quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

“A CONVERSÃO FAZ PARTE INTEGRANTE DA VIDA DO CRISTÃO”.





No terceiro domingo da Quaresma, que é um tempo de profunda renovação de nossa vida, somos convidados a uma conversão mais profunda. A parábola da figueira estéril nos faz refletir sobre os momentos em que nos fechamos em nosso pequeno mundo e não produzimos os frutos que são consequência do amor de Deus presente em nossa vida. Se nos afastarmos de Cristo seremos estéreis em nosso caminhar. A nossa vida irá perder seu sentido último. Esta esterilidade é a falta de Fé que leva as pessoas a viver uma vida superficial. Quando amamos e nos deixamos amar nos tornamos fecundos, nosso testemunho é capaz de levar outras pessoas à conversão. O que muda a realidade são nossas atitudes.



EVANGELHO (Lc 13, 01-09):

Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com os dos sacrifícios que ofereciam. Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que os outros moradores de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás”.


“Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás”.

A comparação que Jesus faz da necessidade de uma constante conversão com a figueira estéril é de grande significado. Os judeus ainda pensavam que a relação com Deus significava o afastamento de qualquer sofrimento e provação. A bênção era confundida com bem estar físico e espiritual. A exigência de conversão passa a ser uma norma de vida para os que querem dar um rumo evangélico para as suas vidas. Não existe cristianismo sem conversão. Ele é uma religião revelada, não foi criada pela carência humana. Deus vai ao encontro da pessoa e não o contrário. Por esta razão tem muitas exigências. Não existe cristão sem ser modelado pela Palavra de Deus.
Não sabemos o porquê a figueira estéril estar dentro da vinha. Talvez porque já estava antes dela ser feita ou fosse plantada depois para matar a fome dos trabalhadores. O fato é que não tinha frutos quando o dono chegou e recebe a pena capital por este motivo. A figura do empregado representa a infinita misericórdia de Deus por nós que vem em socorro da figueira. Ele pode ser comparado ao imenso esforço que Jesus fez para nos salvar do pecado. Nós precisamos produzir frutos que são consequência da nossa relação com o amor de Deus. Quando nos sentimos amados produzimos frutos. A nossa conversão leva a fertilidade no amor. Passamos a amar a todos os semelhantes numa intensidade diferente do que nos é apresentado pela sociedade dominada pelas relações comerciais. O mundo nos quer manter estéreis. Esta esterilidade é consequência do egoísmo.
O adubo do defensor da vinha são os sacramentos. Meios eficazes para nossa restauração. A presença constante de Jesus na Santíssima Eucaristia vem em nosso socorro, pois somos fracos e incapazes de produzirmos frutos pelas nossas próprias forças.
O que adianta ao dono da vinha ter uma árvore que só tira da terra o seu sustento e não produz nada para os demais? O esforço de correspondência a graça de Deus faz que sejamos criaturas novas. Vemos o mundo e as pessoas de forma diferente. Quando estamos em processo de conversão valorizamos o que realmente merece a nossa atenção. Só o amor verdadeiro, que nos faz sacrificar-se pelo amado é que pode modificar a nossa vida muitas vezes estéril em nosso pequeno mundo. Todos têm muitos dons que devem ser partilhados com toda a Igreja. Não somos donos de nossos carismas, eles estão em nós para a edificação de nossos irmãos.
O nosso esforço deve ser de correspondência ao empreendimento que Deus faz em nossa vida para vivermos o amor e darmos frutos no meio da humanidade que vive em contínua divisão por influência de seu próprio egoísmo.

“Senhor Jesus, renovai em cada um de nós o desejo de uma profunda conversão”.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR"




O segundo domingo da Quaresma nos leva até o monte Tabor onde aconteceu um fato de grande importância para o cristianismo. Jesus se transfigura (muda de figura pelo poder que ele detém) diante de seus amigos prediletos mostrando a eles a grandiosidade de sua missão e ao mesmo tempo encorajando-os para as provações do futuro. Neste fato da transfiguração do Senhor percebemos a força do amor de Deus presente na história. Jesus se apresenta no meio de Moisés e Elias. Os dois grandes heróis do antigo testamento. O homem que recebeu a lei (Moisés) e o outro que soube aplicá-la dentro do momento de crise idolátrica do povo de Israel (Elias) que havia se perdido com o mal exemplo das outras nações. Jesus é o centro de toda revelação de Deus.



