segunda-feira, 19 de maio de 2014

O AMOR DE DEUS POR NÓS É PERMANENTE

 


“NÃO HÁ O QUE TEMER, POIS O SENHOR VIVE CONOSCO”.



Não podemos afirmar que amamos a Deus se não estivermos em processo de conversão. No momento em que nos sentimos amados por Deus e sabemos qual é a sua vontade mudamos o direcionamento de nossas vidas. Jesus nos promete que não nos deixará órfãos. O Espírito Santo estará presente em nossa vida para nos ajudar em nosso processo de transformação naquilo que Deus planejou para nós. O amor transforma o egoísmo em altruísmo. O cristianismo que procura atualizar a presença de Cristo através dos cristãos tem a grande missão de levar amor e promover a vida dentro do mundo.



EVANGELHO (Jo 14,15-21):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no Pai e vós em mim e eu em vós. Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”.  
     

 

“Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”.       


O ato de amar sempre é exigente e transformante. Exige uma presença mais profunda que vai ter como consequência uma transformação. O amor não tem base no relativismo. Quando amamos de verdade somos capazes de entregar a nossa vida. Ele é um gesto de saída de nós mesmos para a complementação do outro. Jesus nos amou até as últimas consequências: deu sua própria vida para nos salvar. Diante deste gesto não temos mais desculpas para seguirmos na superficialidade.
Jesus se deu para nós e nos envia o Espírito Santo que sempre irá nos recordar que somos profundamente amados por Deus. Devemos sempre praticar o bem e evitar o mal em nossas vidas para alcançarmos a verdadeira felicidade. O Divino Espírito Santo irá nos ajudar a vivermos uma vida nova sobre o senhorio de Jesus Cristo. Iremos tentar descobrir o que o Senhor quer de nós e ter a coragem de viver seus valores dentro do mundo.
Estamos vivendo sobre a dominação do relativismo que nos arrasta a uma realidade fora do objetivo para o qual fomos criados por Deus. O amor de Deus tem uma lógica: Ele quer que façamos parte de sua felicidade. Ele nos apresenta um caminho que devemos seguir mesmo que sejamos muitas vezes desprezados pela maioria alienada pela força dos meios de comunicação. O mundo promove falsas notícias e falsas idéias que nos afastam de nossa realidade. Alienam-nos do projeto de Deus para nossas vidas. Ele se manifesta em nossa existência de uma forma misteriosa e sobrenatural. Necessitamos do cultivo de uma profunda espiritualidade para sairmos da teia armada pelas relações comerciais. A compra e a venda de mercadorias estão acima da pessoa e de suas relações mais profundas.
O texto apresentado por este Evangelho é de uma riqueza extraordinária. Especialmente no que se refere ao mistério central da Fé cristã em relação à Trindade Santíssima. A espiritualidade cristã coloca Jesus como o centro da revelação trinitária. Ela é Cristocêntrica-Trinitária. Cristocêntrica porque é por meio de Jesus Cristo que encontramos o Pai. Ele é o único caminho de saída e chegada ao Criador. Passa a ser Trinitária, porque Jesus nos envia o Espírito Santo para podermos amar do jeito que Deus ama. O mistério da Trindade passa na vida dos que querem obedecer a Deus vivendo na sua Graça.
Não existe amor sem a concretização da vontade do amado. Deus tem um plano para realizar a pessoa dentro de sua originalidade.  Não é uma realização superficial, momentânea, que não a faz feliz, mas frustrada. A pessoa humana nunca será feliz longe do Criador. Ele é o único que pode nos “dizer” o que devemos fazer para sermos felizes.
O Espírito Santo permanece conosco para nos ajudar na manutenção do amor. Ele está dentro de nós desde o nosso Santo Batismo. Esta realidade nos deve encher de confiança e alegria no Senhor. O cristão não pode ter medo da realidade. Deve ser um arauto da verdade que irá nos tornar realmente livres.
É uma grande alegria saber que não estamos órfãos. Deus jamais nos abandona, mesmo que nós o abandonemos com nossas ações impensadas. Ele é infinitamente misericordioso e sempre nos procura apesar de nossas fraquezas.
A ação boa só pode ter raiz no bem. Aqueles que fazem a justiça e vivem a solidariedade amam a Deus e fazem a sua vontade. A nossa relação com a Trindade faz que sejamos construtores de uma realidade que reflete a bondade de Deus. O nosso esforço deve ser no sentido de aumentar cada vez mais o nosso relacionamento com Deus, o nosso diálogo, para podermos efetivar sua vontade dentro da realidade. A oração sistemática com a leitura da Palavra de Deus vão aos poucos nos mostrando o caminho a seguir.
Nós desejamos em profundidade a manifestação de Jesus em nossa vida. Queremos nos tornar cada vez mais seus amigos para sermos instrumentos de transformação da sociedade. O mundo só será melhor quando for transformado desde suas raízes. O relacionamento profundo com Deus nos transforma e nos faz verdadeiros agentes de transformação do mundo.


