terça-feira, 10 de abril de 2012

FESTA DA MISERICÓRDIA



“DEUS NOS AMA ACIMA DE NOSSAS LIMITAÇÕES”

Pax  Domini  sit  semper  vobiscum!


O segundo domingo da Páscoa é reconhecido oficialmente pela Igreja como Domingo da Misericórdia. Jesus entra no Cenáculo Glorioso com as portas fechadas e transmite a grande consequência dos que experimentam a Deus. A Paz que é fruto do amor misericordioso de Deus para com suas criaturas. Deus oferece o seu imenso amor a todos os seus filhos através de Jesus Cristo. É o grande mistério de amor da Santíssima Trindade que deseja que façamos parte de sua felicidade. Deus nos criou para o Eterno Convívio com Ele e com todos os que procuraram fazer o bem passando por cima de suas limitações.



“Diz à humanidade sofredora que se aconchegue no Meu misericordioso Coração, e Eu a encherei de paz. A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar, com confiança, para a minha misericórdia”.

Estas palavras foram pronunciadas por Jesus Cristo na aparição a Santa Maria Faustina Kowalska nos anos trinta do século passado. A missão desta santa iniciou-se em 22 de fevereiro de 1931, quando o misericordioso Salvador lhe apareceu. Ela viu Jesus vestido de túnica branca, com a mão direita levantada a fim de abençoar, enquanto a esquerda pousava no peito, fazendo que a túnica, levemente aberta, deixasse sair dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. A Santa Faustina fixou em silêncio o olhar de Jesus que lhe disse:

“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” (Diário, nº 699).


Neste próximo domingo em muitas comunidades católicas será exposta a imagem de Jesus Misericordioso. O sacerdote que divulgar esta devoção receberá muitas graças para si e para sua comunidade.


ORAÇÃO:  Ó  Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação  da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu nova vida e o sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

EVANGELHO (Jo 20, 19-31):
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos de Jesus se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados eles serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos em suas mãos, e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe  disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais a vida em seu nome.

“Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

A humanidade está passando por uma grande crise de fé e afeto. As pessoas não se sentem amadas e por isso se perdem em seus próprios egoísmos. Nós seremos bem-aventurados no momento em que crermos firmemente que Jesus está vivo no meio de nós. Temos a certeza de sua presença e esta realidade é fonte de realização interior. Jesus nos oferece uma felicidade permanente. Hoje devemos crer no testemunho dos apóstolos que viram Jesus Ressuscitado. O cristianismo é uma herança do testemunho apostólico.
A profissão de fé de Tomé, chamado dídimo, que significa pequeno; faz-nos repensar sobre nossa Fé como aceitação do Mistério da presença de Deus em nossa vida. Muitas vezes agimos como ele. Queremos uma comprovação daquilo que só é possível saber pela Fé.
Jesus entra três vezes no local onde os discípulos se encontravam com as portas fechadas. Com medo da perseguição e das críticas que os outros poderiam fazer em relação ao seu discipulado. Eles ainda não tinham experimentado a força do Espírito Santo que fará a abertura do Cenáculo e o anúncio do testemunho da Ressurreição de Jesus.
A saudação de Jesus é uma saudação de Paz. Uma paz que muitas vezes exigirá sofrimento daqueles que irão ser seus apóstolos após Pentecostes. A segunda saudação de paz está unida à missão apostólica. O perdão dos pecados, o sacramento da reconciliação que nos renova da nossa incapacidade de amar. Jesus pede que os seus discípulos perdoem os pecados. É o mistério da Igreja, a forma de mediação mais perfeita que Deus deixou para nossa salvação. Infelizmente com o surgimento do protestantismo muitas pessoas relativizaram este mandato de Jesus pensando em um perdão pessoal. O pecado atinge a comunidade e o sacerdote em nome de Deus e da comunidade prejudicada com nossas faltas, nos perdoa. É um momento de profunda libertação para todos nós. Se este sacramento fosse mais freqüente em nossa vida, certamente teríamos menos problemas de ordem afetiva e emocional.
Crer é aceitar e se entregar ao que Deus nos apresenta com sua linguagem paradoxal. Os discípulos “viram o Senhor”. Hoje devemos crer nesta verdade que perpassa os séculos. O testemunho é uma verdade que se vê na testa. Na frente da pessoa envolvida pelo mistério. Jesus não está morto, mas vive no meio de nós, nos sacramentos, na sua Igreja.
Crer é ter a vida em Cristo. É se dispor a negar-se a si mesmo em favor da missão que Ele nos confia. Quando acreditamos somos enviados ao sofrimento. A experiência de Deus é rica em misericórdia. Por esta razão ela é uma experiência de perdão. Quando somos perdoados nos sentimos amados. Por esta razão a humildade se faz necessária para sermos realmente felizes em nosso processo de ressurreição.
Somos pecadores, mas o Senhor é misericordioso e quer nos reconciliar. A comunicação perdida com Deus através do pecado original é derrotada pelo próprio amor que Deus sente pelas suas criaturas.
Hoje, através de nossa vida, devemos mostrar ao mundo que Cristo está vivo. Especialmente pelos valores que vamos assumindo em nossa existência em direção ao Pai. Os cristãos precisam viver na alegria verdadeira que nasce da conexão com o Criador através de Jesus Cristo. Hoje queremos ser os bem-aventurados, que mesmo sem termos visto o Senhor acreditamos no testemunho dos que nos antecederam na Fé.
A profissão de fé de Tomé marcou a história da humanidade. Podemos cair na tentação de achar que ele era uma pessoa fraca e insensível. Mas o crer no Cristo ressuscitado é o maior desafio que temos em nossa vida. Crer é realizar na vida os valores de Cristo no concreto de nossa existência. Pela fé teremos paz que é um dom necessário para sermos felizes.
A saudação que Jesus ressuscitado faz ao estar junto aos seus discípulos é muito importante para que saibamos qual é a conseqüência da vida de seus seguidores. A paz é fruto do amor que invade o coração daquele que crê. O processo de ressurreição começa já nesta vida quando iniciamos a aceitar a realidade do amor que  Deus sente em  grande escala por nós.
O perdão é uma graça dada a partir do Espírito Santo e isto provoca a unidade dentro de nós mesmos e na vivência comunitária.  Tomé representa todos nós que queremos uma comprovação tátil daquilo que é sobrenatural. Quando amamos temos certeza de fatos que não conhecemos de um modo racional. A razão é um instrumento que deve nos levar a experiência de sermos criaturas amadas por Deus. 
Os primeiros mártires da Igreja nos dão provas de que quando vamos nos entregando ao mistério da ressurreição, nos desapegamos da sociedade que valoriza o que não tem valor.
Como é importante aceitarmos o testemunho de nossos irmãos. Vermos a transformação que acontece em suas vidas a partir da fé. Se Tomé tivesse valorizado aquilo que seus irmãos tinham experimentado, ele não seria revestido da dúvida em relação ao fato da ressurreição de Jesus.
A partir do mistério da Ressurreição de Jesus a história da humanidade já não é mais a mesma e a definição sobre a existência humana toma outro sentido. Jesus está vivo no meio de nós oferecendo a sua infinita misericórdia. Não podemos mais perder tempo com alegrias momentâneas, tudo o que estamos passando é preparação para a vida definitiva.
Se existimos é porque somos amados. Estamos sobre o olhar amoroso de Deus que nos criou para a vida. A conversão ou o nosso processo de ressurreição exige de nossa parte uma mudança em nosso olhar. Para nos santificarmos precisamos olhar como Deus olha. Deixarmos de lado todo egoísmo para experimentarmos o amor.