EVANGELHO (Lc 09, 28-36):

Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. E quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava acontecendo. Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem. Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é meu Filho, o escolhido. Escutai o que ele diz!” Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

“Este é meu Filho, o escolhido. Escutai o que ele diz!”

A  “transfiguração de Jesus” é um dos fatos mais lindos e cheio de simbolismo que existe nos evangelhos. O verbo transfigurar é muito pouco usado na nossa linguagem. Podemos deduzir que seja mudar de figura, passar para outra dimensão. Superar aquilo que aparece. É uma mudança de aspecto e não de personalidade. A transfiguração é a manifestação de nosso autêntico ser que é muitas vezes disfarçado pelo nosso próprio egoísmo. Somos criados a imagem e semelhança de Deus e o pecado estragou esta imagem. A transfiguração nos mostra que iremos ressuscitar. Que iremos passar por todas as dificuldades e que pela fé seremos glorificados pelo imenso amor misericordioso de Deus.
Jesus estava em oração quando aconteceu este fato. Por que a necessidade de orar de Jesus se ele era Deus? Aí temos um exemplo fundamental para nós hoje. Não seremos transfigurados se não nos comunicarmos com o Criador. É no ambiente de oração que descobrimos o que Deus quer de nós. Pela oração saímos de nós mesmos e concretizamos a vontade de Deus em nossa vida.
Ao lado de Jesus aparecem duas grandes figuras do antigo testamento. Moisés é o homem da libertação do povo de Israel. Ele sai de seu comodismo para ir de acordo com a vontade de Deus revelada a ele de forma extraordinária. Elias reflete sobre a realidade do povo que havia se afastado da lei revelada a Moisés seguindo a idolatria do Deus da sensualidade. Ele se torna o maior de todos os profetas do antigo testamento. Tem uma experiência única da presença de Deus e quer salvar o povo dos desvios morais e religiosos que estavam vivendo.
Jesus aparece no meio dos dois, dialogando com ambos, pois ele é a plenitude da lei. É a concretização da revelação de Deus ao povo de Israel e que de agora em diante através do testemunho apostólico irá passar um novo estilo de vida para toda a humanidade.
Pedro quer permanecer junto a Jesus transfigurado. Isto não é possível ainda, pois terá muitas provações. Muitas vezes preferimos o gostoso ao bom. Este fato servirá para que ele tome consciência da profundidade de sua missão. Deus permite muitos momentos bonitos em nossa vida para nos sentirmos animados e seguirmos em frente em nosso propósito.
A transfiguração é prova de que somos peregrinos nesta vida. Estamos a caminho do eterno. Um dia nós também seremos transfigurados definitivamente, receberemos o corpo incorruptível que será ocupado totalmente pelo amor de Deus. Nesta vida já estejamos em nosso processo de transfiguração procurando viver a nossa consagração batismal.

“Senhor Jesus venha em nosso auxílio para que possamos ver o que é eterno e nos afastarmos do efêmero do mundo”.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

“A CADA TENTAÇÃO VENCIDA É UMA GRAÇA RECEBIDA”.



O tempo da Quaresma, que se dá início na quarta-feira de cinzas. É um momento litúrgico próprio para refletirmos sobre nossa vida e a forma como estamos seguindo a Cristo. Somos tentados enquanto estivermos na peregrinação desta vida. No momento em que superamos as tentações nos abrimos ao Espírito Santo e nos tornamos mais fortes na fé. Jesus nos mostra que devemos ser fortes para vencermos o mal e nos dispormos a fazer o bem vencendo todos os vícios que nos afastam de Deus.



EVANGELHO (Lc 04, 01-13):

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. O diabo disse, então a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. Jesus respondeu: “A escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”. O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isto foi entregue a mim e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isto será teu”.  Jesus respondeu: “A escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”. Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! Porque a escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!’ E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. Jesus, porém, respondeu: “A escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”. Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.

“Não só de pão vive o homem”.

