sexta-feira, 20 de junho de 2014

NÃO TENHAIS MEDO

 


“OS CRISTÃOS SÃO TESTEMUNHAS VIVAS DA PRESENÇA DE DEUS NO MUNDO”.


Os cristãos desde o momento em que são batizados e ungidos no peito com o óleo dos catecúmenos são perseguidos e sempre desafiados no seguimento de Jesus Cristo. Muitas vezes seremos desprezados por acreditar que Jesus está vivo no meio de nós. A fé cristã não é uma mera filosofia, não é um seguimento ideológico. Crer em Cristo é tentar viver os valores que ele nos deixou. Estes valores têm uma profundidade altruísta, ou seja, quando aderimos ao mistério cristão somos convidados a partilhar. Não existe lugar para o cristão em um mundo de compra e venda de mercadorias que tem fundamento nas relações comerciais. A lei que impera no cristianismo é a fraternidade e a solidariedade em oposição ao utilitarismo reinante na sociedade.

 

EVANGELHO (Mt 10,26-33):

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! Não se vedem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento de vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contatos. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus”.


“Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante de meu Pai que está nos céus”.

O seguimento de Jesus exige uma entrega total, sem reservas e sem medo. Não podemos temer os valores transitórios da sociedade. Devemos estar prontos para o que o Senhor nos pede. Como cristãos devemos estar com nosso olhar voltado para o eterno. Este olhar vai mudando os nossos valores e aos poucos, passamos a direcionar o nosso ideal para o bem comum. Na realidade o cristão é um eterno inconformado com o relativismo do mundo. A busca pelo essencial faz de sua vida um “incômodo” para os que se alimentam de alegrias momentâneas.
Estamos sempre na presença de Deus e devemos cultivar esta realidade para sermos felizes. O desafio do seguimento sempre será conforme a resposta que dermos ao Senhor. Deus sabe tudo sobre nós. Ele deseja nos promover constantemente para termos a ventura de estarmos sempre com Ele na eternidade.
Não podemos nos perder numa defesa de Jesus teórica. Jesus precisa antes ser conhecido e amado. Somos convidados a termos uma experiência de amizade com Ele em nossas vidas. Quanto mais profunda for a nossa amizade com Jesus, que é cultivada na oração, mais renúncias irão surgir em relação às alegrias superficiais que o mundo nos oferece. Nossa amizade com Jesus vai transformando a nossa vida e fazendo de nós novas criaturas. A oração transforma porque todo diálogo sincero muda seus interlocutores. No momento em que dialogamos com o Senhor descobrimos o que ele deseja de nós e mudamos a direção de nossa vida.
Podemos sentir em nosso coração certa angústia por percebermos o desprezo de muitas pessoas daquilo que optamos por causa de Jesus. Precisamos cultivar a nossa Fé e sentir em nosso coração que só o verdadeiro amor pode preencher a nossa vida. Não podemos nos considerar perdedores por sermos a minoria que não é manipulada pela grande mídia controlada pelas relações comerciais. Percebemos que esta tenta destruir a família e o sacerdócio de Cristo com seus representantes. A mídia manipulada é responsável por toda miséria que a sociedade se encontra em termos morais e religiosos.
A negação de Jesus é a nossa própria condenação e infelicidade. Nada se iguala a verdadeira felicidade que ele nos oferece, mesmo não sendo aparente como as alegrias superficiais que aparecem sendo promovidas pela sociedade.
Devemos buscar constantemente a santidade que consiste em se deixar amar por Deus em todos os momentos e com todas as limitações de nossa vida. Os santos souberam ser sensíveis à realidade do amor de Deus. Eles não perderam tempo. Souberam amar o que merecia ser amado.
A perda que temos diante do mundo é vitória diante de Deus. Não podemos cansar de praticar o bem mesmo sendo desprezados. O importante é a raiz de nossa existência, o sentido mais profundo de nossa vida que só encontraremos em nosso relacionamento com o Criador. Aqueles que buscam a santidade passam a amar o que o mundo odeia e odiar o que o mundo ama.


“Dá-nos coragem Senhor para amá-lo e defendê-lo em todos os momentos de nossa vida.”



segunda-feira, 16 de junho de 2014

SANTÍSSIMO SACRAMENTO


“LOUVAMOS E ADORAMOS A JESUS PRESENTE NA SANTÍSSIMA EUCARISTIA”.

