segunda-feira, 17 de junho de 2013

A VITÓRIA DA RENÚNCIA DE NÓS MESMOS




“PARA SEGUIRMOS A CRISTO, PRECISAMOS SABER RENUNCIAR AO NOSSO EGOÍSMO”.

Jesus exige de seus seguidores a capacidade de deixarem tudo pelo Reino. Quando dizemos sim ao projeto de Deus, devemos saber dizer não ao nosso projeto particular. A nossa vida é um grande mistério, o conhecimento de Jesus irá definir em plenitude o que nós somos. O tema da renúncia sempre foi muito bem elaborado em toda a espiritualidade cristã. Ela, na realidade deve nos levar ao amor maior, a verdadeira prática do bem. A vida de Cristo foi um sacrifício pela nossa salvação e nós não alcançaremos a santidade sem oferecer a Deus as nossas dificuldades e provações que na realidade servem para crescermos no reconhecimento do que somos e de quem é Deus para nós.



EVANGELHO (Lc 09, 18-24):


Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?” Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”. Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isto a alguém. E acrescentou: “O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará".



“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me”.

O tema da renúncia faz parte integrante do cristianismo desde o seu princípio. O próprio Cristo nos dá o exemplo de renúncia quando oferece a sua vida para nos salvar. A pergunta que fica é sempre relacionada com a finalidade última da pessoa humana. Estamos em uma peregrinação. A fé cristã tem base no fato da ressurreição de Jesus e a nossa futura ressurreição onde viveremos em plenitude o que hoje vivemos limitados.
Jesus faz a pergunta aos seus discípulos para ver se eles teriam a coragem de deixar tudo pelo projeto de Deus. A linguagem usada por Ele sempre é misteriosa, não conseguimos ler de forma objetiva. Deus nos fala na nuvem. Por esta razão pela fé iremos entender qual é o sentido de renunciarmos as coisas que aparentemente são boas por um bem maior. É como ver um bordado do lado do avesso. Não tem graça, mas quando virado se vê a arte que foi bordada. As  vezes Deus não mostra o lado direito e quer ver nossa fé nos momentos mais difíceis.
Devemos analisar a consequência daquilo que iremos optar. Se fizermos o bem com sacrifício renunciando a nós mesmos, seremos mais felizes. Se obedecermos aos nossos instintos e formos levados pelas alegrias momentâneas que o mundo oferece, viveremos em uma constante angústia. É isto que tem experimentado a nossa sociedade cheia de sofrimento e depressão. Quer encher o vazio existencial com coisas que só aumentam o seu vazio.
O amor exige sofrimento. Quando amamos de verdade precisamos “deixar” muitas coisas por aquilo que temos preferência, não podemos abraçar tudo. São João da Cruz nos diz que se quisermos o Tudo, devemos ir pelo nada. A felicidade é um processo de amorização de nossa vida quando a vontade de Deus se coincide com a nossa vontade.
Deus nos ama porque “saiu” de si para construir o homem criando-o à sua imagem e semelhança. Este é o grande mistério que envolve toda a nova perspectiva cristã que se opõe ao relativismo de nosso mundo. Devemos ser corajosos em nossa opção lutando sempre pela estabilidade no amor dentro da instabilidade de nossa vida.



"Senhor Jesus, fazei que saibamos renunciar a nós mesmos para vivermos os seus valores e sermos mais felizes junto com nossos irmãos”.

domingo, 9 de junho de 2013

JESUS E A MULHER PECADORA


 

“A EXPERIÊNCIA DE DEUS NOS LEVA À EXPERIÊNCIA DE PERDÃO”.

Neste XI domingo do tempo comum somos convidados a refletir sobre o tema da aceitação do próximo na vivência do mandamento do amor. Quanto mais amamos, mais perdoamos e nos sentimos perdoados e capazes de ter uma visão nova da realidade. O mundo está sofrendo a dura consequência de seu fechamento sobre si mesmo sem descobrir as raízes da verdadeira felicidade proposta por Jesus no anúncio da Boa Nova da Salvação. Quando somos envolvidos pelo amor misericordioso de Deus não olhamos para o mundo e as pessoas com um olhar de maldade, mas de compaixão e misericórdia. Estamos em um processo de retorno ao nosso criador que nos ama infinitamente.



