segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A CURA DA SOGRA DE PEDRO




“JESUS CURA E LIBERTA AS PESSOAS DE FORMA INTEGRAL”.


Estar com Jesus é estar com a salvação. Ele nos liberta de todos os males, físicos e espirituais. Onde Jesus passava havia diversas curas. A verdadeira cura é a nossa conversão ao essencial. É uma transformação geral que acontece com toda a pessoa. Mais do que nosso físico corruptível devemos ser curados no centro de nossa alma aonde o Senhor quer habitar. Quando nos enchemos do Espírito Santo nos tornamos da mesma forma instrumentos de salvação de nossos irmãos. Seremos felizes quando soubermos a razão de nossa existência e vivermos de acordo com ela.




EVANGELHO (Mc 01, 29-39):
Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. A Sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. E andava por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.



“Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios”.

A passagem de Jesus fazia que as pessoas ficassem curadas. Não só de um mal físico, mas especialmente de um mal espiritual. O reinado de Deus leva as pessoas a uma paz interior capaz de curá-las de todos os males. A verdadeira cura acontece em todas as dimensões da pessoa especialmente quando ela descobre o sentido de sua vida. Percebemos muitas pessoas afastadas delas mesmas vivendo uma vida de angústia e sofrimento. Quando o homem se afasta da presença de Deus ele se afasta de sua própria felicidade. Somos desafiados a crescermos em todas as dimensões de nossa vida. Jesus nos apresenta uma libertação em todos os níveis numa profunda experiência do amor de Deus que nunca se afasta de nós por sermos suas criaturas e pela consagração batismal que qualifica esta realidade.
Somos criados conforme a imagem de Deus. O nosso criador está muito acima de nós. Tudo faz parte de um grande mistério. Por esta razão é muito difícil de nós nos conhecermos e nos entendermos numa dimensão mais profunda. As curas que Jesus realizava faziam que as pessoas vivessem uma nova dimensão. Não há cura sem conversão. Se vivermos uma total entrega numa amizade profunda com Jesus teremos também nós a experiência de sermos curados, pois todos somos enfermos pela presença do pecado no mundo.
É interessante de se observar como Jesus segura na mão da sogra de Pedro e ela se levanta e se põe a servir. O toque de Jesus é curativo porque Deus é o autor da vida. O poder divino de Jesus transforma todas as coisas em novas. Quando Ele nos toca nos transforma, nos capacita para vivermos uma vida nova cheia de alegria e paz. O fato de esta mulher sair e se por a serviço nos indica que a experiência de amor com Cristo nos leva a uma ação que não é mais vazia. A verdadeira evangelização é fruto de amor. Não é fruto de uma teoria vazia. Não adianta pensar e falar sem amar, pois é o amor que vai fazer a diferença em nossa vida.
Hoje temos muitas religiões do imediatismo que se utilizam de Cristo para seus próprios benefícios. É cultuado o “deus dos consolos” e não os “consolos de Deus” que passam pela cruz e pelo sacrifício oferecido. Quando esquecemos o valor da doação e do oferecimento começamos a pensar em nós mesmos. Estas religiões servem mais para um crescimento econômico dos pregadores do que para solucionar na raiz o problema existencial das pessoas. Oferecem soluções imediatas para problemas que tem grande profundidade. Normalmente os que abandonam a Igreja são pessoas fracas na fé que tem um nível cultural e espiritual insuficiente e com uma afetividade desajustada. Temos três grandes tesouros que jamais podemos abandonar pela pregação de qualquer pessoa que são a Palavra de Deus, a Eucaristia e a Devoção a Maria como intercessora e modelo de obediência a Deus. Tudo que fere estes grandes tesouros não vem de Deus.
Sem a fé com base no evangelho não poderemos entender o sentido do sofrimento que faz parte de nossa existência limitada em preparação para a eternidade onde estas características não terão mais influência sobre nós. Quando aprendemos o sentido da negação de nós mesmos, o despojamento de nosso egoísmo vamos aceitando a realidade de nossa vida e vencendo o imediatismo, o relativismo e o individualismo.
O que adiantaria sermos curados fisicamente se nossos sentimentos e nossa entrega a Deus não são curados? O que adianta termos tanta prosperidade se não nos amamos e somos solidários? Nesta crise de relacionamento que estamos vivendo precisamos recorrer ao que realmente pode nos ajudar. Precisamos buscar em Cristo, o verdadeiro amigo, uma vida de conversão e mudança em busca do essencial.