A  Santíssima Eucaristia é um grande mistério de amor que aceitamos pela fé. Ela nos foi dada desde o início da Igreja. Quando o sacerdote acaba de consagrá-la ele diz: Eis o mistério da Fé. É o principal mistério da presença viva do ressuscitado que nos acompanha em nossa história. O amor exige presença. Deus está presente de uma forma real e única no Sacramento da Eucaristia. A Igreja superou muitas situações difíceis graças à realidade da presença de Jesus na Hóstia Consagrada. Hoje, infelizmente sofremos a dor de tantas denominações cristãs que se dividem cada vez mais por falta de uma real compreensão da Santíssima Eucaristia.

 

EVANGELHO (Jo 06, 51-58):

Naquele tempo, Jesus disse às multidões dos judeus: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é minha carne dada para a vida do mundo”. Os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me recebe como alimento viverá por causa de mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”.



“Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Aquele que come este pão viverá para sempre”.

O capítulo seis do evangelho de São João é conhecido como o grande discurso sobre o Pão da Vida. Ele passa ser um divisor de águas no seguimento de Cristo até em nossos dias. Foi a partir deste momento que muitos deixaram Jesus por acharem suas palavras muito duras.
É interessante perceber que Jesus coloca a Eucaristia como condição para se alcançar à vida eterna. Nesta afirmação está contido algo essencial e imprescindível para a nossa salvação. O alimento se torna vida dentro de nós. Quando recebemos Jesus na comunhão estamos recebendo a sua pessoa que muda a nossa vida desde dentro. A Eucaristia é o alimento espiritual que nos ajuda na opção pelo bem e na coragem de nos afastarmos do mal.
A presença de Jesus é tão real na Eucaristia que quando deixamos de comungar sentimos um grande vazio. Parece que nos falta algo. Mesmo as pessoas que mudam de religião reconhecem esta falta. Percebemos nos retiros e grandes encontros que quando Jesus entra no ostensório as pessoas se transformam. Muitas choram e se emocionam, sentem em seus corações o perdão e a misericórdia do Senhor o que é fundamental para uma mudança de vida.  Há uma transformação clara de comportamento o que garante que Jesus não está ali simbolizado, mas vivo de forma verdadeira.
Na Eucaristia acontece a “transubstanciação”, ou seja, após a consagração com as palavras que Jesus proferiu na última ceia, o sacerdote devidamente ordenado transforma o pão e o vinho em Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Nós não podemos viver longe desta grande realidade ou seguirmos palavras vazias de pessoas que querem nos afastar desta realidade.
Temos ainda hoje milagres como o de Lanciano que comprovam a permanência real de Jesus na Eucaristia. Este milagre ainda hoje, após tantos séculos do ocorrido, surpreende médicos e cientistas quando examinam o pedaço de carne e o sangue coagulado que lá se encontra de forma intacta e incorrupta.
A presença de Jesus no Sacramento da Eucaristia é a principal graça que temos como herança para a nossa salvação. Quando aceitamos a Cristo o aceitamos como um todo. Jesus é o novo cordeiro que tira os pecados do mundo. A Eucaristia deve nos levar a prática da verdadeira caridade e o amor a todos sem exceção.
Não podemos receber Jesus de forma indigna, pois seria para ele uma grande ofensa. Por esta razão mesma é que temos o Sacramento da Reconciliação instituído também pelo próprio Senhor após a sua ressurreição (Jo 20, 22-23). Deus deseja se unir a nós, mesmo sabendo de nossas fraquezas. É através da Eucaristia que iniciamos um processo de fortalecimento de nossa vida de Fé.
A Eucaristia serve como alimento salutar, como sacramento de cura para nosso egoísmo. Ela é vida que se reparte. Por esta razão precisamos nos tornar a extensão da Eucaristia que celebramos. Ela serve para conservar e cultivar a Graça de Deus em nós. Exige de nós uma verdadeira abertura de coração, vencendo toda a nossa racionalidade, purificando todo o nosso egoísmo. A presença de Jesus na Eucaristia é remédio para a humanidade, ela nos ajuda a sermos solidários, a repartirmos nossa existência com a existência de nossos irmãos.
Nesta quinta-feira em várias comunidades teremos a procissão com Jesus Sacramentado. Não podemos esquecer-nos do sentido espiritual que tem esta procissão por nossas ruas que são preparadas para a passagem de Jesus sobre a espécie Eucarística. Este momento é um momento de muita devoção. Nele acontece a cura dos corações de muitas pessoas que não tem a real consciência deste Grande Mistério.
O fato de Jesus caminhar conosco é muito importante, pois Ele deve fazer parte de nossas vidas. Da realidade de nosso cotidiano. Quando Jesus estava no meio de seu povo seu olhar se voltava para todos, especialmente para os doentes e necessitados. Ao olharmos para o Ostensório contendo a Hóstia Consagrada, nesta quinta-feira, vamos pedir a Jesus uma renovação total de nossas vidas. A libertação do pecado e uma vida de profunda fraternidade.
Deus nos ama tanto que quer fazer parte de nossa vida. Esta festa nos alegra muito e nos compromete a vivermos a mensagem de Cristo contida nos Evangelhos.