EVANGELHO (Lc 07, 36-08, 3):

Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume. Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: “Se este homem fosse profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é pecadora”. Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para te dizer”. Simão respondeu: “Fala, mestre!” “Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de parta, o outro cinqüenta. Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?” Simão respondeu: “Acho que é aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: “Tu julgaste corretamente”. Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Tu não me deste o beijo de saudação; ela porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela porém, ungiu meus pés com perfume. Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco, mostra pouco amor”. E Jesus disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”. Então, os convidados começaram a pensar: “Quem é este que até perdoa pecados?” Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz!” Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a boa nova do reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.



“Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor”.


O projeto de Deus está relacionado com a salvação da pessoa. Na passagem do evangelho deste domingo percebemos que Jesus não olha as aparências, nem os títulos, nem as honras, mas sim o desejo de uma profunda conversão que começa pelo amor que nos incita à experiência de perdão. Tudo é resumido no amor. Nunca poderemos entender Deus sem penetrarmos na órbita do amor.
O fato da mulher adúltera que vai ao encontro de Jesus é muito impressionante pela atitude humilde e corajosa desta pessoa marcada pelos erros que havia cometido em sua vida e pela acolhida restauradora do Senhor em sua vida. O grande número de pecados que ela havia cometido, tendo consciência de seus atos, não lhe impediram a ir até o encontro do Senhor que iria modificar definitivamente a sua vida. Percebemos como o Senhor é infinitamente misericordioso.
A atitude de acolhida da parte de Jesus não é bem vista por um homem que se considerava justo, mas que não tinha capacidade para entender que Deus é infinitamente misericordioso. Quando nos voltamos para Deus nossa vida passa por uma profunda transformação. Somos criaturas novas. O passado deixa de imperar em nossa vida e só nos importamos pelo fato de sermos profundamente amados por Deus. Nós necessitamos de um ideal mais profundo que oriente a nossa vida. Muitas vezes nos perdemos no superficial e nos esquecemos que nosso coração só encontrará paz em Deus. Vivemos em um mundo pluralista que nos arrasta a relativizarmos os valores que são fundamentais para a nossa verdadeira realização. A ditadura do relativismo comanda as pessoas iludidas pelo poder econômico que corrompe todas as camadas da sociedade. Não é fácil viver dentro desta realidade e colocarmos os valores de solidariedade cristão dentro deste ambiente.
Os cristãos não devem julgar ninguém. Não podemos, com nossa visão limitada, conhecer as intenções mais profundas das pessoas. Por esta razão devemos ver o lado bom de cada indivíduo e procurar promovê-lo no sentido de uma profunda transformação que só acontece no reconhecimento do amor que Deus sente por nós todos.
Quando estamos dentro do processo de amorização (aceitação do amor de Deus em nós e em nossos irmãos) passamos a aceitar a todos dentro de sua realidade. Começamos a fazer o possível para promover a pessoa em seu nível original. O tema do perdão e do amor é importantíssimo para entendermos que Deus quer que todos participem de sua felicidade. Só o amor poderá construir algo em nossa vida.

"Senhor Jesus, fazei que saibamos aceitar com amor os nossos irmãos superando as suas e as nossas limitações”.

domingo, 2 de junho de 2013

CURA DO FILHO DA VIÚVA DE NAIM



“A PRESENÇA DE CRISTO RENOVA TODAS AS COISAS”.

A presença do Senhor muda todas as coisas. No evangelho deste domingo (X do tempo comum), temos um momento da manifestação da grande misericórdia do Senhor que traz novamente a vida o filho de uma pobre viúva que sem sua presença ficaria totalmente desamparada. O mundo precisa ver na presença de Jesus a verdade que liberta e faz nova todas as coisas. Onde Jesus está presente há vida e salvação. Devemos cultivar uma amizade íntima com Jesus, pois ele está no meio de nós. Precisamos anunciar ao mundo esta verdade e vivermos alegres e felizes em meio às dificuldades da vida, pois este testemunho será capaz de mudar o mundo iludido com as alegrias momentâneas.



EVANGELHO (Lc 07, 11-17):

Naquele tempo, Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chore!” Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. E a notícia do fato espalhou-se pela Judéia inteira e por toda a redondeza.



“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” O que estava morto sentou-se e começou a falar.