As tentações de Jesus são um mistério dentro do plano de salvação de Deus. Jesus nos dá um exemplo de coragem contra o mal vigente no mundo que nos arrasta a pensarmos em nós mesmos e esquecermos a nossa missão. O inimigo é o pai da mentira. Ele se faz de dono de todas as coisas para nos afastar da verdade. Vemos hoje as pessoas revestidas das mentiras transmitidas pela grande mídia que tenta desviar a pessoa de sua origem e destino.
Nesta vida mortal sempre vamos passar por tentações, provações e sofrimentos. A nossa perseverança via nos forjar para sermos bons cristãos no meio do mundo dando um verdadeiro testemunho da presença de Deus em nossa vida.
Somos constantemente tentados em relação ao Ter, ao Poder e ao Prazer. São três grandes ídolos que são alimentados pelas nossas paixões. São bens imediatos ligados a nossa natureza humana em seu grau menos profundo. Por isto se formos conduzidos pelo imediatismo sempre caímos nas tentações. O inimigo de Deus nos apresenta sempre as coisas mais fáceis sem nos apresentar as conseqüências que derivam de nossas opções mal feitas. O pecado sempre é gostoso no começo, mas é fonte de uma grande infelicidade interior que atinge nossa paz de consciência que é o que temos de mais precioso.
Quando experimentamos o amor de Deus em nós, vencemos a tentação do ter pela pobreza nos tornando solidários com os nossos irmãos. Devemos ter Jesus como modelo de entrega absoluta a Deus e esquecimento de si mesmo. Somos atacados constantemente pelo espírito de consumismo. Devemos comprar e gastar constantemente para podermos alcançar mais meios para sermos “felizes”. Infelizmente é esta idéia totalmente contrária a solidariedade pregada por Jesus que está difundida no mundo.
Quando procuramos vivenciar a nossa fé vencemos a tentação do poder através da obediência ao que Deus nos pede. Como cristãos temos alguma missão neste mundo. Devemos olhar sempre para que o Senhor nos pede para não nos perdermos no oferecimento que o mundo nos faz. O ato de fé é a aceitação do mistério de Deus em nossa vida. Quando nos comunicamos com sinceridade com Deus, vamos modelando a nossa vida conforme a sua vontade. Vamos passando pela instabilidade desta vida através da estabilidade do amor que Deus nos transmite.
O prazer que o mundo oferece é vencido através da vivência da caridade. Quando nos revestimos do verdadeiro amor que tem como fonte o próprio Deus, somos novas criaturas, sabemos repartir o nosso amor com todos, especialmente com os mais necessitados.
O que nos faz realmente felizes é o encontro ou a coincidência da nossa vontade com a vontade de Deus. Sempre seremos tentados a nos afastar do essencial, mas devemos ser fortes para vivermos com alegria o que o Senhor nos pede.

“Senhor Jesus precisamos da força do seu amor para vencer as tentações que o mundo nos oferece”.




sábado, 9 de fevereiro de 2013

“AVANÇAR PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS".



O pedido de Jesus para que se avance para águas mais profundas nos joga no mistério de nossa missão como cristãos. Precisamos lutar com todas as nossas forças para vencermos o comodismo e sermos solidários na partilha de nossa vida com todos os nossos irmãos. Ir para águas mais profundas significa crescer em nosso autoconhecimento percebendo o imenso amor de Deus por nós. Crescer em nossa espiritualidade de Base para nos tornarmos realmente missionários do Reino de Deus.



EVANGELHO (Lc 05, 01-11):

Naquele tempo: Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. Ao ver aquilo Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

“Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”.