“Senhor Jesus, envia o Espírito Santo sobre nós para vivermos conforme sua santa vontade”.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

JESUS É O ÚNICO CAMINHO QUE NOS LEVA AO PAI

 

“JESUS É O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”.

Quando aderimos verdadeiramente à pessoa de Jesus em nossas vidas, procuramos de imediato realizar o que ele nos pediu. O conhecimento de Jesus não está numa linha puramente intelectual. Exige uma adesão consciente ligada a nossa existência. Seguir a Cristo não é uma tarefa fácil. Somos limitados em nosso seguimento porque somos criaturas frágeis. Ninguém é melhor do que ninguém no seguimento de Jesus. Devemos refletir com humildade sobre seus ensinamentos e segui-lo com amor. Ele está no meio de nós e nos ajuda nesta peregrinação que findará no dia que deixarmos este mundo.


                                         
EVANGELHO (Jo 14, 01-12):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também.  Na casa de meu Pai há muitas moradas.  Se assim não fosse, eu vos teria dito.  Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós.  E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”.   Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu:  “Eu sou o caminho a verdade e a vida.  Ninguém vai ao Pai senão por mim.  Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.  E desde agora o conheceis e o vistes”.  Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe?  Quem me viu, viu o Pai.  Como é que tu dizes:  ‘Mostra-nos o Pai?’  Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?  As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras.  Acreditai-me:  eu estou no Pai e o Pai está em mim.  Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras.  Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas.  Pois eu vou para o Pai”.



“Eu sou o caminho a verdade e a vida”. 