A presença de Jesus transforma a realidade de morte em realidade de vida. Deus cuida de nós como seus filhos. Vemos nesta atitude de Jesus a sua sensibilidade em relação a viúva que perdeu seu filho. O toque de Jesus fez que o jovem se levantasse. Podemos deduzir desta atitude que quando o Senhor está perto existe vida e alegria. Precisamos ser tocados por Jesus seguindo seus valores. O toque dele produz vida e alegria, mas é um toque exigente que nos transforma de uma vida de fechamento para uma vida de abertura.
A sociedade moderna não entende nada sobre a verdadeira qualidade de vida e da fonte de felicidade que é estar junto de Deus. Ela tenta se esconder de si mesma vivendo na mentira. Hoje temos muitas pessoas mortas espiritualmente porque não descobriram a alegria que o Divino Espírito Santo provoca em nós. As pessoas querem alcançar a felicidade sem deixar de lado aquilo que não lhes faz bem em suas raízes. Deus nos tira do fundo do poço para nos levar até Ele para sermos realmente felizes.

Para sermos “levantados” por Jesus devemos deixar de lado o que não nos faz bem. Nunca vamos poder abraçar o bem com o mal. São duas realidades totalmente opostas. Ou assumimos a vida nova no Espírito Santo assumindo o Senhorio de Jesus ou vivemos conforme o mundo e ficaremos sempre como “cadáveres ambulantes” dominados pela grande mídia. Jesus transmite vida para aqueles que se abrem livremente para a vida nova. Nós sempre teremos tentações, provações e consolações nesta vida. Mas devemos confiar na presença de Jesus para vencermos o mundo. Sempre seremos tentados pelo velho homem que cultiva nossas fraquezas, mas o grande antídoto para esta força é a grande confiança que devemos cultivar na infinita misericórdia do Senhor. Nenhum pecado pode ser maior do que o amor que Deus sente por nós e este amor deve ser o ponto de referência em nossa vida e não as nossas limitações.
Quando perseveramos com Cristo passamos por todas as tribulações momentâneas para depois alcançarmos a alegria permanente de estar sempre com o Senhor. Aos poucos vamos criando uma nova sensibilidade semelhante à de Jesus que percebeu a angústia desta mãe aflita pela perda de seu filho. Nós cristãos devemos ser especialistas no amor e na sensibilidade para com as dores de nosso próximo. Quando saímos de nós mesmos para irmos ao encontro do próximo na humildade crescemos na verdade da presença de Jesus que vai aos poucos nos transformando.



“Senhor venha nos tocar com teu amor para nos tirar da morte do pecado”.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A FÉ DO CENTURIÃO


Nós somos aquilo que acreditamos. Nos identificamos com nossa crença. Neste nono domingo do tempo comum somos questionados sobre a fé.  Ela é um processo de aceitação do mistério de Deus em nossa vida. É uma experiência pessoal que envolve toda pessoa. Necessitamos da oração para crescermos no processo da fé. O imediatismo é extremamente prejudicial a vivência da fé. Há muitas ofertas de realização imediata que não coincide com o projeto de Jesus Cristo.


Evangelho - Lc 7,1-10

Quando acabou de falar ao povo, Jesus entrou em Cafarnaum. Havia lá um centurião, que tinha um empregado que lhe era muito querido e se achava doente, quase morrendo. Tendo ouvido falar de Jesus, o centurião enviou-lhes alguns anciãos dos judeus para lhe pedir que viesse salvar seu empregado. Aproximando-se de Jesus, eles lhe suplicavam com insistência, dizendo: “Ele merece mesmo que o Senhor lhe conceda a graça, pois gosta do nosso povo e foi ele que construiu nossa sinagoga”. Jesus foi andando com eles. Mas, quando já estava perto da casa, o centurião mandou uns amigos lhe dizer: “Senhor, não precisas incomodar-te, porque eu não sou digno de que entres na minha casa; por isso também não me julguei digno de ir ter contigo; mas dize uma só palavra e meu empregado será salvo. Pois até eu, que sou apenas subalterno, tenho soldados à minha disposição e digo a um: “Vá” e ele vai, e a outro: “Venha” e ele vem, e ao meu empregado: “Faça isso” e ele faz”. Ouvindo isto, Jesus ficou admirado com ele; e, voltando-se, disse à multidão que o seguia: “Eu lhes afirmo que nem mesmo em Israel achei uma fé tão grande assim”. De volta à casa, os enviados encontraram o empregado completamente são.