“Curai Senhor Jesus o nosso coração de todo fechamento ao vosso infinito amor”.





domingo, 25 de janeiro de 2015

AUTORIDADE DE JESUS

 


“AUTORIDADE NOS VEM PELA BUSCA DA VERDADE”.


Estamos dentro de uma sociedade que sofre terrivelmente pela falta de autoridades em diversos níveis. Fala-se demais e se vive pouco. Muitos planos e poucas realizações que beneficiem realmente a pessoa humana em todos os níveis. O plano de Deus é perfeito, Jesus é a verdadeira autoridade que nos mostra o caminho que nos conduz ao Pai. Ele é capaz de nos ensinar a verdade que nos tornará realmente livres. Só seremos livres quando ganharmos nossa autonomia diante de nossas fraquezas e limitações. Quando não formos dominados pela falsa idolatria do relativismo implantado no mundo pelas relações comerciais.




EVANGELHO (Mc 01, 21-28):
Na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galiléia.




“Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade”.

Deus escolheu o povo de Israel para manter, após a vinda de Cristo, contato com toda a humanidade. Não existem dúvidas sobre esta revelação ou intervenção direta d’Ele na história. Com o passar do tempo o povo hebreu perdeu o sentido mais profundo dos ensinamentos de Deus. Jesus vem pregar com autoridade o Reinado de Deus. Esta autoridade vem pelo próprio fato dele ser o Filho de Deus que veio para modificar o curso da história. O  Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós. As pessoas de boa vontade irão aceitar em suas vidas esta Boa Nova se salvando e se tornando instrumento de salvação para os irmãos já que o fenômeno do cristianismo sempre acontece em cadeia, nunca de forma isolada ou particular.
Jesus vai à sinagoga para refletir sobre a Palavra de Deus e cura os que precisam ser curados ou os que se deixam curar por ele. Hoje temos muitas pessoas dominadas por vários espíritos maus que as afastam da verdade, que os fazem perder o verdadeiro sentido de suas vidas. Jesus vem nos libertar de toda falsidade ideológica pregada pelo consumismo. Não estamos neste mundo para competir, mas para partilhar nossa existência com a existência de nossos irmãos. Crescer em comunidade é a raiz da verdadeira felicidade.
Os mestres da Lei estavam perdidos porque lhes faltava a experiência de Deus. Não adianta só conhecermos a verdade se não temos capacidade de direcionar nossa vida para o que ela nos apresenta. Hoje somos carentes de cristãos que vivenciem a Palavra. Sejam um sinal de testemunho de seu efeito em suas vidas. O testemunho fala muito mais alto que a teoria. Ele é que nos dá autoridade muito mais do que o acúmulo de teorias que possamos ter sobre o que seja melhor para o ser humano.
A pessoa autônoma é a que tem autoridade. É aquela que pode se dominar. Não se deixa manipular pelo lado “mais fácil”. Os valores econômicos hoje, estão acima dos valores afetivos. Este é o grande desafio do cristianismo. Lutar por um mundo novo, fraterno sem injustiças e que todos tenham o mínimo para sobreviver.



“Senhor Jesus, fazei que abramos nosso coração ao que o Senhor nos apresenta para sermos testemunhas da verdadeira alegria”.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

CHAMADO E CONVERSÃO


“QUANDO ABRIMOS NOSSO CORAÇÃO AO CHAMADO DE DEUS ESTAMOS DISPOSTOS A NOS CONVERTER”.

A conversão faz parte dos que querem seguir a Cristo. Os primeiros discípulos ao abandonarem as redes para seguir a Cristo nos mostram como é importante sermos disponíveis ao Senhor para encontramos a verdadeira felicidade. O verbo deixar faz parte da vida dos que querem adquirir os bens permanentes. O chamado de Deus tem três dimensões: o chamado, a resposta e a perseverança. Todas estas dimensões fazem parte do plano misterioso de Deus em relação a nossa salvação particular e comunitária. Dar uma resposta positiva e perseverante ao plano de Deus é mais difícil do que seguir as ideias que o mundo valoriza.




