segunda-feira, 8 de abril de 2013

A PESCA MILAGROSA: É O SENHOR QUE ESTÁ ENTRE NÓS.




O terceiro domingo da Páscoa nos apresenta mais um momento com o Ressuscitado. A “pesca milagrosa” nos mostra como não estamos mais sozinhos. Jesus se manifesta glorioso para preparar a grande missão dos discípulos após Pentecostes. Eles serão as testemunhas do plano de salvação de Deus para toda criatura humana. Deus quer salvar a todos. Os discípulos serão os primeiros anunciadores da verdade que aceita por nós inicia um processo de libertação que vai culminar na vida eterna. O Senhor realiza sinais de sua presença hoje no meio de nós. Precisamos escutá-lo em nosso interior. O materialismo é extremamente prejudicial porque nos afasta de nosso eixo. O apego as coisas transitórias nos desviam do essencial. Jesus está presente em nosso meio da mesma forma que esteve na vida dos seus discípulos. Quando cultivamos uma amizade aberta e sincera com Jesus seremos transformados em novas criaturas.

EVANGELHO (Jo 21, 01-14):
Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?”  Responderam: “Não”’. Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram, pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram a terra, viram brasas acessas, com peixe em cima, e pão. Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

“É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar.

A afirmação de João sobre a certeza da presença de Jesus ressuscitado é um testemunho que movimenta logo Pedro que foi escolhido por Jesus para ser o chefe da Igreja. Pedro não quer perder tempo, deseja profundamente seu encontro com o Mestre que agora é Senhor.
A pesca milagrosa comprova a presença de Jesus como todos os milagres, sinais e prodígios que ele realizou. Ela foi consequência de um fato novo. Os sinais da presença do Mestre comprovam uma nova época, uma nova história. Os discípulos não estão mais sós. Jesus estará sempre presente em suas vidas de agora em diante. Os cristãos são anunciadores da presença real de Jesus Vivo no meio de nós.
É extraordinário pensar na alegria e na surpresa que invadiu a vida destes homens que estavam tristes e decepcionados com os fatos que haviam acontecido. Acreditavam que Jesus iria fazer uma restauração somente política, mas a sua restauração era muito maior. É uma restauração em nível mais profundo, dos valores, da busca do essencial tendo como prêmio a vida eterna. O centro da doutrina cristã é fazer o bem em qualquer ambiente.
Deus muitas vezes tem uma lógica misteriosa, uma linguagem que nos deixa sem ação. Toda humanidade foi transformada pelo novo acontecimento. Dentro de seus corações os discípulos experimentaram a felicidade que antecede a alegria eterna. A certeza de que esta vida é uma passagem para o eterno, é uma preparação para o definitivo. Deus nos ama muito e nos preparou para Ele. Somos peregrinos nesta vida. Não levaremos nada conosco a não ser o bem que promovemos nesta vida.
Os discípulos ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Estavam incapacitados para entenderem o que significava a ressurreição para suas vidas e para o futuro da humanidade. Todos estes fatos seriam recordados e ganhariam uma nova interpretação após Pentecostes com a vinda do Espírito Santo. Talvez por esta razão que eles ainda estavam confusos.
O materialismo perde sua alternativa a partir da ressurreição de Jesus. A fascinação da sensualidade é uma folha frágil em relação ao fato da ressurreição.  A vida venceu a morte. O pecado perdeu sua autoridade sobre a pessoa humana. A sensualidade perde seu sentido frente ao amor de Deus. O mundo hedonista dos prazeres se torna limitado na busca da felicidade eterna que é certa a partir da Ressurreição do Senhor.
Pedro sempre toma iniciativa. Tanto para ir pescar como para se jogar no mar e ir imediatamente ao encontro do Senhor. Imaginamos a alegria que invadiu seu coração ao perceber que era Jesus que estava na margem? Além do amigo, o próprio Cristo, o ungido para restaurar todas as coisas. Deus que lhe deu a vida e a grande missão de iniciar e governar a Igreja.
Sempre que nos encontramos verdadeiramente com Jesus somos enviados para a missão. Devemos sofrer também as consequências da sua amizade e de seu amor. O sofrimento faz parte da vida dos que querem amar de verdade. O despojamento é fonte de verdadeira alegria. Não podemos seguir a Cristo sem passarmos pela ponte da cruz. Ela é necessária para se descobrir o caminho da vida. Não podemos temer as dificuldades e nossas limitações, mas termos a certeza da presença do Ressuscitado em nossa vida.
Falta pouco para Pedro deixar de ser um simples pescador, para cumprir com a grande missão que o Senhor irá lhe confiar de pregar a Boa Nova da Salvação a todos os povos. A experiência de Jesus irá se transformar em Palavra e Sacramento para que todo ser humano tenha oportunidade para se salvar.  

