quinta-feira, 1 de março de 2012

DEVOÇÃO AO JESUS DA MISERICÓRDIA



“Diz à humanidade sofredora que se aconchegue no Meu misericordioso Coração, e Eu a encherei de paz. A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar, com confiança, para a minha misericórdia”.

Estas palavras foram pronunciadas por Jesus Cristo na aparição a Santa Maria Faustina Kowalska nos anos trinta do século passado. A missão desta santa iniciou-se em 22 de fevereiro de 1931, quando o misericordioso Salvador lhe apareceu. Ela viu Jesus vestido de túnica branca, com a mão direita levantada a fim de abençoar, enquanto a esquerda pousava no peito, fazendo que a túnica, levemente aberta, deixasse sair dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. A Santa Faustina fixou em silêncio o olhar de Jesus que lhe disse:

“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” (Diário, nº. 699).


Em muitas comunidades católicas será exposta a imagem de Jesus Misericordioso. O sacerdote que divulgar esta devoção receberá muitas graças para si e para sua comunidade. Recebemos a graça da Indulgência Plenária neste dia se participarmos com devoção na Festa da Misericórdia com as devidas condições que a Igreja nos propõe.

 
"Jesus eu confio em Vós" 

“Obrigado Senhor Jesus por nos ensinar a viver a experiência de seu infinito amor por nós”.

Padre Giribone - OMIVICAPE

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A TÉCNICA DO OFERECIMENTO


 

A palavra técnica ou tecnologia se refere a um método sistemático para alcançarmos um objetivo. Gostaria de expor algo relacionado com nossa relação com Deus. Algumas vezes me referi aos irmãos da comunidade sobre esta técnica. Tem algo a ver com a “pequena via” de Santa Teresinha que oferecia tudo ao amor misericordioso de Deus. Quando se lê a “História de uma alma” percebemos várias vezes este verdadeiro método de santidade.

A nossa vida é uma peregrinação ao encontro do Criador. Ele nos criou para o eterno convívio com Ele. O que vivemos neste mundo é uma simples preparação para o definitivo. Se oferecermos as nossas contrariedades e dificuldades, ou até os momentos de alegria, estaremos em plena comunhão com o Senhor. Deus permite o sofrimento para que saibamos administrá-lo. Podemos colher muitos frutos de santidade e crescimento espiritual a partir das dificuldades que passamos na vida.

Muitas vezes não encontramos explicação para o que passamos, mas podemos dar um sentido para tudo quando sabemos oferecer. Deus é amor, Ele nos ama sempre, mas quer nos ver mais perfeitos, mais unidos ao seu infinito amor.

Quando oferecemos a Deus o que passamos vamos crescendo no reconhecimento da sua presença em nossas vidas. Desta forma vamos nos “santificando” com a força da Graça de Deus.

Irmãos vamos oferecer tudo ao Senhor e alcançaremos a chave para sermos felizes nesta vida e sermos instrumentos para salvarmos muitas pessoas que dependem de nossa intercessão.


Padre Giribone - OMIVICAPE

sábado, 25 de fevereiro de 2012

"A CADA TENTAÇÃO VENCIDA É UMA GRAÇA RECEBIDA"


 
O tema sobre a conversão é básico neste tempo da Quaresma. Converter-se é entregar-se totalmente a Deus em meio as nossas limitações. Para que a conversão realmente aconteça se fazem necessárias a fé e a humildade. Para reconhecermos o essencial em nossa vida devemos ser humildes e sinceros conosco mesmos. Jesus vence as tentações nos dando exemplo de que quando a vencemos estamos mais abertos a graça de Deus. Elas fazem parte de nossa vida cristã. Mas quando passamos por elas através da força da Palavra de Deus nos tornamos instrumentos fortes de evangelização.


ORAÇÃO:  Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.


EVANGELHO (Mc 01, 12-15):
Naquele tempo, o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

“Convertei-vos e crede no Evangelho”.