“Venha nos curar Senhor Jesus através desta passagem no meio de nós.”


COMO COMEÇOU A DEVOÇÃO DA FESTA DO CORPUS CHRISTI.

Ao redor o ano 1000 se despertou um grande entusiasmo eucarístico. Isto ocorreu devido a questões que surgiram para defender o mistério eucarístico contra heresias que surgiram colocando dúvidas sobre este sacramento.
O motivo principal para a instituição desta festa foi a revelação que teve Santa Juliana de Carmellón, Liège (Bélgica, 1193-1298). A ela deu-se o fato de uma aparição ou sonho de um disco luminoso com uma franja escura. A interpretação deste fato foi que o disco luminoso significava o ano litúrgico e a franja escura o vazio que se encontrava nele pela ausência de uma festa em honra ao Santíssimo Corpo de Cristo. Santa Juliana falou do acontecido ao seu confessor, que comunicou o fato a vários teólogos com o fim de indagar seus pareceres. Entre eles se encontrava o provincial dos dominicanos Hugo de Thierry e o cônego de Liège Jacques de Troyes. Este insistiu ao bispo Roberto para que a festa fosse estabelecida na diocese de Liège, e assim o fez em 1246.
Anos mais tarde Jacques de Troyes foi eleito Papa com o nome de Urbano IV. O interessante é que ele mesmo não estava mais tão interessado em introduzir a festa como uma solenidade universal.
Por esta época aconteceu um fato milagroso sucedido em Bolsena, segundo o qual um sacerdote peregrino sentiu grandes dúvidas sobre a presença eucarística ao celebrar a missa na igreja de Santa Cristina. Da Hóstia Consagrada saíram algumas gotas de sangue que mancharam o corporal. Ao saber do acontecido, o Papa Urbano IV quis ver os corporais e mandou trazê-los a Orvieto, onde estava e neste local se encontram até hoje. Este fato influenciou  ao Papa a estabelecer na Igreja universal a festa do Corpus.
A procissão do Corpus aconteceu mais tarde sendo que as primeiras tiveram início em Colônia. Ao princípio se levava o Santíssimo fechado na píxide. Aos poucos se queria ver a Hóstia Consagrada e assim apareceram as Custódias ou Ostensórios para que todos pudessem contemplar a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento.
Obs. Estes dados foram retirados do Curso de Liturgia da Biblioteca de Autores Cristãos,  Madri, 1961.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

SANTÍSSIMA TRINDADE



“FOMOS CRIADOS PARA O ETERNO CONVÍVIO COM A SANTÍSSIMA TRINDADE”.

O  Criador sempre tem uma relação profunda com a criatura. No fundo da criatura existe uma grande atração pelo Criador. Deus é infinitamente perfeito e com seu infinito amor quer que façamos parte de sua felicidade. A compreensão do sentido profundo do mistério da Santíssima Trindade é desconhecido por nós. Somos limitados para conhecermos a Deus em sua totalidade. A nossa experiência acontece pelo efeito que sentimos de sua presença em nossa vida. O grande sinal de Deus é a paz que sentimos no fundo de nosso coração. Deus é um só em três pessoas. Ele é Criador (Pai), Salvador (Filho) e Santificador (Espírito Santo). Nos criou para participarmos de sua felicidade. Poderíamos fazer uma comparação com a história de Pinóquio. O construtor de bonecos queria que um deles fosse um menino para que ele pudesse partilhar sua vida. Deus não tinha necessidade de nos criar, mas desejou que participássemos de sua felicidade. Nesta realidade encontramos o sentido profundo da existência humana. Deus é amor e só no amor iremos entender quem é Deus e qual a nossa missão neste mundo.




EVANGELHO (Jo 03,16-18):

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.


“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna”.