EVANGELHO (Mc 01, 14-20):
Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho!” E, passando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.


“Deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus”.

Percebemos que a pregação de Jesus é semelhante à pregação de João Batista em relação ao Reino que se aproxima e sua exigência de conversão. Devemos crer na Boa Nova da Salvação para alcançarmos à verdadeira felicidade. 
Crer significa deixar. Aquele que crê em Deus fará o possível para ter atitudes que se assemelhem com Ele. Deus “sai” de sua comodidade para criar o homem com a finalidade de participar de sua felicidade. O início da pregação de Jesus já envolve o chamado dos primeiros discípulos. É um mistério para nós descobrir o que fez que estes homens com suas famílias e profissões abandonassem tudo para seguir a Jesus. A rede era o sustento de suas vidas. Junto a ela estava todo o mundo afetivo que envolvia suas vidas. Eles não hesitaram em deixar o que lhes sustentava para se entregarem totalmente ao projeto de Deus. No evangelho de João este chamado é diferente, tem como base o testemunho de João Batista que leva seus discípulos a seguir Jesus (Jo 1, 35-42). Quando Deus se revela sempre vem a missão como acréscimo. É o preço dos que encontram a felicidade em Deus.
Vivemos dentro de uma sociedade materialista que leva ao individualismo. Estamos dentro de uma “arena de competição”. Esta visão de ser humano faz que as pessoas se esqueçam do essencial e busquem as satisfações momentâneas para anseios profundos que só o relacionamento com Deus poderá preencher.
O que significa converter-se dentro da realidade que nos encontramos? O mundo criado por Deus e o ser humano feito conforme sua imagem não está nesta realidade por uma simples coincidência. Deus nos criou para Ele. A verdadeira conversão é o retorno ao projeto do Criador o que exige da nossa parte uma profunda entrega. Não fomos criados para vivermos um amor superficial. Podemos entrar em contato com nosso Criador na parte mais íntima de nosso ser.
Hoje somos convidados a deixar as redes de nosso próprio egoísmo e sermos solidários e fraternos nos tornando fonte de felicidade para nossos irmãos. O que seria de nós se os primeiros discípulos não tivessem aceitado o chamado de Deus? Somos todos chamados à santidade que é uma vida de doação na vocação que vamos assumindo em nossa vida.
O seguimento de Jesus Cristo sempre envolve toda a comunidade. Quando nos propomos de forma real e verdadeira no seguimento, outros se comovem com esta realidade que nos envolve e deixam tudo para também seguir ao Senhor. O testemunho da verdadeira alegria é capaz de mudar o mundo.


 


“Senhor Jesus, nos ajude a viver a vida nova proposta pelo seu ensinamento para nos tornarmos instrumentos de salvação para nossos irmãos”.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

EIS O CORDEIRO DE DEUS


“O SEGUIMENTO DE JESUS EXIGE AMOR E DISPONIBILIDADE”.

Quando nos dispomos a seguir Jesus Cristo, precisamos nos despojar de nosso egoísmo e de nossos projetos particulares para assumirmos os valores do Reinado de Deus que tem como característica fundamental o amor solidário. O povo de Israel oferecia sacrifícios a Deus para remir seus pecados e se comunicar intimamente com Deus. Jesus irá substituir o cordeiro imolado, pois Jesus passa a ser o cordeiro que tira os pecados do mundo. Assume a função daquele que era sacrificado no templo para assumir toda nossa culpa a fim de nos redimir com o Pai. Não existe mais desculpa para o ser humano que deve reconhecer o amor de Deus que vem até nós para nos libertar do uso errado de nossa liberdade.




EVANGELHO (Jo 01, 35-42):
Naquele tempo, João estava de novo com dois de seus discípulos e, vendo Jesus passar disse: “Eis o cordeiro de Deus!” Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: “O que estais procurando?” Eles disseram: “Rabi (que quer dizer mestre), onde moras?” Jesus respondeu: “Vinde ver”. Foram, pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: “Encontramos o messias” (que quer dizer Cristo). Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer pedra).


“Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas”.
A vocação é um chamado misterioso de Deus, uma graça que não fica isolada em nós. Sempre vai em direção ao serviço dos irmãos. Deus se serve muitas vezes de mediadores para executar o seu chamado. Percebemos nesta passagem evangélica a forte influência de João Batista que anuncia a realidade da presença de Jesus como o enviado do Pai. Os seus discípulos mudam de estágio de seguimento. Vão à busca do messias para realizarem com mais perfeição a vontade de Deus. Ocorre uma influência no seguimento quando André vem anunciar a Simão quem havia encontrado. Percebemos neste caso o mistério da resposta de Pedro. Jesus irá lhe confiar à grande missão de ser seu sucessor na Igreja. A mudança de nome significa a mudança de missão. Simão de um simples pescador irá passar a ser a pedra fundamental na edificação da Igreja. Nesta passagem percebemos como Deus age dentro da comunidade. Procura os que estão inteiramente abertos ou disponíveis ao seu chamado. Sem humildade não podemos perceber o chamado de Deus.
Jesus é o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. O sacrifício antigo que havia no templo é substituído pelo sacrifício de Jesus por todos nós. Além deste sacrifício, fica a grande mensagem de Jesus e sua ação concreta através da Igreja com a sucessão apostólica. Não podemos separar a Igreja do Cristianismo, pois são realidades iguais. Seguir a Cristo exige o seguimento da Igreja e de seu magistério. Um Cristianismo sem Igreja é vazio, pois este é o plano de Deus manifestado em Pentecostes.
Para aceitarmos plenamente a figura de Jesus em nossa vida precisamos de um dado fundamental que é a vivência da fé. Crer na possibilidade de mudança através de Jesus é fundamental para nossa realização existencial. A sociedade pensa em elaboração de projetos vazios quando deixa Deus ausente do que planeja. Ela cai em um profundo esvaziamento do essencial quando se afasta do Criador.
Jesus quer morar dentro de nosso coração através de nossa aceitação. Quando estes primeiros homens fizeram o questionamento sobre sua moradia, Jesus manda que eles vejam a realidade do seguimento que exige despojamento. O seguimento de Cristo sempre será para todos os cristãos um grande desafio.

 

“Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo curai nosso egoísmo e vaidade para podermos fazer a vontade de Deus em nossas vidas”.




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO


“O REINO DE DEUS É CONCRETIZADO NA PRÁTICA DO BEM”.


A festa que declara Jesus como Rei do universo manifesta a grande realidade dos últimos tempos onde todas as coisas serão mudadas definitivamente pela vinda do Senhor. Os cristãos se preparam para esta realidade definitiva e misteriosa a partir da prática da justiça e da solidariedade entre todas as pessoas dos diversos povos e nações. Quando somos justos e praticamos o bem, evitando o mal, já estamos preparados para receber o Senhor. Esta celebração encerra o ano litúrgico. Recorda o grande objetivo daquilo que celebramos durante os diversos tempos litúrgicos do ano. Irão pertencer a este Reino as pessoas que procuraram fazer o bem mesmo com as suas limitações.


EVANGELHO (Mt 25,31-46):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e  ele separa uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde benditos de meu Pai! Recebei  como herança o reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu tive fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ Então o rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ Depois o rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não me fostes visitar’. E responderão também eles: ‘Senhor quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’ Então o rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’ Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.


“Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!”