O  sentido desta frase está ligado ao centro da vinda de Jesus. O Evangelho é a boa nova da salvação. Ele sempre será uma novidade para nós. Sempre nos questiona em nossos valores nos levando ao reconhecimento de que embora sejamos limitados, Deus continua nos amando. Quando nos encontramos com Deus que é o sumo bem, somos convidados a mudar de valores. Por esta razão que Jesus Cristo tem poucos amigos pois são poucas as pessoas que realmente querem uma transformação de seus corações. A busca da verdade que supera o mal.
Se formos falar em conversão no sentido físico, veremos que é uma retomada de direção. É uma alteração na trajetória. A conversão no sentido espiritual é a aceitação da realidade de que somos criaturas de Deus e que precisamos nos voltar para Ele. Toda mudança provoca dor e desconforto. Hoje há pouca conversão porque se fica muito nas alegrias momentâneas e se esquece a felicidade verdadeira que é a paz de consciência.
A nossa vida não é uma mera coincidência. O pano de fundo de nossa vida é o amor estável de Deus por todos nós. Quando somos sinceros nos abrimos à verdade que nos tornará realmente livres. Não existe conversão sem sinceridade, sem abertura de coração.
A novidade do Evangelho precisa transformar a nossa vida. Mais do que máquinas e tecnologia precisamos melhorar nossas relações afetivas. Não podemos nos perder no que não é essencial. Esta vida é uma peregrinação rumo à eternidade.
A pessoa humana vale muito mais que um valor monetário. Deus nos criou conforme a sua imagem. Ele nos quer muito e nosso investimento deve ser na prática do amor e da solidariedade. Não existe melhor poupança nesta vida do que fazer o bem, pois este jamais se afastará de nós.
Quantas pessoas que gostariam de retornar de suas situações de enfermidade para dizerem aos que se perdem na superficialidade o que é essencial. Vamos começar aqui e agora a lutar para que este mundo seja mais justo e solidário e que possamos aproveitar todos os valores de nossa vida em direção ao Eterno e não ao transitório. Aproveitemos bem este tempo que o Senhor está nos dando. Ele é precioso para alcançarmos a vida eterna. Temos que lutar para que o Evangelho entre em nossas vidas para sermos um sinal do amor de Deus para todas as pessoas.

“Senhor Jesus queremos entregar a nossa vida em vossas mãos para superarmos nossas limitações e vivermos o amor e a solidariedade dentro do mundo.”

Padre Giribone - OMIVICAPE

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

NOSSA SENHORA DO CARMO



No dia 16 de julho de 1251, Nossa Senhora aparece a São Simão Stock, apresentando a ele o Santo escapulário como uma veste de proteção contra o egoísmo na tentativa de imitar as virtudes da “Cheia de Graça”. Maria está sempre atenta aos seus filhos, ela tem um cuidado todo especial para que eles não se percam nos desvios solicitados pela forma errada de se usar a liberdade.
Para o(a)s carmelitas do mundo inteiro está é a principal solenidade. Nossa Ordem desde o início foi consagrada a Mãe do Salvador. No monte Carmelo (Jardim Florido), os nossos primeiros eremitas alimentaram um grande amor a Mãe de Jesus.
Quando colocamos Maria como modelo de virtude na plena aceitação da vontade de Deus em sua vida, estamos mais próximos do verdadeiro seguimento de Jesus Cristo. A obediência a Deus pela Fé que Maria viveu foi fundamental para a concretização do plano salvífico de Deus.
O verdadeiro devoto de Maria jamais se perderá. O mundo vive na promoção das “relações comerciais”. Infelizmente não temos mais espaço para o fundamental da existência humana, nos perdemos no superficial. Quando vivemos a contemplação e a aceitação do mistério de Deus como Maria viveu, estamos aptos para administrar a nossa vida dando-lhe um sentido solidário que leva a uma vivência comunitária.
Maria pelo seu sim nos favorece a salvação. Ela jamais pensou em sua realização pessoal. Ela quer que todos sejam felizes ao lado de seu Filho Jesus. O Santo Escapulário representa uma profunda delicadeza de Maria que quer ajudar de qualquer forma, seja do modo mais simples possível, aos seus filhos a serem livres do pecado.

