coisas de Deus e as coisas dos homens. Qual é a diferença entre as duas? Deus nos ama como Criador e nós amamos de forma limitada como criaturas. As coisas de Deus são eternas. Deus no vê já na eternidade ao seu lado. Nós ainda somos limitados e muitas vezes nos enganamos pensando que a vida é só aqui neste mundo e somos enraizados no materialismo. Os nossos instintos nos dominam levando-nos para fora de nós mesmos. A crise afetiva mundial que a humanidade atravessa tem aí sua origem.
A resposta dura de Jesus a Pedro nos apresenta um forte radicalismo no objetivo que ele tem de dar sua vida para nos salvar. Talvez este seja o ponto de difícil aceitação do cristianismo por parte de um bom número de pessoas da sociedade que querem um Cristo do conforto e não o conforto do Cristo. Muitos fogem do comprometimento com a missão que Jesus nos pede.
A cruz é inerente ao seguimento de Cristo. Não é uma busca de sofrimento voluntário. É a consequência dos que dizem sim a Deus. A visão limitada de Pedro era incapaz de perceber a dimensão sobrenatural do Mestre que veio ao mundo para dar sua vida em resgate da nossa. O despojamento se faz necessário para descobrirmos a realidade do amor de Deus e sairmos de encontro aos nossos irmãos. Devemos imitar a Cristo se quisermos alcançar a felicidade, o mundo já provou a muito tempo o seu fracasso em buscar a felicidade com seu método egoísta.
Quando nos tornamos cristãos assumimos a vida de Cristo em nossa vida. Ele foi desprezado, nós também não seremos aceitos por todos especialmente por aqueles que são manipulados pela grande mídia e que caem no relativismo.
O processo de adesão à verdade fará que comecemos neste mundo uma experiência da verdadeira liberdade. Não adianta ter tudo se não termos nada. A felicidade se encontra dentro de nosso coração. Não nos elogios e valores que possam nos dar por aspectos externos de nossa vida. O ter está em função do ser. Se ele estiver fora de sua função se torna um aguilhão da morte.
O amor exige saída e desconforto. É uma tarefa árdua, exercício de puro altruísmo de nossa parte. Se nos esquecermos e colocarmos a missão em primeiro plano seremos mais felizes. A fonte de sofrimento que existe no mundo vem pelo egoísmo implantado pelo pecado pessoal e social que torna as pessoas indiferentes ao Criador.
A vida é o maior dom que recebemos de Deus. Ela deve ser preservada no sentido positivo: na tentativa de direcioná-la na concretização da vontade de Deus. A nossa existência já é um chamado para se alcançar a verdadeira felicidade.
Nesta linguagem paradoxal de Jesus, percebemos que o buscar a si mesmo leva o homem a sua própria ruína. O ser humano foi criado para uma relação com o “outro”. Depois de se descobrir amado pelo Criador, ele passa a se amar e vai de encontro aos seus semelhantes.
Pedro ainda não entendia o valor do mistério da Redenção que estava para acontecer com o sacrifício de Jesus seu mestre que era seu amigo e Messias com a missão de ser o Salvador da humanidade. A compreensão total só irá acontecer após a graça de Pentecostes com a força do Espírito Santo.
Muitas pessoas hoje mudam de religião toda hora procurando aquela que possa lhe “satisfazer” mais. Isto acontece por falta de uma verdadeira assimilação da missão de Jesus. Vemos o aumento das facções que se dizem cristãs. O nome de Cristo é usado para se conseguir uma prosperidade para esta vida terrena se esquecendo totalmente da realidade da vida eterna. O encontro com a cruz da renúncia vai evitar qualquer tipo de relativismo. Somos convidados a uma luta constante contra nosso próprio egoísmo para concretizarmos a vontade de Deus.
Jesus chama a Pedro de Satanás, porque seus sentimentos em relação a sua pessoa são simplesmente humanos. São de alguém que busca a si mesmo numa amizade terrena com Jesus. Com a experiência de pentecostes, Pedro vai entender que a morte leva à vida quando se busca a verdade de Deus. Ele mesmo será martirizado para confirmar que o individualismo não se casa com o altruísmo cristão.
Percebemos nas obras de São João da Cruz, o grande místico carmelita, que o homem para ser feliz precisa estar totalmente desnudado de seu egoísmo. “Aquele que quiser chegar ao Tudo deverá ir pelo caminho do nada”. Quando somos queimados pela chama do amor de Deus percebemos o verdadeiro valor de nossa vida. Infelizmente, hoje somos manipulados a buscar nosso próprio prazer. Justificamos prazer com prazer e vamos nos afastando cada vez mais de nosso princípio existencial.
Quando vivemos o verdadeiro romance de um Criador que busca as suas criaturas, nossa vida muda de perspectiva: somos canais de transmissão do amor de Deus. Já não nos preocupamos com nós mesmos. Passamos a ser instrumentos de amorização da humanidade.


