segunda-feira, 9 de setembro de 2013

FILHO PRÓDIGO


“QUANTO MAIS NOS AFASTAMOS DE DEUS MAIS INFELIZES NOS TORNAMOS”.

Não podemos falar de conversão sem termos uma profunda experiência da misericórdia infinita do Senhor. A liturgia deste domingo nos apresenta uma passagem do Evangelho de São Lucas bastante conhecida e refletida na história da igreja. Na parábola do Filho Pródigo Jesus nos explica a necessidade de sabermos aceitar a todos como nossos irmãos e vivermos o perdão. Na realidade ele se utiliza de três parábolas. Começa com a parábola da ovelha perdida, depois a da moeda perdida e finalmente apresenta a belíssima parábola do filho pródigo. Há um pensamento presente nas três parábolas que é a alegria do retorno. Deus fica feliz com o regresso do pecador. Ele só quer promover a vida do ser humano, fazendo o possível para que ele participe de sua felicidade. Como disse o Papa Francisco no início de seu pontificado: "Deus não cansa de perdoar. Nós é que nos esquecemos de pedir perdão a Ele".









EVANGELHO (Lc 15, 01-32):

Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a escolha, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura, até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte’. E Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada.
Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do teu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.
O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado.”

“Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converta”.


O tema sobre a conversão é constante em todos os evangelhos. O que significa se converter? Podemos afirmar que a conversão é um “retorno à fonte”. A fonte da vida é o próprio Deus que pensou em cada um de nós antes mesmo de nosso nascimento. A conversão é um processo de retorno ao amor que Deus sente por nós. Ele nos criou à sua imagem e semelhança. Isto significa que fomos criados para participarmos de sua felicidade. A conversão é um processo sistemático de deixar-se amar por Deus.
Nas parábolas apresentadas acima, especialmente a do filho pródigo, percebemos o quando Deus quer que sejamos felizes ao seu lado. O filho mais novo, à medida que se afastava do pai, mais infeliz se encontrava. A conversão é o retorno ao convívio do pai que é justo e ama os seus filhos. O homem procura sempre “inventar” meios para encontrar a felicidade por sua própria capacidade e isto sempre acaba em frustração. O lado mais fácil sempre se torna o mais difícil.
A conversão exige de nossa parte uma profunda humildade e o reconhecimento do imenso amor que Deus sente por nós. Ele é misericordioso, busca o homem em todas as situações para realizá-lo. Na parábola do Filho Pródigo percebemos o momento forte em que o filho mais jovem caiu em si, ou seja, percebeu que o pai era bom. Descobriu a verdade que longe dele jamais seria feliz. O filho se alegra em saber que o pai lhe acolhe da mesma maneira. O pai de uma forma surpreendente estava lhe esperando no alto, ansioso pelo seu retorno. Deus nos ama com um amor maior que o nosso por isto Ele vive a misericórdia. Para que a conversão aconteça em nossa vida precisamos ter uma profunda experiência da misericórdia de Deus.
Sem perdão não há conversão. Este perdão tem três dimensões. Precisa ser aceito por nós na certeza que Deus nos perdoa, precisamos saber nos perdoar e finalmente perdoar aos nossos irmãos.
A conversão e a misericórdia caminham juntas. Sem a certeza de que somos amados por Deus acima das nossas limitações, não podemos nos voltar para Ele. Hoje enfrentamos diversas situações de falta de misericórdia. Não nos comunicamos com Deus e nem com os irmãos, por esta razão está presente mais o espírito de competição do que o de promoção do ser humano. O pai ama o filho sem interesse, por isto ele só será feliz ao seu lado.
A parábola do Filho Pródigo com as outras duas parábolas nos indicam um caminho: precisamos nos esquecer de nós mesmos, de nossos pré conceitos e irmos de encontro dos que realmente precisam de nós. Não podemos ser como o filho mais velho, que vive um perfeccionismo sem amor. Ninguém se salva sozinho, somos responsáveis pela salvação uns dos outros.
Nós todos temos defeitos, mas devemos evitar a visão negativa dos nossos irmãos, pois esta não é a visão que Deus tem em relação a nós. O olhar de Deus é um olhar de amor e promoção de cada filho perdido pelo mal uso de sua liberdade.


"Obrigado Senhor Jesus por sempre nos ensinar que devemos viver a nossa vida na grande esperança de que somos profundamente amados”.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SABER RENUNCIAR A SI MESMO PARA SEGUIR JESUS


 


“PARA SEGUIR A CRISTO É PRECISO SABER RENUNCIAR AS COISAS QUE NÃO SÃO DELE”.