“Obrigado Senhor por ter-nos dado a sua Mãe para nos proteger e amparar nesta peregrinação rumo à eternidade...”
 
O Escapulário:

·        Compromete a viver o ideal desta família religiosa que é a amizade íntima com Deus através da oração;

·        Apresenta o exemplo dos santos e santas do Carmelo com os quais se estabelece uma relação familiar de irmãos e irmãs;


·       Expressa a fé no encontro com Deus na vida eterna pela intercessão de Maria e sua proteção.

O Escapulário do Carmo é:

Um sinal "forte" aprovado pela Igreja há vários séculos e representa nosso compromisso de seguir a Jesus Cristo como Maria: abertos a Deus e a sua vontade; guiados pela fé, pela esperança e pelo amor; solidários aos necessitados; orando constantemente e descobrindo a presença de Deus em tudo; um sinal que introduz na família do Carmelo; um sinal que alimenta a esperança do encontro com Deus na vida eterna sob a proteção de Maria Santíssima.

Normas práticas

·        O Escapulário é imposto uma única vez por um sacerdote carmelita ou outra pessoa autorizada. Depois de muito uso pode ser substituído por outro sem a imposição do sacerdote.
·        Pode ser substituído por uma medalha que represente por uma parte a imagem do Sagrado Coração de Jesus, e por outra a da Virgem. Esta medalha é abençoada quando é trocada.
·        O Escapulário é para os cristãos autênticos que vivem conforme as exigências evangélicas, recebem os Sacramentos e professam uma especial devoção a Santíssima Virgem (expressada com a reza cotidiana de ao menos três Aves Marias).

sábado, 18 de fevereiro de 2012

CURA DO PARALÍTICO



VII DOMINGO DO TEMPO COMUM (B)


“NOS TORNAMOS PARALÍTICOS QUANDO NOS ESCONDEMOS DA FACE DE DEUS”.

A Paz do Senhor Jesus Cristo esteja sempre convosco!

Estamos sendo influenciados pelo negativismo no mundo que nos torna paralíticos no crescimento do amor. No evangelho deste próximo domingo Jesus cura um homem de boa vontade que é transportado até ele de uma forma peculiar. Seus amigos levam até a presença de Jesus através de uma fenda no telhado da casa. Eles queriam a cura de seu amigo, sendo que ele também confiou na possibilidade de ser curado por Jesus. Este lhe perdoa imediatamente os seus pecados que é o causador da pior paralisia que a pessoa sofre nesta vida: se esconder da presença de Deus.

ORAÇÃO: Concedei ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho na unidade do Espírito Santo. Amém.


EVANGELHO (Mc 02, 01-12):
Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a palavra. Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por esta abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. Ora, alguns mestres da lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: “Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus”. Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no seu íntimo, e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? O que é mais fácil: dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda’? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados, - disse ele ao paralítico: - eu te ordeno: levanta-te, pega a tua cama, e vai para tua casa!” O paralítico em tão se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim”.


"Teus pecados estão perdoados. Levanta-te, pega a tua cama e anda”.