“Senhor Jesus, fazei que possamos aceitar a cruz do despojamento com alegria”.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

TU ÉS PEDRO E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA



“A IGREJA É EDIFICADA SOBRE A PEDRA HUMANA COM A GRAÇA DIVINA”.


No próximo domingo celebramos dentro do mês vocacional o dia do Apóstolo leigo. Os nossos ministros da catequese têm uma função muito importante em nossas comunidades. Devem transmitir os dados e as experiências em relação à vida cristã a crianças, jovens e adultos. Na realidade a catequese é algo interminável em nossa vida. O evangelho deste domingo nos apresenta a profissão de Fé de Pedro que vai ser o fundamento da Igreja. Deus em sua infinita sabedoria escolheu homens limitados para provar que sua obra é divina. Vamos aproveitar e rezar pelo nosso Santo Padre o Papa Francisco que hoje é para nós Pedro que se entrega em todos os momentos por cada cristão do mundo inteiro.


EVANGELHO (Mt 16,13-20):

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra, será ligado no céu; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. Jesus então ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o messias.


 

“Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra, será ligado no céu; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

Muitas vezes durante a nossa vida lemos este capítulo famoso de São Mateus. Ele é representado por vários artistas religiosos do mundo inteiro. São Pedro aparece com as grandes chaves do Paraíso. Recebe do próprio Cristo o mandato de ligar o céu e a terra. É uma grande responsabilidade hoje vivida pelo nosso Santo Padre o Papa.
Pedro é um pescador, homem simples do povo. Esta realidade não descarta o chamado de Deus e sua resposta sincera. Os humildes estão mais preparados para receber as missões mais profundas do seu plano de amor.
Nesta passagem vemos a sua profissão de fé que o consagra chefe da Igreja. Cai sobre ele a responsabilidade de estar na frente da futura maior sociedade dos que acreditam em Jesus como sendo Cristo. Sua afirmação o confirma como Pedro, pedra e cabeça da Igreja. O alicerce é um fundamento. O edifício depende dele. Muitas vezes terá que sofrer solitariamente para que todos possam beber da fonte.
Jesus faz uma pergunta bem geral sobre a sua pessoa: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Os homens são criaturas, o Filho do Homem é Deus. Os homens são incapazes de reconhecer a realidade do Filho do Homem sem a ação do Espírito Santo. É Ele que dá capacidade a Pedro de responder a pergunta feita por Jesus. Este questionamento devemos fazer constantemente para nós mesmos. Como consideramos Jesus? É um personagem da história, é uma idéia vertical ou horizontal, ou é o nosso amigo que nos oferece a vida plena? Conforme experimentamos a nossa amizade com Cristo será a nossa vida concreta como cristãos no mundo.
“Tu és o messias, o Filho do Deus vivo”. Nesta afirmação, Pedro está reconhecendo a realidade da missão de Jesus. Ele vem para salvar seu povo, não é uma salvação política, é uma salvação integral baseada na solidariedade comunitária do Reino de Deus. Não podemos esquecer que Javé está presente, Ele é um Deus vivo na história de seu povo. O novo povo de Deus serão todos os batizados no mundo inteiro irão compor a Igreja de Cristo desfalcada pelas falsas religiões que deturpam a Palavra de Deus com interpretações subjetivas da Fé.
Quanto mais nos aprofundamos no mistério de Cristo, mais percebemos a universalidade de sua missão. Por meio de Cristo e de sua Igreja tendo Pedro como fundamento, temos uma maior garantia de estarmos na comunidade dos crentes. Somos intercessores uns dos outros, somos responsáveis pela salvação ou pela perdição do Corpo Místico de Cristo.
O pertencer a Igreja não é algo relativo em relação a nossa salvação. Quando estamos com a Igreja, estamos com Cristo e com seu projeto. Infelizmente o ser humano se considera criador de tudo, inclusive de projetos pessoais que interferem no que Deus deixou para nós com muita clareza. A vivência sacramental dentro da Igreja tem como objetivo praticar o bem e evitar o mal. Fazer o bem dentro de um ambiente adverso. Por isto ela se fortifica amando a presença de Jesus na Eucaristia, na Palavra e na intercessão materna de Maria que é nossa mãe.
Estando com Pedro estamos com Cristo e seu projeto de amor para com toda a humanidade. Precisamos amar mais a Igreja. Estudar mais os seus documentos para não sermos dominados pelo relativismo que impera na humanidade e que está levando o ser humano a uma crise afetiva cada vez maior.