“Eu lhes afirmo que nem mesmo em Israel achei uma fé tão grande assim”. 

A fé exige entrega e confiança. Se ficarmos com algumas reservas não iremos nos entregar ao plano de Deus. Vendo a realidade do mundo atual podemos nos perguntar se ainda existe fé dentro da sociedade. Ao mesmo tempo percebemos muitos sinais de devoções entre as pessoas que são consideradas grandes em vários setores no mundo dos negócios. A pessoa humana necessita de algo que a supere. A resposta da fé é superior ao que experimentamos nesta realidade. Ela é sempre um grande desafio. Os que se consideram agnósticos na realidade são medrosos em relação as suas vidas. Pela fé obtemos uma resposta real sobre o porquê estamos aqui. Não podemos negar nossa própria existência.
A fé cristã tem um diferencial. Cremos em Cristo que é o Verbo de Deus feito carne para nos salvar. Esta verdade inclui uma resposta de conversão constante. Por esta razão ser cristão não é fácil porque nossos valores nem sempre se coincidem com o que a sociedade aprova. Os cristãos pela fé seguem a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja. Estes ensinamentos são milenares. A “pregação” da mídia é de agora com base no egoísmo humano. Sem perceber aquilo que faz a pessoa crescer fica em último lugar. Um exemplo é a super valorização do alcoolismo e ao mesmo tempo a tentativa de combater a dependência química. A Palavra de Deus mostra valores que são essenciais. A palavra da mídia disfarça os problemas sérios da pessoa humana.
Quando seguimos a Cristo pela fé valorizamos o que não passa. Olhamos para a realidade de forma diferente porque acreditamos que esta vida não é definitiva e algo muito melhor nos espera para sempre na eternidade. Não somos fruto do acaso. Deus tem um plano de amor para cada uma de suas criaturas. As pessoas que tentam não ter fé vivem confusas sem princípio e sem fim. Os cristãos precisam ser através da fé um sal que é capaz de salgar ou transformar a realidade para bem melhor.
O centurião era um homem estrangeiro, mas que estava aberto ao extraordinário. Percebeu em Jesus a possibilidade de cura de seu servo. A fé exige esta abertura ao mistério. Tudo é graça de Deus. Precisamos da sensibilidade que os santos cultivaram. As crianças ainda conservam esta pureza de coração. Podemos nos perguntar se este método que a maioria das pessoas segue hoje está trazendo uma realização profunda. Pelo jeito não, pois aumenta cada vez mais o número de pessoas depressivas e doentes. Se obedecêssemos ao método apresentado pela Palavra de Deus através da fé certamente não teríamos tantos problemas como hoje.
A manipulação das consciências que se vive neste sistema mundial tem trazido sérios problemas para a humanidade. Precisamos ser como o centurião. Entregar nossa vida a Deus sem reservas. Queremos o bem e somos obrigados a passar pelo mal. Não temos medo, pois o Senhor caminha conosco até o encontro definitivo com ele.


“Senhor Jesus nos ajude a viver a nossa fé com alegria”.

domingo, 26 de maio de 2013

CORPUS CHRISTI


“SE O SANTÍSSIMO SACRAMENTO FOR ADORADO, O MUNDO SERÁ TRANSFORMADO”.

Com muita alegria celebramos nesta quinta feira a festa que comemora a “Presença” Real de Jesus na Eucaristia. Jesus se dá em cada Eucaristia celebrada com seu infinito amor. Ela é uma fonte inesgotável de misericórdia por nós que somos limitados pelas nossas fraquezas. O amor verdadeiro exige presença. Só amamos o que percebemos no fundo de nosso coração. Jesus entra no profundo centro de nossa humanidade e comunica o seu amor misericordioso. Esta festa recorda que jamais Deus abandona suas criaturas. Nunca estaremos órfãos porque o Senhor está conosco em sua Igreja.
A festa de “Corpus Christi” é um momento forte de oração e louvor a Jesus presente no meio de nós no Santíssimo Sacramento. Ela foi instituída em 1264 pelo Papa Urbano IV que desejava que houvesse uma solenidade para glorificar a “presença real de Jesus Cristo na Eucaristia”. A festa do Corpus foi marcada oficialmente na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade.