A fé é essencial para nossa salvação. O caso que nos é relatado no Evangelho é muito interessante. Percebemos a fé do paralítico e dos homens que querem levá-lo de qualquer forma ao encontro de Jesus na certeza de que ele seria curado. Jesus inicialmente perdoa os seus pecados. Para Ele é mais importante a relação com Deus que o pecado destrói do que um problema físico. Por esta razão é criticado pelos sábios da lei que estavam presentes no local.
Quando nos entregamos totalmente ao Senhor, vencendo todas as barreiras encontramos o sentido último de nossa vida. O paralítico auxiliado pelos seus colegas consegue chegar até Jesus. Este ato de fé é recompensado com sua cura física e espiritual. Somos convidados por Jesus a vencer a grande barreira de nosso comodismo para irmos ao encontro do Senhor vivendo os valores essenciais que Ele nos deixou. Para iniciarmos um projeto de vida que nos faça feliz devemos ir pelo caminho do despojamento. Vencer a barreiras de nossa vida de forma sistemática
É interessante que em um primeiro momento Jesus não olha para a deficiência do homem, mas de sua fé e suas limitações espirituais provocadas pela ação do pecado em sua vida. Quando a pessoa sente em seu coração o efeito da misericórdia divina ela se torna uma nova pessoa. Quando sentimos o amor maior que o Criador sente por nós nos transformamos. Deixamos de amar o corruptível e passamos a amar o incorruptível.
Jesus é condenado por afirmar o poder de perdoar os pecados do paralítico. A relação entre pecado e castigo é tão antiga quanto à história da humanidade. Ainda hoje encontramos pessoas que pensam que sua enfermidade possa ser causada pelos erros que tenham cometido. A dimensão da dor e do sofrimento em nossa existência é muito mais ampla. Estamos dentro do mistério do amor de Deus que exerce uma “mistagogia”, quer nos levar até Ele, de uma forma misteriosa. Muitas vezes o sofrimento e a angústia são instrumentos utilizados por Deus para que aconteça em nossa vida uma profunda transformação de valores. A doença e o sofrimento não são maldições, mas podem ser transformadas em bênçãos conforme nosso oferecimento. Muitos homens e mulheres se santificaram no leito de dor. Vemos na vida de Santa Teresinha como ela soube oferecer sua enfermidade pelos missionários se tornando, após sua morte, padroeira universal das missões sem nunca ter saído do mosteiro.
Juntamente com os pecados, o homem é curado do mal físico que possibilitará a sua autonomia. Uma nova vida. Deus nos quer livres para praticar o bem. Quando utilizamos a nossa liberdade na dimensão de relacionamento com Deus e com o próximo, somos realmente curados, vivemos o amor que traz sentido a nossa vida.
Infelizmente preferimos muitas vezes a crítica que não constrói. Facilmente vemos o lado negativo das pessoas nos esquecendo de nossas próprias falhas. Na realidade somos todos amados por Deus na mesma medida.
Como cristãos somos convidados a participar do processo curativo de Jesus. Hoje precisamos oferecer as pessoas à libertação do egoísmo e da auto-suficiência que leva o homem a sua própria ruína.


“Ajuda-nos Senhor Jesus a sermos seus instrumentos de cura e libertação no meio do mundo.”


Padre Giribone - OMIVICAPE

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

VENI CREATOR SPIRITUS



Este belíssimo e histórico hino ao Divino Espírito Santo deveria ser rezado e cantado por todos os cristãos do mundo inteiro. Ele é uma fonte de Graça para nós. Deveria ser rezado no momento em que clamamos por uma nova Efusão do Espírito Santo.

 



Veni, creator Spiritus,
mentes tuorum visita,
imple superna gratia,
quae tu creasti, pectora.

Qui diceris Paraclitus,
Donum Dei altissimi,
Fons vivus, ignis, caristas
Et spiritalis unctio.

Tu septiformis munere,
Dextrae Dei digitus,
Tu rite promissum Patris
Sermone ditans guttura.

Accende lumen sensibus,
infunde amorem cordibus,
infirma nostri corporis
virtute firmans perpeti.

Hostem repellas longius
Pacemque dones protinus;
Ductore sic te praevio
Vitemus omne noxium.

Per te sciamus da Patrem
Noscamus atque Filium,
Te utriusque Spiritum
Credamus omni tempore.
Amen.



Ó Espírito que suscitais o criado,
penetra os teus fiéis em profundidade,
derrama a plenitude da graça
nos corações que para ti criaste.