O mês de setembro é dedicado a Palavra de Deus. A Bíblia é uma herança de Deus para nossa salvação. Ela unida ao magistério da Igreja nos fala exatamente o que Deus planejou para nossa felicidade real. Não é um livro de ciência ou de história. É a revelação de Deus Trindade que nos ama acima de tudo e quer que façamos parte de sua felicidade. Quando nos dispomos a seguir a Cristo devemos nos desapegar de tudo que nos impede de viver a nossa profunda relação com Ele, conosco mesmos e com nossos irmãos. Seguir Jesus é empreender uma grande batalha contra si mesmo para se reconhecer a verdade última de nossa existência.


 


EVANGELHO (Lc 14, 25-33):

Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ Ou ainda, qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”


“Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

Falar em cruz nos dias de hoje parece ser algo fora de cogitação. O homem da era atômica, informatizado, se considera estar muito além da cruz. Quer buscar soluções imediatas para seus problemas. O que importa é a satisfação do momento. Até mesmos falsos cristianismos renunciam a Cruz para pregarem uma prosperidade nesta vida em nome de Jesus. A vida eterna fica em segundo plano. O fato é que somos peregrinos e a nossa meta é um dia habitarmos a casa do Pai.
A cruz sempre será um sinal de contradição que vai passar por todas as fases da história como algo incompreensível. Foi um método de tortura romano importado da África para servir de propaganda ao poder “perpétuo” do grande império romano. Este objeto de morte e tortura só foi alterado no momento em que Jesus foi crucificado. Ele morreu fisicamente, e após três dias aparece ressuscitado. A cruz passa a ser na história o sinal sagrado de maior importância, ela é vista em todos os continentes. Os cristãos passam a se identificar com ela. Os que desejam a vida eterna terão que passar pelo caminho da cruz.
Através da interpretação mística dos primeiros discípulos de Jesus, ela passou a ser considerada como método de redenção. Não é mais a cruz material, mas sim a somatória de todos os enfrentamentos que os cristãos terão com a sua realidade pessoal, social e comunitária. Ela se torna uma condição para aqueles que querem seguir a Cristo de forma real em suas vidas.
Quando assumimos os valores de Cristo, somos crucificados pela maioria esmagadora. O problema é que esta maioria não consegue definir o sentido profundo de sua própria existência. Nós morremos para viver. Nascemos para a morte física, mas pela fé, através da prática do bem, iremos ressuscitar. Fica o questionamento ao mundo: se sua auto suficiência é capaz de torná-lo feliz. Vemos muitas pessoas depressivas fazendo exatamente o que o mundo prega.
Somos desafiados no seguimento de Cristo a deixar tudo o que possa impedir a plena adesão ao seu projeto de amor. Jesus no Evangelho percebe uma grande multidão que o seguia. Talvez um tipo de seguimento que buscava compensação e honras humanas. Quem vier a Ele deve desapegar-se de tudo que parece ser natural na vida humana até mesmo de sua própria vida para abraçar a causa do Reino. Ser discípulo de Cristo é sofrer as consequências do seguimento. Não podemos amar o nosso interesse ao mesmo tempo em que procuramos concretizar o Plano de Santificação de Deus.
O grande desafio de nossa vida é sabermos administrar os dons que Deus nos dá. O alicerce de nossa vida é o amor de Deus. O cristão é sempre chamado a deixar algo para concretizar a Vontade de Deus em sua vida.
Deus não nos criou para vivermos uma auto satisfação. Somos criados para transmitir o seu amor aos nossos irmãos. Quando o homem se fecha em si mesmo cai em um grande engano. Não seremos felizes enquanto não nos desapegarmos de nós mesmos para nos apegarmos a grande verdade dos valores apresentados no Evangelho. A pergunta que fica é sobre a felicidade apresentada hoje pela maioria das pessoas.
O homem quer o tudo para si e esquece que depende do seu Criador que é o seu Tudo. Fomos criados para uma comunicação profunda com Ele que nos dá a razão de nossa vida. Quanto mais nos apegarmos aos nossos princípios, pensando que somos autores de tudo, mais iremos nos afastar da felicidade.
Não é fácil seguir a Cristo, pois Ele sempre vem acompanhado da Cruz. Podemos pensar que isto seja algo radical ou que tenha uma tendência de obrigação, de busca do sofrimento, mas na realidade, para praticarmos o bem precisamos renunciar a nós mesmos. Devemos redimensionar a nossa vida colocando-a em um amor universal.


"Senhor Jesus, nós queremos assumir em nossa vida os sofrimentos que fazem parte do seu seguimento”.




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A HUMILDADE É A CHAVE DA SANTIDADE


 

“A HUMILDADE É A CHAVE PARA NOS ABRIRMOS AO AMOR DE DEUS”.

