segunda-feira, 8 de julho de 2013

O BOM SAMARITANO



“JESUS NOS ENSINA QUE AJUDAR AO PRÓXIMO É A ESSÊNCIA DE NOSSA VIDA CRISTÔ.


A caridade ou o amor sem interesse é a essência do que Jesus veio nos ensinar. A revelação de Deus ao povo de Israel por meio de Abraão inicia o plano de salvação de toda a humanidade. A nova lei trazida por Cristo não é diferente da lei apresentada a Moisés. Podemos afirmar que é seu pleno cumprimento. A solidariedade é o grande desafio de nossa vida. Amar é sair de nós mesmos para irmos ao encontro do mistério do outro. O amor cristão é exigente e transformante do que ama e do que é amado. A parábola do bom samaritano nos ensina a ver o próximo como alguém que precisa ser ajudado por nós. No momento que ajudamos o próximo nos tornamos mais felizes e iniciamos um verdadeiro processo de libertação de nossas limitações. Quem é o nosso próximo nos dias de hoje dentro de um mundo impregnado pelo egoísmo e vaidade?
  


EVANGELHO (Lc 10, 25-37):

Naquele tempo, um mestre da lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus lhe disse: “O que está escrito na lei? Como lês?” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”. E Jesus perguntou: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.




 “Vai e faze a mesma coisa”.


Jesus faz um resumo de tudo o que Deus projetou em relação à pessoa quando é interrogado por um homem que se considerava entendido na lei de Moisés. O mandamento ou conselho máximo de Deus para nós se divide em dois: amar a Deus sobre todas as coisas (Dt 06, 05) e ao próximo como se fosse a nós mesmos (Lv 19, 18). Assim como a misericórdia tem três elementos fundamentais, o amor tem três dimensões: amor ao Criador, amor a nós mesmos e o amor ao próximo. Podemos dizer que Deus vive em plenitude esta tríplice dimensão. Nós, como seres criados a sua imagem e semelhança só encontraremos a razão de nossa vida se vivermos o amor, pois está é a essência de Deus.
O amor está ligado diretamente ao verbo sair. Ele é uma saída de nós mesmos para descobrirmos quem é Deus, quem somos nós e quem são nossos irmãos. É um movimento de altruísmo que se preocupa em transmitir vida. Devemos amar ao próximo como se fosse a nós mesmos. Se nós não nos amamos de verdade não temos condições de amar ao outro como ele é. O sacerdote e o levita se afastaram do homem machucado para não perderem a pureza ritual. Um estrangeiro (samaritano), se compadece do homem ferido e faz tudo por ele mesmo ele sendo um desconhecido. Nós somos os próximos de todos os que necessitam de nossa ajuda.
Mas quem é o nosso próximo? Porque Jesus utiliza esta palavra que tanto nos questiona em relação à tão conhecida parábola do bom samaritano? Jesus inverte os papéis. Talvez pudéssemos pensar que ele deveria perguntar qual é o próximo do bom samaritano que pratica a caridade, mas a pergunta vem ao reverso: qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? Este questionamento de Jesus nos afirma que a caridade tem um duplo efeito. Ela atinge tanto o que a pratica como o que a recebe. Precisamos amar a todos sem distinção. Praticar o bem e evitar o mal, sem nos preocupar com as aparências ou com o que dirão de nós se ajudarmos os outros.
Infelizmente tanto o sacerdote judeu como o levita estavam de certa maneira impedidos de fazer a caridade de socorrer o ferido, devido ao ofício sagrado que deveriam exercer. Se eles o socorressem, seriam impuros e não poderiam prestar culto a Deus segundo a Lei. O que Jesus nos mostra é que a caridade e a solidariedade é o principal culto que poderemos oferecer a Deus.
Jesus coloca todas as leis em segundo plano quando se trata de fazer o bem, quando se trata de promover a vida do homem. Nós somos convidados a praticar a justiça e sermos solidários. Devemos partilhar tudo o que temos, tanto os bens materiais como os espirituais. Estes são bem mais difíceis de serem partilhados especialmente por muitas vezes estarmos fechados em nós mesmos e não vermos que o Senhor está presente em nossa vida
Não podemos amar só aqueles que de alguma forma irão nos retribuir com algo. O verdadeiro amor é desinteressado. Estamos carentes deste amor em nossa sociedade. O mundo de hoje está passando por uma grande carência afetiva. O individualismo já provou a sua falência. O contato com Jesus é um contato libertador de nossas fraquezas para vivermos o verdadeiro afeto. Talvez não iremos ter a oportunidade do bom samaritano em socorrer alguém gravemente ferido, mas a pessoa que está ao nosso lado, neste momento, será que não precisa de nosso sorriso e carinho?
Amar o próximo é reconhecer a presença do outro. É sentir que podemos nos comunicar. Dar do que temos o nosso coração aos que necessitam. Gosto muito desta frase de Charles Chaplin: “Mais do que máquinas precisamos de humanidade, mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura”. Que possamos ser um pequeno tijolo de amor dentro da construção do mundo.