“Senhor tu és o Cristo. Pela nossa amizade contigo estaremos juntos na eternidade”.



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ASSUNÇÃO DE MARIA


“A MÃE DE JESUS INTERCEDE POR NÓS NA GLÓRIA DOS CÉUS”.

A Igreja sempre alimentou uma grande devoção a mãe de Jesus. Por Jesus ser o Filho de Deus nós passamos a ser filhos de Maria. A devoção a Nossa Senhora nos traz uma grande alegria e segurança em nossa caminhada cristã. No próximo domingo celebramos a festa da Assunção de Maria. O Papa Pio XII (01 de novembro de 1950) declarou oficialmente que Maria foi glorificada por Deus, está no paraíso e intercede por todos nós. Ela foi “elevada” ao céu por Deus pelo imenso merecimento que teve em aceitar a grande missão de ser a mãe do Salvador.
A devoção a Nossa Senhora é parte integrante da vida dos cristãos desde o início da sua história pela importância do fenômeno da Encarnação do Verbo. Ela aceitou livremente em ser a “mãe do Salvador”.
Maria recebeu e recebe muitos títulos no decorrer da história da humanidade. Eles nascem conforme as necessidades concretas que surgem na caminhada rumo ao Pai. Se recorrermos às nossas mães em nossas dificuldades, é justo recorrermos a mãe de Jesus que é nossa mãe comum que intercede junto a Deus por nós. Ela é muito atenciosa as nossas necessidades.
Dentro do mês vocacional celebramos também o dia dos consagrados (religiosos). O religioso procura dar testemunho de Jesus através de seu carisma e de sua entrega a Deus pela alegria que brota de seu gesto de solidariedade na sua consagração.



EVANGELHO (Lc 01, 39-56):

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre! Como posso merecer que a mãe de meu Senhor me venha visitar? Logo que a saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu salvador, porque olhou para a humanidade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem aventurada, porque o todo poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.


“Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre!”