Jesus inicia o seu ministério com o anúncio do Reino de Deus a muitas pessoas. Dentro do grupo de seus admiradores se destaca os seus primeiros discípulos. Esta passagem do evangelho é cheia de simbolismos que podemos aplicar diretamente em nossa vida. Jesus está pregando a uma multidão de pessoas e se utiliza das barcas dos discípulos. Após a sua pregação fala para que eles avancem para águas mais profundas e lancem as redes. Deus sabe das nossas limitações, mas não se conforma com elas e faz de tudo para que nos superemos vivendo em maior profundidade o seu amor. Todos são limitados, mas Deus nos ama acima de nossas limitações. Somos massacrados pelas falhas que cometemos e suas conseqüências, mas esquecemos que Deus é misericordioso. A confiança em Deus é fundamental para fazermos o que nos tornará realmente felizes.
Pedro era um homem prático na arte da pesca. Havia passado muitas horas tentando tirar algo das águas para sua subsistência. A palavra de Jesus faz que Pedro confie mais no mestre do que na sua prática e lança as redes. A confiança na Palavra de Jesus se tornou mais forte do que sua grande experiência. Como é importante a nossa entrega ao mistério de Deus para sermos seus instrumentos de libertação integral dentro do mundo. A pesca extraordinária fez que ele professasse a sua fé em Jesus pedindo que se afaste de sua miséria. Jesus surpreende a Pedro quando diz para que ele não tenha medo, pois sua missão será ainda muito maior no comando da Igreja. Muitas vezes desconfiamos da Palavra de Deus porque confiamos mais em nossa experiência e nossa racionalidade nos esquecendo que Deus age no mistério. Até mesmo nas nossas fraquezas e limitações. Deus permite que sejamos limitados para que tenhamos a certeza de que a obra não é nossa, mas sim de seu infinito amor.
Pedro relativizou toda a sua vida para seguir a Cristo. Ele vai abandonar sua segurança para ir de encontro à insegurança do mistério de Deus. Deixa as alegrias momentâneas para ir de encontro à felicidade profunda de estar sempre com Cristo. Os verbos despojar e deixar são pré-requisitos para os que assumem o Reino e suas conseqüências.
Somos convidados a avançar para as águas mais profundas da nossa existência. Não podemos nos conformar com a “ditadura dos meios de comunicação” que nos levam a um simples consumismo que acaba consumindo com a nossa vida. Precisamos descobrir a alegria de sermos solidários. De deixarmos as nossas redes da segurança para irmos onde o Senhor nos indica. Precisamos ser instrumentos de verdadeira libertação para os nossos irmãos que sofrem tantos tipos de angústia por estarem afastados do sentido último de suas vidas. Quem se afasta de Deus não pode ser feliz. O despojamento exigido pelo seguimento de Cristo não é nada em relação ao grande sofrimento daqueles que vivem aprisionados pelas correntes da moda imposta pela “grande mídia”.
Não podemos olhar a nossa vida de uma forma superficial, precisamos avançar para águas mais profundas de nosso relacionamento com Deus, conosco mesmos e com nossos irmãos.

“Senhor Jesus, dai coragem a todos nós para que possamos avançar com alegria nas águas mais profundas de nossa vida”.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

“A OPÇÃO POR JESUS CRISTO INCLUI REJEIÇÃO E DESCONTENTAMENTO DOS QUE SÃO MOVIDOS PELO SEU PRÓPRIO EGOÍSMO”.



O povo de Israel teve dificuldade para aceitar a pessoa de Jesus e sua missão. Ele dá provas de sua divindade através dos sinais que realiza que nenhum outro profeta realizou. O grande sinal é a sua própria ressurreição que confirma sua divindade. Somos desafiados a aceitar a mensagem de Jesus por completo em nossa vida através da fé no testemunho dos Apóstolos que viram ele após sua morte cruenta. Aqueles que aderirem ao projeto de Jesus também serão rejeitados, sendo que encontrarão a raiz da verdadeira felicidade no interior de seus corações. Nenhum dinheiro do mundo consegue pagar a alegria interior que sentimos ao obedecer a Deus.



EVANGELHO (Lc 04, 21-30):

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga disse: “Hoje se cumpriu esta passagem da escritura que acabaste de ouvir”. Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam de sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” Jesus, porém disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizestes em Cafarnaum”. E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

“Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”.