“Jesus eu espero e confio em Vós.”

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CELEBRAÇÃO DO TRÍDUO PASCAL


 

“A PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS NOS MOSTRA QUE DEUS FAZ TUDO PARA QUE PARTICIPEMOS DE SUA FELICIDADE”.


A maravilha do cristianismo é saber que não é uma religião que partiu da iniciativa humana. Foi Deus mesmo que veio em busca do ser humano, obra prima de sua criação, para fazer que ele retornasse ao essencial. Ele se fez homem para nos salvar. Veio em nosso meio para mudar a história da humanidade perdida pelo efeito de seu próprio egoísmo. A fé no “Cristo Vivo” manifesta a infinita misericórdia do Senhor em relação as nossas fraquezas. Por esta razão ser cristão de verdade é sempre remar contra a correnteza e lutar contra si mesmo. O maior inimigo que temos é nosso próprio egoísmo.
Estamos iniciando o momento mais importante da liturgia cristã: O Tríduo Pascal. Segundo Santo Agostinho é o Sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado. Nele celebramos a vitória de Cristo sobre a morte. Nós cristãos não tememos a morte porque ela é a passagem (PÁSCOA) para a vida definitiva. Os sofrimentos momentâneos que enfrentamos em nossa vida quando oferecidos em forma de oração são meios de preparação para a felicidade eterna. As tristezas momentâneas do seguimento de Jesus vão ter como destino a felicidade eterna. Ele morreu na cruz e apareceu depois para seus amigos. Assim como Ele ressuscitou nós também iremos ressuscitar para a Glória.
Não podemos esquecer que o cristianismo é a única religião que tem como base o testemunho apostólico. Os apóstolos tiveram a experiência de “ver Jesus” depois de sua morte ressuscitado. Esta verdade se torna a base da doutrina da Igreja. Por esta razão os cristãos não seguem uma ideologia ou filosofia de vida. Seguem algo relacionado com suas existências. Algo que exige deles uma constante mudança de vida. O cristianismo é uma religião que visa à prática do bem em vista da vida definitiva. Jesus sofreu para nos mostrar que esta vida é uma preparação para a vida eterna. Deus nos ama muito. A grande prova do seu infinito amor por nós é que Ele além de nos ter criado nos salvou em Jesus Cristo que deu sua vida para nos salvar.
A culminância do Tríduo Pascal não é a morte de Cristo, mas sim a grande vitória sobre a morte na Ressurreição. Assim como Ele ressuscitou um dia também nós teremos esta mesma experiência se vivermos os valores que ele nos deixou dentro de nossa vida concreta.
Deus manifesta sua misericórdia sabendo que somos incompetentes em nossa missão de amar. O cristianismo é religião da misericórdia. Da vinda do Senhor para nos salvar.  Deus coloca o seu coração ao lado do nosso cheio de fragilidades. Vamos nos preparar para esta grande celebração com o abraço do Pai que experimentamos no sacramento da reconciliação que é uma grande forma de nos tornarmos mais livres e felizes. Quando Deus nos perdoa e perdoamos a nós e aos nossos irmãos, acontece na nossa vida uma verdadeira libertação.
Deus nos cria e nos recria para Ele (reconstitui o homem que se perdeu no mal uso de sua liberdade), através dos mistérios da Criação (PAI), Salvação (FILHO) e Santificação (ESPÍRITO SANTO). O homem por si mesmo não poderia se salvar. Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem absorve todos os nossos pecados para nos libertar e nos trazer novamente a possibilidade de sermos filhos muito amados de Deus. O Criador jamais se esquece de suas criaturas. Deus “pensa” com amor em cada um de nós. Não podemos calcular o amor que Ele sente por cada ser humano criado para fazer parte de sua felicidade.