 “Senhor Jesus, nós queremos viver nossa vida conforme o vosso projeto”.



sábado, 6 de abril de 2013

FESTA DA MISERICÓRDIA


DEVOÇÃO AO JESUS DA MISERICÓRDIA




“Diz à humanidade sofredora que se aconchegue no Meu misericordioso Coração, e Eu a encherei de paz. A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar, com confiança, para a minha misericórdia”.

 

Estas palavras foram pronunciadas por Jesus Cristo na aparição a Santa Maria Faustina Kowalska nos anos trinta do século passado. A missão desta santa iniciou-se em 22 de fevereiro de 1931, quando o misericordioso Salvador lhe apareceu. Ela viu Jesus vestido de túnica branca, com a mão direita levantada a fim de abençoar, enquanto a esquerda pousava no peito, fazendo que a túnica, levemente aberta, deixasse sair dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. A Santa Faustina fixou em silêncio o olhar de Jesus que lhe disse:

“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” (Diário nº 699).


Neste próximo domingo em muitas comunidades católicas será exposta a imagem de Jesus Misericordioso. O sacerdote que divulgar esta devoção receberá muitas graças para si e para sua comunidade. Também podemos alcançar a graça da Indulgência Plenária conforme a Igreja prescreve para este dia.

 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A PAZ QUE O SENHOR NOS TRAZ PELA SUA MISERICÓRDIA


“RECONHECER JESUS RESSUSCITADO É RECONHECER SUA MISERICÓRDIA”.


O segundo domingo da Páscoa é reconhecido oficialmente pela Igreja como Domingo da Misericórdia grande devoção de nosso saudoso Papa João Paulo II. Esta festa nos recorda o momento em que Jesus entra Glorioso no Cenáculo com as portas fechadas e transmite a grande consequência dos que experimentam a Deus. A Paz é fruto do amor misericordioso de Deus para com suas criaturas. É o grande fruto do amor de Deus que jamais se esquece de seus filhos. Ele oferece o seu imenso amor a todos os seus filhos através de Jesus Cristo. É o grande mistério de amor da Santíssima Trindade que deseja que façamos parte de sua felicidade.

 

EVANGELHO (Jo 20, 19-31):

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos de Jesus se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados eles serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos em suas mãos, e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais a vida em seu nome.

 

“Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

A humanidade está passando por uma grande crise afetiva que envolve a dimensão mais profunda da pessoa. É uma crise que abala as relações humanas. As pessoas não se sentem amadas e por isso se perdem em seus próprios projetos particulares deixando de lado o plano de Deus. Nós seremos bem-aventurados no momento em que crermos firmemente que Jesus está vivo no meio de nós. Temos a certeza de sua presença e esta realidade é fonte de realização interior. Jesus nos oferece uma felicidade permanente. O cristianismo é uma herança do testemunho apostólico. Somos desafiados a crer no testemunho dos apóstolos que viram Jesus Ressuscitado e ter uma grande amizade com Ele.
A profissão de fé de Tomé, chamado dídimo, que significa pequeno; faz-nos repensar sobre nossa Fé como aceitação do Mistério da presença de Deus em nossa vida. Muitas vezes agimos como ele. Queremos uma comprovação daquilo que só é possível saber pela Fé. A razão é uma ferramenta que tem suas limitações para entendermos a lógica inefável de Deus.
Jesus entra no local onde os discípulos se encontravam com as portas fechadas. Com medo da perseguição e das críticas que os outros poderiam fazer em relação ao seu discipulado. Eles ainda não tinham experimentado a força do Espírito Santo que fará a abertura do Cenáculo e o anúncio do testemunho da Ressurreição de Jesus. Os cristãos do mundo inteiro devem anunciar hoje esta grande realidade sem medo algum de qualquer perseguição.
A saudação de Jesus se refere à grande necessidade do ser humano que é ter paz. Uma paz que muitas vezes exigirá sofrimento daqueles que irão ser seus apóstolos após Pentecostes. A segunda saudação de paz está unida à missão apostólica. Os apóstolos a partir deste momento recebem a graça do sacramento da Reconciliação. O perdão dos pecados que nos renova da nossa incapacidade de amar. O que seria de nós sem este sacramento. Viveríamos longe da Graça de Deus.
Jesus pede que os seus discípulos perdoem os pecados. É o mistério da Igreja, a forma de mediação mais perfeita que Deus deixou para nossa salvação. Infelizmente com o surgimento do protestantismo muitas pessoas relativizaram este mandato de Jesus pensando em um perdão pessoal. O pecado atinge a comunidade e o sacerdote em nome de Deus e da comunidade prejudicada com suas faltas, nos perdoa. É um momento de profunda libertação para todos nós. Se este sacramento fosse mais freqüente em nossa vida, certamente teríamos menos problemas de ordem afetiva e emocional.
Crer é aceitar e se entregar ao que Deus nos apresenta com sua linguagem paradoxal. Os discípulos “viram o Senhor”. Hoje devemos crer nesta verdade que perpassa os séculos. O testemunho é uma verdade que se vê na testa. Na frente da pessoa envolvida pelo mistério. Jesus não está morto, mas vive no meio de nós, na sua Igreja nos sacramentos, na pessoa de cada irmão especialmente os mais necessitados.
Crer é ter a vida em Cristo. É se dispor a negar-se a si mesmo em favor da missão que Ele nos confia. Quando acreditamos somos enviados ao sofrimento. A experiência de Deus é rica em misericórdia. Por esta razão ela é uma experiência de perdão. Quando somos perdoados nos sentimos amados. Por esta razão a humildade é necessária para sermos realmente felizes em nosso processo de ressurreição.
Somos pecadores, mas o Senhor é misericordioso e quer nos reconciliar. A comunicação perdida com Deus através do pecado original é derrotada pelo próprio amor que Deus sente pelas suas criaturas. A experiência da misericórdia afasta o inimigo de nossa presença e faz que confiemos no amor inefável de Deus.
Hoje, através de nossa vida, devemos mostrar ao mundo que Cristo está vivo. Especialmente pelos valores que vamos assumindo em nossa existência em direção ao Pai. Os cristãos precisam viver na alegria verdadeira que nasce da conexão com o Criador através de Jesus Cristo. Hoje queremos ser os bem-aventurados, que mesmo sem termos visto o Senhor acreditamos no testemunho daqueles que nos antecederam na Fé.
“Meu Senhor e meu Deus”. A profissão de fé do apóstolo Tomé marcou a história da humanidade. Podemos cair na tentação de achar que ele era uma pessoa fraca e insensível. Mas o crer no Cristo ressuscitado é o maior desafio que temos em nossa vida. Crer é concretizar na vida os valores de Cristo. Pela fé teremos paz que é um dom necessário para sermos felizes.
A saudação que Jesus ressuscitado faz ao estar junto aos seus discípulos é muito importante para que saibamos qual é a conseqüência da vida de seus seguidores. A paz é fruto do amor que invade o coração daquele que crê. O processo de ressurreição começa já nesta vida quando iniciamos a aceitar a realidade do amor que Deus sente em grande escala por nós.
O perdão é uma graça dada a partir do Espírito Santo e isto provoca a unidade dentro de nós mesmos e na vivência comunitária.  Tomé representa todos nós que queremos uma comprovação tátil daquilo que é sobrenatural. Quando amamos temos certeza de fatos que não conhecemos de um modo racional. A razão é um instrumento que deve nos levar a experiência de sermos criaturas amadas por Deus. 
Os primeiros mártires da Igreja nos dão provas de que quando vamos nos entregando ao mistério da ressurreição, nos desapegamos da sociedade que valoriza o que não tem valor.
Como é importante aceitarmos o testemunho de nossos irmãos. Vermos a transformação que acontece em suas vidas a partir da fé. Se Tomé tivesse valorizado aquilo que seus irmãos tinham experimentado, ele não seria revestido da dúvida em relação ao fato da ressurreição de Jesus.
A partir do mistério da Ressurreição de Jesus a história da humanidade já não é mais a mesma e a definição sobre a existência humana toma outro sentido. Jesus está vivo no meio de nós oferecendo a sua infinita misericórdia. Não podemos mais perder tempo com alegrias momentâneas, tudo o que estamos passando é preparação para a vida definitiva.
Se existimos é porque somos amados. Estamos sobre o olhar amoroso de Deus que nos criou para a vida. A conversão ou o nosso processo de ressurreição exige de nossa parte uma mudança em nosso olhar. Para nos santificarmos precisamos olhar como Deus olha. Deixarmos de lado todo egoísmo para experimentarmos o amor.