O pré-requisito para tratarmos qualquer assunto sobre Deus e sua relação com a pessoa é o dado da Fé. Ela é um processo de aceitação do mistério da presença de Deus em nossa vida. Não podemos falar nada sobre Deus se não vermos numa perspectiva do mistério. As coisas de Deus não são palpáveis por nós. Para conhecermos a relação do Criador com a criatura usamos a razão como instrumento, mas não como um fim em si, ou seja, nas coisas de Deus perdemos a base para entrarmos em um mundo que só se explica por aqueles que entendem o que é o amor.
O cristianismo se fundamenta no mistério da Santíssima Trindade. Se aceitarmos a Deus através da fé seremos salvos, ou seja, iremos participar definitivamente da felicidade que Ele nos preparou.
O Pai nos Cria, o Filho nos Salva e o Espírito Santo nos Santifica. Deus age diretamente em nossa vida. Fomos criados à sua imagem e semelhança. É o amor que nos une com Deus e nos faz criaturas novas. O pecado, que é mal uso de nossa liberdade, é uma tentativa frustrada de o homem pensar ser feliz sem Deus. Ele nos desligou do sentido de nossa existência. Jesus, o Filho, vem ao nosso encontro para nos salvar, pois não poderíamos salvar a nós mesmos. Com Jesus experimentamos a misericórdia do Senhor que vem para nos ensinar o essencial que o pecado dispersou. Para nos ajudar na tarefa de assimilação do amor de Deus vem o Divino Espírito Santo. Vem nos dar a força necessária para nos abrirmos e reconhecermos o amor estável de Deus.
Muitas pessoas na história da humanidade tentaram definir o amor. Dentro do cristianismo o amor é uma força de doação altruísta. É saída de si mesmo para completar o outro.  Deus dá seu próprio Filho para nos salvar. Se não sairmos de nós mesmos não iremos conhecer a verdade. O mundo não poderá ser feliz buscando a si mesmo. O individualismo já provou de per si, que não é fonte de realização para ninguém. Já estamos colhendo os frutos do individualismo na sociedade com tantos sinais de morte presente na busca de satisfações momentâneas. Vemos o mundo dos entorpecentes matando crianças, jovens e velhos com a grande mídia totalmente indiferente e desunindo cada vez mais as famílias.
Festejar a Trindade é celebrar a nossa felicidade eterna, pois Deus não nos criou para a morte, Ele nos fez para vivermos junto a Ele. Esta vida é uma preparação para a vida definitiva. Hoje ainda somos limitados por nossas fraquezas e vícios. Na convivência definitiva com Deus não sentiremos mais o peso de nossas imperfeições. Quando nossa oração sistemática é mais profunda vamos nos comunicando com a Trindade. Começamos a perceber sua presença constante em nossa vida. A alegria verdadeira invade nossa alma e somos extremamente felizes.
Precisamos fortalecer nossa fé através da oração e da prática da caridade. Somos profundamente limitados. Devemos praticar o bem para irmos nos configurando com Deus que é puro amor. Quando oramos estamos nos conscientizando da “presença de Deus” em nossa vida e vamos buscando os verdadeiros valores que mudam a nossa mentalidade e a dos que convivem conosco.


“Ajuda-nos a reconhecer Senhor que sempre estás no meio de nós”.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

PENTECOSTES - A FESTA DO ESPÍRITO SANTO


 

“O ESPÍRITO SANTO ABRE NOSSO CORAÇÃO AO AMOR DE DEUS”.

Celebramos neste domingo a festa de Pentecostes que nos recorda a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos com Maria Santíssima. Na antiga tradição judaica era a festa da Aliança e do dom da Lei. Recordava o recebimento das tábuas da Lei dadas a Moisés (Ex 20, 01-21). Era também associada às colheitas, à riqueza da vida, aos frutos do campo e do trabalho do homem. Celebrada cinquenta dias após a Páscoa. A festa cristã de Pentecostes celebra a vinda do "Espírito Santo" (At 2, 01-11). Ela conserva também esse sentido de plenitude. É o tempo da colheita, da Vida Nova. É tempo de viver e aproveitar os Dons que o Senhor nos dá para nossa santificação. Nesta festa comemoramos o início da Igreja quando os Apóstolos “tomam consciência” do grande mistério que envolveu suas vidas com a presença do ressuscitado saindo para a missão universal.


I LEITURA (At 02, 01-11):
Quando chegou o dia de pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheio de espanto e de admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos em nossa própria língua? Nós que somos pertos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”


EVANGELHO (Jo 20,19-23):
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.  Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A Paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.