Desde crianças lemos algo sobre os reis e suas histórias fantásticas. Reis que eram bons e maus. Os que se interessavam pelo bem comum e os que eram indiferentes. Desinteressados, desligados das necessidades do povo. Qual é a finalidade da verdadeira monarquia? Na história da monarquia os reis eram ungidos para defenderem o povo. Deveriam dar proteção especialmente aos mais fracos. Fazer o possível para que todos se sentissem bem. A celebração deste domingo recorda Jesus Cristo, Rei do universo. Se Ele reinasse em nossas famílias e em nossa vida, automaticamente teríamos um mundo bem melhor. Jesus Cristo veio instituir o Reinado de Deus que acontece em nosso coração em primeiro lugar e depois se expande para o mundo.
A passagem deste evangelho, em uma primeira instância parece ser um pouco dura demais. Talvez até o ponto de não percebermos a misericórdia de Deus que sempre se manifesta em todas as outras passagens. O fato é que Deus nos quer solidários naquilo que recebemos d’Ele. Somos obrigados a partilhar o que temos com os mais necessitados. A caridade é essencial para os que querem se salvar. Não poderão participar do Reino os que se fecharem em seu próprio egoísmo. O Reinado de Deus é o reinado do amor. O amor verdadeiro é abertura para o outro no esquecimento de si mesmo.
O que deve caracterizar a vida do cristão? Ver no necessitado a figura do Senhor que está presente no sofrimento de todas as suas criaturas. O “quando foi” neste evangelho é repetido várias vezes para que entre em nosso coração a realidade da presença de Jesus na vida dos que sofrem. O sofredor é assumido pelo Senhor como se fosse sua própria pessoa. Não adianta termos muitos bens ou até conhecermos em profundidade a verdade se não somos capazes de ver ao nosso lado o irmão que sofre. A vida do cristão deve se igualar a Cristo que deu sua vida para salvar a todos. A concretização do Reino de Deus, que sempre foi um grande desafio desde o Antigo Testamento, só irá acontecer a partir da solidariedade. Somos obrigados a promover a vida humana em todos os níveis.
Os necessitados ou empobrecidos são os que sofrem no sentido material e espiritual. Talvez os materialistas, que se fecham em seu próprio mundo, pensando erradamente serem os autores de sua felicidade, sejam bem mais pobres do que os que sofrem a fome e a miséria como consequência da falta de distribuição dos bens de forma mais justa e igualitária.
Estaremos preparados para receber o Senhor, quando gastarmos bem a nossa existência na concretização dos valores da mensagem de Jesus. O mundo individualista destrói a si mesmo com suas empresas que arrastam a humanidade a sua própria condenação.
O ser humano é muito mais que simples relações comerciais. Somos criados como imagem de Deus. Somos amados concretamente por Ele. Por isto surge a exigência da partilha, do respeito com os semelhantes que passam pelo mesmo processo de amor da parte de Deus. A solidariedade é consequência do amor que sentimos em nossos corações. Devemos nos empenhar em construir um mundo de fraternidade e justiça onde todos possam ser felizes. Somos responsáveis pela manutenção do bem dentro da sociedade.


 “Senhor Jesus venha reinar em nossas vidas para sermos instrumentos de transformação do mundo”.







domingo, 9 de novembro de 2014

A PARÁBOLA DOS TALENTOS


“DEVEMOS USAR TODOS OS TALENTOS PARA FAZER O BEM NESTA VIDA EM PREPARAÇÃO PARA A VIDA ETERNA”.



Saber administrar os bens materiais e espirituais que Deus nos dá é, sem dúvida alguma, o maior desafio que temos em nossa vida. Na realidade não somos donos de nada somos meros administradores dos dons de Deus. Ele nos criou a sua imagem e semelhança para podermos servi-lo com alegria nesta vida nos preparando para a vida definitiva. A parábola dos talentos nos questiona profundamente sobre a direção que damos a tudo que o Senhor nos concede de graças, dons, talentos, que na realidade não nos pertence. Recebemos um empréstimo para direcioná-los na prática do bem que irá definir o que receberemos na vida eterna.

 


EVANGELHO (Mt 25,14-30):

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: “Um homem ia viajar para um país estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregastes cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantastes e ceifas onde não semeastes. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!”



“Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado”.