Vamos procurar destacar as três principais celebrações deste Tríduo Pascal para que estas celebrações transformem nossa vida.



CEIA DO SENHOR (Quinta-feira Santa):

 


Nesta celebração recordamos o grande momento da instituição da Eucaristia. Jesus antes de se dar no pão explica com um gesto concreto, lavando os pés dos discípulos, o que significa a conseqüência da Eucaristia: a caridade sem reservas e o serviço fraterno.

Jesus está presente no meio de nós através da Santíssima Eucaristia. Sua presença não é simbólica, mas real. O amor de Deus não é parcial nem instável como o nosso fragilizado pelo egoísmo. Jesus se dá na mesa da Eucaristia para que possamos viver o seu mistério dentro de uma relação comunitária. Começamos a ser cristãos quando vamos nos esquecendo de nossos planos particulares e procuramos concretizar o Plano de Deus.  A partilha de dons passa a ser essencial para a concretização do cristianismo. O sacrifício de Cristo sempre será recordado através da celebração da Santa Missa. Quando praticamos o bem mesmo no meio do mal, nos tornamos a extensão do que celebramos. A prática eucarística exige de nós uma constante conversão.


PAIXÃO DO SENHOR (Sexta-feira Santa):


Já nos perguntamos alguma vez sobre o termo Paixão e por que ele é utilizado especificamente neste dia? O amor que Deus sente por nós é capaz de tudo. Até mesmo da entrega da vida preciosa de seu Filho. São João da Cruz nos diz que quem ama não cansa nem se cansa. É através da Paixão do Senhor que começamos a entender o grau de amor que Deus sente por suas criaturas. Jesus foi até as últimas conseqüências em sua obediência ao Pai para que todos pudessem ter novamente o que foi perdido pelo pecado.
Quando lemos os romances épicos, percebemos alguns elementos parecidos com o que Jesus fez por cada um de nós. Só que sua radicalidade ultrapassa qualquer romance. Não podemos imaginar a dor física, moral e psíquica que Jesus passou para que pudéssemos receber novamente a adoção de Filhos de Deus.
O que é amor? É o que a “grande mídia” (serpente) nos ensina? Não, amor é entrega. Amor é sofrimento para edificação do outro. É saída de si para complementar o outro. Muitas vezes exige despojamento e auto-superação de nós mesmos em favor do que amamos. Jesus se dissolve em amor por cada um de nós. Santa Teresa ao relatar sua conversão definitiva nos comove com suas palavras na recordação do que Jesus passou por cada um de nós individualmente e pela comunidade. O sofrimento de Jesus não pode ser em vão em nossa vida.
A celebração da Sexta-feira Santa é muito importante para nós no sentido que nos recorda um gesto concreto de doação e amor da parte de Deus para com toda humanidade.
Ninguém pode se excluir do fato de que Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu próprio Filho para nos salvar. Não estamos sozinhos nesta peregrinação rumo ao Eterno. A solidariedade de Deus chega ao ponto máximo para que possamos ter novamente a plenitude da vida. Neste dia jejuamos e fazemos penitência para sentirmos em nosso corpo o gesto de amor que Jesus passou por nós.