És o Consolador e o Advogado,
pelo Pai altíssimo dado aos filhos,
fonte viva, caridade que inflama,
unção que santifica e cura.


Concede a quem te invoca os sete dons,
Tu, dedo da direita do Senhor,
que cumpres as promessas dos profetas
Dotando os lábios de palavra nova.


Ilumina, vivifica as mentes,
nos corações infunde a vontade de amar,
fortifica os cansados membros nossos
com a fiel e doce força tua.


Dispersa e põe em fuga o adversário antigo,
concede logo a paz com alegria,
assim, por ti guiados à verdadeira vida,
evitaremos a sedução do mal.


Faze, reconheçamos o Bom Pai
no rosto de seu Filho feito carne
e a ti, que unes ambos no amor,
ouçamos e louvemos todo o tempo.
Amém.

Este hino ao Espírito Santo é um dos mais antigos e tradicionais da Igreja. O autor hoje considerado mais provável é Rabano Mauro, Abade de Fulda na Germânia e arcebispo de Mogúncia. Que viveu entre o final do século VIII e a primeira metade do século IX. Grande teólogo e conhecedor dos santos Padres. É uma grande forma de oração para obtermos a graça santificante que o Espírito Santo provoca em nós.
Sempre que invocamos com devoção a presença do Espírito Santo há uma transformação em nossa vida. Este hino é completo porque trata de toda a Obra de santificação que Ele realiza em nossa vida. É o hino que nos conduz a plena unidade e a plena verdade da presença de Deus em nossa vida.
Quando descobrimos o Espírito Santo, percebemos o que realmente somos: profundamente amados e perdoados por Deus. Tudo depende de nossa entrega. A fé é um processo de aceitação do mistério da presença de Deus em nossa vida. Quando invocamos o Espírito Santo estamos dizendo que a nossa vida depende de Deus e que só seremos felizes ao seu lado.
Vamos ver o que aconteceu com os discípulos de Jesus Cristo? No capítulo 02 do livro dos Atos dos Apóstolos percebemos uma “transformação” na vida destes seguidores de Jesus. Eles conviveram com Jesus, tiveram a graça de ver muitos milagres (sinais) que Ele havia realizado. Tiveram a valiosa experiência de ver Jesus ressuscitado. Só faltava para eles um grande detalhe: não sabiam o que fazer com esta experiência. Eram medrosos, tímidos, preocupados com o que os outros pudessem dizer deles.
Quando o Espírito Santo se manifestou na vida dos discípulos de Jesus, eles se tornaram Apóstolos, verdadeiros testemunhas da verdade de que “Cristo está Vivo” e presente no meio de nós. As suas vidas se transformaram num testemunho vivo da realidade da ressurreição de Jesus e da nossa futura ressurreição. Aqueles homens medrosos e tímidos desde o momento da efusão do Espírito Santo, se tornaram grandes conhecedores da vontade de Deus. O amor que eles tinham em seus corações era capaz de confundir aos grandes intelectuais de seu tempo.
Será que este fato foi algo que só poderia ter acontecido naquele tempo? Não, hoje devemos pedir uma nova efusão do Espírito Santo de sua graça, que irá criar em nós a verdadeira transformação no nosso jeito de viver e amar. Precisamos passar de um amor particular para um amor universal. O Espírito Santo nos capacita a viver uma realidade nova em nossa vida. Somos pessoas que passamos a Viver Jesus onde estivermos.
Para concluir podemos afirmar que existem dois tipos de felicidade. Uma superficial, que infelizmente a maioria das pessoas hoje está vivendo e uma profunda que só poderá ser possível em nossa vida quando nos transformarmos em novas criaturas pela ação do Espírito Santo. Por esta razão Ele é fonte de vida nova. Uma fonte inesgotável de verdadeira realização que através da oração podemos perceber em nossa vida.
Este hino poderá ser rezado em todas as ocasiões pedindo que sejamos renovados pelo imenso amor que Deus sente por cada um de nós.