“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”.
A vinda do Espírito Santo transformou a história da humanidade. A partir deste momento os discípulos de Jesus não terão mais medo de anunciarem que ele é o Cristo, o ungido, o Filho de Deus que veio nos salvar. A grande realidade que ele está vivo no meio de nós. Celebrar pentecostes é recordar o momento em que os discípulos de Jesus se tornaram Apóstolos. De seguidores de Jesus como mestre, começam a dar testemunho dele como Senhor Ressuscitado (Kyrios). O seguimento antes de pentecostes era desde fora. Após a experiência no Espírito Santo, eles terão um seguimento desde dentro. De agora em diante será uma amizade com o Cristo Vivo que se manifesta dentro da comunidade e nos sacramentos que nascem da Igreja.
A leitura histórica do cristianismo deve ser feita de trás para frente a partir de Pentecostes. A Efusão do Espírito Santo transformou a vida destas primeiras pessoas e até hoje realiza a mesma transformação. Ela é provocada pela tomada de consciência de que somos amados por Deus. Não estamos “soltos” sem apoio, pois o Senhor está conosco. Quando descobrimos esta realidade não temos mais medo de anunciar a verdade e experimentamos em nosso interior a verdadeira alegria.
Podemos afirmar que em pentecostes se cumpre a antiga promessa que Deus fez a Abraão que foi o primeiro homem a receber a revelação do amor de Deus em sua vida (Gn 15). A “grande promessa” se cumpre, pois esta revelação chega a sua plenitude. Deus vem até nós com seu Espírito e jamais irá nos deixar.
A linguagem nova dos apóstolos não será mais uma simples teoria filosófica ou teológica. É fruto da graça santificante que se transforma em linguagem universal. Por esta razão eles são entendidos enquanto discursavam. Eles irão anunciar as maravilhas de Deus que irá tocar o coração dos judeus e de todas as pessoas de boa vontade.
A experiência com o Espírito Santo é transformadora de nossa vida. Quando refletimos sobre o mistério de Pentecostes temos que sempre utilizar o verbo transformar. O egoísmo já não tem lugar na vida do que experimenta o amor de Deus. A palavra transformação é sinônimo de conversão. De agora em diante tudo será dissolvido no amor de Deus. Quando isto acontece as coisas do mundo se tornam enjoadas. O mundo não exerce nenhuma atração sobre os que vivem sobre o amor. A paz do coração toma lugar da angústia do materialismo e da sensualidade. Aí entendemos a atitude dos mártires que morriam felizes em meio as torturas que sofriam.
Após pentecostes, a compreensão do sentido da vinda de Jesus é mais clara e a Igreja toma a sua forma como comunidade daqueles que acreditam em Deus e em seu projeto. Ela irá dar continuidade através da transmissão apostólica das graças recebidas com a vinda de Cristo. Não existe cristão fora da Igreja. Todos que são batizados legitimamente pertencem a ela mesmo que não queiram ou não saibam desta realidade. Só existe um cristianismo e uma só Igreja de Cristo. Por esta razão nossa catequese deve ser cada vez mais sólida ensinando ao povo a verdade que realmente liberta.
Jesus envia o Espírito Santo para que possamos ter uma experiência profunda de perdão e misericórdia. Só quando nos sentimos perdoados e nos capacitamos para aceitar o amor de Deus começamos a experimentar em nosso coração a paz de consciência. Em Pentecostes se celebra a vitória sobre o pecado, a vitória sobre nossas limitações, pois tomamos consciência de que o amor de Deus por nós é maior do que todas as coisas. Somos amados acima de nossas limitações. Os apóstolos e seus sucessores são revestidos do poder de perdoar os pecados. Este poder não é humano, mas vem diretamente do coração de Deus que ama suas criaturas. Lembramos que Jesus antes de curar fisicamente algum enfermo, sempre perdoava os seus pecados. A experiência de perdão é capaz de curar qualquer enfermidade.
A paz é consequência da certeza do porque existimos. O sacramento da Reconciliação é muito importante para nós, especialmente no sentido de abrir nosso coração ao amor de Deus. Existe um grande número de pessoas sofrendo de depressão, justamente porque o amor de Deus ainda não conseguiu penetrar profundamente em suas vidas. Quando recebemos o perdão de Deus nos tornamos novas criaturas com uma alegria infinita.
Não podemos deixar de pedir ao Senhor a Graça do Espírito Santo em todas as atividades que vamos empreender, especialmente naquelas que sejam relacionadas com a caridade, para não errarmos o caminho e concretizarmos efetivamente a vontade de Deus.
Quando estamos envolvidos pelo Espírito Santo somos criaturas novas. Nosso amor se reparte para toda humanidade, somos promotores da unidade e da verdade que nos torna livres. A alegria invade nosso coração, vencemos a discórdia e o espírito anti comunitário reinante na sociedade comercial que vivemos. O ser humano é muito mais do que compra e venda. Somos amados por Deus e estamos a caminho de uma união definitiva com Ele.


 “Divino Espírito Santo, consumi em mim tudo aquilo que me impede que eu me consuma em Vós”.