O  capítulo quatorze do Evangelho de São João é de grande riqueza para nós no sentido de nos levar a uma verdadeira espiritualidade. Jesus nos afirma a existência de muitas moradas na casa do Pai. Esta morada é a comunhão plena do homem em suas relações consigo, com Deus, com os outros dentro do mundo. Somos diferentes em nossa forma de correspondência ao amor que Deus sente por nós, mas temos a mesma origem divina. Santa Teresa de Jesus dedicou uma de suas obras a este tema afirmando que no centro do castelo (em nosso ser) Deus habita. Devemos vencer a nós mesmos através do despojamento para conhecermos realmente o que somos. Quando isto acontece estamos preparados para termos uma profunda experiência com Jesus que vai nos levar a verdadeira paz.
As afirmações de Jesus sobre si mesmo definem a essência de nossa fé: o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele é o caminho, não um dos caminhos que conduz ao Pai. Ele é a verdade, não uma das verdades pregadas sobre o ser humano e sua finalidade existencial. Ele é a vida nova que perdemos pela ação nefasta do pecado no mundo. O relativismo presente na história nos arrasta ao individualismo fazendo que esqueçamos a nossa verdadeira finalidade. O regime político que a humanidade vive na atualidade é a ditadura do relativismo que nos obriga a comprar o que não precisamos.
Filipe nesta passagem pode representar cada um de nós que fomos batizados na mesma fé, mas ainda não conhecemos totalmente quem é o Senhor. Ele irá se enganar no momento que pede uma manifestação apoteótica do Pai. Jesus revela quem é o Pai e qual é o seu plano. Bem diferente do que os discípulos imaginavam. O mesmo pode acontecer conosco hoje. Já “conhecemos” a Jesus talvez de uma forma mais teórica sem aderir realmente ao seu projeto.
Esta passagem do Evangelho nos fala sobre a Fé. Quem crer de coração será salvo porque automaticamente fará o que Deus quer. Quem tem fé ama de verdade dentro da realidade que se encontra. Aqui encontramos a resposta para Pilatos que pergunta para Jesus sobre o que é a verdade (Jo 18, 38). Assim como Pilatos são muitas pessoas hoje que se consideram poderosas que confiam em suas próprias forças, mas não sabem responder a si mesmos o porquê existem. Muitas filosofias de vida colocam a pessoa como centro se afastando do Criador. A pessoa sozinha não pode fazer nada ela depende de seu Criador. Ele tem um plano que temos que seguir para sentirmos a Paz que o Senhor Ressuscitado nos promete em meio às provações.
Quando aceitamos a Cristo, concretizamos em nossa vida o que Ele realizou. O mistério da pessoa de Jesus continua nos surpreendendo ainda hoje. Os discípulos, sem a experiência de pentecostes, não sabiam definir exatamente qual era a missão de Jesus. A vivência da Fé nos tranquiliza diante dos desafios que vão surgindo durante nossa vida.
Há muitas moradas preparadas pelo Pai para aqueles que durante sua vida terrena procuraram fazer o bem e se afastaram do mal. Podemos já, nesta existência, nos adentrar e perceber que no mais profundo centro de nossa vida, Deus habita. Ele nos criou para Ele. Deus concede a sua graça para que possamos ser salvos, pois somos debilitados pelas nossas imperfeições.
Jesus tem uma profunda amizade por nós. Ele deseja estar conosco para sempre. Ele quer que estejamos junto a Ele na eternidade. Isto nos traz uma profunda alegria pela certeza do amor de Deus por nós.
O conhecimento de Jesus, no sentido existencial, faz que conheçamos o Pai. O estar com Jesus inclui a presença do Pai que nos criou para Ele. Podemos perceber aí o mistério da Santíssima Trindade que promove o homem à alta dignidade de filhos de Deus.
O acreditar em Jesus inclui a realização de suas obras. Jesus nos afirma que podemos fazer mais do que Ele se vivermos em conexão com sua amizade. O cristão não pode ter medo da realidade. Precisamos ser um instrumento de transformação vivendo a solidariedade. O individualismo precisa ser combatido nas suas raízes. Fomos criados para uma relação de profundidade. Se não saímos de nós mesmos nos deterioramos. O amor de Deus em nós nos transforma em novas criaturas capazes de testemunhar a verdade que nos torna livres.
Todo ser humano quer se superar. Quer passar desta existência reduzida para uma existência sobrenatural. Este desejo é inerente em toda pessoa humana. Dentro de nós desde o nosso nascimento, desejamos o eterno.



 “Senhor Jesus, que possamos entrar na profundidade de nosso ser para servirmos de verdade ao seu projeto de amor.”





segunda-feira, 5 de maio de 2014

O BOM PASTOR

 

“JESUS CRISTO É O BOM PASTOR QUE NOS GUIA AO CAMINHO DA VERDADEIRA FELICIDADE”.

A comparação que Jesus utiliza com uma das profissões mais antigas do mundo é muito interessante neste domingo que foi intitulado como o domingo do Bom Pastor. Até os dias de hoje existe esta profissão na Europa e no Oriente. Uma atividade que depende diretamente do amor do pastor em relação às ovelhas. Ele deve procurar as melhores pastagens e os locais aonde tenha água em abundância e as ovelhas possam estar seguras. Da mesma forma Deus se preocupa conosco. Com seu infinito amor quer nos levar ao eterno convívio com Ele. Não fomos criados para sermos esquecidos pelo nosso Criador. Jesus é a porta segura que nos conduz a vida eterna. Neste próximo domingo também rezamos especialmente pelas vocações. Peçamos para que novos jovens sejam chamados e que os que já estão na caminhada perseverem com alegria.





EVANGELHO (Jo 10, 01-10):

Naquele tempo, disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem a um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não o escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.


“Em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Quem entrar por mim será salvo”.