  

"Senhor Jesus, ajuda-nos a sair de nós mesmos para nos sentirmos amados por ti e edificarmos os nossos irmãos”.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

JESUS ENVIA SEUS DISCÍPULOS





“JESUS NOS ENVIA A LEVARMOS A BOA NOVA DO REINO A TODOS OS POVOS”.

No evangelho deste domingo Jesus escolhe setenta e dois discípulos e os envia dois a dois dando diversos conselhos para que a Boa Nova chegue a todos. Todo aquele que quiser levar Jesus aos outros deve se revestir de um grande despojamento na fé e na humildade. Deixar todas as suas seguranças para se preocupar com a Palavra de Deus, sendo um portador da Paz. Ser discípulo de Jesus é negar-se a si mesmo para aceitar a Vontade de Deus que muitas vezes não vem de encontro com nossos pequenos planos. Sempre será um desafio dizer “sim” a Jesus, pois seu Reino não é deste mundo. O Reino de Cristo é de fraternidade e solidariedade e o reino do mundo é de egoísmo e vaidade.



EVANGELHO: (Lc 10, 1-12.17-20)

Naquele tempo, o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda a cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. Permanecei naquela casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei dos que vos servirem, curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O reino de Deus está próximo de vós’. Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: ‘Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o reino de Deus está próximo!’ eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que esta cidade”. Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa de teu nome”. Jesus respondeu: “Eu vi satanás cair do céu como um relâmpago. Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”.



“O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois”.


O processo de revelação de Deus em relação às pessoas é algo progressivo e sistemático. O ápice desta revelação aconteceu com Jesus Cristo o Verbo Encarnado que veio tirar os pecados do mundo. Dentro deste mistério de salvação, Deus quis precisar de instrumentos humanos para levar em frente o seu infinito desejo de que toda pessoa humana participe de sua felicidade. Para dar continuidade a proclamação do reino de Deus foram escolhidos seguidores de Jesus. Todo discípulo de Jesus deve ser um portador de paz. Somos enviados a levar a paz a todos os povos, a todas as pessoas que se sentem perdidas. Para desempenharmos bem esta missão, precisamos estar totalmente despojados de nossas seguranças. É difícil ter paz com muitas coisas acumuladas, especialmente àquelas que podem prender o nosso coração.
Vivemos maior parte de nossa vida admirados com o superficial pela influência nefasta da ditadura da grande mídia que deturpa o sentido mais profundo de nossa vida. Ficamos sem nos adentrar no fundamento de nossa existência que é o amor que Deus sente por nós e de seu desejo de que participemos de sua felicidade.
A casa é o lugar onde vivemos. Deus dá muita importância a nossa realidade, Ele sabe que somos frágeis e que precisamos de uma estrutura básica para sobreviver. Jesus quer transmitir sua paz para nossa casa. Esta casa se refere mais ao nosso coração que deve acolher Jesus com muito amor. Podemos pensar que seja o nosso coração que está no centro de nossa vida.
Para podermos transmitir paz, precisamos experimentar paz dentro de nós mesmos. Para isto precisamos de uma experiência de liberdade. Se conhecermos a verdade pela humildade iremos iniciar um processo de libertação integral. Irá ter mais autoridade quem mais souber se administrar. Quem é livre dá razão para a sua existência. Quando somos anunciadores da verdade, ela também nos atinge, somos convidados a libertar os nossos irmãos.
A paz é um estado de espírito que surge no momento em que sabemos qual é o nosso ideal. Os discípulos de Jesus devem anunciar a paz através do amor que brota do fundo de seus corações.
Somos enviados no meio de lobos, mas eles também são nossos irmãos e precisam da voz do pastor. O lobo é feroz porque não se sente amado. Uma pessoa hoje é manipulada ou se torna um agente manipulador, porque não conhece o amor que Deus sente por ela. São João da Cruz nos diz que aonde não existe amor coloque amor e colherás amor. Um erro não concerta o outro. O mal precisa ser estagnado pelo bem.
A verdadeira evangelização inicia na amorização deste mundo que vivemos. Cada vez mais precisamos evangelizar o nosso ambiente com atitudes semelhantes às atitudes de Jesus.




“Senhor Jesus, dá-nos a tua paz para que possamos levá-lo aos nossos irmãos.”

  


segunda-feira, 24 de junho de 2013

FESTA DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO


“SÃO PEDRO E SÃO PAULO SÃO EXEMPLOS DE FIRMEZA NA FÉ”.