VIGÍLIA PASCAL (Sábado Santo):



A culminância do Tríduo Pascal não é a morte de Cristo. Não é a tristeza de refletimos sobre seu sofrimento e sua Paixão, mas sim a grande vitória da Ressurreição. O mais bonito de tudo isto é que assim como Ele ressuscitou um dia também iremos ressuscitar. Nós teremos esta mesma experiência se vivermos nossa vida na prática do Bem, no amor a Deus e ao próximo. A ressurreição é um processo de aceitação da grande realidade de que somos profundamente amados por Deus. Ela não é um fato isolado, mas compõe toda nossa existência. É uma opção de vida que tem sua culminância quando deixarmos este mundo. Começamos a ressuscitar quando descobrimos o que o Senhor quer de nós e tomamos a decisão séria de concretizarmos em nossa vida sua vontade.
Na vigília pascal rezamos e refletimos sobre a vida que supera a morte. Deus não é um Deus dos mortos, mas dos vivos. Ele nos criou para Ele e só n’Ele encontraremos a verdadeira felicidade. Somos todos chamados à conversão, ao retorno à fonte de nossa origem.
Como cristãos somos chamados a vencer as grandes crises de relacionamento que estamos vivendo para nos unirmos em torno ao Cristo Vivo e presente em nossa história. O homem contemporâneo não se sente amado e não consegue amar. Sem Deus viveremos sempre em uma grande crise afetiva.
Que este momento importante de celebração litúrgica nos sirva para sermos melhores em nossa vida vivendo os valores que o Senhor nos apresenta constantemente em sua Palavra.

“Obrigado Senhor Jesus por tudo que sofrestes para que nós pudéssemos experimentar a alegria da nossa futura ressurreição”.



Padre Giribone - OMIVICAPE 












Rio Grande, 30 de março de 2012.


sexta-feira, 30 de março de 2012

DOMINGO DE RAMOS



A semana santa se inicia com a Missa dos Ramos. Nela recordamos o fato da entrada de Jesus em Jerusalém. Ele entra para a vitória sobre morte. Seu povo não entendia o significado desta entrada. O sentido da doação máxima que Jesus iria fazer em favor de seu povo e de toda humanidade. A revelação de Deus chega ao seu ápice na pessoa de Jesus Cristo. A nossa libertação só será possível no momento em que aceitarmos a sua pessoa de forma integral. Iniciemos mais esta semana santa recordando o imenso amor de Deus por todos nós e pedindo a graça de uma profunda conversão.

ORAÇÃO: Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.


EVANGELHO (Mc 11, 01-10):
Quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo: “Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui! Se alguém disser: ‘Por que fazes isto?’, dizei: ‘o Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta’”. Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram. Alguns dos que estavam ali disseram: “O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?” Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram. Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou. Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espelharam ramos que haviam apanhado nos campos. Os que iam à frente e os que vinham atrás gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!”

“Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”


A entrada jubilosa de Jesus em Jerusalém nos recorda que ele é recebido por aqueles que estão mais abertos ao projeto de Deus. Ele também será condenado nesta mesma cidade por aqueles que não querem se abrir a nova realidade. Por aqueles que preferem à segurança pessoal em vez da insegurança dos que concretizam a vontade de Deus em suas vidas. Os que aceitam a luz rejeitam as trevas e as trevas odeiam a luz. Por isto os seguidores de Cristo sempre serão odiados pela sociedade que é alicerçada na mentira dos bens corruptíveis.
O povo de Israel estava ansioso pela chegada do Messias, o “ungido do Senhor” que traria a verdadeira libertação que esperava. A espera do Salvador, aos poucos foi deteriorada pela influência política e social dos que se serviam da religiosidade do povo para seus benefícios particulares o que vai desencadear na crise que levará Jesus a cruz.
Podemos cair na tentação de julgarmos os judeus por não aceitarem a Jesus, mas a situação que se desenrolava não era tão simples. Os interesses que envolviam a religião muitas vezes forçavam o povo a outras atitudes que não estavam de acordo com a sua originalidade. Dai podemos entender sua dificuldade de assumirem na totalidade o que Jesus lhes apresentava. A sua mensagem envolvia uma transformação muito mais radical do que eles pensavam. Até nos dias de hoje é muito difícil entender a linguagem contraditória do Reino de Deus, do projeto de vida de Deus em relação a cada pessoa humana.
Talvez tenhamos curiosidade para saber o que significa a palavra “hosana” e porque ela é aplicada especialmente neste dia dentro da liturgia. Fizemos uma pesquisa no Dicionário Enciclopédico da Bíblia (Editora Herder de Barcelona), para entendermos com mais profundidade o sentido e o significado desta palavra. É uma palavra hebraica que significa “vem em ajuda, dá-nos a salvação”. Esta palavra se encontra no salmo 118, 25 como forma de oração para pedir a Deus sua ajuda permanente depois da vitória. Na festa das Tendas, “hosana” se converteu em uma oração corrente de súplica e também um grito de louvor. Neste dia se fazia uma procissão com palmas de vários tipos, cantando as orações com a invocação hosana como estribilho. Esta palavra só se encontra no relato da alegre entrada de Jesus em Jerusalém. Todas as fórmulas usadas significam o cumprimento da espera messiânica. Se o povo que recebeu Jesus estava utilizando esta palavra é porque já estava tendo consciência da sua missão. Algumas pessoas do povo, pelos sinais que ele realizava, percebiam uma nova era que se iniciava em sua história.
Jesus vem em nome do Senhor. Ele é o senhor, verbo encarnado que vem aos que se abrem ao novo projeto de salvação. Deus tem uma linguagem paradoxal, que às vezes parece, para nossa lógica contraditória, mas Ele nos vê como criaturas em particular, com a nossa individualidade e na comunidade com os dons que devem ser partilhados. A Jerusalém de hoje é o nosso coração que precisa estar aberto para recebê-lo com alegria.
Vamos neste início da semana santa acompanhar os passos de Jesus que culminará no grande sinal que comprova sua divindade.