A comparação que Jesus faz sobre a relação das ovelhas com o pastor nos mostra como Deus nos ama e tem um plano de salvação para cada um de nós. Deus nos “projetou” para uma verdadeira felicidade. Muitas vezes não agimos como as ovelhas. Preferimos fugir da voz daquele que nos ama realmente e ouvir a voz do mercenário que nos arrasta para outro sentido de nossa vida. Este mercenário pode representar os grandes enganadores e falsários da sociedade representados pela grande mídia subserviente as relações comerciais. Eles transformam o mal em bem e o bem em mal. São os mágicos dos meios de comunicação que servem a uma visão puramente comercial da pessoa humana. Se não soubermos ler os sinais da presença de Deus em nossa vida seremos facilmente manipulados pela busca de um prazer que só nos causa tristeza e frustração. Percebemos que as pessoas que se afastam da visão do Pastor estão perdidas na grande crise afetiva que se encontra a humanidade.
Jesus é a porta, é o caminho seguro que nos leva ao Pai. As ovelhas conhecem o pastor e o lugar aonde devem passar até pelo olfato. Jesus se coloca a nossa frente para nos proteger de nossa falta de administração em relação a nossa vida. Entrar por Jesus é assumir seus valores. É colocá-lo em primeiro lugar em tudo o que fazemos. As pessoas se afastam de Jesus porque ele exige despojamento de nossa parte. O mal não pode se misturar com o bem assim como o azeite não se mistura ao vinagre. O prazer pelas alegrias momentâneas arrasta milhares de pessoas a um sofrimento permanente. Na realidade a fonte da verdadeira alegria está no reconhecimento da presença de Deus que só é possível através de nosso despojamento.
O mundo sofre uma imensa crise existencial e afetiva. O homem quer amar aquilo que não merece o seu amor e por isto se frustra buscando a si mesmo e caindo no isolamento.
Hoje há muitos falsos pastores que chamam o povo oferecendo a prosperidade. Deus com seu amor quer que vençamos a nós mesmos. O amor é exigente e transformante. Não podemos criar religiões e filosofias para justificar nosso comodismo. É muito mais fácil adulterar o cristianismo ou buscar nas religiões orientais algo que nos satisfaça e nos afaste de nosso comprometimento com a nossa transformação e com a transformação do mundo.
Jesus é a ponte segura que nos faz passar do egoísmo para o altruísmo. Transforma-nos a partir do seu amor. Precisamos investir nesta vida na prática do bem.  Evitar o mal o quanto possível. Os cristãos sempre serão mártires da verdade que realmente nos liberta.
O problema do relacionamento humano é muito sério. Depende dele o nosso verdadeiro bem estar. Deus nos criou para os outros, somos promotores de vida com a vida que recebemos d’Ele. Quando nos isolamos estamos morrendo para nós mesmos e para os outros.
O cultivo da sensibilidade para percebermos o chamado de Deus é fundamental. Muitos são os chamados, mas são poucos os que se comprometem com o risco do pedido do Senhor. A vocação é um chamado de Deus para servir aos irmãos. Servir é construir. É fazer parte da comunidade. O batismo que recebemos nos compromete na busca de um mundo melhor e mais solidário. Quando assumimos o chamado de Deus percebemos a sua presença fazendo de tudo para nos tornarmos pastores de nossos irmãos.
O cristão é ovelha quando escuta o chamado e se transforma em pastor quando se torna instrumento de salvação para os seus irmãos.


“Senhor Jesus que possamos perceber qual é a porta que nos conduz a salvação.”



segunda-feira, 28 de abril de 2014

OS DISCÍPULOS DE EMAÚS


 

“OS DISCÍPULOS DE EMAÚS TEM UMA EXPERIÊNCIA PROFUNDA COM O RESSUSCITADO”.

A  caminhada desta vida é cheia de mistérios, momentos de muitas alegrias e dificuldades. O Senhor Jesus caminha sempre conosco em qualquer situação. Os discípulos de Emaús estavam preocupados com os acontecimentos relacionados com a vida de Jesus sem perceberem que ele caminhava junto com eles. O desafio da fé é o ponto mais importante de nossa vida. Devemos aceitar o mistério da presença amorosa de Deus que nos acompanha sempre em todas as situações. Deus deseja que façamos parte de sua eterna felicidade. A fé está unida a obediência e a humildade. Podemos dizer que as três caminham juntas e se complementam mutuamente. O crer na presença do Senhor exige uma mudança de vida que nem sempre é aceita por todos.