Esta passagem do evangelho nos faz refletir profundamente sobre o mistério da salvação que vem para todos. O povo de Israel foi o povo da antiga aliança feita a Abraão e seus descendentes. Deus se revelou de uma forma extraordinária para este povo humilde, nômade e com pouca cultura. Todas as grandes nações da época acreditavam em vários deuses. Eram povos de alta cultura, mas de uma religiosidade que não alcançava a altura do povo hebreu. Daí se pode deduzir a certeza de uma “revelação particular” de Deus a este povo. Dentro do mistério da salvação da humanidade, o povo de Israel teve uma função essencial. Aos poucos esta revelação particular vai dando lugar a uma revelação universal que será finalizada na graça de Pentecostes com a vinda do Espírito Santo que irá esclarecer o sentido da vinda de Cristo. As pessoas que aceitam o plano de Deus anunciado por Jesus Cristo, ao serem batizadas, começam a participar automaticamente do mistério cristão. Já não temos uma religião ligada a uma cultura específica, mas a uma prática que é orientada pela ação direta do Espírito Santo.
Jesus reclama a falta de aceitação de sua pessoa entre os seus patrícios. Talvez não fosse fácil para o povo admitir que uma pessoa simples como ele pudesse ter tanta sabedoria. Mais ainda, que um homem tivesse a natureza divina. Ao revés de crerem na intervenção direta de Deus, questionam a origem de seu saber. Como a revelação de Deus é misteriosa por sua própria natureza, Jesus dá exemplos de outras pessoas que não faziam parte do povo e que foram salvas. Esta lição serve para nós também que já recebemos o batismo e somos o povo da nova aliança. Devemos nos questionar sobre a forma de aceitação da pessoa de Jesus dentro de nossa vida. Os cristãos são chamados a uma prática com base na experiência de amor provocada em suas vidas pela amizade com Jesus. Aceitá-lo como nosso salvador e amigo, que caminha conosco em todos os momentos de nossa vida é essencial para nossa salvação.
O Espírito Santo em Pentecostes irá universalizar definitivamente a mensagem de Jesus que não será só do povo de Israel, mas de todos aqueles que descobrem a realidade de que somos profundamente amados por Deus. Cabe a nós aceitarmos e anunciarmos a Cristo com todas nossas forças. Ele deve ser bem recebido na sua casa que é o nosso coração e dentro da realidade em que estamos vivendo.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

“JESUS É O CRISTO, NOSSO SALVADOR E REDENTOR”.



O mundo procura nos manipular com suas idéias. Tenta nos levar para a valorização das coisas que passam. Jesus anuncia a Boa Nova da Salvação que vem ao encontro dos que são oprimidos. Neste terceiro domingo do tempo comum meditamos na pessoa de Jesus que vem anunciar o Reino para os que querem aceitar com humildade o projeto de Deus. Jesus é o Cristo, o ungido é o Filho de Deus. Quando aceitamos esta realidade ocorre uma mudança em nossos valores e atitudes.


EVANGELHO (Lc 1, 1-4; 4, 14-21):

Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra. Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. Naquele tempo, Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”. Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da escritura que acabaste de ouvir”.

“Hoje se cumpriu esta passagem da escritura que acabaste de ouvir”.

Jesus ao ler a passagem do profeta Isaías (61, 01-03), está afirmando os fatos que irão acontecer aos que aceitarem o anúncio do Reino: serão libertados das prisões que são consequência do egoísmo humano. A aceitação do projeto de Deus faz com que a pessoa encontre o sentido último de sua existência: amar e servir a Deus e aos irmãos vivendo uma vida nova livre das amarras do pecado. A desobediência a Deus só causa consequências dramáticas para o homem. O mal presente no mundo teve sua origem na forma errada do homem exercer sua liberdade.
O Reino de Deus é anunciado dentro de um processo. Desde o antigo testamento já estava sendo preparado pelos profetas e em Jesus Cristo chega ao seu ápice. Agora cabe a nós aceitarmos o Reino e sermos anunciadores da Boa Nova da salvação. O Espírito Santo caminha conosco para nos auxiliar neste processo. Quando somos movidos por Ele não erramos em nossas opções.
Os cristãos devem transformar o mundo através da alegria que sentem em seu interior por se sentirem profundamente amados por Deus. Ele é nosso Papaizinho (Aba). Deus participa de nossa vida. Não estamos longe de nosso Criador. Ele nos ama, nos chama e nos envia dentro do mundo para sermos sua extensão no amor. O amor de Deus deve passar em nós e ir de encontro dos que não se sentem amados. Amar é fazer o outro crescer (Dra Zilda Arns).
Jesus é o ungido, é o Cristo. No Antigo Testamento os reis e soldados se preparavam para a batalha se enchendo de óleo. Esta forma de preparação tomou um aspecto espiritual e os grandes reis eram ungidos para se encherem da Graça de Deus pela missão profunda que Ele lhes confiava. Jesus é o Cristo, Ele retém toda a vontade do Pai por ser verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.
O Filho de Deus traz consigo toda a mensagem de salvação para nós. Ele anuncia o que devemos viver dentro da sociedade. Inicialmente seremos “perdedores” por tentarmos concretizar o Evangelho dentro do mundo. Este oferece muitas vantagens para os que confiam em si mesmos e se esquecem dos outros. Mas esta vantagem é superficial. Leva o ser humano a ser o autor de seu próprio fracasso. Quando o homem pensa poder tudo ele perde tudo. Quando nos afastamos de nosso princípio vital somos conduzidos a morte pelo efeito de nosso próprio egoísmo.
Somos convidados a fazer os cegos enxergarem. Especialmente os que são manipulados pela ditadura da grande mídia que nos arrasta ao consumismo e nos afasta de nossa cultura libertadora. Ela tem o poder de transformar o mal em bem e o bem em mal fazendo que as pessoas se afastem cada vez mais do sentido solidário de nossa existência que é o centro da pregação de Jesus. Devemos ser juízes da mídia e não simples espectadores passivos dela colocando o Evangelho de Cristo como fórmula para iniciarmos a sermos felizes neste mundo em preparação para a vida eterna.