 

“Senhor Jesus nós confiamos em vossa misericórdia.”

segunda-feira, 25 de março de 2013

TRÍDUO PASCAL


“DEUS FEZ TUDO PARA QUE PARTICIPEMOS DE SUA FELICIDADE”.


A maravilha do cristianismo é saber que não é uma religião que partiu da iniciativa humana. Foi Deus mesmo que veio em busca do ser humano, obra prima de sua criação, para fazer que ele retornasse ao essencial. Ele se fez homem para nos salvar. Veio em nosso meio para mudar a história da humanidade perdida pelo efeito de seu próprio egoísmo. A fé no “Cristo Vivo” manifesta a infinita misericórdia do Senhor em relação as nossas fraquezas. Por esta razão ser cristão de verdade é sempre remar contra a correnteza e lutar contra si mesmo. O maior inimigo que temos é nosso próprio egoísmo.
Estamos iniciando o momento mais importante da liturgia cristã: O Tríduo Pascal. Segundo Santo Agostinho é o Sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado. Nele celebramos a vitória de Cristo sobre a morte. Nós cristãos não tememos a morte porque ela é a passagem (PÁSCOA) para a vida definitiva. Os sofrimentos momentâneos que enfrentamos em nossa vida quando oferecidos em forma de oração são meios de preparação para a felicidade eterna. As tristezas momentâneas do seguimento de Jesus vão ter como destino a felicidade eterna. Ele morreu na cruz e apareceu depois para seus amigos. Assim como Ele ressuscitou nós também iremos ressuscitar para a Glória.
Não podemos esquecer que o cristianismo é a única religião que tem como base o testemunho apostólico. Os apóstolos tiveram a experiência de “ver Jesus” depois de sua morte ressuscitado. Esta verdade se torna a base da doutrina da Igreja. Por esta razão os cristãos não seguem uma ideologia ou filosofia de vida. Seguem algo relacionado com suas existências. Algo que exige deles uma constante mudança de vida. O cristianismo é uma religião que visa à prática do bem em vista da vida definitiva. Jesus sofreu para nos mostrar que esta vida é uma preparação para a vida eterna. Deus nos ama muito. A grande prova do seu infinito amor por nós é que Ele além de nos ter criado nos salvou em Jesus Cristo que deu sua vida para nos salvar.
A culminância do Tríduo Pascal não é a morte de Cristo, mas sim a grande vitória sobre a morte na Ressurreição. Assim como Ele ressuscitou um dia também nós teremos esta mesma experiência se vivermos os valores que ele nos deixou dentro de nossa vida concreta. Se crermos na ressurreição de Jesus somos convidados a mudar de vida. Por esta razão nunca será fácil ser cristão.
Deus manifesta sua misericórdia sabendo que somos incompetentes em nossa missão de amar. O cristianismo é religião da misericórdia. Da vinda do Senhor para nos salvar.  Deus coloca o seu coração ao lado do nosso cheio de fragilidades. Vamos nos preparar para esta grande celebração com o abraço do Pai que experimentamos no sacramento da reconciliação que é uma grande forma de nos tornarmos mais livres e felizes. Quando Deus nos perdoa e perdoamos a nós e aos nossos irmãos, acontece na nossa vida uma verdadeira libertação.
Deus nos cria e nos recria para Ele (reconstitui o homem que se perdeu no mal uso de sua liberdade), através dos mistérios da Criação (PAI), Salvação (FILHO) e Santificação (ESPÍRITO SANTO). O homem por si mesmo não poderia se salvar. Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem absorve todos os nossos pecados para nos libertar e nos trazer novamente a possibilidade de sermos filhos muito amados de Deus. O Criador jamais se esquece de suas criaturas. Deus “pensa” com amor em cada um de nós. Não podemos calcular o amor que Ele sente por cada ser humano criado para fazer parte de sua felicidade.
Vamos procurar destacar as três principais celebrações deste Tríduo Pascal para que estas celebrações transformem nossa vida.