 


EVANGELHO (Lc 24, 13-35):
Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isto, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”.   Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isto para entrar na glória?” E, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da escritura que falavam a respeito dele. Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais  adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar  com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisto os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as escrituras?” Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.


 “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as escrituras?”

O momento em que os discípulos estavam vivendo era de medo e expectativa frente aos fatos que haviam presenciado. Eles não tinham certeza do motivo da morte de Jesus. Estavam apavorados com a “derrota” aparente de Jesus que fez com que eles nem percebessem que falavam com o próprio mestre. Muitas vezes acontece o mesmo em nossa vida. Ficamos detidos no lado negativo do que nos acontece e esquecemos que o Senhor sempre caminha conosco. Entristecemo-nos com a opressão que a grande mídia faz em relação à Igreja e sua pregação conforme os ensinamentos de Jesus Cristo. O mundo vive na mentira da satisfação momentânea.
Os discípulos de Emaús convidam Jesus para passar a noite com eles sem saber quem ele era. Percebemos um gesto de caridade da parte deles que vai ser recompensado com o reconhecimento de Jesus ao partir o pão. A essência do cristianismo está na partilha e na vitória sobre todo egoísmo. Quando aprendemos a nos despojar de nós mesmos para vivermos em comunidade estamos vivendo o Reino pregado por Cristo.
O coração dos discípulos estava ardendo e eles não sabiam que estavam com Jesus. Muitas vezes sentimos o efeito da presença do Senhor em nossas vidas e somos indiferentes ao seu amor. Devemos cultivar a presença do Senhor em nosso meio. Pedir ao divino Espírito Santo a capacidade de lermos os sinais de Deus.
O mundo tem fome de fraternidade. O problema do ser humano vai ser sempre o mesmo: quer amar e sentir-se amado. Como cristãos devemos transformar a solidão em partilha, o sofrimento em alegria da presença do Cristo Ressuscitado no meio de nós. Devemos fazer a diferença na prática do bem no meio do mal.
O homem jamais será feliz no isolamento e nunca entenderá quem é Deus sem a experiência de altruísmo. Os discípulos de Jesus o reconhecem no partir do pão. Deus por si mesmo é partilha que leva à unidade. O mistério eucarístico faz que tenhamos a experiência com o Cristo ressuscitado.
Muitas vezes agimos como os discípulos de Emaús. Estamos com medo de nós mesmos e vemos uma realidade negativa em nossa vida acima do plano de Deus. Jesus foi explicando para eles qual era o sentido de seu gesto. Ele não veio buscar sua própria satisfação, mas sim a Vontade do Pai. A mensagem de Cristo não é de uma prosperidade neste mundo como pregam as falsas religiões hoje tão desenvolvidas no mundo porque o ser humano está fragilizado em sua ignorância.
Hoje Jesus caminha conosco em todos os momentos de nossa vida. Cabe a nós reconhecer sua presença através da oração e de uma vida espiritual mais profunda. Jesus é o nosso amigo. Devemos dialogar constantemente com Ele para sabermos o sentido de nossa existência. A pessoa humana só será feliz quando encontrar o sentido de sua vida. O objetivo do porque vive e para onde vai. Na ressurreição de Jesus encontramos esta resposta. Estamos a caminho da eternidade. A nossa vida é uma peregrinação. Nela Jesus está presente oferecendo constantemente o seu amor.
A amizade com Jesus nos faz tomar consciência do sentido de todos os fatos que nos acontecem. Não podemos criar um deus particular a serviço de nosso comodismo e de nossas necessidades imediatas. A visão comunitária de nossa vida nos compromete e nos transforma, embora seja sempre um grande desafio.
Quando estamos a caminho, vivendo um processo dinâmico de amor, vamos crescendo e nos identificando com o Cristo ressuscitado. Passamos a entender que nós também, de alguma forma, teremos a mesma experiência. Não podemos nos esquecer da Igreja que atualiza a presença de Jesus no meio de nós. Não há Cristo sem Igreja, pois ela faz parte inerente de seu projeto de salvação. Também não podemos nos esquecer da presença da Virgem Santíssima que nos ajuda a descobrir como acertarmos em nosso caminhar.
A vida do cristão é uma constante tentativa de saber qual é a vontade de Deus para concretizá-la. O nosso maior desafio é a administração das graças que Deus nos concede para sermos instrumentos de salvação para os nossos irmãos na comunidade.