 Pe Giribone - OMIVICAPE



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CURA E LIBERTAÇÃO



Para obtermos a verdadeira cura e libertação vamos abrir nosso coração ao Divino Espírito Santo para que Ele nos fortaleça e faça ver a realidade de nossa vida totalmente preenchida pelo amor de Deus. Iniciamos esta reflexão afirmando que todos necessitamos de cura e libertação.
Do que precisamos ser curados e libertados? A resposta podemos encontrar no próprio sentido da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Se não precisássemos ser libertados e curados Jesus não teria passado tudo que passou para nos salvar e não teria enviado o Espírito Santo para nos auxiliar em nosso processo de santificação.
A primeira cura e por consequência, a primeira libertação acontece quando nos livramos do pecado e de sua ressonância em nossa vida. O maior problema do pecado é o nosso isolamento de Deus, quebra de comunicação, e a desconfiança de que Ele possa nos perdoar e aceitar novamente.
A nossa oração e todo o nosso empenho deve ser aplicado no reconhecimento do amor que Deus tem por nós. O ser humano é uma bomba que quer se sentir amado e amar. Quando fomos amados na nossa infância, na adolescência, na juventude, na fase adulta, enfim, se estamos nos sentindo amados neste momento, estamos em processo de cura e libertação (Lc 15, 11-32).
A nossa vida é um grande mistério, todos temos altos e baixos, momentos de profunda alegria e de profunda decepção. Muitas vezes nos colocamos no centro do mundo, somos egoístas e auto suficientes pensando que somos uma fábrica de realização pessoal. O pecado nos faz fortes, nos estampa uma alegria superficial que é capaz de convencer aos outros e a nós mesmos. Ficamos “anestesiados” em relação ao amor de Deus e passamos a admirar as coisas do mundo e de nossa sensualidade.
O Espírito Santo vem até nós para abrir o verdadeiro horizonte de nossa vida. Jesus nos diz que iremos conhecer a verdade e a verdade nos libertará (Jo 08, 32). Esta libertação é um processo. Inicia nos aspectos morais de nossa vida até chegar ao íntimo de nosso ser, quando nos sentimos moradas de Deus.
Quando olhamos para Jesus com o olhar do filho pródigo (Lc 15, 11ss), estamos abrindo um grande espaço em nosso interior para sermos curados. Quando Jesus curava os doentes olhava para eles especialmente para a abertura ao amor pela Fé. Jesus curava independente da lei judaica, pois para ele era mais importante a salvação da pessoa que um simples cumprir aparente (Lc 14, 01-07). Toda a mensagem de Jesus se relaciona com a cura do egoísmo. Do pensamento que o mundo gira em torno de nosso eu.
A Fé é capaz de nos curar e de curar os nossos irmãos. Somos consagrados a Deus pelo nosso batismo, todos nós exercemos o sacerdócio comum dos fiéis. O cristianismo é bonito pelo seu altruísmo. Somos parte da comunidade daqueles que crêem em Deus Trindade. Não podemos entender Deus sem utilizarmos o verbo sair. Deus saiu de si mesmo para nos criar com a finalidade de participarmos de sua felicidade. Só seremos felizes quando fizermos os outros felizes. Rezar pelos outros também é um método para nos livrarmos de nossas fraquezas e limitações.
Hoje percebemos muitos “cadáveres ambulantes”, pessoas que não sabem sua origem e nem seu fim. Não sabem quem as criou e para o que foram criados. As relações comerciais estão acima das relações humanas deteriorando profundamente o sentido da vida humana. Quando nos perguntamos o que somos e para onde vamos não nos conformamos com o consumismo que nos consome. Para piorar esta situação existe a manipulação da mídia.