O exemplo de Pedro e Paulo, grandes expoentes do cristianismo, nos motivam a continuarmos firmes na fé. Até hoje a amizade destes dois homens com Jesus, embora em níveis diferentes, tem uma repercussão de grande vulto na história da humanidade. Percebemos em suas vidas duas formas distintas de seguimento de Jesus Cristo: Pedro foi discípulo direto de Jesus. Teve uma experiência de amizade e convivência com o Senhor. Paulo de “perseguidor” se torna anunciador da doutrina de Cristo através de sua experiência no caminho de Damasco. O Espírito Santo transformou sua vida. De grande conhecedor da lei judaica e de sua ortodoxia passa a ser um anunciador assíduo da verdade da presença de Jesus Ressuscitado. Os dois foram martirizados por se entregarem totalmente no seguimento do Senhor. Deus não escolhe os melhores, mas melhora os escolhidos. Vai modelando a vida daqueles que querem segui-lo com coragem e alegria.




EVANGELHO: (Mt 16, 13-19)

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou alguns dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz é tu, Simão filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei a chave do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.


“Feliz é tu, Simão filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”.

Esta afirmação do Senhor Jesus a Pedro nos dá uma grande alegria e segurança e ao mesmo tempo um grande comprometimento com a realidade do seguimento de Cristo. Pedro recebe uma missão impossível pela sua capacidade e fragilidade, mas possível pelo poder do Espírito Santo que faz nova todas as coisas. Sua afirmação: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” confirma sua unção e sua futura missão de chefe da Igreja. Ela não tem origem humana, mas sim divina. A partir deste momento Pedro é escolhido para dar continuidade ao anúncio do Evangelho de Cristo em sua missão. O cristianismo se caracteriza pela tomada de consciência da importância da vida comunitária com a presença do Senhor Ressuscitado que a fomenta no amor. É um mistério pessoal de encontro com Cristo que se estende a toda comunidade dos que professam a fé no Ressuscitado.
A Igreja é uma sociedade dos que acreditam no mistério da presença de Deus Trindade dentro da história. O processo de aceitação do mistério cristão acontece dentro de uma relação comunitária. Aí encontramos o fato de que a Igreja de Cristo sempre será “perseguida” especialmente pela grande mídia que tem como característica o individualismo anti comunitário querendo levar as pessoas ao relativismo para que se tornem consumidoras de produtos que levam à alegria superficial. Os valores cristãos não são aceitos pela sociedade de consumo porque levam a partilha e a solidariedade. A Igreja sempre será uma pedra no sapato daqueles que se deixam guiar pelas suas paixões.
Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Já ouvimos muitas vezes este ditado e podemos perceber que é real tratando da vocação de Pedro. Era um pescador com pouca cultura, um homem simples. Sendo que possuía uma característica essencial para os que querem seguir a Cristo: era sensível ao plano de Deus, cultivava em profundidade a sua crença e sua amizade. Percebeu aos poucos e especialmente após a experiência de Pentecostes que somos realmente amados por Deus. A nossa vida não é uma mera coincidência. Há muitos intelectuais na Igreja e poucos que cultivam uma amizade profunda com Cristo que leva automaticamente até uma profunda conversão.
O mistério vocacional de Pedro se perde na história. Não sabemos o que motivou este homem a deixar tudo e seguir ao Senhor. Provavelmente, ele teve muitos momentos de dúvidas e sofrimentos sendo que jamais errou em suas decisões em relação à Igreja depois que recebeu o Espírito Santo a partir de Pentecostes. Ele soube deixar tudo para assumir o Tudo. Deixou o perecível para abraçar o imperecível.
Junto a Pedro celebramos a festa de Paulo. Um homem completamente diferente do primeiro, mas que soube acolher a vontade de Deus com a mesma sensibilidade. De perseguidor se torna anunciador de Cristo. Ele irá anunciar destemidamente a Boa Nova do Reino. É ele que dará corpo a toda à doutrina sobre o entendimento da pessoa de Jesus e sua missão. As pessoas que se fecham em suas ideologias materialistas jamais irão ler o que Paulo escreveu, pois ele nos apresenta a pura verdade em relação a nossa salvação. Jamais a grande mídia vai apresentar Paulo, porque sabe de sua importância e da verdade que escreve. Percebemos muitos escritos hoje que procuram desfazer a Igreja. Os individualistas jamais irão escrever algo sobre Paulo e sua conversão, pois ele atinge o cerne dos problemas da pessoa humana. Sua doutrina leva a verdadeira libertação dos apegos humanos para a valorização do essencial.
Quando buscamos humildemente a verdade somos tomados pela força de Deus nos tornando livres para anunciá-lo. A liberdade está unida a verdade juntamente com a Graça de Deus. Paulo também abandona seu “prestígio” para concretizar a vontade de Deus. Perde sua vida física pela coerência com a mensagem de Jesus. Hoje estamos carentes de pessoas que levam a sério a mensagem de Cristo em nível de experiência e não como mera teoria. O seguimento envolve toda vida da pessoa. Não é uma parte intelectual ou social, é um todo que absorve toda nossa ação.
O compromisso com a verdade pode nos levar a morte física, mas nos torna livres na eternidade. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo no monte Vaticano em Roma. Paulo foi decapitado fora dos muros de Roma. Tanto Pedro como Paulo foram pessoas limitadas, mas que levaram a sério o sentido de sua vocação. A humanidade precisa dos santos. De pessoas que levem até as últimas consequências a sua opção fundamental. Seu ideal de concretização da vontade de Deus em suas vidas.
Estamos numa grande crise de Fé que desemboca numa crise de relacionamento. O homem caminha para sua própria ruína quando pensa só em si mesmo sem partilhar sua vida com os demais. O “individualismo competitivo” pregado pela maioria dos meios de comunicação mina as bases do relacionamento humano. O exemplo destes dois homens deve nos arrastar a prática solidária do bem dentro da comunidade.
A busca da verdade e do bem faz que percebamos o quanto somos amados por Deus. Passamos a ter certeza que esta nossa existência é uma preparação para a vida definitiva. É o Divino Espírito Santo que nos dá o contato com esta realidade.