A devoção a nossa Senhora inicia no fato misterioso da Anunciação do anjo e da Encarnação do Verbo no momento em que ela aceita ser a mãe do Salvador. Temos dois grandes mistérios: a escolha de Deus feita a ela e sua aceitação. Deus faz a Maria uma proposta de envergadura gigantesca. Maria é convidada a ser a mãe do Messias, do Cristo, enviado do Pai para salvar a humanidade. É muito difícil saber exatamente o que se passou no coração de Maria neste momento. É um mistério que vai acompanhar a história do cristianismo até o final dos tempos. Quando Maria aceitou ser a mãe de Jesus, ela aceitou a tarefa árdua de auxiliar Deus no plano de salvação de toda a humanidade.
A “Anunciação” e a “Encarnação” só foram possíveis pela grande humildade e obediência de Maria. Ela abandonou seu plano pessoal para aceitar o plano de Deus. Este fato só poderia ter acontecido em um ambiente de profunda comunicação (oração) com o Senhor. Como aconteceu várias vezes com os grandes heróis do Antigo Testamento, poderíamos tirar de Maria estes dois grandes exemplos: quem reza obedece e se esquece de si mesmo para realizar em sua vida o que Deus determina. A oração está ligada a capacidade de despojamento. A paz que almejamos em nossa vida só é possível quando obedecemos a Deus.
O dogma da Assunção dá uma qualidade especial à missão de Maria. Poderíamos dizer que é consequência da Anunciação e Encarnação. Por seus imensos merecimentos Maria é elevada ao Céu. Ela não irá passar pelo processo de glorificação comum como nós. Ela recebe, de imediato, a graça da ressurreição como merecimento por ter aceitado ser a mãe do Salvador.
Deus “deseja” profundamente que as pessoas participem de sua felicidade. Ele não se conforma com a incapacidade de correspondência ao seu amor da parte da pessoa e por isto vai de encontro a sua fraqueza para salvá-lo. Maria faz parte deste desejo através do mistério da Encarnação do Verbo. Ela se torna instrumento essencial no plano de Deus. Na recuperação do homem perdido pelo pecado. Por Eva a humanidade cai na divisão do pecado e pelo sim solidário e livre de Maria o homem se une novamente ao seu Criador. Pelo sim de Maria nos é restituída à capacidade de dizermos sim a Deus.
Na atitude de Maria ir ao encontro de sua prima Isabel, percebemos uma forte disponibilidade e solidariedade na alegria. Esta é a característica dos que servem a Deus. Quando procuramos à concretização da vontade de nosso Criador somos “desacomodados”. Saímos de nós mesmos e vamos ao encontro de Deus, de nós mesmos e de nossos irmãos. Este é o segredo da verdadeira felicidade: vencer nosso egoísmo e sermos solidários.
A maioria das pessoas de hoje são infelizes porque não se conhecem em profundidade. Erram em suas opções. A competição econômica reinante em nosso mundo é como o aguilhão do escorpião que se volta contra ele mesmo quando se sente encurralado. Estamos sofrendo os efeitos do egoísmo, mas infelizmente não queremos sair desta situação. O tempo não é bem administrado em relação ao que faz a pessoa realmente feliz. Somos manipulados a ficarmos na mesmice do relativismo implantado pela grande mídia.
A graça de Deus é capaz de fazer que nos valorizemos no sentido pleno da palavra. O canto do “magnificat” de Maria não é um canto de auto-suficiência de sua pessoa. É a realidade que cobre aqueles que se sentem verdadeiros servos de Deus. Através da humildade vamos nos transformando no que o Senhor projetou para nós.
Maria está no céu gloriosa. Certamente muito preocupada com a nossa salvação. Ela realmente se considera nossa mãe pelo próprio mandato de Cristo nos últimos momentos em que estava na cruz entregando sua vida para nos salvar. Vamos sempre recorrer a Maria em todos os momentos de nossa vida e sempre estaremos fazendo o que seu Filho nos pede.

 


“Querida mãe do Céu. Olhe para vossos filhos que caminham na instabilidade desta vida rumo ao Pai”.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

JESUS ANDA NAS ÁGUAS



“QUANDO DESVIAMOS NOSSO OLHAR DE JESUS NOS AFOGAMOS EM NOSSO PRÓPRIO EGOÍSMO”.