Somos cristãos (portadores de Cristo pela nossa vida), dentro de um mundo descristianizado. As vezes podemos até participar ativamente da Igreja, mas estamos longe de viver os valores daquele que é o centro de nossa Fé. Só o amor poderá construir algo em nossa vida. Podemos perceber na recuperação dos dependentes e dos detentos, que a mensagem que eles necessitam é a realidade de que embora tenham cometidos muitas coisas más, ainda são amados por Deus. Nós até poderemos fazer uma tentativa de esquecer o nosso Criador, mas Ele é incapaz de passar um momento sem se lembrar de nós. As nossas dificuldades, do passado, do presente e do futuro devemos “entregar” a Deus. Elas não nos pertencem, estão fora de nós e poderão até servir para a nossa verdadeira realização. Devemos transformar os limões de nossa existência em limonada.
Quando olhamos para os mártires, vemos ao lado de suas figuras ou imagens o instrumento em que foram torturados. Eles abraçam estes instrumentos tão terríveis de uma forma tão afável e carinhosa que nos impressiona. Acredito que devemos olhar para a nossa história da mesma forma, os instrumentos de tortura que podem ser os aspectos negativos de nossa existência, devem ser vistos de uma outra forma. Um dia estaremos todos na eternidade e iremos rir de nossas limitações e ver que muitas vezes valorizamos em nossa vida aquilo que não tinha tanto valor e deixamos de lado o essencial.
Não podemos nos ancorar em nosso passado. Tudo passa, só Deus basta nos diz Santa Teresa por que ficarmos ancorados nas sombras de nossa vida sem vermos o sol do amor que Deus sente por nós?
Diante de Jesus vivo em nossa vida seremos curados. Vamos perceber tudo que nos passou de uma forma diferente. O amor irá absorver todas as nossas limitações. Se estamos amando o Amor nos transforma, buscamos mesmo na noite o essencial e somos transformados por ele.
O olhar para dentro de nós mesmos é essencial para sermos curados. Os dois verbos entrar e sair são fundamentais. Entramos dentro para sairmos para fora. O cristão se realiza no altruísmo e não no egoísmo.
Quando descobrimos que a nossa existência é importante para Deus e para os nossos irmãos nos comprometemos com a realidade. Isto podemos perceber na vida dos grandes personagens do Antigo Testamento. Moisés se compromete com o povo ao ver um judeu ser mal tratado. A compaixão fez com que ele perdesse a honra do Egito para ser um libertador do povo de Israel. A solidariedade nos impulsiona a fazermos o bem e até mesmo nos faz esquecer de nossas limitações. Moisés percebeu desde o início que era profundamente limitado para libertar o povo mas a missão o arrastou a fazer o bem. Elias tem uma profunda contemplação de Deus e não é por isto que não se sente limitado, pede até para morrer diante das dificuldades.
Jesus está presente na Eucaristia, ele quer nos olhar desde dentro, das nossas dificuldades. Quando nos colocamos na presença de Jesus Sacramentado a nossa vida é transformada. A troca de olhares é fundamental, precisamos nos abrir a momentos importantes de adoração em nossa vida. A reforma de toda a realidade, da nossa vocação, de todo nosso trabalho começa quando nos colocamos diante de Jesus.
Só o amor pode nos curar. Sabemos de fatos concretos de pessoas que se curaram após se sentirem amadas. Crianças deficientes que mal sabiam falar e após uma adoção com muito afeto se transformaram. Nós não sabemos amar, confundimos amor com sexo ou exploração da pessoa do outro. O mundo materialista procura materializar os nossos corações. Quando nos materializamos nos afastamos da realidade última de nossa vida, nos afastamos do Eterno.
Quando acontece um acidente não nos importamos com nosso braço quebrado se temos que socorrer alguém que está muito mal em nosso lado. Quando colocamos o nosso olhar no Eterno somos capazes de vencer nossa limitação para vermos o essencial.
A oração é o caminho mais seguro para sermos o que o Senhor quer de nós. Quando nos comunicamos com Ele nossa vida muda e vamos entendendo com misericórdia as limitações de nossos irmãos.

Padre Giribone - OMIVICAPE