CEIA DO SENHOR (Quinta feira Santa):

 


Nesta celebração recordamos o grande momento da instituição da Eucaristia. Jesus antes de se dar no pão explica com um gesto concreto, lavando os pés dos discípulos, o que significa a consequência da Eucaristia: a caridade sem reservas e o serviço fraterno. Jesus está presente no meio de nós através da Santíssima Eucaristia. Sua presença não é simbólica, mas real. O amor de Deus não é parcial nem instável como o nosso fragilizado pelo egoísmo. Jesus se dá na mesa da Eucaristia para que possamos viver o seu mistério dentro de uma relação comunitária. Começamos a ser cristãos quando vamos nos esquecendo de nossos planos particulares e procuramos concretizar o Plano de Deus.  A partilha de dons passa a ser essencial para a concretização do cristianismo. O sacrifício de Cristo sempre será recordado através da celebração da Santa Missa. Quando praticamos o bem mesmo no meio do mal, nos tornamos a extensão do que celebramos. A prática eucarística exige de nós uma constante conversão.

 


PAIXÃO DO SENHOR (Sexta feira Santa):


Já nos perguntamos alguma vez sobre o termo Paixão e por que ele é utilizado especificamente neste dia? O amor que Deus sente por nós é capaz de tudo. Até mesmo da entrega da vida preciosa de seu Filho. São João da Cruz nos diz que quem ama não cansa nem se cansa. É através da Paixão do Senhor que começamos a entender o grau de amor que Deus sente por suas criaturas. Jesus foi até as últimas consequências em sua obediência ao Pai para que todos pudessem ter novamente o que foi perdido pelo pecado.
Quando lemos os romances épicos, percebemos alguns elementos parecidos com o que Jesus fez por cada um de nós. Só que sua radicalidade ultrapassa qualquer romance. Não podemos imaginar a dor física, moral e psíquica que Jesus passou para que pudéssemos receber novamente a adoção de Filhos de Deus.
O que é amor? É o que a “grande mídia” (serpente) nos ensina? Não, amor é entrega. Amor é sofrimento para edificação do outro. É saída de si para complementar o outro. Muitas vezes exige despojamento e auto-superação de nós mesmos em favor do que amamos. Jesus se dissolve em amor por cada um de nós. Santa Teresa ao relatar sua conversão definitiva nos comove com suas palavras na recordação do que Jesus passou por cada um de nós individualmente e pela comunidade. O sofrimento de Jesus não pode ser em vão em nossa vida.
A celebração da Sexta feira Santa é muito importante para nós no sentido que nos recorda um gesto concreto de doação e amor da parte de Deus para com toda humanidade.
Ninguém pode se excluir do fato de que Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu próprio Filho para nos salvar. Não estamos sozinhos nesta peregrinação rumo ao Eterno. A solidariedade de Deus chega ao ponto máximo para que possamos ter novamente a plenitude da vida. Neste dia jejuamos e fazemos penitência para sentirmos em nosso corpo o gesto de amor que Jesus passou por nós.



VIGÍLIA PASCAL (Sábado Santo):



A culminância do Tríduo Pascal não é a morte de Cristo. Não é a tristeza de refletimos sobre seu sofrimento e sua Paixão, mas sim a grande vitória da Ressurreição. O mais bonito de tudo isto é que assim como Ele ressuscitou um dia também iremos ressuscitar. Nós teremos esta mesma experiência se vivermos nossa vida na prática do Bem, no amor a Deus e ao próximo. A ressurreição é um processo de aceitação da grande realidade de que somos profundamente amados por Deus. Ela não é um fato isolado, mas compõe toda nossa existência. É uma opção de vida que tem sua culminância quando deixarmos este mundo. Começamos a ressuscitar quando descobrimos o que o Senhor quer de nós e tomamos a decisão séria de concretizarmos em nossa vida sua vontade.
Na vigília pascal rezamos e refletimos sobre a vida que supera a morte. Deus não é um Deus dos mortos, mas dos vivos. Ele nos criou para Ele e só n’Ele encontraremos a verdadeira felicidade. Somos todos chamados à conversão, ao retorno à fonte de nossa origem.
Como cristãos somos chamados a vencer as grandes crises de relacionamento que estamos vivendo para nos unirmos em torno ao Cristo Vivo e presente em nossa história. O homem contemporâneo não se sente amado e não consegue amar. Sem Deus viveremos sempre em uma grande crise afetiva.
Que este momento importante de celebração litúrgica nos sirva para sermos melhores em nossa vida vivendo os valores que o Senhor nos apresenta constantemente em sua Palavra.