 “Senhor Jesus, que possamos vos receber com alegria em nosso coração.”

Padre Giribone - OMIVICAPE

quinta-feira, 29 de março de 2012

O PODER DA ORAÇÃO MATUTINA



Gostaria de iniciar este artigo colocando um testemunho pessoal e depois justificar o sentido do por que deste artigo. Com a graça de Deus pertenci a Ordem Carmelita Descalça de 1982 a 2010. Na realidade hoje não estou na Ordem por ter sido chamado a fundação da Obra Missionária Virgem do Carmo Peregrina. Na Ordem me aprofundei na Oração Teresiana que sem dúvida é um método perfeito para nos mantermos na Presença de Deus como uma tradição desde o profeta Elias.
Devido as minhas atividades paroquiais e outras atividades confesso que estava com dificuldades para fazer o método carmelitano e a oração da liturgia das horas. Foi uma falha que a Divina Providência veio me auxiliar para depois se tornar algo importante para muitas pessoas serem restauradas.
Em uma missa de louvor, após a comunhão, veio em meu coração uma palavra que deveria vir ao Sacrário às cinco horas da manhã. Percebi que era um chamado de Deus e que deveria obedecer. Ao já estava me levantando as 4h30 para sair para caminhar por ordem médica, pois estava diabético. Troquei as caminhadas pela academia e fui para o sacrário da igreja do Carmo aqui em Rio Grande RS, às cinco horas da manhã como sentia que o Senhor me pedia. Ao chegar diante do Sacrário da igreja do Carmo levei a Bíblia, li um trecho da Palavra e meditei por alguns momentos. Ao final pedi uma nova efusão do Espírito Santo. Aos poucos minha vida foi se transformando e outro irmão (Darlen Vaz), quis fazer comigo esta oração.
A comunidade de consagrados da Obra nasceu e se sustenta com a Oração Matutina. Muitas pessoas já foram e serão restauradas por meio dela. É o que percebemos aqui em nossa casa. O acordar cedo é importante. Ele nos coloca a disposição do Senhor. Após esta oração sentimos uma grande alegria em nosso coração. Esta oração é um verdadeiro antídoto contra o egoísmo instaurado no mundo.
Sem oração não existe missão. Seguimos o conceito teresiano de oração como trato de amizade com Aquele que sabemos que nos ama. Esta oração Contemplativa é unida a leitura e reflexão da Palavra de Deus, Adoração ao Santíssimo Sacramento, quando possível, e Efusão do Espírito Santo. Percebemos que sem a oração associada à disciplina não existe crescimento em nossa vida espiritual e nem em nossa ação evangelizadora.

Método de Oração da Obra: Recomendamos além da Santa Missa diária com a frequência do Sacramento da Reconciliação e nossas devoções particulares o nosso método de oração. Pela nossa experiência solicitamos aos nossos missionário(a)s o seguinte método de oração que servirá como um “antídoto” na Fé, na Esperança e na Caridade que irá  combater o imediatismo, o relativismo e o individualismo presentes em nosso mundo.
Devemos levantar uma hora antes de iniciar todas as atividades do dia. Como temos muitas atividades durante o dia, percebemos que a oração matutina é fundamental para nossa vida por esta razão nenhum membro da Obra poderá negligenciar nesta matéria. Vemos o exemplo de Jesus que sempre antes de realizar qualquer atividade ficava longo tempo em oração, inclusive nas primeiras horas da manhã (Mc 1, 35). No sentido prático podemos apresentar como exemplo: se alguém tinha o costume de levantar-se às sete horas de agora em diante deverá se levantar às cinco horas e cinquenta minutos. Pensamos que dez minutos sejam necessários para a higiene pessoal.
A nossa oração poderá ser feita individualmente ou em comunidade no período de uma hora. Esta hora será dividida nestas etapas:

A) Momento de Reconhecimento da Presença de Deus: Ter a certeza da Presença do Senhor. Que Ele está presente com seu amor. Procurar tomar consciência de que este momento é de suma importância para nossa vida, para a Igreja e para nossa Obra. Podemos fazer uma oração espontânea de louvor ou a oração da Cruz Missionária.