 

EVANGELHO (Lc 09, 11-17):

Naquele tempo, Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o reino de Deus e curava todos os que precisavam. A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”. Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”. Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”. Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos seus discípulos para distribuí-los à multidão. Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.



“Todos comeram e ficaram satisfeitos”.


A Santíssima Eucaristia é um grande mistério de amor. Quando o sacerdote acaba de consagrá-la ele diz: “Eis o mistério da Fé”. O amor exige presença. Deus está presente de uma forma real e única no Sacramento da Eucaristia. A Igreja superou muitas situações difíceis graças à realidade da presença de Jesus na Hóstia Consagrada. Hoje sofremos a dor de tantas denominações cristãs que se dividem cada vez mais por falta de uma real compreensão da Eucaristia.
Jesus sacia a fome de milhares de pessoas como um sinal: quem vive a vida nova na Graça de Deus jamais passará fome física e espiritual. Os discípulos recebem a missão de alimentar a multidão. Eles serão responsáveis no futuro de dar a comunidade o pão da Palavra e da Eucaristia. Jesus é o Pão da Vida que nos alimenta e nos faz mais dóceis ao plano de Deus. O mundo está faminto da verdade desta presença amorosa de Deus. Infelizmente a maioria das pessoas se alimenta da mentira que lhes satisfaz no momento. Logo ela leva a uma profunda crise de relacionamento que causa depressão e sofrimento.
A presença de Jesus no Sacramento da Eucaristia é a principal graça que temos como herança para a nossa salvação. Quando aceitamos a Cristo, precisamos aceitá-lo como um todo. Jesus é o novo cordeiro que tira os pecados do mundo. A Páscoa toma um novo sentido. É a passagem da morte para a vida através do próprio Cristo que nos ama e nos leva até uma nova realidade.
Deus deseja se unir a nós, mesmo sabendo de nossas fraquezas. É através da Eucaristia        que nos fortificamos em nossa vida de Fé, preparando-nos para a futura união definitiva com Ele.
A Eucaristia é nosso alimento salutar. Sacramento de cura de nosso egoísmo. Ela é vida que se reparte. Por esta razão precisamos nos tornar a extensão da Eucaristia que celebramos. Ela serve para conservar e cultivar a Graça de Deus em nós. Exige uma verdadeira abertura de coração, vencendo toda a nossa racionalidade, purificando todo o nosso egoísmoA presença de Jesus na Eucaristia é remédio para a humanidade. Ela nos ajuda a sermos solidários, a repartirmos nossa existência com de nossos irmãos.
Nesta quinta feira em várias comunidades teremos a procissão com Jesus Sacramentado. Não podemos esquecer-nos do sentido espiritual que tem esta procissão por nossas ruas que são preparadas para a passagem de Jesus sobre a espécie Eucarística. Este momento é um momento de muita devoção. Nele acontece a cura dos corações de muitas pessoas mesmo daquelas que não tem a real consciência deste Grande Mistério.
O fato de Jesus caminhar conosco é muito importante. Ele deve fazer parte de nossas vidas, da realidade de nosso cotidiano. Quando Jesus estava no meio de seu povo seu olhar se voltava para todos, especialmente para os doentes e necessitados. Ao olharmos para o Ostensório contendo a Hóstia Consagrada nesta quinta-feira vamos pedir a Jesus uma renovação total de nossas vidas, a libertação do pecado e uma vida de profunda fraternidade.
Deus nos ama tanto que quer fazer parte de nossa vida. Esta festa nos alegra muito e nos compromete a vivermos a mensagem de Cristo contida nos Evangelhos.





"Graças e louvores sejam dadas a todo o momento. Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”.

HISTÓRICO DA FESTA DO CORPUS CHRISTI.