A humildade é uma virtude básica para os que querem fazer a vontade de Deus. Sem ela não temos condições de descobrir e nem de concretizar o que o Senhor nos pede. Ser humilde é ser verdadeiro. Viver na humildade não é viver na humilhação, mas conhecer os limites e qualidades que temos para oferecer a comunidade. A vaidade e o orgulho são dois erros que nos iludem, nos afastam do bem e nos causam cegueira. As pessoas hoje são manipuladas pelo inimigo porque pensam somente nas coisas deste mundo e se esquecem de que somos peregrinos em direção a casa definitiva do Pai. Iniciamos o mês da Bíblia. A Palavra de Deus juntamente com a Eucaristia são as duas fontes que nos levam a saborear as coisas de Deus já nesta vida.




EVANGELHO (Lc 14, 1.7-14): 

Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o teu lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. Porque quem se  eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”. E disse também a quem o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.


“Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.

Quando falamos em humildade podemos confundir facilmente com humilhação. A verdadeira humildade acontece com o encontro da nossa verdade com a Verdade de Deus. Somos criaturas d’Ele. Fomos criados à sua imagem e semelhança. Isto nos dá uma dignidade infinita. Como consequência desta afirmação, somos todos iguais perante Deus. O que irá nos diferenciar é a nossa sensibilidade ao seu infinito amor.
A pessoa que acredita poder tudo já está perdida. Fomos criados para sermos solidários vivendo em comunidade. Devemos partilhar os dons que recebemos de Deus com os nossos irmãos. A humildade está ligada diretamente a caridade. Quando nos fechamos em nosso próprio egoísmo nos distanciamos de nossa finalidade existencial caminhando automaticamente para a morte. Podemos até estar vivos fisicamente, mas estamos mortos para Deus, para nós mesmos e para nossos irmãos.
A afirmação que Jesus nos faz neste evangelho é de grande peso. Ele diz que seremos felizes se convidarmos os desconhecidos para participarem de nossa vida. Especialmente os mais necessitados.
“Então tu serás feliz”. Devemos refletir se estamos felizes com a vida que levamos muitas vezes voltada para o que os outros nos dizem sobre a felicidade. O mundo das relações comerciais não está preenchendo o coração vazio do homem contemporâneo. São criadas “falsas necessidades” que nos desviam a atenção do que realmente importa para nossa vida. Um grande número de pessoas está dependente de remédios para dormir porque muitos irmãos nossos não estão mais dormindo por falta de alimento e moradia. Cada um de nós é responsável pela partilha de seus bens. Os bens materiais têm a finalidade de nos fazer felizes quando utilizados de forma correta. Quanto mais temos mais devemos repartir.
“A caridade é a entrada na vida do outro para lhe promover sem buscar nenhuma compensação”. O ser humano, durante toda a história, busca a sua verdadeira realização. O problema está no método para alcançá-la de verdade. Somos, na maioria dos casos, manipulados nesta busca. Isto porque buscamos a realização longe do que o Criador projetou para nós. Devemos escutar com amor o conselho que Jesus nos faz. Não podemos buscar a felicidade sem a prática real da caridade. Para que a verdadeira caridade aconteça precisamos ser humildes. Precisamos ser realistas conosco mesmos, pois ninguém é mais ou menos amado por Deus.
Somos irmãos e não podemos nos fechar. Não iremos ser felizes buscando a nossa satisfação particular. Fomos criados por Deus para um amor universal. É o momento histórico de nos perguntarmos sobre o que buscamos em nossa vida. Como vamos nos realizar sem a prática da solidariedade. Da partilha do que temos material e espiritualmente com nossos irmãos?
Se Jesus nos afirma que com o método da caridade seremos felizes, esta é a hora de sairmos de nós mesmos e irmos de encontro do outro, mesmo sabendo que isto será sempre um grande desafio. Mesmo tendo a certeza que seremos criticados e muitas vezes postos em último lugar nos escalões da sociedade.
O que importa mesmo para nós é que depois desta vida cheia de lutas e contradições, se praticarmos o bem, teremos a ventura de ver a Deus face a face. Especialmente as pessoas que com a nossa colaboração com a Graça de Deus encontraram a salvação.

 

"Senhor Jesus, fazei     que sejamos humildes para vivermos a caridade com todos os nossos irmãos”.



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A PORTA ESTREITA




“ENTRAR PELA PORTA ESTREITA É O CAMINHO DIRETO PARA ALCANÇARMOS A DEUS”.