B) Momento de Leitura e Reflexão da Palavra de Deus: A Palavra de Deus nos revelará o que o Senhor deseja de nós em nossa vida concreta. Esta leitura poderá ser da Liturgia Diária ou conforme o que a pessoa sentir em seu coração.

C) Momento Contemplativo: Em silêncio deixar-se olhar pelo Senhor e perceber o que Ele deseja através de sua Palavra. Nesta etapa da oração nos comunicamos com Deus no íntimo de nosso coração e descobrimos o que Ele deseja de nós. É nosso diálogo de amizade com aquele que sabemos que nos ama.

D) Momento Carismático: Através da Efusão do Divino Espírito Santo pedimos a coragem de concretizarmos em nossa vida o que Senhor nos inspirou na oração. Se a oração for feita em comunidade a Palavra poderá ser partilhada antes deste momento.

E) Momento Final: Oração do Pai Nosso: Conforme o ensinamento de Jesus rezamos a oração que Ele mesmo nos ensinou. Esta oração deverá ser feita de forma pausada para entendermos exatamente o que estamos rezando.
Oração Mariana: Pedir a intercessão de nossa padroeira a Virgem do Carmo Peregrina em favor da Obra e de seus membros. Se estiver algum sacerdote presente no caso de ser uma oração comunitária ele dará a todos os presentes a bênção sacerdotal.

Padre Giribone - OMIVICAPE


VIRGEM DO CARMO PEREGRINA


 
A imagem da Virgem do Carmo com o título de Peregrina (devido ao acompanhamento que ela fez em várias de nossas missões) foi confeccionada artisticamente pela senhora Maria Josefa Cardoso Kirchhof, minha irmã, em julho de 2001. Ela conseguiu fazer uma cópia de uma imagem belíssima que tínhamos na capela do noviciado no convento da Glória em Porto Alegre RS.
No início de minhas pregações na grande Porto Alegre eu levava uma imagem pequena de Nossa Senhora das Graças e até fiz um hino para ela que nos ajudava em nosso caminhar. Pensei que seria melhor ter uma Virgem do Carmo, pois desejava intensificar a devoção a Virgem Maria do Monte Carmelo especialmente naquele ano que se celebrava os 750º anos de sua aparição a São Simão Stock (16 de julho de 1251).
Nesta imagem foram colocadas algumas jóias de uso pessoal da senhora Maria Josefa. Segundo seu relato a confecção desta imagem foi muito difícil. Ela se sentia humanamente incapaz de fazê-la. Recorreu imediatamente à proteção de Maria para esta grande tarefa. Não tinha quem a orientasse. Sentia que brotava da imagem original o desejo da própria Virgem em querer surgir dali. Isto era o que estimulava a continuar. Teve momentos de verdadeira tribulação. Ao mesmo tempo percebia um desejo da própria Virgem que se continuassem os trabalhos. Foram momentos de sofrimentos e alegrias. Parecia que algo muito importante estava para acontecer justamente pelas dificuldades que se apresentavam. Quando a imagem começou a exercer sua função a senhora Maria Josefa sentiu em seu coração uma grande alegria que invadiu sua alma. Ela dá testemunho que esta imagem é mais obra divina do que humana. Diz que por sua capacidade só poderia fazer 5% dela. As provações quando enfrentadas com coragem se tornam fonte de verdadeira alegria.
Temos um livro de registros onde a imagem já esteve. É interessante que as pessoas ao verem a imagem ficam comovidas e sentem a presença materna de Maria que sempre está a nosso lado nos defendendo de todo o mal e nos encaminhando a obediência ao seu filho Jesus. A figura materna de Maria é fundamental para sermos servos de Deus.
Não poderia ser de outra forma. A Virgem do Carmo Peregrina se tornou a padroeira de nossa Obra Missionária por que ela sempre caminha conosco.



ORAÇÃO A VIRGEM DO CARMO PEREGRINA


VIRGEM DO CARMO PEREGRINA INTERCEDEI POR NÓS NA PEREGRINAÇÃO DESTA VIDA EM DIREÇÃO AO PAI. FAZEI QUE USEMOS SEMPRE COM DEVOÇÃO O SANTO ESCAPULÁRIO QUE É SINAL PERMANENTE DE VOSSA PROTEÇÃO EM MEIO ÀS DIFICULDADES QUE ENFRENTAMOS EM NOSSO CAMINHAR. AJUDAI A TODOS NÓS A CULTIVARMOS A PRESENÇA AMOROSA DE DEUS ATRAVÉS DA EFUSÃO DO ESPÍRITO SANTO EM MEIO À INSTABILIDADE DESTA VIDA. OLHAI COM AMOR PARA OS NOSSOS IRMÃOS ENFERMOS E NECESSITADOS. QUE AS CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS VIVAM SEMPRE EM HARMONIA EM SUAS FAMÍLIAS. QUE TENHAMOS SANTAS E PERSEVERANTES VOCAÇÕES NA IGREJA, NA ORDEM CARMELITA E NA VOSSA OBRA MISSIONÁRIA.