O  mês de agosto  é  dedicado ao conhecimento e reflexão sobre o tema vocacional. A vocação é um chamado de Deus para sermos felizes servindo aos nossos semelhantes. Inicialmente fomos chamados à existência, depois ao batismo, quando nos consagramos a Deus. Finalmente escolhemos um estilo de vida que vai nos fazer felizes e irá nos transformar em instrumento de realização para os nossos irmãos. Para este fim podemos escolher a vocação sacerdotal, a vocação religiosa e de apóstolo leigo (casado ou solteiro). Neste domingo refletimos e rezamos sobre a vocação ao matrimônio que é um dos grandes desafios para todos os cristãos: formar boas famílias  independentes da filosofia egoísta do mundo atual.


EVANGELHO (Mt 14, 22-33):
Depois da multiplicação dos pães, Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali sozinho. A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o avistaram andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco, prostaram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

 


“Homem fraco na fé, por que duvidaste?”

Esta passagem do evangelho é de uma riqueza extraordinária para nós hoje. Tem muito a nos ensinar em relação a nossa entrega ao plano de amor do Criador. Em primeiro lugar percebemos o gesto de Jesus que manda seus discípulos seguirem adiante dele para que ele possa rezar. Não existe fé sem oração. Jamais poderemos saber o que Deus deseja de nós se não nos comunicamos com Ele. Jesus dá exemplo da importância da oração. Quando rezamos começamos a ter discernimento em relação à escolha sobre o bem e o mal. Na oração descobrimos a vontade de Deus e ao mesmo tempo nos fortalecemos para concretizá-la em nossa vida.
Os discípulos já estavam bem afastados. Jesus vai ao encontro deles andando sobre as águas. Os sinais de Jesus também são um mistério para nós. Certamente que este gesto serviria de base para a fé dos discípulos. No futuro, em meio às dificuldades do seguimento. Para que eles não vacilassem, em meio aos desafios da futura vida que teriam que levar. O Senhor toma sempre a iniciativa. Ele nos ama e vem até nós. É o Pai misericordioso.
O alcance da fé dos discípulos não chega ainda à altura do acontecimento de Jesus andar sobre as águas. Eles têm medo. Muitas vezes se sentem fragilizados pela falta do Espírito Santo que no futuro dará força para enfrentarem a realidade e assumirem totalmente a pessoa de Jesus. O medo pode ser um dos maiores inimigos para seguirmos a Cristo. Numa fase inicial os seus discípulos sempre serão criticados e humilhados frente ao egoísmo da sociedade.
Pedro, o futuro chefe da Igreja, toma a iniciativa e aceita o desafio. Quer ir também. Andar nas águas com a segurança do mestre. Inicialmente, quando confia na presença de Jesus, consegue caminhar sobre as águas. Quando começa a se entregar mais para a lógica humana do que divina se afoga. A perda do olhar do mestre, o medo e o desvio para as coisas externas fizeram que ele começasse a se afundar. Muitas vezes somos tomados de dúvidas porque queremos explicar as atitudes de Deus sem nos entregar para Ele. A barca pode representar a Igreja. Nunca devemos nos afastar dela se queremos alcançar a verdadeira felicidade.
Quando Jesus sobe no barco a tempestade é acalmada. A presença do Salvador muda a situação de domínio do pecado. Deus vai à busca do homem que sozinho não tem como se salvar sem o seu auxílio. Nunca poderemos entender quem é Deus se não formos solidários. Os mesmos homens que tiveram esta experiência maravilhosa terão que padecer a consequência de sua adesão ao plano de Deus. Será exigido deles o martírio, a total entrega à vontade de Deus. Duas realidades se unem: a imensa misericórdia do Senhor que se manifesta a nós e a missão como consequência imediata daqueles que aderem ao Reino.
A confiança no Senhor é fundamental para vencermos as diversas tempestades de nossa vida. Ele está no meio de nós e nunca nos abandonará.



“Senhor Jesus venha em nosso auxílio quando somos medrosos e olhamos para o lado.”

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES


 

“SE JESUS ANDA CONOSCO NÃO SENTIREMOS FOME ESPIRITUAL NEM MATERIAL”.