“Nós te pedimos Senhor a coragem e a alegria dos Apóstolos para vos seguir com alegria dentro das trevas do individualismo moderno”.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A VITÓRIA DA RENÚNCIA DE NÓS MESMOS




“PARA SEGUIRMOS A CRISTO, PRECISAMOS SABER RENUNCIAR AO NOSSO EGOÍSMO”.

Jesus exige de seus seguidores a capacidade de deixarem tudo pelo Reino. Quando dizemos sim ao projeto de Deus, devemos saber dizer não ao nosso projeto particular. A nossa vida é um grande mistério, o conhecimento de Jesus irá definir em plenitude o que nós somos. O tema da renúncia sempre foi muito bem elaborado em toda a espiritualidade cristã. Ela, na realidade deve nos levar ao amor maior, a verdadeira prática do bem. A vida de Cristo foi um sacrifício pela nossa salvação e nós não alcançaremos a santidade sem oferecer a Deus as nossas dificuldades e provações que na realidade servem para crescermos no reconhecimento do que somos e de quem é Deus para nós.



EVANGELHO (Lc 09, 18-24):


Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?” Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”. Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isto a alguém. E acrescentou: “O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará".



“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me”.

O tema da renúncia faz parte integrante do cristianismo desde o seu princípio. O próprio Cristo nos dá o exemplo de renúncia quando oferece a sua vida para nos salvar. A pergunta que fica é sempre relacionada com a finalidade última da pessoa humana. Estamos em uma peregrinação. A fé cristã tem base no fato da ressurreição de Jesus e a nossa futura ressurreição onde viveremos em plenitude o que hoje vivemos limitados.
Jesus faz a pergunta aos seus discípulos para ver se eles teriam a coragem de deixar tudo pelo projeto de Deus. A linguagem usada por Ele sempre é misteriosa, não conseguimos ler de forma objetiva. Deus nos fala na nuvem. Por esta razão pela fé iremos entender qual é o sentido de renunciarmos as coisas que aparentemente são boas por um bem maior. É como ver um bordado do lado do avesso. Não tem graça, mas quando virado se vê a arte que foi bordada. As  vezes Deus não mostra o lado direito e quer ver nossa fé nos momentos mais difíceis.
Devemos analisar a consequência daquilo que iremos optar. Se fizermos o bem com sacrifício renunciando a nós mesmos, seremos mais felizes. Se obedecermos aos nossos instintos e formos levados pelas alegrias momentâneas que o mundo oferece, viveremos em uma constante angústia. É isto que tem experimentado a nossa sociedade cheia de sofrimento e depressão. Quer encher o vazio existencial com coisas que só aumentam o seu vazio.
O amor exige sofrimento. Quando amamos de verdade precisamos “deixar” muitas coisas por aquilo que temos preferência, não podemos abraçar tudo. São João da Cruz nos diz que se quisermos o Tudo, devemos ir pelo nada. A felicidade é um processo de amorização de nossa vida quando a vontade de Deus se coincide com a nossa vontade.
Deus nos ama porque “saiu” de si para construir o homem criando-o à sua imagem e semelhança. Este é o grande mistério que envolve toda a nova perspectiva cristã que se opõe ao relativismo de nosso mundo. Devemos ser corajosos em nossa opção lutando sempre pela estabilidade no amor dentro da instabilidade de nossa vida.



"Senhor Jesus, fazei que saibamos renunciar a nós mesmos para vivermos os seus valores e sermos mais felizes junto com nossos irmãos”.