VIRGEM DO CARMO PEREGRINA PEREGRINAI CONOSCO!

 Padre Giribone - OMIVICAPE

NÃO SE APRENDE A GANHAR SEM SE APRENDER A PERDER


 

Com esta frase eu gostaria de iniciar a nossa reflexão. Quando aprendemos a jogar xadrez a cada derrota refletida nós podemos crescer no próximo jogo. As perdas de nossa vida podem se tornar ganhos. A luta contra nosso egoísmo nos torna mais fortes para Deus.
Chegou o momento de refletirmos mais sobre nossa vocação na Igreja e principalmente o que fazer na realidade onde nos encontramos para divulgarmos mais o Cristo Vivo e presente em nossas vidas. Vamos fazer uma reflexão sobre o nosso centro afetivo. O que estamos amando neste momento? Vivemos a seriedade da adesão a Cristo ou num constante deboche das coisas sérias que nos comprometem? Chegou à hora de sermos verdadeiramente líderes. Algum dia fomos chamados por alguém, agora precisamos chamar outras pessoas para seguirem a Jesus. Sem perdermos não ganharemos mais nada. A nossa vida se tornará inútil. O sacramento (graças da Igreja) que recebemos não será mais fonte de santificação para nós.
Na realidade em que nos encontramos precisamos nos voltar para os jovens que são altamente violentados pela grande mídia que quer nos escravizar nos tornando instrumentos vivos das relações comerciais. Quando me ordenei sacerdote, no momento em que estava prostrado por terra na ladainha de todos os santos, ofereci minha vida aos jovens. Pedi ao Senhor que muitos jovens tivessem a graça de conhecê-lo como eu havia conhecido. Que muitos jovens saíssem da sedução do mundo para a verdadeira alegria que só o Senhor pode nos dar.
Nós começamos a morrer quando deixamos de amar. Não podemos perder o entusiasmo pelas coisas de Deus, pois esta vida é uma peregrinação. Não temos morada permanente nesta vida. Falta pouco para deixarmos este mundo e o que levaremos conosco senão o bem que praticarmos nesta vida?
Há muitos jovens e crianças precisando de nós. Nas escolas de nossas paróquias. Nas festas dos diversos locais de diversão de nossa cidade etc. Nós recebemos de graça. Seremos capazes de dar de graça, de perder tempo em salvar outros jovens?
A nossa sociedade está montada hoje na seguinte pirâmide: 1º Relações Comerciais, 2º Mídia Subserviente, 3º Pessoa como meio de compra e de venda. A visão cristã desta realidade é totalmente contrária. A pessoa toma o primeiro lugar por ser criatura amada de Deus. Todos os outros aspectos, inclusive a falsa evolução que hoje está tanto em voga, deve servir à pessoa, deve fazer que nos sintamos felizes, partilhando nossa vida. O ideal cristão na sua essência é altruísta, se coloca em favor do outro. Isto provoca uma grande oposição ao pensamento mundano que é essencialmente egoísta.
Gostaria que cada um fizesse um histórico de sua vida e de sua adesão ao plano de Deus. Estamos no grupo por esporte ou por amor? Estamos dispostos a sofrer por Cristo uma pequena parte do que ele sofreu por nós? Vamos utilizar para isto a técnica das duas árvores. Desenhando duas árvores. Uma positiva e outra negativa. Depois vamos examiná-las, especialmente as suas raízes. O que está de fora da terra e o que está dentro. O que está influenciando a nossa vida? As nossas raízes são muito importantes. Elas nos dão sustentação. Elas crescem conforme a nossa relação com Deus.
Vamos ter muitas perdas para termos muitos ganhos nesta vida. A humildade do que sabe perder lhe prepara para saber ganhar e partilhar. Quando partilhamos somos mais felizes.

Padre Giribone - OMIVICAPE

sábado, 24 de março de 2012

SE O GRÃO DE TRIGO NÃO MORRER FICARÁ SOZINHO


 
As palavras morte e vida são constantes no ensinamento de Jesus. Na realidade uma não coincide com a outra. Nós desejamos “salvar” nossa vida. Desde o momento da tomada de consciência no início desta vida desejamos alcançar a felicidade. Queremos que ela nunca se extinga. Experimentamos em nosso dia a dia momentos de felicidade que nos trazem muita alegria. Mas também vivemos momentos de sofrimento e angústia. Estes sofrimentos quando oferecidos a Deus são causa de nossa santificação. Só a adesão ao projeto de Deus poderá nos trazer a felicidade interior (paz), que nem sempre coincide com as alegrias exteriores. Devemos examinar as consequências daquilo que vamos fazer para não nos arrependermos no futuro. Quando praticamos o bem temos como resposta o bem que nos traz a alegria profunda que é fruto do amor de Deus em nós.