O grande milagre da multiplicação dos pães no santo evangelho deste domingo nos mostra que a presença de Jesus muda a realidade e nos faz entender o valor da solidariedade. Já temos um pré-anúncio do grande efeito da Eucaristia dentro da comunidade cristã. Percebemos também uma grande lição referente à divina providência. Quando confiamos na presença de Deus jamais nos faltará o pão material e espiritual. Deus nos cuida sempre não nos deixa faltar nada.
                                             
                                    
EVANGELHO (Mt 14,13-21):
Naquele tempo, quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” Jesus porém lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Jesus disse: “Trazei-os aqui”. Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. Todos comeram e ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
 


“Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!”

Jesus nesta passagem do evangelho nos apresenta uma grande sensibilidade. Percebe que as pessoas sofrem de fome, precisam de alimento. O seu amor é infinito e inefável por ser ele o Filho de Deus. Ele vê a multidão e sente compaixão. Percebe a necessidade de curar os doentes. Especialmente aqueles que não sabem qual é o sentido de suas vidas. A principal cura que Jesus realiza é sempre no sentido existencial. Coloca a pessoa dentro de sua verdadeira realidade. Ele é o caminho, a verdade a vida. Longe dele não poderemos ser felizes. Iremos cair sempre num relativismo individualista.
Deus percebe nossa fragilidade. Precisamos de um alimento para nos manter firmes em nosso ideal. No milagre da multiplicação dos pães, Jesus inicia o que será a Santíssima Eucaristia no futuro. Ela perdura porque Jesus está presente. Não podemos ser felizes sem o alimento salutar. Somos fracos sem a sua presença permanente em nosso meio.
Percebemos neste milagre uma forma hierárquica de agir da parte de Jesus que faz que seus discípulos participem ativamente como distribuidores dos pães para a multidão. Dentro do projeto de Deus sempre há mediações. São homens frágeis que são escolhidos para a missão sublime de saciar a fome dos famintos do pão da Palavra e do pão Eucarístico. Quando os discípulos se tornarem Apóstolos terão que dar testemunho de todos estes fatos. Eles terão que assumir a realidade do amor de Deus passada por Jesus na pregação da Boa Nova.
Jesus exige um comprometimento progressivo na vivência comunitária para os seus seguidores. A salvação nunca acontece de uma forma individual. Sempre passa pela comunidade. A eucaristia é vida de extensão de Jesus dentro da realidade na concretização do amor solidário.
Quando aprendemos a partilhar estamos saciando a nossa fome e a dos nossos irmãos. O cristianismo sempre será um desafio para nossa tendência de pensarmos que somos artífices de nossa realização como pessoa independentes do Criador. O nosso batismo é um comprometimento cada vez maior com a realidade de um Deus presente que quer que sejamos abertos a seu amor universal.
Há um grande confronto na linguagem das relações comerciais, presente no mundo atual e das relações cristãs. O amor desinteressado que o cristão deve viver entra em choque com o individualismo comercial. O cristão é sempre chamado a partilhar sua vida com os demais. Ele deve se sentir um instrumento de transformação da realidade.
Somos desafiados a dar este pão material e espiritual a todos que morrem de fome dentro de uma tecnologia que avança, mas que infelizmente ainda não dá condições de crescimento integral ao ser humano.


“Senhor Jesus que a sua presença mude nosso jeito de ser e pensar.”



segunda-feira, 21 de julho de 2014

PARÁBOLAS DO REINO

 

“DEVEMOS PROCLAMAR A REALIDADE DO REINO DE DEUS PRESENTE NA HISTÓRIA”.


O reino de Deus está presente no meio de nós. Somos desafiados a anunciar este reino de paz, fraternidade, justiça e solidariedade. Buscamos o cultivo da presença de Deus em nós, na vida dos irmãos e dentro da realidade. Fomos batizados para anunciarmos o reino. O processo de conversão, que empreendemos em nossa vida, está associado ao anúncio do reinado de Deus. Quando reconhecemos a realidade de que somos profundamente amados por Deus anunciamos esta realidade dentro do estilo vocacional que vivemos. As parábolas do reino nos mostram que devemos sempre lutar pelo essencial em nossas vidas que é a prática do bem acima de tudo.