Ao redor o ano 1000 se despertou um grande entusiasmo eucarístico. Isto ocorreu devido a questões que surgiram para defender o mistério eucarístico contra heresias que surgiram colocando dúvidas sobre este sacramento.
O motivo principal para a instituição desta festa foi a revelação que teve Santa Juliana de Carmellón, Liège (Bélgica, 1193-1298). A ela deu-se o fato de uma aparição ou sonho de um disco luminoso com uma franja escura. A interpretação deste fato foi que o disco luminoso significava o ano litúrgico e a franja escura o vazio que se encontrava nele pela ausência de uma festa em honra ao Santíssimo Corpo de Cristo. Santa Juliana falou do acontecido ao seu confessor, que comunicou o fato a vários teólogos com o fim de indagar seus pareceres. Entre eles se encontrava o provincial dos dominicanos Hugo de Thierry e o cônego de Liège Jacques de Troyes. Este insistiu ao bispo Roberto para que a festa fosse estabelecida na diocese de Liège, e assim o fez em 1246.
Anos mais tarde Jacques de Troyes foi eleito Papa com o nome de Urbano IV. O interessante é que ele mesmo não estava mais tão interessado em introduzir a festa como uma solenidade universal.
Por esta época aconteceu um fato milagroso sucedido em Bolsena, segundo o qual um sacerdote peregrino sentiu grandes dúvidas sobre a presença eucarística ao celebrar a missa na igreja de Santa Cristina. Da Hóstia Consagrada saíram algumas gotas de sangue que mancharam o corporal. Ao saber do acontecido, o Papa Urbano IV quis ver os corporais e mandou traze-los a Orvieto, onde estava e neste local se encontram até hoje. Este fato influenciou  ao Papa a estabelecer na Igreja universal a festa do Corpus.
A procissão do Corpus aconteceu mais tarde sendo que as primeiras tiveram início em Colônia. Ao princípio se levava o Santíssimo fechado na píxide. Aos poucos se queria ver a Hóstia Consagrada e assim apareceram as Custódias ou Ostensórios para que todos pudessem contemplar a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento.

Obs. Estes dados foram retirados do Curso de Liturgia da Biblioteca de Autores Cristãos,  Madri, 1961. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE: A VERDADEIRA COMUNIDADE



“DEUS NOS CRIOU PARA PARTICIPARMOS DE SUA FELICIDADE”.

Neste próximo domingo celebramos a festa da Santíssima Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Um Deus em três pessoas.  É o grande mistério cristão. Deus é um só em três pessoas. Ele nos cria nos salva e nos santifica para participarmos de sua felicidade. O amor de Deus por nós é o que temos de mais real em nossa vida. Ele nos preparou para a eternidade.  Somos criados semelhantes a Ele para vivermos em unidade com nossos irmãos. A busca da felicidade encontra resposta na própria pessoa de Deus. Seremos felizes quando partilharmos nossa vida. O mistério cristão da Trindade nos define como pessoas solidárias. Por esta razão que o cristianismo sempre será perseguido. Ele não se associa com o pensamento individualista implantado no mundo pela “grande mídia” que serve ao poder econômico. Se Deus vive o amor. Ele é o nosso Criador e só seremos felizes se formos como Ele.




EVANGELHO (Jo 16,12-15):

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Tenho muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vô-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.



“Quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá à plena verdade”.



O questionamento sobre a verdade perpassou a história da humanidade. Este foi o grande questionamento que os grandes filósofos gregos se debruçaram durante muito tempo: Como se conhece a verdade e o que ela é na sua essência? Em Jesus Cristo encontramos uma resposta objetiva para este questionamento: Ele é o caminho a verdade e a vida. Ele irá nos ensinar a viver a vida na graça de Deus reconhecendo que somos amados por Deus que não está distante de nós.
O mistério da Trindade é básico para aceitarmos o mistério cristão. Toda espiritualidade cristã é Cristocêntrica e Trinitária. Por Jesus conhecemos quem é o Pai pela força santificante do Espírito Santo. Jesus nos revela o mistério de Deus que é um só em três pessoas. Não podemos explicar racionalmente o mistério trinitário, mas vivê-lo em nosso coração. Todo mistério exige uma atitude de fé que passa pela humildade e pelo amor.
Fomos criados por Deus à sua imagem e semelhança. Se Deus é amor, nós seremos felizes vivendo a dimensão altruísta que Deus vive. Ele sai de si para ir de encontro de cada um de nós “perdendo” para nos edificar. O ser humano sofre de uma fome eterna porque se afasta do Eterno. Nunca seremos felizes longe de Deus. O criador jamais abandona suas criaturas. Deus sempre estará presente em nossa vida em qualquer situação, mesmo que por nossa ignorância pensemos em nos afastar d’Ele.
A Santíssima Trindade é o mistério primordial do cristianismo, fonte de todo dom e de todo bem. A revelação deste mistério pertence ao Novo Testamento. O Antigo Testamento põe toda a atenção em proclamar e exaltar a unidade de Deus: um só é o Senhor. O povo de Israel, que vivia em contato com povos pagãos, tinha necessidade de ser continuamente chamado a reconsiderar esta verdade para não cair na idolatria.