“Obrigado Senhor Jesus por tudo que sofrestes para que nós pudéssemos experimentar a alegria da nossa futura ressurreição”.

terça-feira, 19 de março de 2013

DOMINGO DE RAMOS: HOSANA AO FILHO DE DAVI.



“O VERDADEIRO LOUVOR NOS LEVA À CONVERSÃO”.

Com o Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa em que celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Deus escolheu, em seu plano de amor pela humanidade, o povo de Israel. Deste povo sairia a salvação para toda humanidade a partir da experiência com Jesus o Cristo, o Verbo Encarnado. O maior investimento de Deus para nos salvar aconteceu no Mistério da Encarnação. Jesus vem até nós para participar de nossa vida e nos ensinar o essencial. O nosso maior desafio está em definir a importância real da pessoa de Jesus Cristo em nossas vidas. O povo exaltava Jesus como Rei de Israel, mas não queria uma mudança de vida. Não queria aceitar a verdadeira transformação que Jesus veio ensinar na mudança da forma de amar. O louvor a Deus deve estar ligado a uma profunda mudança de valores. Não basta dizer que Jesus é o filho de Davi. Que ele é o nosso Salvador se nossa vida não está sendo transformada e continua sendo a mesma.

Isaías 50, 4-7: A humilhação e a exaltação que o Filho de Deus irá passar. O sofrimento e a alegria dos que se entregam para Deus.

Filipenses 2, 6-11: Jesus se esvaziou para nos preencher de amor. Não seremos felizes nesta vida se não pensarmos nos outros.

Lucas 19, 28-40: Jesus é acolhido em Jerusalém onde ele mesmo será o cordeiro oferecido em sacrifício pela salvação de toda humanidade. Ele será o primeiro a fazer a passagem da morte para a vida.


EVANGELHO (Lc 19, 28-40):

Naquele tempo, Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: “Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele’”. Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o jumentinho?” Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho. Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinham visto. Todos gritavam: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: “Mestre, repreende teus discípulos!” Jesus, porém respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão”.


“Bendito o rei, que vem em nome do Senhor”.