EVANGELHO (Mt 13,44-52):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 


O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola. 


O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo o tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. 


Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí, haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isto?” Eles responderam: “Sim”. Então Jesus acrescentou: Assim, pois, todo o mestre da lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.


“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido”.

As diversas parábolas do reino apresentadas neste evangelho nos questionam profundamente, especialmente em relação ao que é essencial em nossa existência. Estamos sufocados pelo materialismo que conceitua a pessoa como consumo e objeto. Dentro da Palavra de Deus encontramos uma resposta bem mais profunda sobre o ser humano do que este conceito errôneo do mundo moderno: fomos criados por Deus e para Deus.
A busca do tesouro representa o que os santos fizeram. Eles não se detiveram no que aparecia no momento, mas buscavam o essencial. Deixaram tudo para seguir a Cristo. O que vale receber todas as honras e tesouros humanos se isto nada vale diante de Deus, se todos um dia iremos para a eternidade?  Ninguém pode escapar da fronteira da morte. O cristianismo nos explica o que nos espera na eternidade. Mesmo que sofrêssemos sem parar em toda a nossa existência mortal isto nada significaria em passar toda eternidade no gozo da presença de Deus.
O materialismo já provou sua incompetência não oferecendo ao homem à verdadeira paz que vem do coração. Este tesouro escondido é a verdadeira felicidade que a comunicação com Deus nos oferece. O meio para que isto aconteça é a fé. A razão não é o fim de todas as coisas, porque ela não consegue chegar ao mistério da presença de Deus em nossas vidas. Ela é um instrumento que pode nos levar até a porta da realidade misteriosa de nossas vidas.
A vida do cristão é uma constante luta contra seu egoísmo e uma busca do tesouro escondido do amor de Deus que já faz parte essencial de nossa existência. A palavra tesouro tem a ver com algo de muito valor. Pode ter como referência o tesouro de muitos reinos que eram escondidos para evitar o roubo. Mas algo maior do que todos os grandes tesouros que a humanidade conheceu: a capacidade de comunicação íntima com o próprio Criador.
Quando descobrimos o essencial, lutamos com todas as nossas forças para encontrá-lo e jamais perdê-lo. Direcionamos toda nossa afetividade, todo nosso amor para o incorruptível que o Criador nos oferece.
Um pai de família quer o bem dos seus filhos, não quer deixar para eles aquilo que pode atrapalhá-los no futuro. Deus age assim conosco. Ele não se conforma com nossa incompetência administrativa e oferece novamente a sua graça para que o homem não se perca.
O campo onde está escondido o tesouro é o nosso próprio coração. Todos têm a mesma capacidade. A nossa tarefa é descobrir o tesouro através de nossa sensibilidade ao amor de Deus.
Não adianta adquirirmos todo o conhecimento ou ciência existente na face da terra se não encontramos o tesouro verdadeiro que Deus nos oferece dentro de nós mesmos e que nos joga para auxiliar os nossos irmãos a serem felizes também.
O amor faz parte da essência de todo ser humano. É nele que encontramos a razão do porque existimos e somos. A rede que vem em busca de todos também representa o interesse de Deus em que todos se salvem. Nem todos estão aptos ou não se deixam se tornarem aptos para receberem o projeto de Deus, por esta razão se excluem automaticamente.
Hoje vivemos uma grande crise de valores que coloca o Absoluto como sendo relativo e o relativo como se fosse o absoluto. É o momento que precisamos invocar constantemente o Espírito Santo de Deus para nos adentrarmos dentro de nós mesmos e vermos o tesouro inesgotável de misericórdia que o Senhor nos oferece constantemente. A partir deste momento não iremos mais errar em nossa escolha.