 EVANGELHO (Jo 12, 20-33):
Naquele tempo, havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém, para adorar durante a festa. Aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e disseram: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”. Filipe combinou com André, e os dois foram falar com Jesus. Jesus respondeu-lhes: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade eu vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. Agora sinto-me angustiado. E que direi? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu nome!” Então veio do céu uma voz: “Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!” A multidão que lá estava e ouviu, dizia que tinha sido um trovão. Outros afirmavam: “Foi um anjo que falou com ele”. Jesus respondeu e disse: “Esta voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim”. Jesus falava assim para indicar de que morte iria morrer.

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”.

A proposta de Jesus é sempre um questionamento para nós. Jesus renuncia a si mesmo para nos salvar. Se quisermos ser seus discípulos precisamos deixar nossos projetos particulares para assumirmos um amor universal. O cristão não se preocupa somente com sua felicidade particular. Quer que todos sejam felizes. A linguagem de Deus é sempre paradoxal em relação a nossa pequena visão da realidade. Os pequenos apegos nos levam à busca de nós mesmos e nos afastam da concretização do Reino em nossa vida. A pior conseqüência deles é que nos tornamos escravos e alienados. O consumismo acaba nos consumindo.
O tema sobre a morte sempre preocupou e questionou o ser humano em sua história. Com a vinda de Jesus os diversos questionamentos tiveram uma única resposta: Deus nos criou para participarmos de sua felicidade. Esta existência mortal é uma preparação para a vida definitiva. A morte é a porta que conduz à vida. Esta morte é sistemática. Acontece em vários momentos de nossa vida quando renunciamos a nós mesmos para fazermos a vontade de Deus. A cada renúncia que vamos vivendo nos abrimos a uma nova consciência. Começamos a entender o que Deus quer de nós.
São João da Cruz em seus escritos nos traz uma mensagem muito importante: Quando queremos abraçar o Tudo, precisamos abraçar o Nada. A renúncia de nós mesmos é essencial para sabermos quem nós somos. Jesus nos fala do grão de trigo que precisa morrer para perfilhar em outros vegetais que produzirão muito mais frutos do que se ele ficasse preso em sua pequena existência. Aí encontramos a raiz da verdadeira felicidade que o homem “moderno” se esqueceu completamente por confiar mais em si no que no Criador.
A morte e o sofrimento não são queridos por Deus. Surgiram como conseqüência do pecado. Deus se aproveita deles como meios de santificação, de reconhecimento do essencial. Todos se questionam diante da morte: os sábios, os ricos, os pobres. A morte é um ensinamento para os que confiam em suas próprias forças deixando Deus de lado. Os cristãos chamam a morte de irmã porque é por meio dela que iremos passar para vida definitiva junto com Deus e todos os santos. Não seremos mais escravos do relativismo imposto pelo mundo presente que se fere a si mesmo. O mundo produz infelicidade para si e para os outros. Procura costurar as coisas boas de Deus com falsos valores.
Jesus, para nos salvar passou também pela experiência da morte que não foi definitiva para Ele como não será definitiva para nós. Fomos criados para a eternidade. Por esta razão precisamos saber selecionar os valores e participarmos da missão salvífica de Jesus através de nossa colaboração com a missão de evangelizarmos a todos os povos e a todos os ambientes. Para que isto aconteça vamos passar pela cruz e pelo sofrimento momentâneo na certeza da paz definitiva.
Os gregos quiseram “ver Jesus”. Precisamos de uma amizade histórica com o Senhor para vencermos os nossos egoísmo e vê-lo na realidade e em todos os nossos irmãos especialmente os mais necessitados. Quando vemos Jesus somos obrigados a segui-lo dentro da realidade onde nos encontramos. A missão está sempre relacionada com a revelação. Deus se revela para nos enviar como instrumentos de salvação para os nossos irmãos. O seguimento de Jesus não é uma teoria, precisa passar pelo coração, pelo centro afetivo de nossa vida.
Deus quer que façamos desta existência mortal um processo de preparação para a vida definitiva vencendo aos poucos as nossas limitações. Neste tempo da quaresma precisamos recorrer ao sacramento da reconciliação. Pelo perdão de Deus saberemos nos perdoar e perdoar os nossos irmãos.

“Senhor Jesus, que possamos aceitar a realidade do sofrimento que devemos passar nesta vida para experimentarmos a verdadeira alegria que vem de ti”.

Padre Giribone - OMVICAPE