Com a vinda de Cristo, Deus se revela ao homem no mistério de sua vida íntima, da perfeição e fecundidade de seu ato de conhecimento e de amor, pelo qual é Pai que gera o Verbo, é comunhão da qual procede o Espírito Santo. Deus entra numa profunda relação com os homens, não só como Senhor e Criador, mas também como Trindade. Ele é Pai que os ama como filhos em seu único Filho e na comunhão do Espírito Santo. A partir deste momento o projeto de Deus não está em um só povo, mas sim para todos aqueles que aceitam a mensagem de Cristo.

Através do Santo Batismo passamos a ter uma profunda relação com a Santíssima Trindade. Por meio dele renasce em nós a "Vida Nova". O homem se reconhece filho do Pai Celeste que lhe decretou a regeneração; irmão de Cristo que lho mereceu com o sangue da Cruz; templo do Espírito Santo que lhe infunde o espírito de adoção. Diante de Deus, o batizado não é simples criatura e, sim, filho introduzido na intimidade de sua vida Trinitária, a fim de que viva em sociedade com as três Pessoas divinas, que nele habitam.
Nas palavras de São João da Cruz, o mistério da Trindade é a chama de amor viva que arde "no mais profundo centro", pois "o centro da alma é Deus" (Chama Viva de Amor 1,12), onde "o Verbo, Filho de Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, está essencial e presencialmente escondido no íntimo ser da alma" (Cântico Espiritual 1,6).
Devemos viver em plenitude os dons da Santíssima Trindade abrindo-nos à ação do Espírito Santo para nos comportarmos como filhos do Pai Celeste, como irmãos de Cristo.
Associado ao mistério da Trindade está a presença permanente de Jesus na Eucaristia, a comunhão transformante e dignificante de nossa vida, e a intercessão permanente de Maria que participa neste mistério através da Encarnação.


"Obrigado Deus Trindade pelo imenso amor que sentes por nós que é capaz de fazer participarmos de sua vida divina”.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

PENTECOSTES: O ESPÍRITO SANTO VEM ATÉ NÓS.





“O ESPÍRITO SANTO ABRE NOSSO CORAÇÃO AO AMOR DE DEUS”.


Celebramos neste domingo a festa de Pentecostes que nos recorda a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos com Maria Santíssima. Na antiga tradição judaica era a festa da Aliança e do dom da Lei. Recordava o recebimento das tábuas da Lei dadas a Moisés (Ex 20, 01-21). Era também associada às colheitas, à riqueza da vida, aos frutos do campo e do trabalho do homem. Celebrada cinquenta dias após a Páscoa. A festa cristã de Pentecostes celebra a vinda do "Espírito Santo" (At 2, 01-11). Ela conserva também esse sentido de plenitude. É o tempo da colheita, da Vida Nova. É tempo de viver e aproveitar os Dons que o Senhor nos dá para nossa santificação. Nesta festa comemoramos o início da Igreja quando os Apóstolos “tomam consciência” do grande mistério que envolveu suas vidas com a presença do ressuscitado saindo para a missão universal.




I LEITURA (At 02, 01-11):

Quando chegou o dia de pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheio de espanto e de admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos em nossa própria língua? Nós que somos pertos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”


EVANGELHO (Jo 20,19-23):

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.  Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A Paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.


“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”.

A vinda do Espírito Santo transformou a história da humanidade. A partir deste momento os discípulos de Jesus não terão mais medo de anunciarem que ele é o Cristo, o ungido, o Filho de Deus que veio nos salvar. A grande realidade que ele está vivo no meio de nós. Celebrar pentecostes é recordar o momento em que os discípulos de Jesus se tornaram Apóstolos. De seguidores de Jesus como mestre, começam a dar testemunho dele como Senhor Ressuscitado. O seguimento antes de pentecostes era desde fora. Após a experiência no Espírito Santo, eles terão um seguimento desde dentro. De agora em diante será uma amizade com o Cristo Vivo que se manifesta dentro da comunidade.