 


“Senhor Jesus continue nos ajudando a buscar o essencial em nossas vidas”.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O TRIGO E O JOIO


“O MAL PRESENTE NA HISTÓRIA NÃO PODE NOS DESANIMAR NO SEGUIMENTO DE JESUS”.

O mal sempre estará presente na história da humanidade. Ele está associado ao mistério da iniquidade do ser humano. Ele nasce quando a pessoa acredita ser autora de sua própria realização sem a presença do Criador. O mal é uma possibilidade criado pela nossa liberdade. Ele é consequência de nosso afastamento do Criador. Com a presença do Espírito Santo em nossa vida, devemos evitar o mal sem nos preocuparmos com ele. O imenso amor que Deus sente por nós é muito maior que o gigante de areia que é fruto do egoísmo humano. O mal tem uma aparência de grandeza que muitas vezes assusta as pessoas. Tem uma aparência de vitória permanente. Por isto temos que olhar sempre para o resultado na vida longe de Deus. Toda tristeza e sofrimento tem sua origem na indiferença da pessoa em relação ao que realmente irá lhe fazer feliz.



EVANGELHO (Mt 13, 24-43):

Naquele tempo, Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ O dono respondeu: Foi algum inimigo que fez isto’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!” Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E  torna-se uma árvore, de modo que os pássaros Vêm e fazem ninhos em seus ramos”. Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Tudo isto Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado, assim acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão com o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.


“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O joio são os que pertencem ao maligno”.
A parábola da boa semente e do joio tem um grande significado para nós pois muitas vezes nos perdemos no que não é essencial. A boa semente está presente em nossa vida através do imenso amor que Deus sente por nós. Todos nós somos bons em nossa originalidade, mas podemos perder esta bondade pela contaminação do egoísmo que o mundo nos oferece. A criatura jamais poderá ser feliz longe do Criador. A pessoa humana não é autora de sua própria felicidade, mas a recebe do princípio da verdadeira felicidade.
Nesta parábola encontramos o grande problema daqueles que estão extraviados em suas opções mal feitas. Quando semeamos amor, colhemos amor. Se semearmos o mal estamos nos prejudicando e prejudicando aos nossos semelhantes. É muito grave fazer que os outros pequem sermos uma semente má dentro da plantação de boas sementes. Imaginem a responsabilidade dos artistas e das pessoas popularizadas pela mídia.
Somos responsáveis pela palavra de Deus que recebemos e dos grandes dons que Ele constantemente nos confere em nossa peregrinação. Esta palavra tem de germinar no meio do mal e transformá-lo.
Somos chamados a uma constantemente conversão ou retorno à fonte. A mudança radical de forma de ver a realidade que nos cerca. Hoje estamos carentes de uma verdadeira disciplina que nos leve a experimentar o essencial. Estamos abraçando tudo e acabamos ficando com nada. Deus já semeou o trigo para nós quando deu o seu próprio Filho para nos salvar e para não nos confundirmos em nossas opções. Este trigo é a boa semente do amor de Deus presente na história da humanidade que tem a mania de se auto punir com seu próprio egoísmo.
Quando estamos em um profundo processo de conversão estamos sendo objeto de conversão de nossos irmãos. Não podemos dormir, estarmos desatentos ao mal que está acontecendo mesmo dentro de nossas casas. Estamos sobre a ditadura do relativismo. Não podemos mais escolher nada, temos que fazer o que os “outros” nos dizem ser a felicidade.
O joio do individualismo pode fazer que a nossa sociedade se torne intolerável. Já não temos mais espaço para outros seres humanos. Muitos preferem ter um cachorro de estimação, que compromete menos e sana a carência afetiva, do que dar uma boa educação para um filho.
É hora de nós cristãos tomarmos consciência de nossa situação dentro da história e nos tornarmos boa semente no meio do mundo. A semente para dar origem à outra planta precisa desaparecer. Necessitamos do nosso esquecimento para sermos instrumentos de transformação do mundo.
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 “Senhor Jesus nos ajude a implantarmos o Reino de Deus dentro da humanidade dividida em contínua discórdia.”