O grande desafio que enfrentamos na peregrinação desta vida consiste na assimilação dos valores do Evangelho. Para que isto aconteça precisamos ter a coragem de entrar na “porta estreita” das provações que se tornam essenciais para sermos felizes. Neste domingo rezamos e meditamos na vocação do leigo pedindo especialmente pelos catequistas que passam o essencial de nossa fé. São cristãos comprometidos com as diversas comunidades onde a Igreja está presente. Devemos estar sempre atentos ao que o Senhor nos solicita em meio às diversas contradições presentes dentro da sociedade.











EVANGELHO (Lc 13, 22-30):

Naquele tempo: Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Jesus respondeu: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’. Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’ Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no reino de Deus. E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.


“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão”.

Quando olhamos para a doutrina de Jesus podemos ter certa desconfiança por ela se apresentar de um modo contraditório ao que nós adotamos no cotidiano de nossas vidas.  Deus se utiliza de uma linguagem paradoxal. São dois contrários que se unem para se chegar a uma verdade. É como a criança que por se baixa vê o bordado da mãe pelo avesso e se queixa para ela da falta de beleza no seu trabalho até que a mãe abaixa o bordado e mostra para a criança o lado contrário do avesso e a criança percebe a beleza do que a mãe está fazendo.
A linguagem evangélica é sempre contrária ao que a nossa natureza nos inspira no momento. Jesus fala em porta estreita. São as dificuldades, as provações que vamos assumindo em nossas vidas que vão nos purificando e mostrando o essencial. A porta larga são as facilidades e de uma falsa prosperidade que é na realidade um desvio do imenso desafio daqueles que querem seguir a Cristo. Nesta porta estão contidas as alegrias momentâneas que nos enganam nos arrastando ao superficial. As pessoas seduzidas pelo passageiro do mundo não conseguem encontrar a Paz do Ressuscitado porque vivem presas no emaranhado do ter do poder e do prazer.
Os verdadeiros discípulos de Jesus são reconhecidos pela prática da justiça unida a solidariedade. Não seguimos uma doutrina vazia em relação ao amor que devemos devotar aos nossos semelhantes. Não adianta termos uma prática religiosa só em nível pessoal esquecendo que o cristianismo é uma vivência comunitária. Talvez esta seja a porta mais estreita que teremos que passar, pois a comunidade sempre nos questiona e nos pede mais. A nossa santificação sempre tem uma dimensão eclesial. Buscamos a santidade com e para a Igreja.
Todo ser humano busca a felicidade. Gostaríamos de viver uma felicidade mais permanente. Desde a sua origem o homem deve fazer escolhas, ele é administrador de sua vida. Quando pensamos poder encontrar a felicidade sozinhos, nos enganamos profundamente. Começamos a nos satisfazer com pequenos momentos de alegria que depois podem se transformar numa grande angústia. Podemos perceber que esta é a radiografia do ser humano da atualidade: pensa em ser feliz sem um profundo relacionamento com seu Criador. Pensa em buscar a felicidade sem as raízes da própria felicidade que está na profunda comunicação com Aquele que pode nos dar uma verdadeira explicação do sentido de nossa existência.
A porta larga das facilidades é uma tentação constante na vida do cristão. Hoje poucos falam de ascese e penitência, até mesmos os consagrados a Deus pelos votos religiosos. Entrar pela porta estreita é auto superar-se na tentativa de praticar a justiça que sempre nos questiona. É buscar uma conversão sistemática sob a ação do Espírito Santo. A experiência da Noite Escura de São João da Cruz é de grande atualidade pois ela nos purifica para chegarmos ao essencial.
Jesus se afasta daqueles que praticam a injustiça. Todos aqueles que se perdem na falta de solidariedade. Deus é o Sumo Bem, Ele quer que todos vivam na prática do Bem. Deus não nos criou para atingirmos a felicidade no fechamento em nós mesmos. A paz interior é consequência da certeza do objetivo de nossa vida.
A porta estreita sempre será um grande desafio. Não sabemos bem onde ela se encontra se não formos pessoas de profunda oração. Ela é um trato de amizade que nos traz automaticamente discernimento sobre o sentido de nossa vida. Pela oração descobrimos o que o Senhor quer de nós e ao mesmo tempo encontramos força para concretizarmos o que Ele nos pede em nossa vida.
Quando amamos alguém buscamos as coisas da pessoa amada. Se amarmos realmente a Deus vamos buscar os seus valores, vamos procurar, com nossas limitações, viver o essencial. Jesus se nega a aceitar os injustos porque eles mesmos fizeram sua escolha de viverem longe do projeto de Deus.




"Senhor Jesus, com a vossa graça nos ajude a termos a coragem de sempre escolher a porta estreita de seu amor”.