A parábola dos talentos é um grande desafio para todos nós. Ficamos um pouco aborrecidos com esta frase de Jesus parecendo em um primeiro momento uma atitude muito severa da parte do Senhor. Coitado daquele que tem pouco. Terá menos e ainda lhe será tirado. Parece uma injustiça, pois o que tem menos deveria ganhar mais. Na realidade o que percebemos é que aqui se encontra a liberdade da pessoa na administração dos bens. Quando usamos tudo para o bem recebemos mais bem. Quando escondemos o bem, ficamos estagnados e esta atitude pode ser perigosa nos fazendo decrescer na virtude.
O preguiçoso não consegue usar os bens para o bem do próximo, fica fechado em si mesmo. Aqui percebemos que as maiores injustiças sociais que existem na humanidade são frutos de mera especulação. Investimentos virtuais que trazem a morte para pessoas inocentes.
O grande dilema de nossa existência é o saber administrar os dons e os bens que o Senhor nos dá constantemente. Os dons são qualidades humanas e espirituais que Deus nos dá para nos santificar e santificar os nossos irmãos. Os bens são as coisas materiais que devem ser direcionadas para a manutenção dos dons em favor da comunidade. Na realidade tudo é Graça de Deus que é um presente. Ela exige uma tarefa responsável da nossa parte através do uso correto de nossa liberdade.
O maior dom que nós recebemos de Deus é a nossa própria vida que deve ser vivida no amor e na solidariedade. O segundo dom é a Fé que faz que obedeçamos a Deus. A Fé é cultivada somente pela oração. Seremos felizes no momento em que começarmos a participar da felicidade de Deus na partilha de todos os dons e bens que Ele nos concede. Fomos criados para Ele e devemos ter os mesmos sentimentos d’Ele para sermos realmente felizes. Nada nos pertence. Somos administradores e devemos fazer de tudo para que este mundo seja melhor lutando contra o individualismo e tentando viver o altruísmo.
Podemos pensar que esta parábola não seja uma expressão de misericórdia para o que tem pouco. Mas na realidade todos têm as mesmas condições de praticar o bem. Cada um na sua medida. O que tinha recebido menos deveria ter produzido da mesma forma o dobro do pouco que havia recebido. Todos têm a mesma proporção de amor da parte de Deus. O que nos pode diferenciar é a missão na prática do bem de cada um que deve colaborar na construção do Reino. Não podemos esconder os dons que recebemos de Deus, pois na realidade eles não nos pertencem. Eles nos são dados para a edificação da comunidade.
O grande desafio que os cristãos sempre enfrentarão na prática da fé é o combate ao individualismo. Este leva a pessoa a fechar-se sobre si mesma pensando que é autora de sua felicidade. Muitos cristãos se fecham neles mesmos com medo das críticas dos outros que pode ter origem na inveja que não edifica nada. Quando somos realmente solidários em nossa vida, vamos descobrindo o que o Senhor nos pede. Aos poucos vencemos as nossas dificuldades e limitações e passamos a utilizar os dons que Ele nos concede em favor dos irmãos.
Pode acontecer no mundo individualista de hoje, que o que tenha mais esconda mais os seus dons. Nos bens espirituais acontece diferente, pois quem se envolve com a Graça de Deus imediatamente quer partilhar a felicidade profunda que sente em seu coração.
A nossa comunicação com Deus nunca nos leva ao fechamento, mas sim a preocupação com os demais. Por esta razão para sabermos administrar os dons que Deus nos dá necessitamos de uma vida profunda de oração, pois ela vai nos indicando como devemos agir.
A nossa conversão deve acontecer na linha do crescimento pessoal e comunitário. Devemos crescer no conhecimento de Deus, de nós mesmos e depois nos lançarmos na partilha do essencial.  
Vamos ter mais para apresentar ao Senhor na medida em que mais nos aprofundarmos no seu amor. O importante não é o que fazemos, mas sim o como fazemos. O nosso ser deve estar em processo de aceitação do amor de Deus para sabermos administrar a nossa existência em favor de nossos irmãos.



“Senhor Jesus nos ajude a viver a nossa vida sempre em processo de abertura para Vós e para nossos irmãos”.



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

SOLENIDADE DA CÁTEDRA DE LATRÃO


“FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DO LATRÃO”.

Celebramos neste próximo domingo a festa da dedicação da Basílica do Latrão. Catedral da Igreja de Roma. Esta igreja tem uma grande história sendo construída no século III (314-335). Foi uma propriedade doada pelo imperador Constantino fundada pelo papa Melquíades ao lado do palácio lateranense. Através desta comemoração se revigora a presidência da Caridade que a Igreja procura viver congregando todas as igrejas do mundo. A Basílica de São João de Latrão (em italiano: San Giovanni in Laterano), localizada na Praça Giovanni Paolo II em Roma, é a Catedral do Bispo de Roma: o Papa . Seu nome oficial é Archibasilica Sanctissimi Salvatoris (Arquibasílica do Santíssimo Salvador) e é considerada a "mãe" de todas as igrejas do mundo.
A Igreja católica decidiu dedicar-lhe todos os anos o dia santo de 9 de Novembro, como forma de celebrar a unidade e o respeito para com a Sé Romana.
Como catedral da Diocese de Roma, contém o trono papal (Cathedra Romana), o que a coloca acima de todas as igrejas do mundo, inclusive da Basílica de São Pedro. Tem o título honorífico de Omnium Urbis et Orbis Ecclesiarum Mater et Caput (Mãe e Cabeça de todas as Igrejas de Roma e do Mundo) * Fonte wikipedia.org