A leitura histórica do cristianismo deve ser feita de trás para frente a partir de Pentecostes. A Efusão do Espírito Santo transformou a vida destas primeiras pessoas e até hoje realiza a mesma transformação. Ela é provocada pela tomada de consciência de que somos amados por Deus. Não estamos “soltos” sem apoio, pois o Senhor está conosco. Quando descobrimos esta realidade não temos mais medo de anunciar a verdade e experimentamos em nosso interior a verdadeira alegria.
Podemos afirmar que em pentecostes se cumpre a antiga promessa que Deus fez a Abraão que foi o primeiro homem a receber a revelação do amor de Deus em sua vida (Gn 15). A “grande promessa” se cumpre, pois esta revelação chega a sua plenitude. Deus vem até nós com seu Espírito e jamais irá nos deixar.
A linguagem nova dos apóstolos não será mais uma simples teoria filosófica ou teológica. É fruto da graça santificante que se transforma em linguagem universal. Por esta razão eles são entendidos enquanto discursavam. Eles irão anunciar as maravilhas de Deus que irá tocar o coração dos judeus e de todas as pessoas de boa vontade.
A experiência com o Espírito Santo é transformadora de nossa vida. Quando refletimos sobre o mistério de Pentecostes temos que sempre utilizar o verbo transformar. O egoísmo já não tem lugar na vida do que experimenta o amor de Deus. A palavra transformação é sinônimo de conversão. De agora em diante tudo será dissolvido no amor de Deus. Quando isto acontece as coisas do mundo se tornam enjoadas. O mundo não exerce nenhuma atração sobre os que vivem sobre o amor. A paz do coração toma lugar da angústia do materialismo e da sensualidade. Aí entendemos a atitude dos mártires que morriam felizes em meio as torturas que sofriam.
Após pentecostes, a compreensão do sentido da vinda de Jesus é mais clara e a Igreja toma a sua forma como comunidade daqueles que acreditam em Deus e em seu projeto. Ela irá dar continuidade através da transmissão apostólica das graças recebidas com a vinda de Cristo. Não existe cristão fora da Igreja. Todos que são batizados legitimamente pertencem a ela mesmo que não queiram ou não saibam desta realidade. Só existe um cristianismo e uma só Igreja de Cristo. Por esta razão nossa catequese deve ser cada vez mais sólida ensinando ao povo a verdade que realmente liberta.
Jesus envia o Espírito Santo para que possamos ter uma experiência profunda de perdão e misericórdia. Só quando nos sentimos perdoados e nos capacitamos para aceitar o amor de Deus começamos a experimentar em nosso coração a paz de consciência. Em Pentecostes se celebra a vitória sobre o pecado, a vitória sobre nossas limitações, pois tomamos consciência de que o amor de Deus por nós é maior do que todas as coisas. Somos amados acima de nossas limitações. Os apóstolos e seus sucessores são revestidos do poder de perdoar os pecados. Este poder não é humano, mas vem diretamente do coração de Deus que ama suas criaturas. Lembramos que Jesus antes de curar fisicamente algum enfermo, sempre perdoava os seus pecados. A experiência de perdão é capaz de curar qualquer enfermidade.
A paz é consequência da certeza do porque existimos. O sacramento da Reconciliação é muito importante para nós, especialmente no sentido de abrir nosso coração ao amor de Deus. Existe um grande número de pessoas sofrendo de depressão, justamente porque o amor de Deus ainda não conseguiu penetrar profundamente em suas vidas. Quando recebemos o perdão de Deus nos tornamos novas criaturas com uma alegria infinita.
Não podemos deixar de pedir ao Senhor a Graça do Espírito Santo em todas as atividades que vamos empreender, especialmente naquelas que sejam relacionadas com a caridade, para não errarmos o caminho e concretizarmos efetivamente a vontade de Deus.
Quando estamos envolvidos pelo Espírito Santo somos criaturas novas. Nosso amor se reparte para toda humanidade, somos promotores da unidade e da verdade que nos torna livres. A alegria invade nosso coração, vencemos a discórdia e o espírito anti comunitário reinante na sociedade comercial que vivemos. O ser humano é muito mais do que compra e venda. Somos amados por Deus e estamos a caminho de uma união definitiva com Ele.



 “Divino Espírito Santo, consumi em mim tudo aquilo que me impede que eu me consuma em Vós”.