 “Que possamos Senhor Jesus ter a certeza que caminhas conosco em direção a vida eterna.”



segunda-feira, 21 de abril de 2014

A DIVINA MISERICÓRDIA NOS TRAZ A PAZ

 


“A PAZ DE JESUS É FRUTO DE SUA INFINITA MISERICÓRDIA”.


No segundo domingo do tempo pascal celebramos o domingo da misericórdia. Este domingo tem uma relação íntima com a festa da misericórdia instituída oficialmente pelo nosso saudoso São  João Paulo II que foi canonizado neste domingo juntamente com o Papa João XXIII. Ele foi um grande devoto da misericórdia. Deus oferece o seu imenso amor a todos os seus filhos através de Jesus Cristo. É o grande mistério de amor da Santíssima Trindade que deseja que façamos parte de sua felicidade. O amor exige presença. Deus nos ama e quer nos ver ao seu lado por esta razão percebemos todo o esforço que Ele faz para que esta realidade aconteça. Jesus oferece para nós a sua Paz. Diferente da paz que o mundo prega sustentada por alegrias momentâneas.



EVANGELHO (Jo 20, 19-31):

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos de Jesus se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados eles serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos em suas mãos, e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe  disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais a vida em seu nome.



“A paz esteja convosco. Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados eles serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos”.