EVANGELHO (Jo 02, 13-22):

Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. No templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Ele respondeu: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei”. Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.




“Destruí este templo, e em três dias o levantarei”.

Jesus não despreza a longa tradição do povo de Israel. O templo era o lugar mais sagrado onde Deus habitava. Onde os sacrifícios eram oferecidos em favor do povo. Com o passar do tempo tornou-se um lugar de exploração comercial e política. Os partidos político-religiosos se aproveitavam da situação. Podemos afirmar que a relativização do templo foi um dos motivos principais da pena de morte que Jesus recebeu. Ele afirmou a ressurreição de seu corpo em três dias mostrando a importância de cada pessoa para o Criador. Jesus é o Cristo, enviado do Pai que está acima do templo material. Cada pessoa humana tem um valor infinito para o Criador. Se somos templo não iremos morrer, mas sim transformados.
Não temos nem idéia de quanto somos amados por Deus por sermos suas criaturas. Somos um templo vivo da graça do nosso Criador, Redentor e Santificador. Quando nos voltamos para o essencial em nossa vida percebemos que temos um grande valor. Toda a realidade de nossa existência se transforma. Nós, seres humanos sentimos uma necessidade profunda de amarmos e nos sentirmos amados.
Somos templo do Espírito Santo. Deus com seu amor habita em nosso ser. O mundo seria bem melhor se as pessoas tomassem consciência de que são amadas e que este amor provoca em nós um dinamismo extraordinário. Santa Teresa de Jesus compara a pessoa a um castelo que na sala mais central está presente o grande diamante do amor de Deus. Devemos fazer a longa viagem do mais externo para o mais interno de nosso ser para descobrirmos realmente o que somos.
O templo material é importante na medida em que faz que entremos em nós mesmos e percebamos o quanto somos um tesouro infinito, produto do amor da Santíssima Trindade. O espaço sagrado nos eleva e nos abre ao mistério da presença de Deus. Quando entramos em uma igreja sentimos algo que nos torna mais leves. Muitas pessoas fazem questão de entrar nas igrejas para sentirem paz. Mesmo aquelas que não têm uma prática religiosa sistemática.
Hoje há falta de unidade entre os cristãos. Existem muitas denominações religiosas que adotam o nome de Cristo. A pergunta que fica é se estamos respondendo ao apelo do Senhor de que no final dos tempos haverá um só rebanho e um só pastor. Somos convidados a buscar o essencial neste momento doloroso da nossa história. Há separações em todos os lados. Crise na proposta de comunidade solidária que é o eixo central da mensagem evangélica.
Jesus relativiza o templo não pela sua importância no sentido do culto, mas a importância absurda que se dava no comércio religioso que ele estava favorecendo. Muitas seitas hoje se aproveitam da miséria das pessoas para lucrar grande soma de dinheiro. O nome de Deus está sendo pronunciado em vão por muitos fundadores de igrejas. A pregação sobre a prosperidade material é o ponto chave destes nossos irmãos.
Precisamos nos conscientizar do essencial. Estudar muito a doutrina. Saber que a Igreja tem mais de dois mil anos de história que precisam ser analisados com calma. O que está por de trás da Igreja? Os homens com suas limitações ou o próprio Espírito Santo que passa por cima destas limitações e permanece na história.
A festa da Basílica do Latrão deve nos tornar ainda mais conscientes sobre o amor que temos que dar a nossa Igreja e ao reconhecimento de que somos também parte itinerante desta Igreja viva.


“Venha habitar em nossa vida Senhor Jesus”.