“Nós lhe pedimos Senhor Jesus a força da sua graça para vencermos o pecado e sermos instrumentos de seu amor no mundo”.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

NO MILAGRE DAS BODAS DE CANÁ SE PERCEBE QUE A MÃE DE JESUS SEMPRE INTERCEDE POR NÓS”.



A passagem do Evangelho deste segundo domingo do tempo comum nos recorda o milagre das bodas de Caná. A figura de Maria aparece neste momento importante da vida de Jesus. Ela intercede pelos noivos que passariam por um vexame se não houvesse mais vinho para ser servido aos convidados da festa. Hoje Maria continua intercedendo por nós para que possamos ser fiéis ao plano de salvação que Deus elaborou para cada um de nós. A presença de Maria é inerente ao mistério da presença de Deus em nossa vida. O sim de Maria dado na Encarnação do Verbo permanece dentro da história. O mistério mariano complementa o mistério de Cristo e vice versa.


EVANGELHO (Jo 02, 01-11):

Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. O mestre-sala chamou o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho pior. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Cana da Galiléia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

“Fazei o que ele vos disser”.

Com o milagre das bodas de Caná começa a vida pública de Jesus. É interessante perceber que surge uma dificuldade e a mãe de Jesus está atenta. Assim como nas bodas de Caná, Maria está presente em todos os momentos mais importantes de nosso processo de salvação. Através de seu sim ela favorece a missão salvífica de Cristo. Maria é sensível nos mínimos detalhes. Percebe a vergonha que os noivos iriam passar pela falta de vinho e recorre a Jesus para que ele realize o primeiro milagre que irá fazer que os discípulos comecem a crer na sua missão.
Deus está presente em nossa vida. Em todos os momentos nos reveste de sua infinita bondade. Hoje estamos “insensibilizados”. Desligados do essencial de nossa vida. Preferimos as alegrias momentâneas à felicidade permanente. Jesus estava participando de um momento de felicidade dos noivos. Ele não fugia das situações humanas. Procurava humanizar aquilo que havia se perdido. Jesus nos quer libertar de nosso próprio egoísmo, de nosso fechamento que jamais irá ter como conseqüência a verdadeira felicidade. Percebemos hoje muitas pessoas que não conhecem o sentido do cristianismo. Vivem sem entender que ser cristão é ser especialista na arte de amar. O amor é capaz de construir tudo, ele nasce do coração de Deus.
Jesus transforma a água em vinho. Quando entramos em contato com ele também somos transformados. Passamos de uma vida de egoísmo para uma vida de altruísmo. A preocupação exagerada com nós mesmos passa a ser transformada na preocupação com os nossos irmãos. Quando somos imbuídos pelo Espírito Santo a nossa atenção muda de rumo. Somos mais interessados pela propagação da vontade de Deus no grande objetivo de que todos sejam salvos.
Devemos sempre confiar na intercessão de Maria. Ela é incansável na tentativa de que nós façamos tudo o que seu filho nos pede. Maria não é concorrente de Jesus. Ela é aquela que nos ajuda a superar as nossas angústias e sofrimentos para fazermos o que o Senhor nos pede. 


“Obrigado Senhor Jesus por nos terdes dado a sua mãe como nossa mãe”.