O que buscamos nesta vida a não ser obter a paz? É interessante que depois de tanto sofrimento que Jesus passou vemos ele ressuscitado indo ao encontro dos discípulos e fazendo esta saudação de paz como se o resumo de tudo que enfrentamos nesta vida irá ter como consequência esta paz. Jesus entra três vezes no local onde os discípulos se encontravam. Eles estavam desorientados com as portas fechadas, com medo da perseguição mesmo tendo em seus corações os fatos maravilhosos que haviam presenciado. A saudação de Jesus é uma saudação de Paz. Uma paz que muitas vezes exigirá sofrimento daqueles que irão ser autênticas testemunhas de Cristo após a graça de Pentecostes.
Não iniciamos nosso processo de ressurreição se não iniciarmos o nosso processo de conversão associado ao da misericórdia. Sem perdão não há ressurreição. Deus nos ama acima de nossas fraquezas e limitações.
A profissão de fé de Tomé, chamado dídimo, que significa pequeno; faz-nos refletir sobre nossa Fé como aceitação do Mistério da presença de Deus em nossa vida. Tomé representa cada um de nós muitas vezes levados pelo materialismo imediatista. A segunda saudação de Jesus está unida a missão apostólica. O perdão dos pecados, o sacramento da reconciliação que nos renova da nossa incapacidade de amar. Jesus pede que os seus discípulos perdoem os pecados. É o mistério da Igreja, a forma de mediação mais perfeita que Deus deixou para nossa salvação. Infelizmente com o surgimento do protestantismo muitas pessoas relativizaram este mandato de Jesus pensando em um perdão pessoal. O pecado atinge a comunidade e o sacerdote em nome de Deus e da comunidade prejudicada com nossas faltas nos perdoa. É um momento de profunda libertação para todos nós. Se este sacramento fosse mais frequente em nossa vida, certamente que teríamos menos problemas de ordem afetiva e emocional.
Crer é aceitar e se entregar ao que Deus nos apresenta com sua linguagem paradoxal. Os discípulos “viram o Senhor”. Hoje devemos crer nesta verdade que perpassa os séculos. O testemunho é uma verdade que se vê na testa, na frente da pessoa envolvida pelo mistério. Jesus não está morto, mas vive no meio de nós, nos sacramentos, na sua Igreja.
Crer é ter a vida nova em Cristo. É se dispor a negar-se a si mesmo em favor da missão que Ele nos confia. Quando acreditamos somos enviados ao sofrimento. A experiência de Deus é rica em misericórdia. Por esta razão ela é uma experiência de perdão. Quando somos perdoados nos sentimos amados. Por esta razão a humildade se faz necessária para sermos realmente felizes em nosso processo de ressurreição.
Somos pecadores, mas o Senhor é misericordioso e quer nos reconciliar. A comunicação perdida com Deus através do pecado original é derrotada pelo próprio amor que Deus sente pelas suas criaturas.
Hoje, através de nossa vida, devemos mostrar ao mundo que Cristo está vivo, especialmente pelos valores que vamos assumindo em nossa existência em direção ao Pai. Os cristãos precisam viver na alegria verdadeira que nasce da conexão com o Criador através de Jesus Cristo. Hoje queremos ser os bem-aventurados, que mesmo sem termos visto o Senhor acreditamos no testemunho dos que nos antecederam na Fé.
A profissão de fé de Tomé marcou a história da humanidade. Podemos cair na tentação de achar que ele era uma pessoa fraca e insensível. Mas o crer no Cristo ressuscitado é o maior desafio que temos em nossa vida. Crer é realizar na vida os valores de Cristo no concreto de nossa existência. Pela fé teremos paz que é um dom muito necessário para sermos felizes.
A saudação que Jesus ressuscitado faz ao estar junto aos seus discípulos é muito importante para que saibamos qual é a consequência da vida de seus seguidores. A paz é fruto do amor que invade o coração daquele que crê. O processo de ressurreição começa já nesta vida quando iniciamos a aceitar a realidade do amor que  Deus sente em  grande escala por nós.
O perdão é uma graça dada a partir do Espírito Santo e isto provoca a unidade dentro de nós mesmos e na vivência comunitária.  Tomé representa todos nós que queremos uma comprovação tátil daquilo que é sobrenatural. Quando amamos temos certeza de fatos que não conhecemos de um modo racional. A razão é um instrumento que deve nos levar a experiência de sermos criaturas amadas por Deus. 
Os primeiros mártires da Igreja nos dão provas de que quando vamos nos entregando ao mistério da ressurreição, vamos nos desapegando aos princípios da sociedade que valoriza o que não tem valor.
Como é importante aceitarmos o testemunho de nossos irmãos. Vermos a transformação que acontece em suas vidas a partir da fé. Se Tomé tivesse valorizado aquilo que seus irmãos tinham experimentado, ele não seria revestido da dúvida em relação ao fato da ressurreição de Jesus.
Se existimos é porque somos amados. Estamos sobre o olhar amoroso de Deus que nos criou para a vida. A conversão ou o nosso processo de ressurreição exige de nossa parte uma mudança em nosso olhar. Para nos santificarmos precisamos olhar como Deus olha. Deixarmos de lado todo egoísmo para experimentarmos o amor.

 

DEVOÇÃO AO JESUS DA MISERICÓRDIA


“Diz à humanidade sofredora que se aconchegue no Meu misericordioso Coração, e Eu a encherei de paz. A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar, com confiança, para a minha misericórdia”.

Estas palavras foram pronunciadas por Jesus Cristo na aparição a Santa Maria Faustina Kowalska nos anos trinta do século passado. A missão desta santa iniciou-se em 22 de fevereiro de 1931, quando o misericordioso Salvador lhe apareceu. Ela viu Jesus vestido de túnica branca, com a mão direita levantada a fim de abençoar, enquanto a esquerda pousava no peito, fazendo que a túnica, levemente aberta, deixasse sair dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. A Santa Faustina fixou em silêncio o olhar de Jesus que lhe disse:


“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” (Diário, nº. 699).


Em muitas comunidades católicas será exposta a imagem de Jesus Misericordioso. O sacerdote que divulgar esta devoção receberá muitas graças para si e para sua comunidade. Recebemos a graça da Indulgência Plenária neste dia se participarmos com devoção na Festa da Misericórdia com as devidas condições que a Igreja nos propõe.

 

“Obrigado Senhor Jesus por nos ensinar a viver a experiência de seu infinito amor por nós”.