Esta entrada de Jesus em Jerusalém, cidade que segundo Santo Agostinho é “Visão de Paz” tem um grande significado. O Cordeiro que dará vida pela humanidade se aproxima. Refere-se à aceitação do Messias enviado do Pai para salvar o seu povo. Jerusalém representa a nossa vida. Precisamos de uma profunda amizade com Jesus para ingressarmos no reino de Deus.
Numa primeira análise desta passagem da vida de Jesus sentimos certa revolta contra o povo ingênuo que um dia recebe Jesus e outro dia o condena. Com isto surge um questionamento: como pode acontecer que este povo que aclama Jesus irá gritar para que ele seja crucificado? O fato é que no julgamento de Jesus estavam presentes pessoas de outra categoria. Que não viram ou que não queriam aceitar os sinais que Jesus havia feito que comprovavam sua missão. Hoje não estamos muito distantes disto. As pessoas se guiam mais por propagandas do que pela verdade. Muitas pessoas querem o mais fácil e cômodo para suas vidas. Aí percebemos o grande número de religiões que são criadas pelo comodismo e falta de responsabilidade dos cristãos batizados. Se Jesus for aceito em nossa vida acontecerá automaticamente uma conversão ou mudança de vida.
A experiência de amizade com Cristo envolve toda pessoa. Não o aceitamos pelas conveniências, não buscamos nele nossa satisfação, nem uma mera prosperidade material. Jesus nos apresenta a Cruz como símbolo máximo da redenção. A experiência com Jesus nos leva até a misericórdia de um Deus presente e preocupado com a nossa verdadeira realização. O motivo de ter hoje tantas religiões que falam no nome de Jesus é justamente a falta de aceitação de Jesus Cristo na sua totalidade. Do Cristo que compromete e modifica a vida. Pelas renúncias momentâneas chegamos à felicidade permanente. Pelas alegrias momentâneas chegamos à tristeza profunda. Tudo o que sai desta realidade é um substitutivo alienante. Vemos a grande mídia tentando de tudo para combater a Igreja apresentando pequenas falhas que fazem parte da humanidade das pessoas que a compõem. O que existe de maravilhoso na Igreja não é apresentado pela mídia, porque a sociedade não quer mudar de vida e quer amar só as coisas terrenas.
Jesus Cristo está presente no meio de nós. Através dos sacramentos e de uma maneira toda especial da Santíssima Eucaristia. Ele está presente para nos curar e mudar nossa vida. A experiência de amizade com Jesus tem de nos levar a um amor altruísta. Vamos aos poucos nos despreocupando com uma realização pessoal. Seremos felizes em conjunto não individualmente.
Jesus se esquece de sua condição superior a nossa em todos os aspectos para nos salvar. Quer que tenhamos uma experiência profunda do amor de Deus. Ele nos  leva ao encontro com o Pai mostrando o caminho da solidariedade que vai ter uma conseqüência comunitária.
Vamos procurar nesta semana santa acompanhar Jesus em todos os seus passos e seguir seu exemplo de despojamento em favor dos irmãos. Vamos colocar de lado nossos pequenos planos particulares para aceitarmos em nossa vida o que o Senhor nos pede.
O povo de Israel estava ansioso para a chegada do Messias, o “ungido do Senhor” que traria a verdadeira libertação que esperava. A espera do Salvador, aos poucos foi deteriorada pela influência política e social dos que se serviam da religiosidade do povo para seus benefícios particulares o que vai desencadear na crise que levará Jesus até a cruz.
Podemos cair na tentação de julgarmos os judeus por não aceitarem Jesus. A situação que se desenrolava não era tão simples. Os interesses que envolviam a religião muitas vezes forçavam o povo a outras atitudes que não estavam de acordo com a sua originalidade. Quando a prática religiosa não traduz a vida ela vai se deteriorando.
Talvez tenhamos certa curiosidade para sabermos o que significa a palavra “hosana” e porque ela é aplicada especialmente neste dia dentro da liturgia. Fizemos uma pesquisa no Dicionário Enciclopédico da Bíblia (Editora Herder de Barcelona), para entendermos com mais profundidade o sentido e o significado desta palavra. É uma palavra hebraica que significa “vem em ajuda, dá-nos a salvação”. Esta palavra se encontra no salmo 118, 25 como forma de oração para pedir a Deus sua ajuda permanente depois da vitória. Na festa das Tendas, hosana se converteu em uma oração corrente de súplica e também um grito de louvor. Neste dia se fazia uma procissão com palmas de vários tipos, cantando as orações com a invocação hosana como estribilho. Esta palavra só se encontra no relato da alegre entrada de Jesus em Jerusalém. Todas as fórmulas usadas significam o cumprimento da espera messiânica. Se o povo que recebeu Jesus em Jerusalém estava utilizando esta palavra é porque já estava tendo consciência da sua missão. Algumas pessoas do povo, pelos sinais que Jesus realizava, percebiam uma nova era que se estava iniciando em sua história. A aceitação de Jesus só se faz com humildade e sensibilidade as coisas de Deus. Por esta razão os nossos apegos e pecados interferem nossa visão de Deus e de sua graça em nossa vida.
Jesus vem em nome do Senhor. Ele é o senhor, verbo encarnado que vem aos que se abrem ao novo projeto de salvação. Deus tem uma linguagem paradoxal. Às vezes parece para nossa lógica humana uma linguagem contraditória, mas Ele nos vê como criaturas em particular, com a nossa individualidade e na comunidade com os dons que devem ser partilhados.
Vamos neste início da semana santa acompanhar os passos de Jesus que culminará na Ressurreição que é o grande sinal que comprova sua divindade.


“Senhor Jesus, renovai em cada um de nós a experiência de amor e acolhida para vos receber em nossa vida”.